O legado de Kyle

1 O filho de Lúcifer


Notas iniciais
Hey, everyone! ~Like a Spider em Guerra civil~
Bom, primeiro capítulo da fanfic e tudo mais, espero que gostem.
E bom, como disse no disclaimer, não leve nada aqui a sério.
Bjos de luz.

Acessa no youtube: Nois Inventa
♥

O.K, O.K!
Se você é daquele tipo de religioso que não sabe como tudo aconteceu, não me venha ler meu legado, por favor. Eu demorei uns séculos pra escreve-lo e deixa-lo intacto e sem nenhuma poeira ou rasura — droga! caiu café na lateral! — Ern... Bem, eu sou Kyle, um demônio. Pra ser exato, não sou um demônio qualquer, sou filho de Lúcifer. "Ah! Qualquer demônio é filho de Lúcifer", ai que você erra, minha cara ou meu caro, eu sou realmente aquele que veio do esperma daquele maldito rapaz com asas iradas, sou como um anjo, mas, meus amigos anjos não me olham desse modo, sabe? É problemático de explicar e você vai entender no decorrer da história.
Quando você leu o nome de meu pai, "Lúcifer", pensou coisas ruins, não é mesmo? Eu sei que sim. Por que até eu já olhei por esse lado quando estava com minha mãe na claridade, ou, "na Terra". Pus em aspas por conta da destruição que aconteceu logo após a guerra dos 5 dias, Anjos versus Demônios, vocês vão ler muito sobre isso. Mas, voltando ao papai Luci, ele é um cara bom que foi mandado pelo vovô e foi preso — essa é a parte que eu entro! — e bilhões de anos depois, se libertou pela ordem do mesmo. Mas, não rolou aquilo de apocalipse, sabiam? Ele só foi foder com umas vadias — desculpa, mãe — comer uns hamburguers e engordar um pouco e tudo mais.
Minha mãe foi a única que teve a graciosidade de engravidar, sinto por ela.
Morei por 18 anos em Lawrance, Kansas. — Não, isso aqui não vai entrar na série de Supernatural, cheio de Hunters, vampiros e outras coisas, podem deixar que Sam e Dean vão ficar bem longe desse legado lindo aqui. — Embora não tenha tido tantos amigos durante minha estádia no local, minha mãe nunca me deixou de lado por nenhum segundo e claro, até os 16 anos, eu não sabia quem era meu maldito pai.
Todos ao meu redor eram cristãos, fanáticos e diziam que meu cabelo esbranquiçado e meus olhos castanhos quase avermelhados faziam parte da minha linhagem com o diabo, já que era raro ter essas caracteristicas, alias, nenhum humano tinha.


— Eu não acredito que exista esse tal de Lúcifer ou Deus. Se existem mesmo, por que não temos um bom mundo, por que só existem humanos na Terra? Por que não tem vida em outro planeta? Deus seria tão egoísta ao ponto de criar apenas nós?


Eu era ingênuo. Não sabia o que falava mesmo com 14 anos, eu questionava tudo. Minha mãe sempre dizia:


— É bom questionar, mas, não tudo, meu filho.


Eu olhava para ela e só sentia um vazio por não ter as respostas que eu queria.
Minha mãe era bonita, não que seja por ela ser minha mãe, ela realmente era. Ruiva, cabelos até a cintura, olhos castanhos escuros e um corpo moderável para uma mulher de 30 anos, sim, ela me teve bem cedo. Ah, seu nome era Amy, Amy Lozzer.
Na escola não era muito diferente, não tinha amigos, não tinha alguém para brincar, eu ia e voltava sozinho todos os dias da semana — sim, agora é a hora que você sente pena do protagonista aqui — era tedioso ver todos sendo buscados por seus pais ou só pelo pai. Havia uma professora que gostava de mim, ela sempre elogiava meus olhos e o cabelo branco, acho que ela pensava que eu era um "cosplayer". Eu amava as aulas dela, ela me fazia lembrar a mamãe, por ser tão cuidadosa com o garoto que não tinha amigos ou um pai para ir busca-lo na escola quando o sinal batesse.
Sabe quando você percebe que você não faz falta? Ou sente que apenas quer sumir e nunca mais voltar naquele lugar? Eu sentia isso todos dias, a depressão era quase uma amiga minha, só faltava eu aceita-la para que sentasse do meu lado.
Na primeira semana de aula de 2016, estava com 14 anos e meio, era uma criança vaiada por ter cabelo grisalho e olhos femininos demais para ser um homem.


— Veja se não é o vovô mulher!


Parece simples e bobo o apelido, mas para alguém que vive sozinho e não sabe o que é brincadeira, doía.


— Vocês realmente não tem o que fazer, não é?


Sempre era minha resposta com a voz calma logo após o bullying. Mas, aquele dia foi diferente, o "líder" do grupo dos valentões da escola veio até mim — tá bom, eu juro, aquele cara era dois de mim, eu lembro até hoje e olha que já faz uns 6 anos que aconteceu —.


— Você é um molequezinho fofo. — Ele ironizou na voz. — Sera que gosta de umas dedadas?


Engoli minha saliva a seco.


— Olha.. — olhei para cima e tentei disfarçar o medo — Não me enche, tá?


O garoto sorriu e pegou em meu cabelo, a dor foi inevitável, senti meu coração palpitar mais forte, meus olhos se direcionavam para a mão do rapaz que ia para trás, ele ia me dar um soco.


— Você sempre faz isso, não é mesmo?


Eu ouvi um grito e parecia que foi minha salvação, senti meu cabelo sendo solto e meu corpo ir para trás, ouvia passos de corrida, meu olhar se direcionou novamente para o garoto que ia me bater e vi um rapaz dando um chute em seu rosto.
Os alunos ao redor gritavam e vaiavam, eu já não estava entendendo nada.


— Shay! Seu desgraçado.


O rapaz limpava o sangue do nariz.
Shay, aquele nome nunca mais saiu da minha cabeça, o rapaz havia me salvado de ter levado uns três ou quatro pontos na boca.
Eu comecei a me levantar e limpar minha roupa e quando olhei para o rapaz que havia dado o chute, um arrepio correu em meu corpo. Não sabia o porque, mas, eu pude ver algo a mais nele.


— Obrigado.
Eu murmurei enquanto passei por ele.


Sim, eu era orgulhoso e sim, eu estava com medo daquele arrepio e não, não sou gay.
Existia uma garota na escola, a única que não me olhava estranho e mesmo assim, não falava comigo e cá entre nós, eu já li muitos livros de conquistas e no auge de meus 14 anos e meio eu já havia lido uns seis. Sabia quando eu tinha chances ou não e claro, eu não tinha nenhuma chance.
"Hey! Onde tá seus poderes de demônio?" Querido (a), estou contando até onde eu lembro e eu lembro do meu colegial, da minha primeira paquerinha, porra! Um semi-demônio ou semi-anjo tem sentimentos também, sabia? Vocês me magoam.
Mas vamos ao assunto "garota bonita que nunca vai me beijar".
Seu nome era Harley, eu já gostava dela só pelo primeiro nome, era uma referência à Arquelina, aquela gostosa dos quadrinhos da DC. Harley era um ano mais velha do que eu, o que me deixava mais cabisbaixo ainda, ela também ia sozinha para casa, nunca vi seus pais indo busca-la, esse era mais um ponto pra que eu achasse ela mais atraente ainda.
Aquele ano foi basicamente isso: O rapaz que queria me bater, havia desaparecido e eu nem pude saber o nome dele para ir busca-lo e dar um tiro na cara dele, mesmo não tendo arma ou coragem pra isso. Shay foi outro que eu nunca mais vi, sua aparição ainda me causava perguntas e muitas. Harley havia passado e faltava apenas dois anos para ela terminar o ensino médio e ir para uma faculdade e eu nunca mais vê-la, ah, e as vaias e brincadeiras de mal gosto comigo ainda continuavam.
Vocês devem estar se perguntando: "Kyle, por que você não mostrou os poderes?"
A resposta é bem simples, eles fluiram com 16 anos, quando algo aconteceu em casa.
Vou pular a parte que eu nunca falei com a Harley ou com qualquer outro aluno na escola e vou ir para meu terceiro ano no ensino médio, bem no final. Eu estava com 16 anos.
Meu corpo havia mudado, meu cabelo estava maior, meu estilo estava diferente, menos os olhos afeminados, eles ainda estavam ali.
Minha mãe havia adoecido naquele ano, era 2018.
Eu já não tinha ninguém comigo, não poderia perder minha mãe. Meus parentes iam na minha casa e começavam a rezar e rezar mais ainda. Mas, não houve melhoria, não houve mudança alguma.


— Vocês realmente acham que palavras vão salva-la?


Entrei pela porta do quarto e olhei para cada um.


— Vocês ainda acreditam no Deus? O cara que está deixando minha mãe ir? É isso mesmo? Essa maldita fé cega!


Minha raiva estava me consumindo, aquelas pessoas estavam confiando em alguém que na minha visão não existia ou se existia, não estava olhando por eles ou por minha mãe.
A luz começou a piscar e o mais estranho é que não foi apenas no quarto.
Todos olhavam para minha mãe como se ela fosse a culpada, como se ela tivesse feito aquilo, como se ela fosse um monstro.


— Não olhem assim para ela!


As lâmpadas explodiam de uma vez.
Meus familiares olhavam um para o outro com medo e começavam a ir para a parede e se encostar.


— Cristo!


Só ouvia esse nome.
Um espelho que estava atrás de um de meus tios, mesmo escuro eu pude ver algo, era meu rosto. Mas, aquele não era eu.
Os olhos vermelhos brilhavam, a aparencia era mais palida, e existiam manchas, manchas de ferimentos.
Levava minha mão até meu rosto, mas não sentia nada.
Minha mãe estava com um sorriso no rosto e levantou a mão com dificuldade e me chamava para perto dela. Aquilo me acalmava. — sério, se não fosse minha mãe, eu teria destruído todos meus tios e primos que estavam naquele quarto, seria uma chacina. — me sentei na beira da cama e segurei sua mão.


— Venha até aqui, Kyle.


Ela estava com a voz fraca, cada palavra parecia seu último suspiro, eu estava sentindo que seria um adeus. Eu me aproximei de seu rosto quando ela sussurrou:


— Seu pai é um anjo.


Era algo incompreensível para mim.


— Um anjo de asas belas, a claridade e levesa de suas palavras era incrível.


Aquilo me travava mais. O que minha mãe estava dizendo? Por alguns segundos eu achei que ela estava delirando até que:


— Lúcifer, seu pai é Lúcifer.


Alguém batia na porta.


— Lúcifer? O Diabo?


Minhas palavras eram confusas e mesmo minha mãe estando tão próxima da morte, eu não poderia acreditar naquilo, ele era algo ficticio na história humana, um ser mitologico como Zeus, Hades, Poseidon ou qualquer outro tipo de deus.


— Abra a porra da porta!


Aquela voz era familiar para mim. O mesmo arrepio que eu senti quando vi Shay pela primeira vez.


— Mãe.. Não brinque comigo, isso não existe.


A porta foi arrombada.


— Kyle, você é surdo? E esses crentes? Que droga, saiam daqui!
Eu olhava para Shay invadindo minha casa e expulsando meus primos e tios. Todos estavam assustados. Mas, quando aquelas pessoas passavam por ele, elas desmaiavam e seus olhos começavam a sangrar, seus ouvidos sangravam e eles vomitavam sangue.


— Shay?


Me assustei mais ainda.


— Caralho cara, isso é bruxaria?


Eu não acreditava em demônios, anjos, Lúcifer ou Deus, mas acreditava em bruxaria, era algo que vinha da natureza e não tinha crença, você acredita no que quer e faz acontecer como quer. Embora seja vista com algo ruim, bruxaria é a melhor coisa do mundo a ser estudada e praticada.


— Cara, você é realmente filho do Luci? Até uma bruxa te zoaria por isso.


Olhei novamente para minha mãe e ela estava com o sorriso mais belo que ela já havia dado em toda vida, era estranho, eu não entendia mais nada. Kyle matou todos meus familiares, eu já era sozinho e agora? Minha mãe iria morrer a qualquer momento.


— Tia Amy!
— Tia?!


Shay balançava sua mão, eu senti meu corpo ser levado por algo, mas não tinha nada em mim, e em instantes eu batia contra a estante de livro que se quebrava.


— Não o trate assim, pequeno Shay!
— Eu tenho 650 anos, tia.


Minha cabeça rodava, tanto pelo fato de ter os livros de Harry Potter sobre minha cara quanto ter um cara que eu tinha medo falando naturalmente com minha mãe e ela respondendo mais naturalmente ainda. — Tá, sério, essa foi a parte que eu mais odiei em na minha vida, ter perdido minha mãe e ter conhecido o maldito do Shay. —


— Vejo que já está na sua hora. A Morte tá bem atrasada, Lu deve ta falando umas coisas com ela ou subornando para que você vá para o lugar mais calmo do Inferno ou até vá para o céu. Mas temo que o otário do Kuller deixe você passar no portão do paraíso, mas quem sabe né? Ninguém mandou transar com o Anjo Caído.
— O.K!


Eu gritei jogando os livros pro lado.


— Isso é pegadinha? Mãe, você tá morrendo e tem um cara falando merda -


Shay estalou os dedos e minha voz se sessou.


— Você é uma aberração, Kyle. Um Anjemonio, quem sabe? Lúcifer gosta do posto de anjo, então seja um filho bom e lembre-se que você não imortal.


Meus olhos se abriam com medo das palavras do rapaz.
O clima do quarto começava a esfriar, mais frio do que faz em Lawrence durante a noite. Olhei para minha mãe e vi seu último sorriso.


— Mate-o.


Ela murmurou e sorriu olhando para mim.
Seus olhos castanhos começavam a perder a cor, sua pele se tornava mais pálida e aquele sorriso se esvaia em seu rosto.
Shay se dirigia em minha direção, e pegava em minha cabeça e me levantava com facilidade.


— Minha mãe...
— Não reclama. Ela foi ótima com você, durante seus 16 anos ela nunca temeu você e sempre te amou. Você vai ter que decifrar suas últimas palavras, porque nem eu mesmo entendi.


Ele se virou de costas e foi até a porte desviando-se dos cadáveres.


— Na próxima vez que nos vermos...


Ele acendeu um cigarro e o tragou.


— Não vai ser amigavelmente, Anjemonio.


Shay desaparecia com um piscar de olhos. Olhei para minha mãe sobre a cama e em seguida para o chão onde estavam meus parentes ensanguentados, segundos depois o clima já estava normalizado e eu novamente me olhei no espelho e via meu rosto normal.


— Lúcifer?.. Sério?


Eu balançava minha cabeça como negação, sentia a dor de ver minha mãe sobre a cama, sentia dor de estar definitivamente sozinho. Aquele foi meu pior presente de 17 anos.
Liguei para a polícia.
Um mês depois do ocorrido, eu estava sozinho e também fazia um mês que eu não pisava na escola, não tinha nexo continuar algo que não iria para frente, minha mãe já não estava mais ali para ter orgulho da minha nota 10 ou do meu caderno em dia, ou até do "cheguei da escola, mãe" e ser recebido com um sorriso lindo da mulher ruiva.
Em alguns momentos dos dias, eu ouvia passos dentro de casa, ouvia pessoas me chamando, pedindo ajuda, ouvia gritos. Meus tios costumavam dizer:


— Uma vez no inferno, sempre no inferno!