O jogo do deus
2 E tudo isso por cookies
Notas iniciais
Eles não sabiam por onde começar. Tudo bem, Sr.D havia dado uma ordem, mas como fazê-la sem ele pra coordenar tudo? Ele simplesmente havia ido embora e esperava que realmente todos eles fizessem aquilo sozinhos?
Ficaram se encarando por um longo tempo. A lua já banhava todo o refeitório. As tochas crepitavam como se incentivassem os campistas a não ficarem parados e agir de uma vez.
– E então? – murmura a garota que a tempos havia perdido seu apetite pela pizza. – O que devemos fazer? Na verdade... Porque deveríamos fazer? São só cookies.
Os da equipe laranja concordaram lentamente. – Nem precisávamos nos arriscar... os cookies poderiam vir amanhã. – murmurou o rapaz alto, que ainda com a pele roxa tinha as marcas laranja de tinta no rosto.
Mas então um dos verdes suspirou. – Tenho a leve impressão de que se não fizermos, vamos ser ‘uvas’ para sempre. – Disse ele verificando suas mãos, que continuavam roxas. – E qual o problema de uma aventura por ai?
Eles já não estavam com raiva. Não seria totalmente estranho fazer a união entre eles. Começaram a se dividir entre laranja e verde (e um tanto de roxo), ainda confusos com o que fariam a seguir.
– Eu não sei, o problema não é meus se os cookies sumiram, mas fico roxa do mesmo jeito. – suspira uma garota baixa do laranja.
Por fim, sentaram-se nas mesas que antes haviam gerado toda a confusão. Como nada acontecia, como não sabiam como começar, como a tensão não desaparecia, a única opção era esperar.
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Esperar, esperar....
Até se perceber uma energia negativa e um odor invadir o ar... como a morte.
Todos das equipes mistas olharam pra trás e ficaram entre sussurros.
– Ralf...lá vem ele.
Ralf era um menino atrapalhado, não se importava com praticamente nada, e depressivo por nunca ter visto seu pai. Usava suas costumeiras roupas escuras, que com o aspecto sombrio de um filho de Hades provocava arrepios em qualquer um.
–Oi Ralf!- disse Kaya num tom enojado. Ela era uma garota com os compridos fios negros e pele ( que antes do roxo atual ) era pálida como a de Ralf.
O filho de Hades passou olhou sem cumprimentar sua irmã, que fez cara feia e então voltou a conversar com outra garota, e dirigiu-se até Andrew, o único na turma que não sentia ‘repulsa’ por ele.
– E ae filhote de Hefesto — falou Ralf, apertando a mão do seu amigo. Os dois fizeram uma troca de olhos por conta da tensão no local
– Diga moleque do Tártaro!- respondeu Andrew num tom de brincadeira.
– O que está pegando aí? Confusão de novo? – ele suspirou
Andrew cruzou os braços e encarou o redor.
– Sim, os verdes roubaram os cookies dos vencedores, aquela parada da caça bandeira.
Uma garota do laranja fuzilou-os com o olhar, como se protestasse mentalmente com a importância que Andrew aos cookies.
– Então...tudo isso por causa de cookies? – Ralf segura o riso.
– ERAM DE CHOCOLATE Ô CRIA DO SETE PELE. – resmunga ele. – Chocolate.
– Cara, assim você me envergonha. – suspira Ralf, observando os campistas ali. Alguns do verde trocavam ideias com os laranjas, que por sua vez estavam sentados em cima das mesas, balançando os pés, indiferentes. As filhas de Afrodite não paravam de pentear seus cabelos sedosos, até que uma delas deu um grito de frustração: A maquiagem havia tampado a pele roxa, mas parecia que a ‘maldição’ do Sr.D havia sido intensa, e por isso o pó simplesmente desapareceu.
– Hey, cadê a Louyse? – Ralf pergunta com o tom embolado.
– Que Louyse? – Andrew arqueia as grossas sobrancelhas
– Filha de Ares. – Ralf bufou ao perceber que Andrew ainda não reconhecia a garota – Aquela que cravou a espada na luz do banheiro feminino e a lâmpada acertou em cheio na cara de outra garota. – ele deu de ombros.
– Ah! — Andrew sorriu, travesso. – Essa ai deve estar preparando as armadilhas de sempre com Katherine, a de Hermes. Mas cara... por que quer saber dela assim do nada? Está rolando algo ai que eu não sei? – o sorriso dele ficou um tanto malicioso.
Ralf corou no momento, não sabendo o que dizer, por mais que tinha a certeza da resposta ser não – Cara... sua pele está roxa?
Andrew concordou, parecendo não ligar. Ele despenteou os cabelos, como se tivesse orgulho da pele lilás. — Aconteceu isso com todos, o D-Nervosinho de novo. – ele deu uma piscada. – Acho que menos com você que fica trancado naquele chalé o dia inteiro! Não, espere, acho que estou vendo a ponta de seu nariz ficar roxa.
Ralf apalpou seu nariz desesperadamente. Quando percebeu que era brincadeira, riu nervosamente. — Esse é o bom de ser solitário no seu chalé, nada de pragas e maldições do Sr. D.
– Será? – ele retirou um pedaço de metal fino dos bolsos e começou a entortá-lo
freneticamente. — O lado ruim da sua vida deve ser irmão da ‘Kay-chata’! – ele brincou com o nome da irmã de Ralf e os dois riram casualmente.
– Quer saber? Estou apostando pra ver Fred com a pele roxa. Tudo bem que ele já podia ser um pouco dessa cor por causa dos traços de seu pai, mas nunca havia pensado nisso realmente....– Ralf fica confuso de repente. – Ahm... deixa pra lá.
Andrew ri, surpreso. — Cara, eu nunca vou te entender! Como um filho de Hades pode conseguir ser tão idiota as vezes? – então ele forçou uma voz grossa. – Porque todos os filhos de Hades tem total controle sobre sua intensa mente! – disse irônico.
– Só cale a boca, seu grande... – ele foi interrompido por risadas.
– Parece que o Ralf está apaixonado! – riu-se a garota recém-chegada. Tinha os fios compridos e cor de mel, com os olhos castanhos. Eles exibiam a determinação de alguém que não pararia de encher seu saco até que você desistisse... era o que ela fazia.
– Hey Kathe. – Andrew acenou, então voltou a retorcer seu metal, com as palmas enérgicas.
Atrás de Katherine uma garota de mais ou menos seu tamanho chegou. As duas também estavam com a pele transformada, e por isso se encararam a começaram a rir. Os cabelos cacheados de Louyse caiam-lhe os ombros, e ela sorria travessa.
– Vê? A confusão da ‘ praga das uvas ‘ só nos deu mais tempo para terminar aquela... certa coisa no chalé de Atena. – ela deu uma piscada para Katherine. Minutos atrás elas haviam deixado um ‘ presente ‘ no chalé 6, onde em cada cama havia uma aranha em tamanho real mas de brinquedo.
– Eles vão gostar! – concordou Katherine, observando o montinho de filhos de Atena que conversava, segurando o riso.
– Vocês são malignas. – disse uma nova voz. Uma garota mediana, de fios castanhos e mechas avermelhadas. Seus olhos eram impossíveis de definir a cor. Assoprou os cachos para o lado e encarou as duas duplas, dos garotos e garotas. – Hm, alguém me diz por que aquele sem graça. – ela apontou para Ralf, com ironia na voz. – É o único que não parece uma amora? – ela revirou os olhos.
– Ah, vamos lá Mellanie, é claro que ele seria o único excluído da história toda. Sempre é! – replicou Louyse. – Enfim, o que vocês acham dessa briguinha do cookie?
– Adorei o motivo. – riu-se Katherine. – Quer dizer, ou nós fazemos uma expedição por biscoitinhos ou ficamos assim pra sempre. Como smurfs... só que roxos.
Todos encaram Katherine e então caíram na risada junto á ela.
– É uma pena que não saibamos o que fazer agora... – começou Andrew. Mas então ele foi interrompido por um tremor na terra, que quase o fez derrubar seu pedaço de metal. – Mas que...?
Outro tremor. Talvez um terremoto? Ia aumentando a intensidade cada vez mais. Parava, voltava, parava...
– Parecem... – começou Katherine, arregalando os olhos.
– Passos. – completou Mellanie, tão surpresa quanto a outra garota.
– Passos enormes. – concordou Louyse.
Todos os outros campistas se levantaram dos bancos e mesas do refeitório. Metade sacou suas armas. Com um sopro gélido, todas as chamas mágicas, que não se apagariam simplesmente por vento, apagaram, deixando todos na mais intensa escuridão. Mas então o bronze celestial emergiu de vários pontos do salão, o que os pelo menos dava a chance de enxergar o chão.
Mellanie já estava com sua espada de lâmina pálida. Andrew tinha sua adaga em uma mão e o pequeno ferro retorcido em outra. Louyse acabara de retirar seu punhal da bainha...
Um rugido escurecedor veio de todos os lados. Algumas garotas gritaram de aflição. Então houve um grito ainda mais agudo do que o de todas elas, e passos apressados, meio cambaleantes vindo na direção do grupo.
– Dragão! – Kaya berrou de algum lugar do refeitório e o pânico começou quando os passos gigantescos retornaram, como se já estivessem do lado dos garotos.
– O quê? – todos os cinco: Ralf, Louyse, Katherine, Andrew e Mellanie murmuraram juntos. Se colocaram em um circulo, de costas um para o outro, como se tivessem treinado juntos a vida inteira.
– O Sr.D quer brincar mesmo, não quer? – murmurou Louyse, desafiadora, e então uma coluna de chamas iluminou todo o lado direito do saguão.
– Acho que quer sim. – suspirou Andrew.
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