O internato
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Notas iniciais
Num dia ensolarado, uma menina de cabelos ondulados pretos e olhos azuis safira olhava-se ao espelho prateado do seu quarto. Ela vestia um uniforme escolar. O conjunto era constituído por uma saia xadrez branca e preta, por uma camisa social branca e por um casaco preto que continha o símbolo do colégio (um brasão prateado com 6 torres cinzentas bordadas à mão), tinha à volta do pescoço um pingente de ouro com forma de estrela. O cabelo dela estava apanhado num rabo-de-cavalo.
O quarto era todo azul e nele entrou um rapaz de cabelos desarrumados pretos e olhos igualmente pretos e brilhantes vestindo o mesmo uniforme só que em vez de saia tinha umas calças xadrez brancas e pretas.
— Estás muito bonita no uniforme do colégio, Estrela. – Diz o rapaz sorrindo.
— Obrigada, Lucas. – Agradeceu a menina abaixando a cabeça.
— Ainda estás com medo? – Perguntou.
— Sim. – Respondeu olhando para ele.
— Vai tudo correr bem, vais ver. Agora está na hora de irmos pro internato. Queres ajuda com as malas? – Questionou.
— Sim, por favor. – Disse pegando nas mais pequenas.
Desceram as escadas, e uma senhora de cabelos loiros e olhos pretos os esperava, estava com uma cara pouco feliz.
— Já mandei o vosso dinheiro para lá. Agora metam as coisas depressa no carro ou parto sem vocês. – Disse e saiu pela pequena porta que se encontrava à frente deles.
— Vamos. – Disse Estrela começando a andar à frente do rapaz, que logo a seguiu.
Saíram da pequena e velha casa, e encontraram uma garota de cabelos encaracolados loiros e olhos azuis, utilizando o mesmo uniforme que Estrela, olhando furiosa para a mesma senhora de antes.
— Como assim eles vão para o mesmo colégio que eu? Isso não pode ser verdade! Ordeno-lhe que os tire de lá, agora! – Gritava para a mulher que olhava para ela com pena.
— Eu sei, eles só te vão envergonhar, meu doce. Mas não posso fazer nada quanto a isso. Foi o último desejo da mãe da pirralha para o teu querido pai e ele aceitou o que estava no testamento dela, pois o teu tio o obrigou em nome da justiça, se não ficava sem a fortuna da falecida mulher. – Disse sendo irónica ao dizer “justiça”.
— Então muda me a mim de colégio. Eu não vou aturar aquela chata e ao idiota do meu irmão também não. Por favor mãe! – Continuou resmungando e pedindo à senhora, ignorando a presença dos dois ali.
Eles simplesmente ignoraram-nas e puseram as coisas na parte de trás da limusine preta. Entraram e se sentaram ao lado um do outro.
— Quanto tempo vai demorar a viagem até ao colégio? – Inquiriu Lucas com um sorriso calmo.
— Demoramos mais ou menos 4 horas para chegar à estação do metro, se contarmos com as duas paragens de 1 hora para comer e ir à casa de banho. Depois disso a viagem deve demorar umas 4 horas. A seguir vamos para o colégio de táxi que deve demorar menos de 1 hora. São umas 9 horas de viagem. E como agora são 7 horas chegamos por volta da hora do lanche. – Falou rápido mas de modo a que o rapaz percebesse.
— Bonito! – Falou de forma irónica. A menina olhou-o com curiosidade. – Vou ter que aturar a chata e diva da Clara durante 9 horas seguidas. Vou morrer decerto, ouvindo aquela voz irritante na minha cabeça. Ai que inferno. – Falou.
— Eu ouvi! – Resmungou Clara entrando na viatura com raiva.
— Eu sei! – Retorquiu o moreno.
— Lucas para de chatear a tua irmã que é um anjo de pessoa. – Ordenou a dama de olhos pretos.
— Sim! – Respondeu o garoto mal-humorado. – Sim senhora Lola ! – Disse no ouvido de Estrela que riu baixo.
Como a menina de cabelos pretos dissera demoraram quatro horas até ao metro, dali a mãe dos gémeos foi se embora para casa. Do metro para a cidade da escola interna demurou quatro horas. E quarenta minutos até ao colégio.
Chegando lá viram um enorme castelo com seis torres que seriam os dormitórios, um enorme jardim com uma fonte ao meio à entrada da escola e um enorme portão preto às suas frentes.
— Que giro! Isto é colossal! Agora que vi como é a escola percebo que vale aturar o meu irmão! – Entusiasmou-se Clara ao ver a maravilhosa escola onde ficariam nos próximos anos. – Finjam que não me conhecem de lado nenhum. – Falou, começando a entrar no colégio.
— Estrela, queres que te acompanhe até à tua torre? – Questionou o rapaz.
— Não, obrigada! Eu quero ir sozinha. – Respondeu começando andar junto de Lucas.
Dirigiram-se à portaria. Pediram que lhes dessem os seus nomes e os anos em que estavam e deram lhes uma chave a cada um com o número dos quartos e o nome das torres em que ficariam, pois cada uma tinha um nome diferente. A senhora que lhes dera as chaves disse- lhes:
— Os quartos são em conjunto e não são mistos. A hora de deitar é às dez da noite e a hora de acordar é às sete da manha. Portem-se bem e boa sorte.
Os dois sorriram para a senhora e foram andando. Pararam e disseram ao mesmo tempo:
— Até já! – Riram e foram cada um para a sua torre procurar o seu quarto.
Estrela viu que o nome da sua torre era “ Bronze”, achou estranho. E foi à procura dela. Até que uma garota de cabelos castanhos lisos e olhos cor de chocolate com um pingente de prata em forma de lua lhe perguntou:
— Desculpa, sabes-me dizer onde fica a torre “Bronze”?
— Não. Também estou à procura dela. – Respondeu Estrela olhando à volta.
— Vamos procurar juntas, pode ser? – Inquiriu a menina sorrindo.
— Porque não? – Respondeu começando andar com a garota.
— O meu nome é Luna e o teu? – Perguntou a menina com o mesmo sorriso.
— Estrela.
— Que bonito nome. Em que ano estás?
— Décimo.
— Eu também. Qual o número do teu quarto? O meu é o número 3 no último andar.
— Também.
— Viva. Vamos ficar no mesmo quarto. Espero que dê-mo nos bem. – Festejou abraçando Estrela.
— Encontrei! – Gritou Estrela corando por ter gritado.
— Encontraste a torre? Onde está? – Disse enquanto procurava pelo local com os olhos.
— Ali! – Respondeu apontando para uma torre de três andares.
— Já vi! Vamos! – Disse pegando na mão de Estrela e começando a correr.
Entraram na torre parando de correr subiram as escadas e foram para o quarto onde ficariam. Entraram e viram uma garota de cabelos aos caracóis ruivos a arrumar as suas coisas. O quarto preto e branco era grande com 3 camas individuais seguidas, 3 armários e 3 roupeiros grandes, com 3 secretárias, três mesas-de-cabeceira ao lado das camas, 1 parapeito enorme com vista para as montanhas e vales verdejantes logo à frente, e 3 estantes de madeira trabalhada. A ruiva escolhera a cama perto da porta. Luna começou a andar até à cama perto do parapeito do quarto e Estrela ficou com a do meio. Começaram a arrumar as suas coisas. Quando terminaram de arrumar as coisas, a ruiva as esperava com um enorme sorriso no rosto. Os seus olhos eram de uma cor verde-esmeralda e continha um pingente de bronze em forma de sol ao pescoço.
— Prazer em conhece-las! O meu nome é Aurora. Espero que seja-mos boas amigas! – Apresentou se a menina.
— Luna. Prazer. – Cumprimentou a morena apertando a sua mão gentilmente.
— Estrela. Muito prazer. – Apresentou-se também apertando a sua mão. – É melhor irmos indo, se não perdemos o lanche. – Disse começando a sair do quarto junto das colegas.
Andaram até chegarem ao enorme jardim. Estrela avistou Lucas junto de 2 meninos, um tinha cabelos ruivos lisos e o outro cabelo castanho encaracolado.
— Meninas, vamos ter ali com aqueles três rapazes, o meu meio-irmão, Lucas, está lá. Talvez ele saiba onde fica o salão de refeições. – Disse começando andar mais rápido. Luna e Aurora olharam uma para a outra e encolheram os ombros, indo logo a seguir atrás de Estrela. Ao chegarem lá Lucas logo as notou.
— Olá, já arrumas te as tuas coisas Estrela? – Perguntou sorrindo. Ela assentiu. – Que bom, imagino as beldades atrás de ti sejam as tuas colegas de quarto, estou certo? – Inquiriu novamente.
— Sim! Esta é a Aurora. – Falou apontando para a ruiva. – E esta é a Luna. – Disse apontando para a outra menina que logo abriu o seu maior sorriso. – E os teus colegas são?
— Eric e Artur. – Apontou respetivamente para o ruivo e para o moreno que sorriam.
— Prazer em vos conhecer. Sabem nos dizer onde fica o salão das refeições? – Questionou Aurora sorrindo.
— Sim, fica já ali. – Respondeu Eric apontando para a grande porta ao fundo do jardim que viram quando entraram na escola.
— Vamos comer estou com fome! – Resmungou Artur esfregando a mão na barriga.
— Comilão. As meninas vão lanchar connosco ou preferem comer com gente chique e rica? – Brincou Lucas arrancando risos de todos pela vénia que fez.
— Claro que vamos comer com vocês. – Retorquiu Luna ainda rindo.
Quando entraram no local ficaram maravilhados com aquilo que este continha. Havia 3 mesas ao longo de todo o salão, existiam quadros de todos os ex-diretores do colégio e espadas nas paredes beges da enorme sala, o chão era de madeira escura e o teto era em forma de cúpula. Sentaram-se na mesa que dizia “Décimo” afinal todos estavam nesse ano. Conversaram sobre coisas banais até começarem a servir o lanche. O lanche era constituído por geleia, doce, compota, marmelada, manteiga, bolachas, pão, bolos, leite e sumo natural de laranja. Não estavam muitas pessoas lá pois a maioria chegaria só à hora do jantar, na altura do discurso da diretora.
— Pessoal depois de acabar-mos de lanchar querem ir dar uma volta pela escola? – Inquiriu Eric e todos assentiram.
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