O ilustrador de ilusões
5 Quem amava quem?
Olhou em sua roupa, mas não vira vestígio algum de tinta, nem em seu apartamento, nem nas suas mãos, nada. Observou minuciosamente cada detalhe delas e percebeu que não havia pinceladas no papel. Achou tudo muito estranho. Perguntou-se onde tinha arranjado aqueles cavaletes, já que tinha vendido tudo para o dono da galeria. Mas após um tempo cansou-se de pensar no que poderia ter ocorrido naquela noite e deixou tudo como estava.
Maynard estava decidido a colocar as pinturas de que mais gostou em exposição, quando uma voz um tanto autoritária começou a chamá-lo.— Ei, onde pensas que vai?— O que?Quem disse isso?— Eu. Não estas me vendo?— Onde?— Na sua mão ora!Quando ele olhara para a pintura que estava segurando, soltara-a rapidamente e emitira um grito interrompido. A mulher do quadro estava se mexendo.— Isso é algum tipo de truque? Disse Maynard, acanhado com uma voz esganiçada.— Que truque?Já não me reconheces?Disse ela andando em sua direção passando do papel, para o assoalho.— Fique longe de mim, assombração de Salvador Dali. Disse ele, se arrastando para trás.— Fique longe ou eu te rabisco com esse lápis aqui!— Que lápis? Ela estava a ponto de ter uma crise de gargalhadas.— Esse! E pegou uma colher.— Estas me achando com cara de tola?— Não. Por favor, não me amaldiçoe! Disse agora de joelhos.— Por que tem tanto medo, se ontem tu dissestes que me amava?— Não me lembro de nada que aconteceu ontem.— Ah.Que lastima a minha.Seu tom era de profunda lamentação.— Desculpe o incomodo então. Estava voltando para sua posição original na pinturaquando Maynard gritou:— Espere!Mas já era tarde. Nessa exata hora ela já estava perfeitamente posicionada, comapenas uma diferença em sua expressão.Sua feição já não era mais de puro tédio e sim de pura tristeza.
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