O ilustrador de ilusões
6 Dou- lhê uma, dou-lhê duas, vendido.
Por mais chateado que ele ficara por não se lembrar do que acontecera na noite anterior, decidiu esquecer e se concentrar na venda de suas obras.
Levou a maioria das pinturas, com exceção daquela do homem feio e a que estava por cima dessa. Estava para sair de casa quando olhos para a moça da pintura, aquela que conversara com ele anteriormente. Parou por um instante e a encarou esperando alguma reação. Mas ela estava intacta.“Eu devia estar louco, acho que bebi demais” Disse a si mesmo e continuou foi andando com seu material até a galeria.Chegando lá as pessoas presentes fizeram ótimos comentários sobre suas pinturas. Maynard estava felicíssimo pela proesa. Várias delas ofereceram muito dinheiro a ele, o que o fez pensar em um possível leilão.— Que grande artista! Essas telas vão se vender sozinhas hein! E eu darei o primeiro lance. Comentou uma senhora.Aquilo era música aos ouvidos de Maynard. Jamais tivera tanto orgulho de si mesmo. Agradecia os elogios e resplandecia de tanta felicidade. Era como se o artista dentro de si estivesse adormecido por um grande período e de alguma forma misteriosa ele fosse libertado.Um velho gordo com óculos arredondados perguntou por curiosidade do quadro da moça na qual ele segurava.—- Eu gostaria de saber mais a respeito do quadro dessa linda jovem que você segura, vc se inspirou em alguma obra ou pessoa para realiza-lo? É extremamente fascinante.— Na realidade não... (falava olhando para o quadro, quando a viu arquear a sombrancelha).Ficou incrédulo por um tempo olhando todos os detalhes do quadro, nervoso.—- O que foi rapaz? Algo errado? (Perguntou o senhor que o questionara sobre pintura).—- Não, nada (disse ele com um tom de voz mais agudo).—- Eu me lembrei que esqueci uma coisa em casa, eu já volto.—- Mas eu queria comprar o quadro da moça agora! (Insistiu o velho).—- Pois terá que esperar mais algum tempo. (Disse saindo da galeria somente com o quadro da moça, deixando os outros para trás).
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