.A vida pode ser cheia de coincidências, mas muitas pessoas acreditam em predestinação. Eu, Melissa Lambert sou uma delas. Tenho predestinação para o azar.

Meu pai, graças aos seus negócios, fez questão de me arrastar para longe da minha mãe. Agora, estamos em outro país, Coreia do Sul para ser mais exato.

— Filha, aquela ali será a sua nova escola. – Enquanto passávamos de carro ele apontava para uma propriedade. – Amanhã você começara a estudar.

Chegamos em Seul no domingo, e logo na segunda teria que ir estudar nesse inferno. Queria tanto ficar com minha mãe, mas graças ao patético juiz, minha guarda ficou com o meu pai, que por sinal é um “importante” diretor transferido pela filial da samsung nos EUA, e agora está encarregado de trabalhar na sede.

Ele deve estar feliz a voltar a sua terra natal.

Chegamos a minha nova casa, era enorme. Jardins, piscina, garagem ampla... Era a casa que qualquer um queria morar, mas eu não. Queria voltar para perto de meus amigos, e perto de minha mãe. Só isso.

— Olá srta. Lambert.

Fiz um olá meio sem graça.

— Esta é Ana, a encarregada por esta casa.

— Olá Ana. E por favor, não me chame de senhorita. Só Mel mesmo.

— Tudo bem senhori... Mel.

Esbocei um meio sorriso e fui à procura de meu quarto, só queria relaxar.

XXX

O sol insistia em brilhar em meu rosto me acordando, e ouço alguém abrir a porta de meu quarto.

— Bom dia Melissa, seu pai me pediu para te acordar. Você tem escola hoje. Seu uniforme está na segunda gaveta esquerda de seu armário.

— Obrigado Ana. – Ela se retirou.

Saco! Eu não queria ir para a escola com aquele monte de estranhos.

Vesti-me naquele uniforme e calcei um tênis estilo skatista, peguei meus fones de ouvido e pluguei no celular, não queria ouvir ninguém.

Desci as escadas já com meus materiais, e avisei que iria andando.

Minutos depois cheguei ao tal colégio.

Pessoas estranhas me olhavam enquanto eu procurava a secretaria. Elas me olhavam estranho. Tá que eu não tenho os olhos puxados, mas, meu pai é coreano. Não sei que diabos viram tanto em mim.

Finalmente achei a droga da secretaria, bati levemente na porta e logo girei a maçaneta ao ouvir um “entre”.

— Olá, você deve ser a novata. Melissa se eu não me engano.

A diretora era uma senhora baixinha. Ela havia dado um sorriso caloroso para mim.

— Sim senhora. – Assenti e soltei um sorriso meio vazio.

— Sua turma é o 2º A. Pedirei a Min Jae para te levar a classe.

— Olá, sou Park Min Jae, estudo na mesma sala que você.

— Prazer em conhecê-la Min Jae, sou Melissa Lambert, mas, por favor, me chame de Mel.

Ela assentiu e assim entramos na classe.

— Oh, você deve ser a aluna nova. Melissa se eu não me engano. – O professor me recebeu bem. – Sente-se naquela cadeira vazia ao lado do Min Yoongi, ele será seu parceiro.

Assenti e fiquei me perguntando “parceiro?”

Esgueirei-me até o final da sala e sentei-me ao lado do tal menino.

Ele nem sequer me cumprimentou, melhor assim.

Três chatos horários de literatura e inglês se passaram. Era o intervalo.

Eu estava morta de fome, mas preferi ficar na sala. Mais uma vez peguei meus fones e aproveitei para terminar de ler meu livro.

Eu estava sozinha na sala, e logo entram duas pessoas feito loucas gritando sem perceber que eu estava ali.

— Você não vale nada, só queria me usar para se vingar da Hae. – Gritava uma menina que tinha mechas louras.

— Não tive culpa se você quis me dar. Só aceitei. A decisão de querer transar comigo foi sua.

Simplesmente fiquei pasma perante o que havia ouvido. O tal Yoongi é o maior galinha.

Enfim, perceberam que eu estava ali, presente assistindo tudo.

— Tá olhando o que?

Olhei para um lado, depois para o outro. Assenti que era comigo.

— Falou comigo?

— Você é burra por acaso? Fica ai sem falar nada, só em silencio ouvindo as discussões dos outros!

— Pera ai senhor centro do universo! Eu estava aqui antes você que entrou com a sua amiguinha ai e começou a brigar e falar que não sei quem comeu porque ofereceu. Se está nervoso com seus relacionamentos mal resolvidos, não desconte em mim.

— Olha aqui vadiazinha solitária, quer que eu coma você também?

Levantei-me indignada pelo que tinha acabado de ouvir, estava meio cega pelo ódio de ter que vir morar e estudar aqui, e ainda tenho que ouvir desaforos? Ai não!

Marchei em direção a ele e só se ouviu o estralo do tapa bem dado que dei no rosto daquele imbecil.

— Como você ousa? – Ele estava perplexo com o que acabara de acontecer, e a garota que estava com ele também estava no mesmo estado.

— Ei, não bata nele assim sua vagabunda, ele é meu!

— Olha aqui, vagabunda é você, não fui eu quem andou dando para qualquer um! E você, me escute bem, — Apontei para o Yoongi. – No dia que você me insultar novamente, eu faço você engolir seus dentes.

Sai daquela sala infernal. Vi que ele foi atrás de mim, apressei os passos e sumi naquela multidão de alunos, até que me esbarrei na Min Jae.

— Ei, Melissa, cuidado!

— Desculpa.

— Por que está andando feito louca pelo corredor? Está parecendo o diabo fugindo da cruz.

— Aquele babaca do Yoongi, está atrás de mim porque lhe sentei o tapa na cara.

Ela ficou boca aberta.

— Você está louca? Só pode. Cara pode dar adeus a tua vida aqui neste colégio, porque ele vai fazer disso um inferno!

Ela havia me explicado que ele é um playboyzinho filhinho de papai que era famoso naquele colégio. A maioria das garotas morriam e matavam só para ficarem com ele.

Enfim o sinal tocou indicando o fim do intervalo era hora de confrontar o demônio. Esperava pelo menos que ele me deixasse em paz, ou eu cumpriria a ameaça de fazê-lo engolir aqueles dentes.