Notas iniciais
Oi, amorecos!!!!! Desculpa a demora... =/ Eu falei que meu ritmo ia mudar e ia começar a demorar mais... O tempo está realmente mais apertado, rotina corrida. Enfim, fico triste com isso também. Aliás, o motivo que eu me mantinha um capítulo à frente era justamente esse. Bom, na verdade é só por isso que estou postando, porque já estava pronto. O capítulo 15 não tem nem uma página ainda, mas achei que vocês estavam com saudade da história, do mesmo jeito que eu estava de postar e receber os comentários de vocês! Sendo assim, não sei quando o próximo capítulo vai ficar pronto. Porém, muitos comentários e algumas recomendações podem ajudar a autora a ficar motivada! ;) Esse capítulo é dedicado à Dracona Malfoy! Faz um tempo ela me deixou uma recomendação linda, linda, linda!!!! De uma generosidade sem tamanho! Foi muito especial, e, embora haja algum tempo, eu nunca esqueceria de agradecer aqui! (Já agradeci antes por MP, mas não é suficiente) A dedicação desse capítulo é o mínimo que posso fazer. Muito obrigada, querida! Espero que vocês gostem! Eu adorei! Boa leitura!

Depois de cerca de oito meses em que Carlos gerenciou as negociações, acertando detalhes do contrato, tentando deixa-lo o mais satisfatório possível para as duas empresas, havia chegado o dia da assinatura.

Carlos e Anthony chegaram à casa de Klaus por volta das 20h. Lá aconteceria finalmente o firmamento do acordo num jantar. Bem, “jantar” era apenas uma forma de falar, já que na verdade aquilo era mesmo um grande evento social realizado no salão de festas no anexo da mansão do CEO da empresa. A ocasião reunia os sócios e a diretoria de mais alto cargo da multinacional, além dos CEO’s de todas as empresas que tinham relações comerciais, junto com suas respectivas esposas e maridos, como era o protocolo natural naquela circunstância. No total eram mais de cento e cinquenta pessoas.

O casal chegou na Lamborghini dirigida por Tonny. Chamaram atenção não apenas pelo belo carro, mas também pela elegância dos dois. Carlos usava um terno risca de giz que parecia ter sido feito sob medida de tão perfeito que o vestia, camisa branca, gravata com desenho bem pequeno xadrez branca e preta e sapatos pretos. O executivo estava realmente lindo. Tonny usava um terno com colete cinza, camisa branca com colarinho diminuto devidamente abotoada até em cima, mas sem gravata e sapato marrom. Lindamente vestido, o publicitário não perdia em nada no quesito beleza e charme para o marido.

– Aí está o homem que vai virar sócio esta noite! – disse Klaus se aproximando do amigo que acabara de cruzar as portas do salão, erguendo a mão para cumprimenta-lo, fazendo Carlos soltar a mão do marido para retribuir o gesto.

– Obrigado, Klaus. Mas eu só acredito vendo. Realmente não foi nada fácil fechar essa negociação. Espero que esse bendito contrato seja assinado hoje.

– Será. Estou certo disso. – Virou-se para o publicitário – Anthony! Como você está? – o cumprimentou com um aperto de mão.

– Olá, Klaus. Estou bem, obrigado. E você?

– Eu estou ótimo! Que mal vai a mim numa noite como essa? – sorriu – Parabéns pela nova fase na vida de vocês. Faz tempo que não nos vemos, eu não tive a chance de parabeniza-lo pela casa nova e pelo filho de vocês que deve chegar em breve.

– Muito obrigado. Como você mesmo disse é uma nova fase, grandes mudanças, mas estamos muito felizes com isso. Quanto à nossa distância, precisamos resolver isso em breve. Faz tempo que combinamos um jantar. Vamos marcar algo na nossa nova casa, assim que estiver tudo em ordem, o que acha? Fale com a Lise.

– Por falar nela, onde ela está? – indagou Carlos.

– Você sabe como é a minha esposa, não para um minuto. Deve está dando atenção a alguém.

– Carlos! Anthony!

– Não morre mais... – disse Klaus.

– Oi, Lise! Estava ainda agora falando com o Klaus que nos devemos um jantar. – Tonny abraçou a mulher.

– Concordo plenamente. Faz muito tempo desde o último.

– Como está, minha querida? – Agora era Carlos que abraçava a mulher que usava um belíssimo vestido longo vermelho com decote profundo nas costas.

– Não tão bem quanto o mais novo sócio da GK International.

– Não vamos cantar vitória antes do tempo... – dirigiu o olhar a Klaus – Todos já chegaram?

– Todos que importam, sim. – riu – Faltam apenas Mazo e Thomas e Brian Smith, seu parceiro de negócio, e a esposa.

– Aliás, você sabe se ele é casado, Carlos? – indagou Lise – Minha secretária tentou confirmar a informação para fazer lista de convidados, mas não conseguiu. Acabou colocando apenas “acompanhante”.

– Não... Não faço ideia. Ele parece muito reservado. Acredite que todo esse tempo nós negociamos foi sempre por meios eletrônicos, telefone, e-mail, algumas raras videoconferências, mas nunca tratamos sobre vida pessoal. Eu achei ele muito monótono e chato, se você quer saber. – falou baixo, o que fez Lise rir.

– Bom, vamos descobrir agora se há uma senhora Smith. Ele acabou de chegar. – disse Klaus.

Todos se viraram pra ver Brian Smith chegar sozinho. O homem era realmente muito bonito. 1,85m de altura, cabelos pretos lisos cortados de forma moderna até a altura das orelhas, olhos verdes e um ar de conquistador que exalava por cada um dos seus poros. Aparentava ter por volta de 35 anos.

– Gutierrez. – o homem apertou a mão de Carlos.

– Smith. Finalmente nos encontramos pessoalmente. Fez boa viagem?

– Fiz, obrigado.

– Não trouxe a senhora Smith?

– Não. Não há uma senhora Smith. – dirigiu o olhar para trás do executivo – Nem um senhor Smith, também. – disse olhando nos olhos de Tonny.

Carlos olhou pra trás só pra ter certeza que era o marido o alvo daquele flerte aberto de Brian. Engoliu a vontade de soca-lo imediatamente, tentando manter seu lado profissional mais devido ao momento e ao ambiente do que pela assinatura do contrato especificamente.

– Bom, uma pena pra você. Eu não tenho o mesmo problema, já que HÁ um senhor Gutierrez. Este é o meu marido, Anthony Gutierrez. – pegou na mão do publicitário trazendo-o para o seu lado.

– Prazer conhece-lo, Anthony. Posso chama-lo assim? – Brian estendeu a mão para cumprimenta-lo.

– Claro. O prazer é meu, Sr. Smith. – respondeu meio sem jeito diante da situação. Não sabia bem como agir, mas achou que era melhor cumprimenta-lo de volta e também estendeu a mão. Tonny percebeu que o aperto era firme, mas sem força. Após alguns segundos acabou por puxar a mão de volta, já que o homem parecia que não iria solta-la.

– Por favor, me chame apenas de Brian. – sorriu. Deu uma bela olhada em Tonny, da cabeça aos pés, e virou-se para Carlos – Você é um homem de muita sorte, Gutierrez.

– Não tenha dúvida disso, Smith... – respondeu com uma expressão cínica, os olhos levemente cerados e a voz fria.

– Brian Smith! É um prazer finalmente conhece-lo. – interveio Klaus, imaginando que aquilo ia se transformar em algo muito ruim logo, logo devido ao conhecido ciúme do amigo e futuro sócio. – Espero que possamos fazer um belo negócio essa noite.

– O prazer é todo meu, Sr. Goulart. Eu também espero que sim.

– Essa é minha esposa. Lise Goulart.

– Encantado, Sra. Goulart. – a mulher apenas agradeceu e sorriu.

– Vamos entrar? Tem algumas pessoas querendo conhece-lo também. – disse Klaus ao recém-chegado.

– Claro. – a dupla começou a andar vagarosamente para o centro do local.

– Fique com a Lise e sinta-se à vontade. Divirta-se. – Carlos disse ao marido e o beijou rapidamente nos lábios – Assim que eu puder, eu te encontro, ok?!

– Tudo bem... – selou os lábios de Carlos – Pra dar boa sorte. – Piscou.

– Obrigado. – sorriu.

– Anthony, tem algumas pessoas que você vai gostar de conhecer... – Lise deu o braço ao publicitário saindo junto com ele – Vou te apresentar todo mundo...

– O Anthony não irá nos acompanhar? – indagou Brian, parando de andar.

– Eu receio que não. – respondeu Klaus.

– Por quê? – quis saber.

– Simplesmente porque ele não é um homem de negócios e tampouco conhece a nossa negociação... – desta vez Carlos respondeu, olhando-o firmemente.

– O que ele faz?

É meu! Pra você é isso que ele faz. E é a única coisa que você precisa saber!”, as palavras vieram na ponta da língua de Carlos.

– É publicitário. Diretor de criação. – acabou por responder, se controlando.

– Eu não vejo ninguém melhor que um publicitário, um profissional que sabe tão bem discernir prós e contras, e que te conhece muito bem para me auxiliar na decisão de assinar o contrato. Acho até que seria essencial a presença dele neste sentido... – disse olhando pra Carlos.

– Eu discordo. Não vejo necessidade de envolver o meu marido nisso. Essa negociação é entre você e eu. – Carlos devolveu um olhar frio e intenso. Sentia que estava no seu limite e daria um soco naquele homem a qualquer momento.

– Talvez Smith tenha razão, Carlos... – Klaus, percebendo a expressão do vice-presidente, interveio mais uma vez.

– Como é? – olhou incrédulo.

– É... Veja bem... Quem melhor do que o homem que divide a vida há tanto tempo com você pode saber das suas qualidades como pessoa e profissional? Claro que isso ajudaria o Smith a confiar em você no que pretende fazer com o dinheiro que ele irá investir.

Carlos não respondeu, simplesmente porque não estava acreditando que Klaus estava realmente falando aquilo. Tinha vontade de pegar o maldito contrato e rasgar, picar em pedaços bem pequenos na frente dos dois e sair com Tonny imediatamente dali.

– Vamos Smith. – continuou diante da falta de resposta – Vou te apresentar algumas pessoas. Enquanto isso, Carlos e eu vamos ligar para um dos nossos diretores que ainda não chegou. Quando voltarmos, Anthony se juntará a nós. – sorriu e seguiu com Brian até um pequeno grupo de homens não muito distante.

Carlos ainda esperou ali parado por pouco mais de dois minutos, enquanto Klaus fazia uma breve introdução do investidor aos outros. Quando o CEO voltou, pegou o vice pelo braço e o levou até o escritório que havia ali.

– Você está louco?! – finalmente teve uma reação quando a porta se fechou – Você viu o que aquele cara estava fazendo? Dando em cima do meu marido descaradamente, na minha cara! E você ainda concorda com ele naquela ideia absurda em envolver o Tonny no processo de negociação! “Posso te chamar de Anthony?... Me chame de Brian...” – imitou o outro com uma voz irritante e uma careta. Klaus teve que se segurar pra não rir da cara dele.

– Carlos, dá pra se acalmar e me ouvir? – respirou fundo procurando as palavras – Eu sei que você morre de ciúme do Anthony, mas sei também que você sabe que ele te ama e não trairia a sua confiança. Você não tem o que temer. Isso é apenas um jogo!

– Isso pode ser um jogo pra você e pra ele. Pra mim, não! Principalmente quando o objeto da aposta é o MEU marido! – passou a pelos cabelos com se fosse arrancar os fios – Sabe qual é a minha vontade neste momento? Pegar o Tonny e ir embora daqui agora mesmo! – disse apontando em direção à porta.

– Você não vai fazer isso! – disse Klaus, severo, como um pai repreende um filho. Suspirou buscando se acalmar – Você sabe quantas vezes eu tive que passar por essa situação na minha vida? Quantas vezes eu vi Lise ser cortejada por homens com quem eu estava fazendo negócios? São apenas uns infelizes, solitários, mal amados... E é isso que Brian Smith é! Homens como ele, que não construíram uma vida pessoal, não têm uma vida afetiva interessante, e muito menos é feliz como nós somos. Eles estão bitolados com o mundo dos negócios e acham que tudo pode ser comprado. Mas nós conquistamos o que temos e sabemos que o amor dos nossos parceiros não foi e não pode ser comprado. E você quer saber de uma coisa? Por mais que Smith corteje o Tonny, no final da noite é com VOCÊ que ele estará, é na sua cama que ele vai dormir e é com você que ele vai continuar acordando todos os dias; já Brian Smith vai voltar pra casa sozinho e continuar sendo um homem patético, infeliz, solitário e mal amado. Você não vai jogar oito meses de trabalho fora por causa disso! Não é mais por você se tornar sócio apenas, Carlos. Agora é pela nossa empresa e pelas empresas de todos aqueles homens que têm relação comercial conosco e estão lá fora esperando esse negócio ser fechado. Portanto, trate de esfriar a cabeça e vamos fazer isso dar certo. Nós vamos sair daqui, vamos encontrar o Tonny e vamos leva-lo para ajudar a assinar esse contrato. Estamos entendidos?

– Mas eu...

– Estamos entendidos?

Carlos assentiu com a cabeça e uma cara emburrada.

– E desmancha essa cara. – soltou uma risada pelo nariz – Onde será que o Mazo se meteu que ainda não chegou? Ele falou alguma coisa com você?

– Não. Mas o Tonny falou com Tom pelo telefone quando estávamos saindo de casa. Eles disseram que estavam terminando de se arrumar. Pelo tempo já deveriam estar aqui.

– Vou ligar pra ele. – Sacou o telefone do bolso e discou, mas o telefone chamou e ninguém atendeu. Duas vezes – Ninguém atende. Será que aconteceu alguma coisa?

– Espero que não. Acho que estão apenas atrasados mesmo, ter crianças em casa pode causar contratempos. Daqui a pouco eles estão chegando.

– Você tem razão... Agora, vamos? Tem um contrato pra ser assinado nos esperando lá fora.

Carlos bufou e seguiu resignado.

– Meu amor, já são 7h20! – disse Mazo olhando para o relógio – Vamos nos atrasar! Essa já é a quarta gravata que você troca. São todas azuis, não vai fazer diferença!

– Como não? A primeira era azul turquesa, a segunda azul royal, a terceira era azul marinho e essa é azul petróleo. Eu não posso usar qualquer coisa pra ir numa festa como essa... Mas eu acho que essa está perfeita. – arrumou o nó – Não vamos nos atrasar. Carlos e Tonny saíram a pouco de casa.

– Eu também quero ir pra festaaaa!!! – cantarolou Dan, pulando em cima da cama dos pais com o relógio de Tom no pulso prestes a voar com o agito dos seus braços.

– Menino! Me dá esse relógio aqui, antes que você jogue ele longe! – Tom segurou o braço da criança tomando o objeto – Você não pode ir nessa festa. É de gente grande, criança não pode ir. Você vai ficar com a Rose e a sua irmã. E vai se comportar, ok?! Amanhã você faz a sua festa com o tio Tonny e o tio Carlos, quando eles vierem buscar você e a Nana pra passear, certo?

– Certo! – pulou da cama com o auxílio do pai.

– Podemos ir?

– Podemos. – Disse colocando o relógio no pulso.

– NANAAAAA!!! A GENTE VAI PASSEAR COM O TIO CARLOS E O TIO TONNY!!! – o menino saiu correndo e gritando pelo corredor quando os pais abriram a porta do quarto.

– Dan!!! Não corra! Você vai ca... – antes que pudesse terminar de dizer a frase, o garoto tropeçou no primeiro degrau e rolou escada abaixo.

– AI, MEU DEUS!!! – Tom gritou e correu com o marido logo atrás.

Dan caiu de bruços e não se mexeu por alguns segundos. Desesperado, Tom virou o filho e viu o rosto dele ensanguentado; neste momento o menino abriu os olhos lentamente e começou a chorar.

– Ah, meu Deus do céu! Pra que você correu, meu filho? – Tom começou a chorar junto.

– Dan!!! – Nana respondeu ao garoto que a pouco a tinha chamado, saiu da cozinha e viu o rosto dele coberto de sangue – “Mão”... – disse já chorosa e foi em direção a ele, mas foi impedida por Rose que a carregou no colo – Meu mãozinho tá muito dodói... – começou a chorar inconsolavelmente, escondendo o rosto no pescoço da babá.

– Ele vai ficar bem, princesa... É só um susto... – a mulher acalentou alisando suas costas, enquanto adentou rapidamente na cozinha e pegou um pano de prato limpo e trouxe de volta para pressionar o ferimento.

Sem pensar muito, Mazo pegou a criança no colo e saiu em disparada com Tom ao seu lado pressionando o pano no corte que Dan tinha na testa, bem próximo ao couro cabeludo. Quando abriu a porta para sair, o dono-de-casa reparou na mão direita do filho que começara a inchar.

– Mazo... – segurou levemente o antebraço da criança e ergueu um pouco, mostrando ao marido.

– NÃÃÃÃÃOOOOO!!! – o menino gritou em meio ao choro desesperado e puxou o braço.

– Shhhh... Não chora, filho... Vai ficar tudo bem... O papai promete, tá? – disse o executivo, que já tinha o terno sujo de sangue, mais pra si mesmo do que pra criança. Ele estava, assim como Tom, desesperado em ver tanto sangue, mas tentava manter o controle já que o marido estava visivelmente abalado e chorando – Amor, você vai com ele que eu dirijo. – determinou.

Tom destravou o carro, sentou no carona e Mazo colocou o filho no colo dele, entrou pelo outro lado e deu a partida. O executivo correu o quanto podia, com o máximo de prudência que era possível se manter infringindo algumas leis de trânsito.

– Dan... Dan, olha pro papá. – pediu Tom secando suas próprias lágrimas. Tinha quinze minutos que saíram de casa e o hospital lhe parecia não chegar nunca – Não dorme, meu filho... – a criança parecia que ia fechar os olhos a qualquer momento, não chorava mais, apenas soluçava – Não dorme... Fala pra mim, onde tá doendo?

– A cabeça... – disse arrastado com a voz rouca.

– Onde mais? Dan... Dan! Não fecha os olhos. – ergueu o menino sentando-o mais ereto – Onde mais tá doendo?

– As costas... Eu quero dormir, papá... – choramingou visivelmente lento e jogou o corpo pra perto do pai, tentando uma posição mais confortável.

– Dan... O que você vai fazer amanhã com a Nana, o tio Carlos e o tio Tonny quando for passear? Conta pro papai. – tentou Mazo.

O garoto não respondeu.

– Dan, meu filho. O papai tá falando com você! Diz pra ele o que você vai fazer amanhã. – insistiu Tom.

– Brincar... – fechou os olhos por alguns segundos.

– O que mais? Dan! O que mais você vai fazer? – Tom o sacudiu levemente para desperta-lo.

– Quero dormir... – começou a chorar – Tô com sono... – o garoto se queixou e em seguida vomitou, sujando o painel do carro.

– Isso não é bom... Ele não está nada bem... – desesperou-se Tom.

– Calma... Finalmente chegamos. Ele vai ficar bem... – tentava acalmar o marido e se convencer mais um vez.

– Ah, graças a Deus! Pensei que esse hospital não ia chegar nunca!

Mazo parou na porta da emergência, deu a volta no carro correndo e levou o filho no colo, deixando pra Tom a tarefa de estacionar o veículo.

Menos de cinco minutos depois Tom entrava no hospital.

– Boa noite. Por gentileza, eu estou procurando meu filho e meu marido. Dan e Mazo Fahuzi. Eles entraram há poucos minutos... Um homem negro, de terno, nosso filho estava ensanguentado...

A recepcionista olhou pra ele com surpresa evidente.

– Eles já entraram para atendimento. O senhor precisa preencher a ficha. – respondeu a mulher.

Nesse momento os gritos de Dan puderam ser ouvidos da recepção.

– Eu faço o que você quiser depois que eu ver meu filho. – invadiu a entrada das salas de atendimento se deixando ser guiado pela voz da criança.

Tom sentiu o coração despedaçar ainda mais ao chegar à porta do box onde Dan recebia os primeiros atendimentos. A cena era mesmo difícil para qualquer pai ou mãe. Mazo e duas enfermeiras imobilizavam a criança com máximo de cuidado que conseguiam devido ao inchaço da mão, que agora estava com o formato de uma bola. Mesmo assim, Dan se debatia como podia, enquanto o médico tentava aplicar uma injeção de anestesia local próximo ao ferimento.

– Pronto, campeão! Nem foi tão ruim, tá vendo? – o médico conversava tentando acalmar a criança – A gente só tá cuidando de você. Vamos fechar esse corte que tá feio?

Claro que Dan não respondia, apenas chorava, gritava “não” de vez em quanto, entre um berro e outro.

Tom estava com o rosto vermelho, as lágrimas pareciam cair sem controle. Reunindo toda força que ainda restava, secou o rosto e se posicionou próximo a cabeceira do filho.

– Shhhhh... Tá tudo bem, filhote. O médico só tá cuidando de você... Daqui pouco você vai ficar bom, você vai ver... Deixa ele fazer o que é preciso, tá bom?!

– Não, papá... Não... Eu não quero... Dói... Não quero, papá... – implorou a criança chorando. Tom sentiu que estava morrendo por dentro, se controlou para não desabar com um pedido tão desesperado.

– Doutor, o senhor chamou? – um enfermeiro apareceu na porta.

– Sim! Por favor, peça urgente uma maca para mover o paciente. Vamos fazer uma ressonância magnética. Ele tem sinais de concussão, aparentemente teve um breve desmaio na queda, apresentou sono excessivo e vômito. Não posso medica-lo sem saber. Solicite também um raio X da mão direita, que apresenta grande inchaço. – disse o médico sem tirar os olhos do local que suturava habilmente.

Tom olhou para o médico com preocupação e desespero aparente. Acostumado com pais desesperados, o homem tentou tranquiliza-lo:

– Ele vai ficar bem.

– Viu? Você vai ficar bem... — segurou a mão esquerda do filho, que a enfermeira gentilmente soltou para que eles tivessem contato.

Com o ferimento fechado, Dan foi encaminhado ao centro de exames. Apenas uma pessoa poderia acompanha-lo e Tom acabou indo, já que a criança não soltava a mão do pai de jeito nenhum.

Enquanto isso Mazo foi fazer a ficha da criança na recepção. Só então lembrou que tinha que avisar que não iria ao jantar. Tirou o telefone do bolso, viu as chamadas não atendidas de Klaus e retornou a ligação.

– Mazo! Onde você está? – indagou Klaus.

– Klaus, eu sinto muito, mas eu não vou poder ir.

– Aconteceu alguma coisa? – indagou se afastando do grupo.

– Aconteceu, sim. Eu vou te falar, mas por favor não comente nada com o Carlos ou Tonny, eles são muito apegados aos meus filhos, não quero que eles se preocupem neste momento tão importante. A verdade é que Dan sofreu um acidente em casa, caiu da escada, tomou alguns pontos na cabeça e aparentemente quebrou a mão. Estamos no hospital, ele já está sendo tratado. Está fazendo alguns exames.

– E como ele está?

Ainda não temos diagnóstico, mas tudo indica que ele teve uma concussão cerebral...

– Nossa! Vocês estão precisando de alguma coisa? Tem certeza que não quer falar com eles?

Thomas e eu podemos dar conta. Nana está bem em casa. Não tem porque trazer esse problema pra eles agora.

– Tudo bem, então. Boa sorte. Melhoras pra ele. E me deixe atualizado, se precisar de algo me ligue imediatamente.

– Pode deixar. Obrigado.

– Mazo disse que não virá. – disse para Tonny, Carlos e Lise, quando se aproximou novamente.

– Algo grave? – indagou Tonny.

– Não. Apenas um incidente com os filhos. Não precisa se preocupar. Agora é hora de termos foco. Preparado para ajudar seu marido a virar sócio? – mudou de assunto para não ter que responder mais perguntas.

– Não tenho tanta certeza... – sorriu nervoso e olhou Carlos, que tinha uma cara de poucos amigos.

– Você consegue! – respondeu Klaus.

– Boa sorte. Vai ser mais simples do que você imagina. Você dá conta. – Lise falou no ouvido do publicitário, tentando tranquiliza-lo com sua experiência, enquanto se abraçavam numa despedida breve. Não ficariam mais juntos durante a festa. A mulher piscou pra ele e recebeu um sorriso tímido e sem jeito em resposta.

– Hora do show! – Klaus passou um braço em volta dos ombros de Tonny, guiando-o; enquanto Carlos apenas os seguia com a expressão fechada.

Notas finais
Drama, drama, drama. Muito drama! Por isso eu adorei esse capítulo! Tadinho do Dan... Tomara que ele fique bem e não tenha nada demais... =( E tal de Brian dando em cima do Tonny na cara dura, na frente do Carlos???!!! Acho que isso vai dar babado!!! Não esqueçam de motivar a autora: coments e recomends, por favor! #FeedBackIsEverything