Notas iniciais
Aaaaaiiiiii!!!! Que saudade de vocês!!!! Depois que deixei o aviso aqui, percebi que continuar escrevendo poderia ser minha válvula de escape. Então comecei a escrever um pouquinho, mesmo que fosse só um parágrafo, em qualquer tempo que eu tivesse... Peguei meu carderno do curso de inglês e comecei a escrever (como vocês sabem estou sem meu note). Bom, esse escreve-escreve viraram 18 páginas escritas a mão. Onze delas viraram este capítulo 15 que vos espera. As outras sete serão continuação do capítulo 16. Sendo que digitar foi daquele jeito... Uma parte na casa do namorado, manda pro e-mail, rouba o pc da colega de trabalho e digita a tarde toda na máquina dela... Enfim. Foi trabalhoso, complicado, mas postar pra vocês me faz sentir viva novamente. Obrigada por estarem aqui comigo. Ah! Dedicação do capítulo, lógico!!! MARCITOS e GUIMA!!!!! Recomentações lindas que me fizeram muito feliz!

– Fiquei feliz que você se juntou a nós, Anthony! – disse Brian. ]

– Eu também. Sem desprezar os outros convidados, mas é melhor estar na companhia do meu marido do que de estranhos. – respondeu Anthony.

O publicitário, é lógico, já estava sabendo de tudo. O rapaz conhecia bem o marido e sabia que ele não estava gostando nada daquela história. Claro que Tonny não iria se opor, ele tinha que ir. Mas considerou que o mínimo que poderia fazer era tornar a situação menos difícil para Carlos. Por isso decidiu que ia lembrar Brian o máximo que pudesse que era um homem casado e o marido estava logo ali do lado.

–Espero que minha companhia também seja agradável pra você. – Brian rebateu, sem perder a chance.

“Vai ser mais difícil do que eu pensava. Esse cara não se manca, ele não desiste.”

– Não se preocupe. Não tenho nada contra a sua presença nem a de ninguém; apenas sou a favor da presença do Carlos. Por falar em presença, eu ainda não entendi porque a minha foi solicitada. Não compreendi bem no que posso ajudar...

– Pois saiba que a pessoa mais relevante nessa negociação agora é você.

– Não vejo como. E acho um exagero da sua parte. Vocês dois trabalharam por meses nisso. O meu marido tenta sempre ao máximo não levar trabalho pra casa, mas, ainda assim, eu o perdi várias vezes para um monte de papéis nos últimos meses. Por isso eu estou longe de ser a pessoa mais importante deste jantar. Vocês se comprometeram. fizeram um bom trabalho e merecem o crédito por isso. Mas você ainda não me explicou onde eu entro nesse processo.

– Não se subestime, meu caro Anthony... – respondeu.

“Seu uma ova! Ele não é absolutamente nada seu, idiota! Ele é meu!”, Carlos respondeu em pensamento.

– Em verdade, todo o trabalho que tivemos não servirá de nada sem assinar o contrato. E para assinar um contrato eu sempre analiso as características pessoais de quem eu estou fechando negócio. As qualidades e os defeitos... E não tem ninguém melhor que você para me falar das qualidades e defeitos do Gutierrez.

Anthony fez um meneio com a cabeça. – Talvez. O que você deseja saber sobre o Carlos? Vamos ver se eu posso te ajudar...

– O que você aponta como maior qualidade do Gutierrez? Seja sincero.

– Considere tudo que eu falar verdade. Eu não falaria nada diferente da verdade só pra agradar o meu marido, se esse é o seu medo.

“Ai! Essa doeu!”, pensou Klaus. E como se tivesse ouvido o pensamento do chefe e amigo, Carlos sorriu.

– A sua pergunta é muito fácil e ao mesmo tempo difícil de responder. Eu sou publicitário, e por isso todo mundo espera que eu seja objetivo e direto, mas nem sempre eu consigo sê-lo. Especialmente numa situação como essa, falando do meu marido que é uma pessoa tão plural e complexa. É difícil falar de uma qualidade apenas quando ele tem várias que se destacam. Ele é leal, fiel, generoso, altruísta, dedicado, parceiro... Muito parceiro, alguém com quem realmente se pode contar. O Carlos é muito obstinado, ele sempre vai atrás do que ele quer. Ele sempre dá o melhor de si, seja na vida pessoa, comigo e a família, seja no trabalho. Ele não ocupa essa posição na GK por acaso, ele batalhou muito pra chegar onde chegou.

– Nisso eu tenho que concordar com você Anthony. Com certeza ele conquistou o espaço dele. – completou Klaus.

– Eu agradeço aos dois pelos elogios, mas foram vocês dois que me fizeram quem eu sou. Você me ensinou muito, Klaus. E você... – olhou Tonny com amor e afeto – Sem você eu não seria absolutamente nada. Você é meu alicerce.

Tonny sorriu com ternura em resposta.

– Quanta rasgação de seda! – exclamou Brian Smith.

– Isso chama-se AMOR, sr. Brian Smith. Talvez você já tenha ouvido falar... – Carlos respondeu sorrindo ironicamente.

Klaus direcionou um olhar repreendedor ao vice-presidente pela resposta. Mas Brian não deixou por menos e também provocou:

– Se eu tivesse o Anthony como meu companheiro ele também seria meu alicerce. Aliás, seria minhas paredes e meu telhado também. – gracejou – E de quem não seria? Qualquer um seria muito sortudo em ter o Anthony como parceiro.

– Ainda bem que a sorte é TODA, única e exclusivamente minha. – devolveu Carlos.

– Mas qual é a qualidade do Carlos que você destaca, Anthony? – interveio Klaus mais uma vez, tentando voltar à conversa, com medo de acontecer o pior.

“Isso está pior do que eu pensava. Talvez não tenha sido uma boa ideia, vai acabar dando uma merda.”, pensou o presidente da GK.

– Eu acho que é a lealdade. – respondeu Tonny, entendendo a posição de Klaus e tentando colaborar com ele.

– E o defeito? Qual é o pior defeito de Carlos Gutierrez? – questionou Brian.

“O ciúme.”, a mente do publicitário respondeu no automático.

– Meu marido tem poucos defeitos. Mas acho que o sobressai é a impulsividade. Ele pode ser muito impulsivo às vezes.

– Como assim?

– Talvez justamente por batalhar muito pra ter e manter o que conquistou, ele pode agir impulsivamente, perdendo um pouco a racionalidade diante do sentimento de perda. Mas ninguém gosta de perder, não é verdade? Vocês, homens de negócios, especialmente, gostam de ganhar sempre.

– Você é tão ciumento assim, Gutierrez?! – o homem provocou, lendo corretamente as entrelinhas do discurso de Tonny, o que surpreendeu o publicitário. – Não confia no próprio taco?

Carlos gargalhou com a provocação. Uma risada de pura incredulidade e raiva, talvez nervoso, para em seguida fechar uma cara que dizia “podemos resolver isso lá fora agora mesmo”. Ele poderia socar Brian Smith naquele momento. Na verdade, não estava faltando nada pra isso e Klaus percebeu, assim apertou o antebraço de Carlos. Até mesmo o presidente da GK já estava achando aquilo um tanto demais; pra ele Brian já estava sendo desrespeitoso.

– Ok, Brian. Você já sabe que o Carlos é leal, que ele cumpre o que é acordado. Já sabe também que ele não gosta de perder e pode fazer qualquer coisa pra manter o que conquistou, até mesmo passar por cima de quem quer que seja. Pra você isso significa que ele vai seguir o que o contrato rege e não vai perder, tampouco desperdiçar o seu dinheiro. O Carlos é bom em ganhar, caso contrário não teria colocado ele na posição que ocupa. Acho que não falta mais nada. Os termos do contrato estão do jeito que vocês decidiram, não há mais nada a ser discutido. Você queria o aval do Anthony, ele já te deu. Agora só falta assinar. Podemos?

Brian não respondeu a princípio, apenas observou os três homens. Longos segundos de silêncio desconfortável.

– Claro. – sorriu cínico.

– Ótimo! Carlos, você pode ligar pra secretária e pedir pra ela trazer o contrato até aqui?

O executivo balançou a cabeça positivamente . – Lógico. – respondeu.

Tonnny aproximou-se do marido, que se inclinou também ao seu encontro:

– Onde fica o banheiro? – o publicitário perguntou baixinho para os outros não ouvissem.

– Eu te mostro. – respondeu no mesmo tom. – Cavalheiros, se nos dão licença um instante... Vou pedir à secretária para trazer o contrato. Voltamos logo.

Dan dormia no leito do hospital. A cabeça enfaixada, a mão direita engessada e o acesso na mão esquerda gotejava o medicamento em sua veia.

Mazo estava sentado na poltrona reclinável ao lado da maca do filho, enquanto Tom deitava em seu colo repousava a cabeça em seu peito.

O dono de casa chorava baixinho. Estava assim há mais de uma hora. Cada vez que fechava os olhos, uma lembrança invadia sua mente. O choro, o desespero do filho parecia reviver cada segundo:

– Meu amorzinho, deixa a mãozinha aqui, não vai acontecer nada, eu prometo. O moço só quer tirar foto da sua mão... – Tentava convencer o filho, que não colaborava para tirar o raio-x.

– Não, papá! Não quero! – o menino chorava de soluçar.

– Você me dá um minuto? – pediu ao técnico em radiologia – Ele acabou de fazer uma ressonância magnética, ainda tá assustado. Me dá só um tempinho.

– Tudo bem. – respondeu o profissional.

Tom aninhou o filho no colo e começou a cantar uma música de ninar, que acabou o acalmando um pouco, mas o garoto ainda soluçava. A camisa do dono de casa estava molhada com as lágrimas da criança.

– Pronto, pronto... Já passou... Agora vamos tirar foto da mãozinha?

– Nããããoooo!!!! – menino voltou a chorar.

– Meu filho... Olha aqui pro seu papá... – segurou o rosto dele delicadamente com as duas mãos, enxugando as lágrimas com os polegares – Você quer ir pra casa ver a Nana, quer? A sua irmã tá com saudade de você...

– Quero... – choramingou.

– Então deixa o rapaz tirar foto da sua mão que a gente vai pra casa. O papá promete que não vai doer... É só colocar a mãozinha aqui, assim, olha – colocou a mão sobre a mesa de raio-x, no que o menino olhou desconfiado – tá vendo? Não tem nada. Coloca a sua aqui, junto com a do papá.

O garoto ficou avaliando a proposta do pai, mas acabou aceitado. Porém colocou a mão sã ao invés da que estava deslocada. A atitude da criança causou estranhamento no dono-de-casa, e ele chegou a achar um tanto engraçado, mas apenas se limitou a corrigi-lo:

– A outra que ta dodói, meu amor. O papá te ajuda. Não vai doer, eu prometo. – delicadamente pegou o braço dele e posicionou no local indicado pelo profissional.

Vinte e cinco minutos depois, a família estava no quarto aguardando o resultado dos exames. Não mão ainda não havia sido feito nada na espera do diagnóstico.

– Quero ir pra casa... – choramingou Dan.

– Daqui a pouco, filho. – respondeu Mazo.

– Bebe um pouco de suco, bebe. – Tom aproximou o copo com o líquido à boca da criança.

– NÃO! – o garoto bateu a mão no copo numa mau criação, fazendo o conteúdo molhá-lo e ao pai também.

– Dan! – Mazo o repreendeu, assustado com o comportamento do filho. Ele sempre fora muito educado e nunca havia feito nada parecido.

Ao ouvir a voz do pai, o garoto estremeceu num susto excessivo e começou a chorar descontroladamente.

– O que é isso, meu filho? – Tom o abraçou enquanto Dan gritava chorando e agarrava sua camisa social como podia com a mão sã, numa atitude desesperada.

Mazo e Tom trocaram um olhar de estranhamento. Nenhum dos dois entediam o motivo daquela situação.

– Não chora, filho. O papai não ta bravo com você, eu juro. – Mazo afagou o black power de Ban, já grande. – Não chora, sua cabeça vai doer ainda mais.

– Shhh... Passou, passou... Quando o médico vier a gente vai pra casa... – Tom balançava o menino no colo, prometendo algo que sabia que não podia cumpri, mas naquele momento valia qualquer coisa para acalmá-lo. Funcionou em parte, pelo menos ele tinha parado de gritar, mas ainda chorava e soluçava.

– Você ainda ta chorando, Dan?! – o médico entrou no quarto – Um menino forte desse! Parece até um super herói! – esticou a mão para fazer um carinho na criança que se encolheu com o toque. Não precisa ter medo do tio Júlio. Tô fazendo tudo pra você ficar bom logo...

– Como ele está? – perguntou Mazo.

– As notícias não são tão ruins. A ressonância confirmou a concussão cerebral...

– Ai, meu Deus! – exclamou Tom.

– Não precisa ficar alarmado, Sr. Fahuzi. Foi muito importante não deixa-lo dormir para que pudéssemos fazer o diagnóstico. Na prática, a concussão pode causar forte dores de cabeça, que ele está sentindo, confusão mental e dificuldade de compreensão, de coordenação, alteração comportamental...

– Isso explica o comportamento dele agora a pouco... – disse Mazo.

– Vocês notaram alguma alteração? – perguntou o médico.

– Sim. Ele teve um comportamento agressivo, que não costuma ter, depois reagiu de forma exagerada ao que o pai falou – respondeu Tom. – Também colocou a mão errada na mesa de raio-x, mesmo sabendo qual era pra colocar.

– Sim, isso certamente é devido a concussão. Ele não apresentou febre, que pode ser um dos sintomas também, mas vamos observar. Ele vai ficar por 24h, no mínimo. Vamos ver o que acontece com ele daqui até amanhã. Vou prescrever um medicamento pra melhorar a dor de cabeça dele, mas não há muito que fazer. O tratamento dele é repouso, repouso absoluto. O que é difícil para uma criança de 4 anos, mas é extremamente necessário. Nada de movimentos bruscos também, o cérebro dele já está em estado de alerta. Quanto a mão dele, a boa notícia é que não quebrou, não houve nenhuma fratura e ele não vai precisar de nenhum procedimento cirúrgico.

– Graças a Deus. – Tom respirou aliviado ainda com o filho nos braços soluçando.

– O inchado é devido ao deslocamento do pulso e do polegar.

Mazo passou as mão com pesar no rosto. Ele já sabia o que aquilo significava: teria que colocar no lugar a força. Mais sofrimento pro seu primogênito.

– Não tem uma forma menos traumática de fazer isso? Ele só tem 4 anos, já está muito assustado com tudo isso... – perguntou angustiado o executivo.

– Eu gostaria que tivesse, mas não tem.

– O que foi? Do que vocês estão falando? – perguntou ao marido, alternando o olhar entre os dois homens.

– Eles vão precisar puxar o osso pra colocar o pulso e o polegar no lugar. É um procedimento que não tem anestesia e é extremamente doloroso. Eu já desloquei o pé uma vez, sei o que isso. – respondeu tristemente.

Tom apertou os braços em volta do filho, como se quisesse protegê-lo da dor.

– E se não fizer? – perguntou.

– Causaremos um dano permanente na mão dele. Não temos o que fazer. Só podemos imobilizar depois de colocar o osso no lugar. – olhou para Mazo – Sr. Fahuzi, o senhor pode ajudar a segura-lo durante o procedimento?

Mazo passou as duas mãos com força no rosto, mais uma vez, e olhou para o marido que já começava a derramar lágrimas.

– O senhor não precisa, se não quiser. Só perguntei porque foi de grande ajuda na hora de dar os pontos para fechar o corte na cabeça dele...

– Tudo bem. – cortou o discurso do médico. – Prefiro que seja eu a segura-lo que um estanhp.

O médico balançou a cabeça positivamente. – Vou pedir para prepararem a sala, daqui a pouco peço para buscá-lo.

Já na sala de procedimento, Dan parecia já prever o que estava por vir. Agarrado ao dono de casa, o menino tinha as pernas em volta da cintura dele e com a mão sã agarrava a gola da camisa, se recusava a sentar na maca, chorando sem parar.

Tom já estava chorando junto com o filho, sabia que a criança estava um tanto traumatizada com tudo e o que vinha a seguir só ia piorar a situação. Ele já tinha tentado de tudo pra tentar convencê-lo a fica na maca, mas nada havia funcionado. A uma altura daquelas ele mesmo já não queria soltar Dan e já estava sendo conivente com ele.

– Amor, me dá ele aqui... – pediu Mazo.

– Mas ele não quer! – respondeu secando uma lágrima do próprio rosto.

– Não é sobre o que ele quer, é sobre o que é melhor pra ele, lembra? Nós somos os pais dele temos que saber o que é melhor pra ele. Vai doer agora, mas ele vai ter um membro completamente saudável no futuro.

Tom balançou a cabeça positivamente, resignado.

– Vem com o papai, filhote. O papá precisa descansar, você tá pesado... – tentou tapear.

– Não! – o menino ditou em meio ao choro, se agarrando mais a Tom.

Mazo segurou o filho pelas costas, passando uma das mãos em volta da cintura dele. O garoto esperneava e gritava sem parar quando finalmente foi afastado do outro pai.

A criança foi deitada na beira da maca, com os joelho dobrados e os pés pendendo para baixo. Mazo debruçou o corpo sobre o filho, prendendo os pés dele entre suas pernas, o seu corpo travava o do filho e sua mão segurava a dele. Apenas o braço direito estava pra fora, para o procedimento. Uma técnica de enfermagem debruçou pelo lado da cabeceira para segurar a cabeça dele e evitar movimentos bruscos.

Tom estava de costas, chorando. Não queria nem ver acena. Mas também não queria deixar o filho “sozinho”.

– Pronto? Vou puxar. – avisou o médico – Não deixem ele se mexer, vamos tentar fazer um vez só. – o médico falou alto já que os gritos eram muitos. – Calma, campeão! Só falta isso pra você ficar bom. Segura... Vou contar. No três. Um, dois...

Um estalo e a voz de Dan sumiu.

– De novo, o dedão agora. Um, dois... – outro estalo

Tom virou para ver o motivo que a voz do filho tinha cessado, apenas para vê-lo estatelado, olhos arregalados. Quando a voz de Dan voltou, foi um grito tão alto que chegou a doer o ouvido dos adultos.

– Esse tem o pulmão forte! – gracejou o médico.

Tom sentiu uma dor no peito, que chegava a ser física ao ver o filho naquela condição, catatônico. Se aproximou do filho, colou o rosto no dele.

– Shhh... Está tudo bem... Tudo bem... Você vai ficar bom logo, logo... Você vai ver...

– Agora vamos imobilizar essa mão, rapazinho! Ana – falou com a técnica de enfermagem – enquanto isso, você pode colocar o acesso na outra mão dele. Vamos aproveitar e fazer tudo de uma vez. Ele já passou por coisa demais por uma noite, não é, Dan?! Só não pode ficar de mal de mim, juro que sou bonzinho...

A técnica deu lugar a Tom, que secava o rosto molhado do filho – de suor, lágrima e coriza – com as mãos, de um jeito carinhoso, enquanto cantava uma música suave, bem baixinho, no ouvido dele. Volta e meia enxugava as próprias lágrimas também, que teimavam em cair sem parar.

– Agora vamos medicá-lo. A cabeça dele deve ta doendo ainda mais depois dessa choradeira e gritaria; além da mão também. Vou prescrever alguma coisa leve pra acalmá-lo, ele tá precisando, né, Dan? – esticou a mão para tocar em seus cabelos, mas a criança gritou um sonoro “NÃO” em seu pranto incontrolável e se encolheu. – Eu te entendo, amigão. No seu lugar eu também estaria com raiva de mim. Mas foi tudo para o seu bem, eu juro!

– Foi minha culpa... – as lágrimas molhavam a camisa social branca de Mazo, que tinha uma macha de sangue de Dan na manga, que o dono de casa fitava.

– Foi um acidente, meu amor. De onde você tirou essa idéia absurda?! Ninguém tem culpa! O nome já diz: acidente. Não tem como prever.

– Eu não podia ter deixado isso acontecer com o meu filho. Você viu o estado dele?! Eu nunca vi o Dan dessa maneira, completamente apavorado – vez ou outra a voz falhava enquanto falava. – Eu sou o pai dele, eu deveria garantir a segurança dele, evitar que ele se machucasse... Eu não podia deixar isso acontecer!

– Eu também sou pai dele, também zelo pela segurança dele, e sei que você não tem culpa, eu não tenho culpa, eu não tenho culpa, ele não tem culpa de ter caído, foi uma fatalidade. Só podemos fazer o máximo para que ele fique bem. Isso nós já estamos fazendo. Não quero mais ouvir você falando essa besteira de novo.

.

– Para! Respira fundo e relaxa. – Tonny tentava acalmar o marido dentro do banheiro – Ele está fazendo do propósito. Tá tentando tirar você do sério e tá conseguindo. Você sabe que não corre risco nenhum – passou as mãos pela lateral do rosto dele – eu sou só seu, você sabe disso. – beijou-o na boca – Hãn?! Já deu tudo certo. Agora só falta o nome dele no papel.

Carlos respirou fundo e expirou ruidosamente – Tá! Eu já sei.

– Ótimo! Vou fazer xixi. – entrou em um dos box.

Carlos lavou o rosto na pia e secou, em seguida entrou no box ao lado, quase ao mesmo tempo que Tonny saía.

– Te achei! – Brian entrou no banheiro assustando o publicitário.

“Fodeu! Agora vai dar uma merda grande!”, pensou Tonny.

– Uma pena que tenha te achado tarde demais... Você é ainda é mais bonito que naquelas fotos mal tiradas daqueles paparazzi.

– Obrigado. Mas é melhor você não começar com isso, Smith. Isso não vai nos levar a lugar algum, apenas ao constrangimento. Eu sou casado com o Carlos, você sabe disso. – Ergueu a mão com a aliança.

Tonny só não esperava que Brian segurasse sua mão para avaliar o anel.

A jóia personalizada era grossa. Muito grossa. Carlos nunca colocaria no dedo dele algo menor ou que chamasse menos atenção que aquilo. Por fora estava gravado em letras cursivas bem miúdas dando duas voltas no anel, que Brian leu em voz alta:

– A, amor pra toda vida. Sou seu, só seu, para sempre.

– Você quer ler o que está escrito na minha aliança também? – Carlos saiu do Box levantando a mão esquerda, com olhar desafiador, assustando Brian e Anthony, esse último recolheu a mão rapidamente. – Aliás, eu digo pra você, não preciso ler, eu sei de cor. “C, amor de uma vida inteira. Primeiro e único.” Essa frase é uma declaração dele pra mim, assim como a que está escrita na aliança dele é uma declaração minha pra ele. Essa história é interessante, Smith, vale a pena contar. – parou ao lado do marido – Quando eu escolhi essas alianças para trocarmos na nossa cerimônia de casamento, o Anthony se assustou com a largura delas e fez um comentário engraçado... Ele disse “nossa, amor, é tão grossa que ta pra escrever os 10 mandamentos”. De repente ele fez uma cara de quem teve a melhor idéia do mundo e falou “é isso! Vamos escrever nelas os mandamentos no nosso casamento”. Eu não tinha entendido ainda, questionei que já teríamos as nossas iniciais gravadas no verso da aliança... Mas ele queria estivesse escrito por fora, que fosse uma declaração de um para o outro, que carregaríamos como se fosse um mandamento. Eu fiquei tão extasiado com a ideia que fiquei até meio ofendido de não ter pensado nisso antes. Aí, para tornar tudo mais interessante, eu sugeri que fosse surpresa. Um só saberia da declaração do outro, o mandamento, a promessa que carregaria no dedo no momento da cerimônia de casamento, na hora da troca de alianças. E assim foi feito. E mesmo sem saber, as nossas declarações são complementares e ao mesmo tempo semelhantes. Você consegue ler isso aqui? – apontou uma parte na própria aliança – Primeiro e único! Eu! Foi ele quem disse. – Deu de ombros enquanto apontava para o marido com o polegar.

– Sabem o que dizem sobre os homens ciumentos demais, Anthony? – Brian Smith indagou – Que na verdade são os que mais aprontam, os que mais traem, por isso ele têm medo que o parceiro faça o mesmo com eles. Isso que está escrito na sua aliança – apontou para a mão do publicitário – certamente não significa nada.

– OK! – Tonny se colocou entre o marido e o outro executivo, já prevendo o pior quando Carlos impulsionou o corpo pra frente já fechando a mão em punho. – Chega vocês dois! Vocês são dois homens de negócios respeitados, fechando uma transação bilionária e se comportando feito duas crianças brigando por um brinquedo! Eu não sou objeto da disputa de vocês! Eu sou uma pessoa e tenho vontade própria! Portanto, Brian, respeite o fato que eu escolhi o Carlos como meu companheiro e pare com isso! Você não tem nenhuma chance comigo. E você – virou-se para o marido – passe na minha frente agora!

Carlos estreitou os olhos para Brian e andou em direção à saída com Tonny atrás dele, no que ouviu Brian dizer:

– É realmente impossível não se apaixonar por você, Anthony.

Carlos fez menção de voltar, mas Tonny o empurrou pra fora do banheiro.

Notas finais
Será que ainda vai ter bafafá???!!! OMG!!! Vem coisa grande por aí! Vem coisa que vai ser divisor de águas na vida do nosso casal! Mal posso esperar pra compartilhar com vcs! Se não for no capítulo 16 (acho que sim), será no 17! Se prepara que lá vem bomba! rs. E o Dan, hein??!!! Quem pegou o lencinho??? Tadinho do meu lindo!!! =( Eu chorei junto com Dan e o Tomas. Ai, eu gosto de uma drama... não tem jeito... E o que está por vir, vocês não fazem idéia... E tome-lhe draaaaama!!! rsrsrsrs... Eu li as mensagens de apoio de vocês e isso me ajudou a fortalecer. Não tenho com agradecer! Infelizmente não respondi porque não pude. Nem aos comentários da história nem às mensagens de apoio. Mas saibam que li todos e estão todos gravados no meu coração e me ajudando a superar essa fase complicada da minha vida. Assim que puder eu tentarei responder aos poucos. Oh! Não revisei NADA! Digitei e coloquei aqui... Certamente tem errinhos aí, mas acho que é melhor postar mesmo com erros, pq se eu parar pra corrigir, Deus sabe quando eu podeira postar. Então, acho que vcs preferem que eu poste, assim como eu prefiro postar... Quando tiver mais tempo, venho e leio com calma e corrijo o que tem que corrigir. Se vocês notarem algum, já me avisa, ok?! ;) Amo ocês tudooooo!!!!!