O guerreiro e o Heroi

21 O herói e o convite


Notas iniciais
21. The Runaways – Cherry Bomb

Midoriya havia terminado a ronda pelas ruas e retornou à agência para preencher o relatório. Hawks o encontrou em sua mesa e acenou para o rapaz, convidando-o depois para eles beberam alguma coisa.

— Eu não tenho idade, sabe disso, senpai. — Izuku respondeu, sorrindo. Hawks era uma pessoa divertida e demonstrava ser também um pouco desligada para algumas regras e convenções sociais.

— Nesse caso você pode beber suco. — Ele piscou. — E o seu amigo guerreiro, o que ele anda fazendo?

— Agora que ele descobriu quem é o pai dele, está indo sempre visitá-lo, esperando que ele acorde. — Suspirou, olhando para o relatório já finalizado. — Queria poder ajudar, mas não tenho poderes para isso.

— Você está pensando nos poderes errados. — Hawks inclinou a cabeça e riu. — Ele deve estar se sentindo deslocado naquela escola, não é?

— Acho que sim, quando fomos à praia, alguns dias atrás, ele pareceu se divertir mais. — Midoriya entendeu onde o herói queria chegar. — Eu já terminei por aqui, posso ir embora?

— Claro, vá se divertir com o bonitão do outro mundo. — Hawks deu uma piscadinha, gargalhando com a expressão envergonhada do estagiário.

No final do dia, os colegas costumavam retornar dos estágios ainda cansados. Era comum tomarem um banho e se reunirem na cozinha para preparar o jantar. Aquele momento eles trocavam ideias e informações sobre o dia, era bom saber no que cada um estava trabalhando, também era comum pedirem conselhos para Midoriya. Mesmo que todos ali tivesse condições de deixarem a escola para seguir a carreira como super-herói, era notável que Izuku estava sempre presente em muitos dos acontecimentos televisionados com os maiores vilões. E era sobre isso que Mineta falava animado, enquanto Katsuki ajudava Uraraka a cortar as cenouras.

— Então ele estava coberto por aquela energia toda e socou a cara do vilão e antes de cair no chão o Todoroki-kun criou um escorrega de gelo e ele deslizou até o chão. — Mineta caiu sentado no banco, com a respiração agitada. — Foi foda, você precisava ver como estava todo mundo lutando.

— Não me lembro de ter sido tão emocionante assim. — Midoriya riu.

— Isso porque você estava com aquele olhar louco, sabe? Quando você parece que está possuído... — Mineta continuou falando.

Izuku não havia percebido até então como os amigos o via, foi um pouco constrangedor porque, apesar de já ter perdido o controle por causa de seus poderes, não imaginava que alguns ali sentiam medo quando sua postura mudava no campo de batalha.

Todoroki cortou o clima de Mineta, mudando de assunto ao perguntar para Katsuki como estava o pai dele, oferecendo sua ajuda.

— Ele está ainda em coma. — Katsuki respondeu, entregando a bacia com legumes para Todoroki. — Se alguém tiver poderes para fazê-lo acordar...

— Sinto muito por isso. — Midoriya falou.

O jantar ficou pronto e eles foram se reunindo na sala para compartilhar a refeição. Midoriya levou algum tempo na cozinha, estava terminando de temperar a salada quando notou a presença de Katsuki.

— O que o Mineta falou sobre mim... — Ele começou a falar, preocupado com o que Katsuki pensaria sobre.

— Não me importa o que ele falou. — Katsuki adiantou, caminhou até o seu lado e olhou para a salada que ele mexia sem parar. — Você ficou incomodado com o que ele estava falando, por que não disse na hora?

— É complicado, eu não queria ser rude.

— Falar a verdade é ser rude? — Katsuki cruzou os braços, o colar de dentes de dragão pendurado em seu pescoço chamava atenção.

— São dentes de verdade?

— Sim. — Katsuki pegou o colar e olhou. — um para cada filhote que perdeu o dente e eu ajudei.

— Como? — Midoriya havia pensado que fossem dentes de animais que ele havia matado.

— Meu Clã protege os dragões, eu não os mataria. — Disse como se aquilo fosse algo óbvio. Midoriya pediu desculpas e concordou que fazia sentido. Os dois foram até a sala e Midoriya deixou a salada sobre a mesa, quando todos comemoraram que estavam quase finalizando o semestre e logo estariam se formando.

— Já sabe o que vai fazer, Deku-kun? — Uraraka havia se servido com uma porção de arroz e fatias de carne de porco.

— Estou agora na agência do Hawks-senpai, eu pretendo trabalhar com ele e quem sabe ter a minha própria agência um dia. — O sonho de Izuku não era muito diferente de alguns ali, mas seu maior desejo era poder ser uma pessoa forte o suficiente para que mais ninguém pudesse sofrer como muitas pessoas que ele conheceu.

A refeição foi regada de conversa descontraída e lembranças dos amigos que estavam ausentes. Eles faziam falta e por isso, quando Aizawa entrou na sala, foi bombardeado com perguntas sobre o que estava acontecendo.

— Ainda estamos esperando que o pai de Katsuki se recupere para que ele possa fazer o portal. Não temos ainda previsão para quando isso vai acontecer, até lá, espero que vocês continuem sendo amigos dele.

Enquanto o professor respondia mais algumas perguntas dos alunos, Izuku chamou Katsuki para acompanhá-lo até seu quarto. Ao chegar no quarto, abriu a gaveta da escrivaninha e pegou um envelope com alguns fotografias que havia revelado.

— São do dia que fomos na praia. — Izuku disse, enquanto Katsuki olhava cada uma delas. — Eu achei esse aqui muito boa.

Katsuki estava molhando os pés na água, ele havia gostado do enquadramento da fotografia que pegava um pouco do por do sol ao longe.

— Eu gostei, são para mim?

— Sim, claro, eu quero que tenha uma boa recordação daqui. — Midoriya disse e o encarou, com um sorriso discreto. Estava sentindo o coração acelerado e seu corpo acumulava aquela energia ao qual parecia dizer que precisava desabafar. — Eu pensei se a gente poderia sair, sabe, juntos.

As palavras saíram com um pouco de nervosismo, era a primeira vez que ele convidava alguém para um encontro.

— Sair? Como ir à praia de novo?

— Não precisa ser na praia, é como um encontro.

O sorriso de Katsuki se alargou e Midoriya crispou os lábios.

— Ah! Entendi, você quer um encontro comigo? — A mão dele foi de encontro ao rosto de Izuku, além da aproximação ao qual costumava ser tão natural para ele.

— Sim, é um encontro. — As palavras saíram quase trêmulas, assim como suas pernas que o segurava naquele momento. Era um herói forte, verdade, causava pavor as vezes nos amigos, mas ainda era um jovem inexperiente no amor. Izuku fechou os olhos, respirando fundo, ansioso pelo que viria a seguir.

Katsuki acariciou seu rosto e o beijou nos lábios. Os corpos se aproximaram em um abraço, Midoriya levou as mãos até os ombros dele e sentiu o corpo aquecer.

Notas finais
Tamo chegando lá, gente. HEHEHEHE Comentem!!!