O guerreiro e o Heroi

22 O guerreiro e o encontro


Notas iniciais
22. Eros Ramazzotti e Tina Turner – Cosas de La vida

A visão do pai deitado e inconsciente causava nele um grande incômodo. Sua mãe dizia que, apesar de diferente, ele era um homem de vigor e curioso. Todas as histórias que a mãe contou ao longo de sua vida vieram em lembranças. Katsuki ansiava conhecer o homem que havia mudado para sempre a história de seu clã.

Segundo a mãe, ele a salvou de um ataque do inimigo. Fazia agora todo o sentido de como um homem sem treinamento conseguiu despistar um exército. Os portais os salvaram.

Sua mãe não era o tipo super-romântica, mas as vezes a pegava olhando pela janela. Sabia que ela estava a espera dele. E mal esperava para conseguir uni-los novamente. Assim que se despediu do pai, saiu do quarto em que ele estava internado, conectado com fios e tubos. Foi dito que sua saúde estava bem, mas que não havia o que fazer para despertá-lo.

O sentimento de mãos atadas era um conflito. Ele também desejava se vingar daqueles que havia prendido seu pai durante todos aqueles anos. Mas sabia que era necessário mais do que sua força de vontade. Mesmo que fosse uma pessoa muito orgulhosa, não poderia deixar de ter os pés firmes no chão. Entendia que aquele mundo possuía armas perigosas e pessoas capacitadas. Precisaria de todo seu clã e mais ajuda extra para liderar algum tipo de ataque.

E uma coisa era certa, Katsuki não colocaria a vida de Deku em risco, não depois de conseguir uma segunda chance de se apaixonar. É claro que ele havia superado o fato de que aquele não era o Deku do passado, com o passar das últimas semanas, o conheceu bem melhor. E isso só fez com que ele se apaixonasse ainda mais.

Caso seus amigos o vissem naquele momento iria rir. Ele estava se arrumando para o encontro com Deku. Tomou banho e secou os cabelos, vestia a roupa quando Sero e Kaminari entraram no vestiário.

— Você está aqui, vamos jogar futebol, quer participar? — Kaminari o convidou, tirando a camiseta. Katsuki havia jogado com eles algumas vezes, não entendia muito bem ainda as regras do jogo, mas havia sido uma boa distração.

— Não posso, tenho um encontro hoje. — Ele falou e os dois rapazes aproximaram-se dele, curiosos para saber quem era a garota.

— Você está aqui não tem nem um mês e já arrumou uma namorada. — Sero coçou os cabelos, rindo em seguida. — Eu levei três anos para conseguir chamar a Kodai-chan para sair comigo.

— E vocês ainda não saíram. — Kaminari observou.

— Não foi por falta de pedido, pelo menos, e você que ainda não consegue nem ficar no mesmo lugar que a Jiro-san sem fazer cara de idiota? — Os dois discutiram enquanto Katsuki terminava de se vestir.

— Posso perguntar uma coisa? — Ele virou-se para os dois rapazes. — Como são os encontros no seu mundo?

— Oh! Bem, como podemos dizer... — Kaminari levou a mão ao queixo, pensativo. — Ao contrário do que o Sero disse, eu já saí sim com uma garota. Nós fomos no cinema, depois comemos um hamburguer e milkshake. Ela quis andar e ver as lojas, acabamos o dia tomando um sorvete.

— Entendo... — Katsuki inclinou a cabeça, não sabia o que era um cinema.

— Como são os encontros no seu mundo? — Sero perguntou, sentando-se no banco para tirar os sapatos.

— Depende, algumas famílias o casamento é feito por alianças. Então nós conhecemos a pessoa com quem vamos nos casar ainda muito jovens. Nos encontramos algumas vezes em festas celebradas pelas famílias e podemos andar pela floresta quando somos mais velhos.

— Uau, que estranho, vocês não escolhem com quem se casar? — Sero empurrou os sapatos para debaixo do banco. — Você tem alguma noiva ou coisa parecida no seu mundo?

Katsuki não respondeu, ele havia recusado o casamento ainda antes de Deku morrer, estava pronto para contar a todos quem era a pessoa com quem ele desejava viver sua vida.

— Aliás, com quem você vai sair? — Kaminari abriu o registro do chuveiro, esfregando as mãos nos cabelos loiros. — Aposto que é com a Momo, ela é muito gata e inteligente, nunca vi ela dar mole para ninguém.

— Não vou sair com uma garota. — Katsuki respondeu e deixou os amigos no vestiário, fazendo muitas perguntas.

Seu clã possuía muitas tradições que deveriam ser quebradas, mas não era hora de pensar nisso. Não queria causar constrangimento a Deku, já havia notado que algumas de suas ações o deixava nervoso e com vergonha, como foi o beijo que trocaram há dois dias. Desde então, os dois se falaram pouco. Não sabia que estava sendo evitado pelo rapaz, mas algo dizia que ele avançou rápido demais em suas ações. Midoriya travou completamente e combinaram de sair naquela noite.

Katsuki queria fazer as coisas direito, mas não conseguia parar de pensar em Deku e no beijo que eles trocaram. Era doce, gentil, havia também desejo. E ele queria mais, muito mais do que beijos. Mas não queria forçá-lo a nada.

— Katsuki, você já está pronto? — Deku apareceu no corredor. — Eu tomei banho na agência, vou só guardar minha bolsa e podemos sair.

Assim que Deku retornou, eles caminharam pela escola.

— Onde nós vamos?

— Ah! Eu pensei que seria legal a gente ir no cinema. — Deku falou, mostrando que o ônibus se aproximava. A viagem não demorou muito e o lugar onde desceram havia muitas pessoas andando de um lado para o outro. As luzes começavam a serem acessas, a claridade da noite naquele mundo era assustadora, as pessoas viviam como se fosse o dia.

— Kaminari e Sero me falaram que cinema é uma coisa comum a fazer com namoradas. — Katsuki comentou, enquanto observava Deku tirar algo do bolso.

— Eles falaram? — O rosto de Deku ficou tenso.

— Não entendi muito bem, eles não são ainda pretendentes, mas gostam delas. Parece confusa as relações que vocês possuem.

— Dois ingressos por favor. — Deku solicitou. — Como é no seu mundo?

Katsuki contou novamente sobre os casamentos arranjados e Deku não pareceu feliz com a ideia.

— Algumas pessoas conseguem fugir desse destino, como foi com minha mãe. — Ele comentou e recebeu um pedaço de papel das mãos de Deku.

— Vamos, o filme vai começar, você quer pipoca?

— Como aquela que fizeram para mim logo que cheguei aqui? — Ele perguntou, animado, havia gostado de ver a pipoca no micro-ondas.

— Muito melhor do que aquela, essa tem manteiga e é feita numa panela com um milho diferente. Eu não sei bem a diferença, mas é gostosa.

Katsuki o acompanhou, havia muitas pipocas na caixa de vidro, e quando comeu uma porção, entendeu por que aquela parecia ser melhor. Eles entraram depois em uma sala escura, havia luzes vindo do chão e um monte de cadeiras dispostas dentro da sala. Assim que se sentaram, Katsuki observou que as pessoas buscavam seus lugares e se sentavam.

— Eu tenho certeza de que você vai gostar do filme. — Deku comentou. — Lembra que vimos na televisão o comercial de um guerreiro que lutava com a ajuda dos lobos?

— O homem lobo, eu lembro.

— Então, é esse o filme.

Deku fez uma rápida explicação sobre o que era o cinema. Quando a tela acendeu os olhos de Katsuki fixaram-se à sua frente, não conseguia nem piscar. As imagens passavam rapidamente, Ele não estava compreendendo o que acontecia até que Deku informou que aqueles eram comerciais, o momento em que os espectadores eram notificados sobre produtos e serviços disponíveis para eles comprarem fora do cinema ou pela internet.

Eram muitas informações para guardar naquele momento. Quando as luzes da sala diminuíram ainda mais, os olhos de Katsuki tiveram que se acostumar um pouco melhor com o ambiente. Deku avisou que o filme ia começar, e a partir dali iniciou uma sequência confusa de cenas. Ele chegou a rir de alguns acontecimentos, porque pareciam tão mentirosos que não era possível que as pessoas estavam gostando de serem enganadas. Contudo, Deku avisou que todo mundo ali sabia que não era verdade o que estava acontecendo, apenas uma fantasia de uma história.

Logo que o filme acabou eles saíram da sala.

— O que você achou? Gostou do cinema?

— Eu acho que a minha cabeça está doendo, e meus olhos as vezes ficavam embaçados.

— Será que você precisa usar óculos?

— Isso eu sei o que é, mas você não acha que um guerreiro vai para guerra com os óculos de vidro, não é?

— Bem, e se eu disser que existem outros tipos de óculos que você pode usar na guerra? — Deku riu e depois o convidou para comer.

Eles comeram um hambúrguer e batata frita, beberam refrigerante e finalizaram com um sorvete. Katsuki deveria ter perguntado para os amigos o que se fazia depois de um encontro. Ele não queria que aquela noite acabasse, por isso, quando retornaram para a escola, perguntou para Deku se poderia encontrá-lo mais tarde em seu quarto.

Notas finais
Ai to ficando doida escrevendo todo dia a historia tem muita coisa que queria por mas nao vai dar tempo kkk go go ta acabando o desafio weee Comentem!!!