O guerreiro e o Heroi
11 O herói e as desculpas
Notas iniciais
A voz de Uraraka soou pelos escombros do prédio e Midoriya se levantou, Katsuki também se levantou e andou até ela. A preocupação era nítida nos olhos arregalados da jovem, ela vestia seu uniforme de Uravity e avançou na direção de Izuku com o peito ofegante.
— Eu sabia que encontraria você aqui. — Disse, olhando sobre seus ombros. — Hey, Katsuki.
— Olá. — Ele levantou a mão para cumprimentá-la e Midoriya deu um sorriso bobo, achando divertido ver a reação de Uraraka quando o ouviu-o. — Bom ver você viva.
— O-olá, obrigada, é bom ver vocês dois bem. — Ela encarou Izuku — Vocês estavam ocupados pelo visto.
— Ensinei algumas coisas simples, mas ainda não tenho todas as informações que preciso. O que aconteceu depois que eu saí dos dormitórios?
Uraraka respirou fundo e tentou não o preocupar ainda mais com o avanço da busca do governo.
— Aizawa-sensei nos contou tudo o que aconteceu, ele também disse que não era muito esperto fugir do governo, mas... bem, ele deixou meio que subentendido que sabia que a gente faria alguma coisa caso descobrisse que querem prender o Katsuki.
Midoriya ficou surpreso por um momento, mas, pensando melhor, ninguém havia impedido sua fuga. Estava tudo muito calmo no campus da U.A. High. Contudo, Uraraka disse que a melhor alternativa era darem um tempo distante, já que os agentes do governo estavam investigando toda a propriedade e por enquanto um segurança fazia vigia no prédio dos dormitórios. Dessa forma, eles não poderiam retornar ainda.
— Vou trazer dois sacos de dormir e comida. Volto em breve. — Uraraka falou, mas, antes de sair, tinha mais uma coisa importante para dizer. — Candance-san está ainda na escola, Aizawa-sensei confia nela, e disse que poderia ajudar.
— Eu não sei se posso deixá-la encontrar Katsuki. — Izuku comentou. — Ela disse que o idioma dele era um japonês antigo, mas, na verdade, se você prestar atenção nas palavras, não é nem um pouco parecido. Eu fiquei pensando se ela realmente estava falando a verdade.
— Entendo, mas, Deku... e se ela disse aquilo apenas para ganhar tempo? Fora que, é ele quem decide, não é? Você tem boas intenções, mas não pode impedi-lo de fazer o que quiser.
Izuku estava tão preocupado que acabou sendo egoísta ao ponto de não pensar naquela possibilidade. Além disso, o que Uraraka acabou de falar muito parecia com o que ele havia reclamado com Todoroki. Assim que a amiga deixou o lugar, prometendo retornar com os produtos que eles precisavam, Midoriya virou-se para Katsuki que o olhava como se esperasse alguma explicação do que ela havia dito naquele instante.
— Desculpe, por favor, me perdoe por não ter pensado no que você queria fazer. — Ele inclinou o corpo para frente, os cabelos verdes balançaram com o movimento. A mesura diante de Katsuki levou algum tempo, até que o próprio guerreiro o ergueu, tocando seu ombro.
— Desculpa?
— Sim, eu queria te proteger, mas não levei em consideração o que você quer fazer. Você quem deve decidir onde ficar, ou se quer aprender a falar meu idioma. Se quiser, Candance vai ajudar, eu sei que Aizawa-sensei tem amigos que são confiáveis. — Ele falava sem parar, sentindo o corpo tremer pela ansiedade. Essas reações vinham acontecendo com frequência, cada vez mais. O toque de Katsuki o acalmou. Mas sabia que falar tudo aquilo não ia ajudar em nada, ele só sabia algumas poucas palavras.
— Katsuki e Deku juntos. — O guerreiro repetiu, envolvendo-o em um abraço apertado.
Ao menos ele aprendeu as palavras certas.
Izuku pousou a cabeça no ombro dele, permitindo que o abraço durasse mais tempo. A sensação daquele abraço era muito mais forte do que poderia imagem, não somente pelo calor que emanava da pele dele, ou pelas mãos dando segurança ao seu redor. Era aquela abertura que ele oferecia, aquela abertura que ele jamais teria nos braços de Bakugo.
Ainda que essa sensação alimentasse a ilusão que crescia em seu peito. Midoriya fechou os olhos, amortecido pelo coração que fora maltratado um dia e ali ganhava um chance. Mas uma chance que poderia também trazer solidão no futuro.
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