O guerreiro e o Heroi

12 O guerreiro e o fazendeiro


Notas iniciais
Dia 12 – Ze ramalho - entre a serpente e a estrela

Aarghus, a capital do reino de Endeavor III preparava-se para se defender da guerra eminente contra o grande inimigo do rei, o líder de uma seita secreta. Irmão Otsuka era o receptor do All for One, um poder passado de geração para geração que dominava as forças das trevas desde então.

A intenção daquele encontro era reunir os clãs mais poderosos do reino. Estava presente a ordem dos magos, a ordem dos cavaleiros e a ordem dos guerreiros do dragão. O anúncio do rei foi aguardado mediante a muito inquietação, o povo era o alvo principal do inimigo e precisavam ser rapidamente protegidos. Mas não havia tempo suficiente para reunir aliados distantes, demoraria dias até eles chegarem. Por isso, foi criado grupos estratégicos para serem enviados ao redor do reino, para impedir o avanço do inimigo.

Katsuki, um dos mais fortes guerreiros da Ordem do Dragão, estava lá representando o seu clã, junto com seus subordinado. Ele observava de longe o jovem fazendeiro que sonhava ser um cavaleiro da corte do rei. Os dois se conheciam desde a infância, corriam pela floresta, nadavam no rio, brincavam com animais selvagens. Selvagens para o fazendeiro, para Katsuki eram apenas animais.

Com o passar do tempo cada um seguiu o seu caminho. Ele, o herdeiro do clã dos dragões, precisava ser treinado na arte da guerra. Enquanto o fazendeiro plantava cenouras, nabos, alface e repolhos.

O reencontro não causou um boa impressão para nenhum dos dois. O fazendeiro foi capturado em uma de suas armadilhas para caçar animais. Ele gritava feito um javali, pedindo para ser solto. Depois desse pequeno equívoco, voltaram a se encontrar algumas vezes por acaso. Katsuki precisava afiar sua espada, e somente uma pessoa naquele lugar poderia fazer um trabalho decente. Foi até a estalagem em busca do ferreiro Vlad. Chegando lá, encontrou o jovem fazendeiro com uma espada grande demais para seu peso. Ele riu, o ferreiro disse que aquele fazendeiro estava estudando para se tornar um cavaleiro da ordem do rei.

Antes de deixar a cidade com espada já afiada, Katsuki encontrou-se novamente com o fazendeiro.

— É preciso uma espada tão grande para colher cenouras? — Perguntou, com uma risada zombeteira. O fazendeiro continuou caminhando, e arrastando aquela espada grande. — Se você por acaso quer se tornar um cavaleiro, primeiro tem que conseguir erguer a sua espada.

— Assim que eu for forte, vou conseguir levantar essa e qualquer outra espada. — O jovem fazendeiro respondeu sem parar de andar. Katsuki gargalhou novamente. — Por que você não me deixa em paz? Deve ter alguma coisa mais importante para fazer do que ficar aqui me importunando.

O rosto dele possuía as mesmas sardas de outrora, talvez até um pouco mais. Seus cabelos eram verdes e revoltos, ele era um pouco mais baixo e por isso aquela espada não era adequada para seu tamanho e peso. Ele poderia treinar quantos anos quisesse, mas aquela continuaria sendo uma espada ineficiente.

— Se você realmente quer ser um cavaleiro, então precisa de uma arma eficiente.

Os encontros se tornaram comum, as brigas foram sendo substituídas por discussões acaloradas. O Fazendeiro, chamado Deku, atraía sempre o olhar de Katsuki. Mas não só apenas seus olhos estavam interessados nele, todo seu corpo reagir quando estavam juntos.

Alguns meses depois desse encontro na ferraria, iniciaram as investidas contra o reino. Até chegar em naquele dia, onde os clãs estavam reunidos para criarem uma estratégia.

— Hey! Fazendeiro, essa espada não é muito grande para colher cenouras? — Katsuki aproximou-se de Deku por trás de suas costas e sussurrou a pergunta.

— Posso colher cenouras e matar um dragão ao mesmo tempo. — Deku virou-se com um sorriso, mas logo depois seu rosto enrubesceu com a investida do guerreiro. — Aqui não, todos vão ver.

— Então vem comigo. — Katsuki girou o corpo e começou a andar pelo grande salão até uma passagem por trás de uma cortina pesada.

Havia um corredor que ia direto para outro salão que era a cozinha do castelo. Assim que Deku aproximou-se, Katsuki o puxou pela cintura e pressionou-o contra a parede de pedras. Eles se beijaram, mas foram flagrados por uma das magas, Uraraka. Assim que retornaram ao salão, o rei havia iniciado um discurso. Não demorou muito para que um estrondo chamasse a atenção de todos, fazendo-os correr para o lado de fora.

Harpias atacavam o reino, todos foram ordenados pelo rei para proteger a população. Katsuki olhou ao redor, seus companheiros estavam indo em direção ao portão norte. Havia uma grande quantidade de harpias e Katsuki tentou abrir caminho, enquanto salvava crianças perdidas e chorando. Ele ajoelhou-se no chão, dando instruções para a criança buscar abrigo. Ao se levantar, viu uma bola de fogo arremessada pelo inimigo, ela atingiu uma das torres do castelo que desabou. Embaixo da torre estava Deku, com uma criança no colo, protegendo-a com a mão em sua cabeça.

— Deku! Deku! — Katsuki correu, gritando, mas o barulho era muito alto. Ele cortou a espada no ar derrubando as harpias, mas chegou tarde demais, os escombros da torre haviam se espalhado por toda aquela área.

O coração de Katsuki ficou dormente com aquela dor, a guerra levou meses para acabar, mas saíram vitoriosos no final. Contudo, o herdeiro do Clã dos dragões decidiu cortar ligações com o Rei. Ele jamais perdoaria o rei e sua linhagem.

Dois anos depois, Katsuki estava de volta a Aarghus a pedido da maga Uraraka que o contratou para capturar um Sugare, um demônio em forma de espectro que assombra as vilas. Enquanto ele perseguia o demônio, um clarão o cegou. Ele achou que fosse magia de Uraraka, mas logo em seguida o mundo pareceu dar uma volta e ele caiu no chão. Abriu os olhos e procurou pelo espectro, correndo na direção dele sem se importar com quem estava ao seu encalço.

Foi só quando perdeu de vista o demônio que ele ouviu os gritos. Aquela voz... Katsuki subiu na árvore e observou a figura que se aproximava. Os cabelos verdes, as sardas, a voz, o caminhar.

— Não é possível. — Katsuki desceu da árvore e caminhou até aquele rapaz. — Deku...

Ele se aproximou o bastante para tocar o rosto dele e sentir o calor de sua pele, não imaginava que ia sentir aquele toque novamente em sua vida. Mas não compreendia nada do que Deku falava, parecia um idioma diferente que nunca ouviu. Só que a única coisa que Katsuki desejava naquele momento era tê-lo em seus braços e dizer o quanto o amava, algo que não teve a oportunidade de fazer em sua outra vida. Ele o beijou intensamente, mas Deku se afastou.

A vida havia dado para ele outra oportunidade de reencontrar Deku? Seu coração se encheu de alegria, mas também de preocupação. Afinal, ele não sabia onde estava.

Notas finais
O que acharam do capítulo? Você vão me dar esse vácuo? HUAUHAHUA Até mais