O guerreiro e o Heroi
17 O herói e a distância
Notas iniciais
Midoriya havia acabado de sair da sala onde se encontrava com All Might. Ele encontrou os colegas no corredor da escola e acenou, disfarçando sobre o assunto que tratava com o professor. Já havia passado uma semana desde que o guerreiro chegou. O grupo se reuniu na cafeteria, Izuku preferiu ficar fora dos holofotes onde estava Katsuki, rodeado dos colegas falando sobre como ele estava bem com as novas roupas.
Momo e Aoyama estavam satisfeitos com a mudança de visual que proporcionaram para Katsuki, que agora poderia andar normalmente como um dos alunos.
— A capa vermelha era fabulosa, mas muito carregada para a época. — Aoyama comentou, sentado ao lado de Katsuki.
— Uma pena que não deixou a gente cortar seu cabelo. — Falou Momo, mas depois mudaram de assunto. Katsuki precisava encontrar o demônio Sugare, que passou pelo portal junto com ele.
Midoriya estava disposto a ajudar os colegas, precisavam encontrar o esconderijo do demônio que, a essa altura deveria ter comido muito e não conseguia mais se locomover.
— Ele gosta de lugares mais escuros e tranquilos, quando está descansando, seu corpo se modifica e ele fica mais fácil de ser capturado. — Explicou o guerreiro.
— Então ele pode estar em qualquer lugar. — Uraraka salientou. — Como saberemos se ele ainda está na escola?
— Você não consegue sentir?
— Não, desculpe. — Ela balançou a cabeça. — Eu sei que no seu mundo há uma pessoa parecida comigo, mas eu não uso magia aqui.
— Todos vocês têm magia. — Katsuki olhou ao seu redor, Midoriya o encarava e então os olhares deles se cruzaram. — Vocês parecem fortes.
— Pensando assim, até parecemos personagens de RPG. — Kaminari riu em seguida. — E, o que a Uraraka perguntou é importante, como sabemos que esse demônio ainda está aqui?
— Porque eu consigo sentir. — Katsuki respondeu. — Eu não sei onde ele está especificamente, mas está muito perto de nós.
— Oh! Isso é interessante, vocês possuem algum tipo de conexão?
Ele não respondeu a pergunta de Uraraka, e a jovem também não insistiu. O grupo foi dividido em seis grupos de três pessoas, para se espalhar pela escola, assim poderiam cobrir toda a extensão do terreno. E naquela noite, Midoriya ficou na companhia de Todoroki e Tokoyami.
O trio ficou responsável de cobrir o ginásio de esportes, mas não havia nada por lá. Decidiram ajudar outros grupos a procurar e no caminho se depararam com Katsuki cortando a espada no ar, enquanto uma corpo gigante parecia se arrastar por cima de suas cabeças.
— Um dragão? — Midoriya não poderia acreditar que havia uma demônio que se transformava em dragão, mas era o que estava diante dos seus olhos.
Sero o tentava manter preso, enquanto Kaminari parecia desorientado por ter usado seu poder. Izuku saltou e disparou os chicotes de seu poder para prender o dragão, enquanto Shoto o congelava. Tokoyami finalizou com sua sombra e Katsuki subiu em cima do dragão. Midoriya não entendeu o que ele falou, o guerreiro falava com o dragão em seu idioma, quando sua espada lhe feriu a asa. O animal grunhiu e caiu no chão sem forças.
— Ele morreu? — Todoroki perguntou, preocupado.
— Ikke, está vivo. Mas não poderá voltar a sua forma de antes, eu o marquei na asa. Quando retornar para casa, eu o levarei até o ninho de dragões.
— Até lá, onde vamos esconder um dragão desse tamanho? — Sero perguntou, aproximando-se deles, enquanto mantinha Kaminari em pé.
— Talvez no campo de treinamento. — Midoriya respondeu. — Atrás dos destroços, digo. Ninguém costuma ir lá.
— Ah! É verdade. — Sero concordou. — Bakugo não está aqui mesmo... — Ele coçou o nariz e depois olhou para Katsuki. — Meu amigo costumava ir lá descarregar a energia, ele acha que ninguém sabe, mas todo mundo sabe. — Ele riu e depois ajudou Kaminari que estava quase caindo no chão próximo da boca do dragão.
Com a ajuda do poder de Uraraka, eles levaram o dragão até um lugar onde o animal poderia ser mantido em segurança. Bakugo explicou que ele não era ruim, mas um animal ainda muito jovem e por isso poderia por as pessoas em perigo.
Os alunos retornaram ao dormitório, enquanto Katsuki ficou ao lado do dragão. Midoriya orientou Uraraka que fosse com os outros, enquanto ele observava o guerreiro passar a mão sobre a cabeça do dragão.
— Ele te faz pensar em casa? — Midoriya perguntou, ao se aproximar de Katsuki.
— Sim, isso é bobice? Como diz?
— Bobagem. — Izuku sorriu. — Não, não é. — Ele sentou-se ao lado de Katsuki e esticou a mão até a cabeça do dragão. A textura de sua pele era grossa e áspera, causando uma sensação estranha na sua mão. — Ele é bonito, são todos assim?
— Não, não todos. Há dragões muito maiores, e também de outras cores. Os vermelhos são os mais raros, na verdade, e poderosos.
— Parece incrível. — Izuku havia pensado em diversas formas para se aproximar de Katsuki nas últimas horas. As coisas pareciam tão menos confusas agora. A conversa com All Might naquela manhã o fez pensar mais sobre como poderia ajudar no retorno de seus amigos para casa. Da mesma forma que ajudaria Katsuki a ir para a casa dele.
All Might foi claro quando disse que eles estavam fazendo de tudo para conseguir acesso ao homem que tinha poderes para criar portais, mas o governo tornou as coisas mais complicadas, quando Katsuki foi acobertado.
Midoriya decidiu compartilhar isso com o próprio Katsuki, ele precisava saber a verdade. Depois de um tempo pensativo, ele virou-se para Izuku.
— Eu quero ajudar, mas se eles descobrirem que eu fiz alguma coisa contra as regras, vão tirar a minha licença provisória. — Midoriya explicou como funcionava seu mundo e as regras rígidas quanto aos heróis.
— Não quero causar mais problemas. — Katsuki se levantou. — Você tem sido um bom amigo.
— Oh! Jura? — Ele ficou surpreso, segurando a mão de Katsuki para se levantar. Com o impulso que deu para frente com o corpo, precisou apoiar-se para não cair. — É muito bom ouvir isso.
O sorriso de Katsuki não havia mudado desde a primeira vez que eles se viram. Mas o toque tão pessoal era agora mais retraído, parecia preocupado em não o incomodar. Era justamente essa distância que parecia atrapalhar.
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