O guerreiro e o Heroi
18 O guerreiro e a liberdade
Notas iniciais
Em seu mundo as coisas teriam sido diferentes.
Katsuki imaginava o que estava acontecendo agora em suas terras, seu clã e os colegas de Deku que foram supostamente enviados para lá. Apesar de sua mãe ser uma mulher muito complicada, ela não gostava de injustiças e ajudava qualquer pessoa que passasse com fome em sua frente. O que rendia muita dor de cabeça para ele, já que aprendeu desde pequeno a não confiar em todas as pessoas. Estranhamente ele era o oposto naquelas terras distantes. Teria sido mais cauteloso, obviamente, se Deku não fosse a primeira pessoa que ele visse. Com certeza teria sido diferente.
O guerreiro não queria dar trabalho, também não queria comprometer os novos amigos que foram gentis com ele. Poucas pessoas eram gentis e aceitava um filho do Dragão entrar em sua residência e andar livremente pelos arredores.
Apesar das aparências, o clã de Katsuki prezava amizade e honra. E não havia honra em tratar mal pessoas que nada fizeram para seus entes. Por isso ele deixou Deku aliviado quando falou sobre o que achava que estava acontecendo agora com Bakugo, Kirishima e Mina.
— Eu fico mais aliviado. — O rapaz disse e suspirou, eles caminhavam pela escola e foram até o ponto de ônibus. Katsuki acompanharia Deku até a agência de heróis que ele começaria a trabalhar. Disseram que alguém muito importante os ajudaria, já que ele possuía muitas informações sobre o governo.
O guerreiro não imaginava que essa pessoa era um homem alado.
— Então esse é o Katsuki? — Perguntou, enquanto aterrissava em sua frente. — Meu nome é Hawks, e essa é a maior e melhor agência de super-heróis do Japão. — Ele falou, estufando o peito e depois levantando a mão. — Brincadeira, minha agência ainda está no começo, mas vai ser a maior um dia. Graças a ajuda de um dos melhores heróis da nova geração.
Hawks apontou para Deku, que ficou sem graça. O prédio era tão grande quanto os castelos que já visitara em seu mundo. Katsuki ficou atraído por algumas tecnologias que não existiam em Aarghus, ainda que tivesse conversado com Sero e Kaminari sobre levar acertos aparelhos para lá, não saberia como fazê-los funcionar. Uma das ideias deles era usar energia eólica para fazer com que gerasse energia. E moinhos de ventos era o que mais existia nas terras de Bravan, onde o Clã da ordem dos dragões vivia.
— Você está gostando do nosso mundo? — Hawks perguntou, ele falava bastante, principalmente sobre si próprio e Katsuki acabou não prestando atenção em tudo.
— É diferente.
— Sim, claro. — Ao entrarem numa sala, após a porta ser fechada, as asas do herói moveram-se, abrindo um pouco mais com o espaço requerido. — Vocês foram seguidos por uns cinco ou seis agentes do governo até minha agência.
Katsuki ouviu Deku pedir desculpas por terem sido desatentos, mas Hawks não parecia preocupado, diria que ele contava com isso. Explicou que o alvo era Katsuki, dessa forma todos os olhares estariam vigiando-o pela cidade e era exatamente isso que eles precisavam fazer no momento.
— O que ele quis dizer com isso? — Katsuki fechou as mãos em punho firme e olhou ao redor quando eles saíram do prédio.
— Acho que eles precisam que a gente despiste a atenção para nós. — Deku aproximou-se de Katsuki. O guerreiro sentiu o cheiro dele adocicado vir dos cabelos macios e bem tratados. O olhar de Deku era igualmente doce, ele sorriu e continuou falando. — Eles devem estar tentando libertar aquela pessoa.
— Então o que precisamos fazer? Deixá-los me seguirem?
— Acho que é isso. Não podem te fazer mal porque você... bem, eles não têm nada contra o Kacchan, e você está vestido bem parecido com ele.
— Não gosto disso, não sou essa pessoa.
— Mas eles não têm certeza. — Midoriya esticou o braço e pousou sobre o ombro dele. — Se cometerem um erro, a associação de heróis vai cair em cima.
— Cair em cima?
Deku riu.
— É uma gíria, eles vão ter que lidar com problemas. — O olhar dele desviou para o outro lado da rua. — Que tal a gente começar com um sorvete?
— Sorvete?
— Sim. — Ele foi caminhando rápido para atravessar a rua. — Vem.
Katsuki o seguiu também correndo.
O sorvete foi uma das coisas mais interessantes que ele provou. Havia algo parecido com isso em Aarghus, feito com a água congelada e raspada com creme.
— Mas tem que comer logo, senão derrete. — ele disse, mastigando a casquinha do que envolvia o sorvete. — Esse também derrete.
— Por isso podemos fazer e deixar no freezer.
— As vezes neva tanto no meu mundo, que parece a geladeira da sua cozinha. — Katsuki comentou, fazendo Deku gargalhar. Ele adorava vê-lo com aquele humor, ficava ainda mais bonito e suas sardas ressaltavam muito mais. Katsuki não resistiu e aproximou-se mais dele, pousando uma de suas mãos no ombro, enquanto eles caminhavam na calçada. Havia visto um casal fazer isso, ao passarem do seu lado, parecia ser algo comum entre as pessoas.
Contudo, Deku parou instantaneamente e seu rosto ficou vermelho. Katsuki tirou rapidamente a mão do ombro dele, constrangido.
— Espera. — Deku o chamou. — Podemos ir em um lugar especial?
— Acho que sim.
Eles pegaram um outro ônibus, esse estava vazio, sentaram-se juntos em cadeiras. Katsuki gostou da velocidade que aquele tipo de carroça fazia as viagens. Encurtaria muitas distâncias.
Ao descerem do ônibus, chegaram em uma praia.
— Aqui foi onde eu comecei meu treino para me tornar herói.
— Eu sinto que já estive aqui antes. — Katsuki apertou os lábios e sentiu o cheiro do mar, era agradável aquela sensação de liberdade. Ele virou-se para Deku, vendo-o fazer o mesmo. Era perigosa aquela aproximação, pois se deixava levar pelos sentimentos, mas precisava ficar em alerta, já que ainda eram seguidos.
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