O guerreiro e o Heroi
19 O herói e a agradável surpresa
Notas iniciais
Midoriya estava fascinado com as histórias que Katsuki contava. Ele não dava muitos detalhes, mas, no geral, seu mundo parecia incrível. Eles riram juntos, molharam os pés na água e terminaram o dia sentados na areia diante do mar. Izuku puxou o ar pela boca e suspirou. Apesar da sensação de relaxamento, não baixou a guarda, os agentes do governo os seguiram até ali e não fizeram nada além de observá-los.
— Você disse que Todoroki-kun no seu mundo é um príncipe, não é? — Midoriya perguntou, puxando assunto. — Você não gosta dele pelo o que aconteceu com Deku?
— Não, não apenas isso. — Katsuki esticou as pernas na areia, as mãos apoiavam o corpo, quando ele jogou a cabeça para trás e encarou o céu de tom alaranjado pelo por do sol. — Após a guerra o reino entrou em conflito e muitas regiões começaram a lutar pela liberdade. Foi assim em Bravan, onde fica a ordem do dragão. O príncipe foi enviado para fazer a diplomacia, mas as coisas não saíram como esperado.
— Vocês lutaram?
— Sim. — Katsuki virou o rosto para Izuku. — Eles venceram.
— Ele é assim tão poderoso?
— O príncipe? — Uma gargalhada ecoou pela praia. — Não, ele não é mais forte que eu. Mas o pai dele é.
— O que o rei fez? — Midoriya aproximou-se mais de Katsuki, as pernas dobradas sobre a areia sem se incomodar.
— Ele tem muitos aliados, criou barreiras comerciais que faria com que o povo de Bravan morresse de fome.
— Sinto muito por isso. — Era muito mais nítido agora para Izuku perceber as diferenças entre Bakugo e aquele Katsuki. Fora o fato de ele ter vinte e dois anos. Talvez a idade e a vida que o guerreiro leva o amadureceu. Midoriya já não o olhava mais como antes, quando sua mente apenas via na sua frente o amigo de infância.
— Está tudo bem, quando eu voltar para casa, as coisas serão diferentes. — Ele disse com uma postura mais ereta, alongando os braços. — Você acha que aqueles heróis já fizeram o que eles queriam fazer?
— Oh! Aquilo? É, eu não sei. Ninguém me ligou ainda ou mandou mensagem. — Izuku tirou o celular do bolso e verificou novamente se havia novas mensagens. — Podemos ir até minha casa, é aqui perto. Acho que lá estaremos mais a vontade para conversar.
— Você não mora na sua escola? — Katuski perguntou, levantando-se e limpando a areia na calça que usava. Midoriya não havia comentado nada durante todo o dia, mas achava que Momo acertou precisamente no estilo de roupas que ela fez, é claro que Aoyama possuía mérito nisso.
Katsuki vestia uma calça preta e camisa regata que permitia que seus braços ficassem a vontade. Além disso, um dos colares com dentes de dragão ainda estava em seu pescoço, o menor de todos e que não chamava tanta atenção como os demais. Seus cabelos pareciam mais cheirosos do que antes e não era de se esperar que aqueles dois também cuidaram disso.
— No caminho te conto como fomos todos morar na escola. — Midoriya respondeu e eles foram andando até o condomínio de prédios.
Inko, mãe de Izuku ficou feliz em vê-lo e confusa por encontrar Bakugo com ele. Se passar por Kacchan não parecia ser a coisa mais agradável para o guerreiro e Midoriya sabia disso. Mas ele não questionou, respeitando as dicas de Hawks.
“Faço isso porque confio em você” ele havia dito.
— Chegaram na hora certa, eu acabei de preparar um bolo. Inko ofereceu uma fatia para cada um. Ela fez algumas perguntas para Katsuki, sobre sua família e outras coisas relacionadas a sua vida e Midoriya achou que poderia dar tudo errado, mas o guerreiro sabia muito bem o que estava fazendo, afinal.
— Mamãe está bem, sabe como ela é.
— Sim, eu a encontrei esses dias, nós tomamos um café. — A mãe de Midoriya sorriu e olhou para o filho. — Está tudo bem na escola? Você me disse que viria só semana que vem.
— Está ótimo, nós estávamos na praia. — Midoriya olhou para Katsuki, que comia o bolo. — Mãe nós vamos no meu quarto jogar, tudo bem?
— Claro, ainda bem que eu limpei tudo hoje. Se quiser tomar um banho antes. — Inko pegou toalhas limpas e deixou as roupas de Midoriya em cima da cama para que ele pudesse usar. Também deixou uma calça maior e camiseta para Katsuki.
— Desculpe, minha mãe é um pouco preocupada demais, ela vai fazer você tomar banho querendo ou não. — Midoriya falou sem graça, mexendo nos cabelos. Eles estavam em seu quarto e a quantidade de poster e itens de All Might ali era muito maior do que a que ele sustentava no dormitório do colégio. Com o tempo, Izuku passou a não dar tanta atenção para a coleção e seu quarto na escola precisava de espaço para outras coisas. Foi por isso que ele deixou a maioria ali.
— Eu acho que as mães não são muito diferentes em nossos mundos. — Ele pegou um boneco de All Might e riu. — Você gosta mesmo desse... como é o nome dele mesmo?
— All Might. — Midoriya puxou a cadeira e ligou o computador. — Vou mostrar para você uma coisa. — Ele carregou o vídeo de anos atrás e mostrou para Katsuki.
— Ele parece ser alguém importante.
— Ele é, um símbolo da paz, por isso eu me esforço todos os dias para salvar as pessoas com um sorriso. — Izukuriu, achando que Katsuki pensaria que aquilo era uma bobagem, afinal de contas, ele era uma pessoa que vinha lutando em guerras desde muito jovem. Da mesma forma que os colegas da U. A. High. Ele se levantou, para mostrar onde ficava o banheiro e Katsuki o acompanhou.
Antes de fechar a porta, Katsuki o puxou pela camisa, fazendo Izuku entrar no banheiro. O beijo em seguida não o assustou, nem fez com que Midoriya se desesperasse. Foi um beijo curto, mas que despertou todo o corpo do herói.
Midoriya saiu do banheiro e fechou a porta, deparando-se com sua mãe.
— Está tudo bem?
— Sim, sim, eu só... não é nada.
— Vou preparar o jantar, vocês vão querer comer o que? — Inko foi andando para a cozinha e falando sobre o que havia comprado naquela semana. Izuku não estava prestando atenção na mãe, tinha a mão nos lábios, recordando a sensação do beijo.
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