O guerreiro e o Heroi
2 O herói e a barreira do idioma
Notas iniciais
Midoriya havia reprimido todo o seu sentimento por Bakugou, e achou que estava tudo bem. Contudo, o beijo trocado com ele a poucos minutos o desequilibrou completamente, impedindo-o de raciocinar com cuidado. Ao retornar para o prédio dos dormitórios, ele precisou explicar não apenas uma, mas várias vezes o que havia acontecido.
Izuku detalhou novamente cada passo que deu, tudo o que viu e, enquanto fazia isso, Bakugou falava ainda o idioma que ninguém estava entendendo. Ele também começou a mexer em tudo o que viu pela sala e foi entrando nos quartos sem permissão, até que Aizawa tentou usar sua habilidade nele, mas não obteve o mesmo resultado.
— Deku! — Ele gritou na direção de Midoriya, falando outras palavras incompreensíveis.
— Pode parecer loucura, mas... — Uraraka inclinou a cabeça, observando Bakugou subir em cima do sofá, pisando nas almofadas com o sapato. — E se esse não foi o mesmo Bakugou que conhecemos?
Aizawa já havia solicitado ajuda para os demais professore, enquanto isso não o deixaria sair dali.
— Era o que eu estava em mente. — O professor falou, ao cruzar os braços. — Logo mais Candance chegará, ela é uma intérprete muito competente, e tem uma habilidade especial para fazer com que as pessoas falem qualquer idioma que ela souber falar.
— E se ela não souber esse idioma? — Midoriya perguntou.
— Vamos ter que descobrir como conversar com ele. Com certeza deve ter informações sobre aquele espectro azul ao qual você falou. — Aizawa suspirou e depois olhou para os dois alunos. — Eu sei que todos estão ocupados agora se preparando para a formatura em breve, mas preciso da ajuda de todos.
— Eu posso ficar aqui, sensei. — Uraraka se ofereceu, mas o professor tinha outros planos para ela.
— Vamos fazer uma varredura pelo campus, seu poder vai ser de grande ajuda. Midoriya, você fica com Bakugou, não o deixe sair. — Aizawa falou com uma expressão séria. Em seguida, os dois deixaram o prédio, e Bakugou olhou desconfiado para a porta quando se fechou, mas em um segundo ele havia pulado o sofá e encontrava-se diante de Midoriya, levando a mão aos seus cabelos.
— Deku... — Disse, aplicando mais palavras confusas ao seu nome.
— Se você não é Bakugou, como é seu nome? — Izuku perguntou, mas sabia que ele não iria entender. Então o herói levou a mão ao peito e disse seu nome. — Deku, De-ku.
Depois, Midoriya pousou a mão no peito dele e o olhar do guerreiro pousou sobre ela, assim como as suas mãos. Ele tinha uma pele quente e bronzeada do sol. Olhando melhor, era até um ponto diferente entre ele e Bakugou, que não era assim tão bronzeado.
— Katsuki. — Ele respondeu, levando a outra mão ao peito de Midoriya. — Deku.
— Katsuki? — Izuku perguntou novamente e o outro concordou com a cabeça. — Não pode ser, vocês têm o mesmo nome? Como isso é possível?
— Deku... — Cada vez que ele falava seu nome de herói, Midoriya sentia o corpo arrepiar. Ele se afastou imediatamente, não era certo aproveitar-se daquela situação. Até porque, quando tudo fosse resolvido, o verdadeiro Bakugo estaria de volta, assim como Kirishima, namorado dele. Com isso, Midoriya seria incapaz de magoar um amigo, e muito menos de declarar seus sentimentos para Kacchan.
Entretanto, Katsuki não cedeu, ele o abraçou, pressionando seu corpo contra a parede da sala. Izuku sentiu o rosto corar violentamente, encarando a expressão excitada de Katsuki, um sorriso selvagem delinear seus lábios. Ansiou pelo beijo que supostamente receberia, mas os colegas retornaram naquele momento de suas patrulhas e Midoriya foi colocado atrás das costas de Katsuki, enquanto ele erguia a espada e apontava na direção de Todoroki.
— Shoto! — A voz de Katsuki tornou-se fria, enquanto ele o encarava com desprezo.
— Espera, não faça nada. — Midoriya levou a mão ao braço de Katsuki, mas afastou-se em seguida por estar acostumado com as explosões de Bakugo quando interviam em suas ações. — Ele é meu amigo, amigo. — Midoria ficou na frente da espada fazendo todos os gestos possíveis que pudesse exemplificar que Shoto não era inimigo. Até que Katsuki baixou a espada, mas seu olhar ainda se fechou na direção de Todoroki.
Levou mais algumas horas, e a noite a tradutora ao qual Aizawa falou chegou. Mas as notícias não eram nada boas.
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