O guerreiro e o Heroi

3 O guerreiro e a fome


Notas iniciais
Dia 3. The Animals – House of the rising sun Link da música: encurtador.com.br/lNQW5

Candance era uma super-heroína filha de um americano e uma japonesa. Ela não parecia muito surpresa quando viu o guerreiro na sala, sentou-se no sofá ao lado de Katsuki. Em contra partida, ele olhava na direção de Todoroki, expressando irritação cada vez que conversa com Midoriya.

A heroína trabalhava para o governo, estreitando laços entre os países e assim era tradutora em diversos encontros. Os heróis que detinham o poder de falar vários idiomas eram poucos, não passava nem de mil no mundo todo. A habilidade era de transformar a outra pessoa em alguém fluente no idioma que ela quisesse e soubesse, e ela sabia falar diversos idiomas desde japonês, latim, português e até mesmo idiomas fictícios de filmes e livros. A sua facilidade para o aprendizado de um novo idioma era muito grande.

O problema era que não estava familiarizada com o idioma de Katsuki.

— É um japonês muito arcaico, combina com o mandarim falado na dinastia Shang. — Ela comentou, enquanto fazia anotações em seu tablet. — Nesse aplicativo, eu posso tentar criar um tipo de alfabeto que se assemelhe ao que ele fala, vai demorar dois dias pelo menos, então poderemos tentar usar o amplificador de poder que minha agência tem.

— Isso não vai fazer mal para ele? — Midoriya perguntou.

— Não se preocupe, é seguro. — Ela respondeu e Aizawa a levou para reunir-se com os professores da U.A. a fim de discutir sobre o que eles iriam fazer.

Todoroki se aproximou de Midoriya, sem tirar os olhos de Katsuki.

— Eles parecem esconder algo de nós. — Shoto concluiu.

— Também senti isso. — Izuku crispou os lábios, com um suspiro preocupado. — O que podemos fazer nesses dois dias?

— Tentar entender o que ele fala? — Todoroki deu alguns passos até o sofá e Katsuki grunhiu na direção dele como um animal selvagem.

— Acho melhor você se afastar. — Midoriya falou, mas Shoto não deixou a sala, apenas deu um pouco de espaço entre eles.

— Deku... — Katsuki ficou de pé e passou a mão sobre os ombros de Midoriya, abraçando-o com força e o trazendo para perto do seu corpo. A voz dele era claramente exigente.

— Parece que ele sente algo por você, algo especial. — A frase de Todoroki fez Midoriya engasgar-se e corar. — Diferente do Bakugo que conhecemos, ele parece que tem um apreço diferente por você.

— Como assim? — Midoriya piscou lentamente. — Você acha que o Kacchan não gosta de mim? — A pergunta foi estúpida e ele ficou mais envergonhado com o riso de Todoroki.

— Ele não demonstra que gosta, não é? — Todoroki cruzou os braços e inclinou a cabeça. — Mas esse Katsuki parece que gosta de você o bastante para demonstrar afeto em público.

Katsuki apertou ainda mais a mão em volta do ombro de Midoriya e falou algo para Todoroki, sua expressão era consonante as expressões comuns de quando Bakugo dizia algum palavrão. Soava familiar.

— Realmente acha que ele pode sentir algo por mim? — Midoriya não podia ignorar o arrepio que sentia pelo corpo com o toque de Katsuki. E, pensando bem, encontrou mais algumas diferenças os dois. Principalmente o cheiro. Enquanto Kacchan usava um perfume importado muito característico, Katsuki tinha um cheiro mais natural, poderia até dizer que havia notado algum toque de hortelã.

— Se ele vem de algum lugar... — Shoto continuou falando. — Talvez lá exista alguém como você, e essa pessoa pode ser muito próxima dele.

— Pode ser. — Midoriya inclinou a cabeça e levou a mão ao queixo. — Katsuki, você poderia me dizer quem é Deku?

— Deku. — Ele levou a mão ao peito de Midoriya e todas as outras palavras pareceram sair suave de sua boca. Foi constrangedor, principalmente porque estavam chegando mais colegas da turma na sala em que eles se reuniam, e Midoriya precisou explicar tudo o que havia acontecido naquele dia mais uma vez.

— Hoje a cidade parecia ser tranquila, ficamos mais tempo ajudando com coisas simples do que combatendo. — Tokiyami comentou, Sero e Jiro concordaram com ele, mas Momo tinha outra novidade para falar.

— Hoje recebemos um chamado em Sabatai, é um parque tecnológico em Shibuya. Lá eles pediram para a gente fazer a proteção de um equipamento recém-chegado ao Japão, ninguém nos falou do que se tratava, mas quando a máquina foi ligada para teste, um clarão surgiu do laboratório destruindo as portas. — Yaoyorozu cruzou os braços. — Eu sinto muito, talvez isso tenha algo a ver com o desaparecimento do Kirishima, da Mina e do Bakugo.

— Não tem do que se desculpar, você não fez nada errado. — Todoroki moveu a cabeça, consolando a colega com seu olhar gentil.

— Vamos aguardar Aizawa-sensei retornar para ter mais informações? — Sero perguntou confuso.

A aposta havia sido feita, eles não poderiam fazer nada além de aguardar. No entanto, o ronco proveniente da barriga de Katsuki os levou até a cozinha, onde o guerreiro pareceu impressionado com o uso do micro-ondas e outros eletrodomésticos.

Momo ofereceu-se para preparar uma massa rápida para o almoço com a ajuda de Todoroki. Enquanto esperavam, Midoriya pegou um pacote de pipoca de micro-ondas para estourar. Seria divertido mostrar para aquele guerreiro como funcionava um daqueles eletrodomésticos que ele tanto encarava.

— Espera, é assim que usa. — Midoriya colocou o saco de pipocas dentro do micro-ondas e depois indicou o botão para que ele apertasse. — Pode apertar, é o botão certo que vai fazer a comida ficar pronta.

Katsuki apertou o botão e ficou olhando o prato girar dentro do micro-ondas e a pipoca começar a estourar. Assim que o tempo finalizou, o aparelho apitou. Izuku pegou o saco, ainda estava quente. Em seguida, virou o conteúdo do pacote em um balde específico de pipoca que eles costumavam usar. Temperou com sal e um condimento especial que sua mãe sempre acrescentava na pipoca para ter um gostinho diferente.

— Prove, é gostoso. — Midoriya enfiou a mão no balde e mostrou como comia, levando a mão fechada de pipoca na boca. Katsuki fez o mesmo e depois olhou para Izuku bastante animado. — Ele gostou de pipoca.

— Também quero. — Sero comentou, enchendo a mão de pipoca. — Será que tem alguém no seu mundo igual a mim? — Sero, lembra? Sero.

— Sero.

— Isso, Sero. — Comentou com um sorriso. — Vamos ensinar ele a falar as coisas. — Pipoca. — Sero apontou para o balde.

— Pipoca.

— Exatamente. — Ele deu a volta na mesa e parou na frente do armário. — Geladeira.

— Geladeira. — Katsuki andou até ele e abriu a porta. Sero pegou uma lata de refrigerante e abriu, entregando para ele. Katsuki provou a bebida e fez uma careta.

— Bakugo gosta mais de soda. — Midoriya comentou e depois sentou-se no banco, observando Sero dar nomes a todos os objetos na cozinha e Katsuki o acompanhar.

Era um começo, mas ainda havia muito o que ele precisava aprender. Contudo, Izuku pensou em quanto tempo aquele Katsuki permaneceria ali. E quando Bakugo, Mina e Kirishima reapareceriam?

Notas finais
E aí, gente? :D comentem