O guerreiro e o Heroi

4 O guerreiro e o avatar


Todos tentaram se comunicar com Katsuki, as vezes com sinais de mãos, com frases ditas bem devagar e outras muito rápidas.

— Espera, eu tive uma ideia, e se ele desenhasse para a gente? — Izuku socou a mão na outra, animado. Em seguida, foi até seu quarto e pegou folhas e lápis. Os colegas se reuniram na sala de refeições, onde haviam terminado de almoçar. Katsuki estava sentado numa das cadeiras, ele não parecia irritado, mas apenas entediado com a atenção de todo mundo. Seu olhar foi direcionado para a porta, quando Midoriya retornou, colocando as folhas na mesa e entregando o lápis para ele.

— Como eu posso dizer para ele desenhar? — Izuku se perguntou. — Talvez se eu fizer um desenho primeiro. — Ele começou a rabiscar o papel, não era um extremo desenhista, mas estava acostumado a desenhar heróis em seus cadernos. Assim, fez um desenho de si mesmo e depois escreveu seu nome de herói ao lado. — Esse sou eu, Deku.

Katsuki pegou o papel e olhou bem de perto, depois olhou para Midoriya.

— Acho que ele não concorda com você. — Aoyama levou a mão à boca e deu uma risadinha. — Me deixa mostrar como se faz. — Ele sentou-se na cadeira e começou a desenhar, todos ficaram surpresos com o resultado do desenho.

— Também posso tentar? — Asui pegou um dos lápis e fez alguns traços, mas não foi sobre ela, e sim alguns bichinhos fofos.

— Que lindo esse gatinho. — Uraraka apontou para o desenho da amiga.

Katsuki olhou os desenhos de cada um e depois jogou o lápis que Midoriya havia lhe dado em cima da mesa, cruzando os braços em seguida.

— Parece que ele não gostou. — Iida ajeitou os óculos. — Quem sabe se levar ele até o quarto do Bakugo, talvez possa se conectar com ele de alguma forma.

— Ótima ideia, Iida. — Izuku virou-se para Katsuki e estendeu a mão. — Vem comigo.

Não precisou de tradução para que o guerreiro pegasse com força a mão dele, sem largar por um segundo. Quando subiram as escadas, Midoriya percebeu que o grupo de colegas não estava atrás deles. Ele imediatamente travou no meio do corredor, enquanto olhava para a mão com dedos entrelaçados. O quarto de Bakugo estava ali, na frente deles, era só dar mais alguns passos e entrar. Sentia-se cometendo um erro, e ouvir a voz de Kacchan a qualquer momento chamando-o de nerd.

Mas, será que era certo fazer isso? Midoriya sabia que ninguém entrava ali sem ser convidado, mal batiam na porta do quarto dele. Contudo, Bakugo não estava lá, certo? Izuku suspirou e abriu a porta do quarto, o cheiro do perfume de Kacchan foi a primeira coisa que ele notou. Era um aroma forte, como um incenso de ládano. Ele aspirou aquele cheiro e sentiu um arrepio percorrer suas costas.

O quarto não possuía nenhuma decoração exagerada. Havia uma cama, mesa para estudos, armários e uma prateleira com livros e alguns acessórios.

— Esse é o quarto do Kacchan. — Midoriya falou, caminhando até a estante e pegando o porta-retratos. — Esse é o time dele, no festival de verão. — Na fotografia, Kirishima pulava nas costas de Bakugo, ao lado estava Mina, Sero e Kaminari.

Katsuki pegou o porta-retratos na mão e começou a falar sem parar.

— Kirishima. — Ele apontou.

— Sim, é o Kirishima, você o viu em algum lugar? — A pergunta não adiantou nada, porque Katsuki estava agitado demais e ele não entendia o que Midoriya falava. — Será que eles estão bem?

Midoriya não soube explicar muito bem, mas sentiu-se enciumado por Kirishima também ter alguma ligação com o guerreiro. Seriam eles namorados? E isso significava que Deku era o que para ele? Seu olhar era de pura encrenca. E o sorriso? De que não era nem um pouco um santo.

A pergunta não teve resposta e logo em seguida Uraraka apareceu na porta do quarto.

— Nós tivemos uma ideia. — Ela comentou, chamando-o até o quarto de Kaminari. — Ele acabou de chegar, e nos disse que tem um jeito do Katsuki explicar melhor quem é você no mundo dele.

A mão de Katsuki voltou a capturar a de Midoriya e entrelaçar os dedos, enquanto eles subiam mais um lance de escada. Izuku ficou ainda mais vermelho de vergonha porque Uraraka percebeu e deu uma risadinha baixa. Assim que entraram no quarto de Kaminari, o rapaz soltou um assobio.

— Então é ele?

— Kaminari. — O guerreiro soltou a mão de Izuku e aproximou-se do rapaz, batendo com força no ombro dele.

— Isso não é justo. — Sero reclamou. — Ele reconheceu o Kaminari.

— Ele também reconheceu Kirishima e Mina pela foto. — Midoriya falou. — Mas o que você pretende fazer para que ele nos diga mais sobre o mundo dele?

— Fácil, só usar um simulador que cria avatar em um dos jogos online que eu jogo.

Kaminari sentou-se e ligou o laptop, ao seu lado, Katsuki foi orientado com gestos de mão para ficar. Midoriya aproximou-se, ficando ao seu lado. Kaminari ia explicando devagar o que precisava fazer, mas Katsuki estava surpreso demais com a tecnologia na sua frente. Com isso, ele decidiu manipular o teclado e criar um avatar como exemplo.

— Podemos acrescentar cabelos, cores, altura, músculos, roupas. — Foi falando, enquanto criava um personagem com características parecidas com Jiro. — Acessórios também. — ele adicionou fones de ouvido ao personagem, já que era o mais próximo do seu poder. — Desculpa, não tem nada mais que combine.

— Até que não está ruim. — Ela comentou, com as mãos nas costas da cadeira que Kaminari estava sentado. Os colegas presentes se espalharam pelo quarto, enquanto outros foram em busca de alguma novidade que Aizawa poderia ter.

— Certo, vamos ver se ele pode nos falar mais sobre o Deku, vou adicionar os cabelos verdes, as sardas, e olhos grandes... você não é tão alto, não é Midoriya.

— Não muito. — Tímido, Izuku coçou a bochecha com o dedo.

— Deku! — Katsuki falou alto.

— O que mais podemos fazer? — Kaminari perguntou. — Será que o Deku era um tipo de guerreiro igual a ele? — Ao perguntar, Denki adicionou um machado e um capacete em forma de osso parecida com a que ele usava.

Katsuki balançou a cabeça, ele foi direcionando Kaminari a mudar os acessórios, roupas e as cores com movimentos positivos e negativos da cabeça. No final, o avatar estava pronto.

— Ele parece um tipo de cavaleiro? — Jiro falou. — Mas o que é essa cesta de legumes?

— Vai ver ele planta? — Todoroki analisou a imagem, mantendo certa distância de Katsuki.

— Eu sou um fazendeiro no mundo dele? — Deku não pareceu muito empolgado. — Pelo menos tenho uma espada, não é? Talvez seja para se defender?

Kaminari continuou criando os outros avatares, e aos poucos os colegas iam se aproximando e divertindo-se com as aparências de cada um.

— O que esse dragão ao lado do Kirishima significa?

— Talvez ele seja um mestre de dragões? — Kaminari respondeu Jiro.

— E eu sou o que mesmo? Um tipo de guerreira?

— É o que parece. — Ele moveu a cabeça. — Iida-kun é fácil, ele é um cavaleiro. Asui-chan parece com uma taberneira? Ou camponesa?

— Fiquei decepcionada, esperava ser algum tipo de feiticeira, como a Ochaco-chan.

— Hein, Tsuyu-chan, eu achei as suas roupas muito mais legais do que a minha. O que esse cajado deve fazer? — Uraraka pousou a mão no queixo.

— O poder de um mago vem de algum objeto que retém energia, como o cajado.

— Kaminari-kun sabe muitas coisas, não é? — Ela perguntou.

— Algumas. — Ele sentiu-se orgulhoso, mas também um pouco constrangido com toda aquela atenção sobre si.

— O Kaminari do mundo dele é um tipo de mago também? — Midoriya perguntou.

— Acho que pode ser, hein, Ochaco-chan, vai ver somos da mesma guilda. — Ele sorriu e depois mudou para o último avatar. — E por último, ao que parecer, Todoroki-kun é um nobre. As roupas parecem muito mais sofisticadas, além disso, ele apontou para uma coroa. Você deve ser algum tipo de príncipe.

Todoroki deu um passo mais próximo da mesa e automaticamente Katsuki o olhou feio novamente.

— Essa versão minha deve ter feito algo sério para que ele não vá com minha cara. — Shoto falou, parecendo intrigado com a história por trás daquela reação. — Vamos descobrir em breve.