O guerreiro e o Heroi
5 O herói e a discussão
Notas iniciais
Alguns colegas retornaram às agências onde trabalhavam como estagiários, outros precisaram retomar os estudos. Midoriya estava adiantado com as matérias e só faltava entregar dois trabalhos finais e uma prova ao qual Aizawa-sensei costumava ser bastante exigente.
O guerreiro Katsuki estava ainda no quarto de Kaminari, havia se dado bem com ele e Sero. Os três conseguiram criar uma dinâmica ao qual se compreendiam. Por um momento Izuku sentiu-se deslocado no quarto ao vê-los como se estivessem com Bakugo. Deixou o quarto do colega e foi para o seu próprio quarto. Sentou-se na cadeira e passou a escrever todas as informações que havia conseguido ate aquele momento, também fez um desenho sobre Katsuki e sua espada, além dos colares com dentes de dragão e a tatuagem no braço que o intrigou.
— Midoriya?! — A porta do quarto estava aberta, Shoto encostou as costas na madeira, com os braços cruzados. — Podemos conversa?
— Claro, eu só estava...
— Fazendo anotações sobre Katsuki?
— Bem, sim, estava. — Ele corou, fechando o caderno. — Eu pensei em escrever quem sabe pensar em alguma coisa para ajudar.
— Sem conseguir falar o mesmo idioma, acho complicado a gente entender o que aconteceu antes de ele vir para casa. Vamos torcer para que a heroína Candance possa decifrar logo o seu idioma, não é?
— Sim, claro. — Midoriya tinha um olhar distante, sentou-se então em sua cama e passou a mão nos cabelos.
— Alguma coisa te incomoda? Além do desaparecimento dos nossos colegas?
— Estou pensando se eles estão sendo bem cuidados como Katsuki está.
— Vamos torcer para que estejam. — Todoroki aproximou, se sentando ao lado de Midoriya na cama.
— Sabe, esse Katsuki, ele pode parecer com o Bakugou, mas há muitas coisas diferentes entre eles. — Midoriya falou, dando um sorriso em seguida. — Ele é um pouco mais alto, coisa pequena, talvez dois centímetros ou cinco. E tem essa diferença na cor. Acredito que no lugar onde o guerreiro vem ele toma muito sol.
— Faz sentido, a roupa dele é mínima, com todo o abdome de fora.
— Ah! É, tem isso. — Midoriya desviou o olhar, inquieto.
— Você sabe muita coisa sobre Bakugou, deve ser a pessoa mais indicada para compreender as diferenças deles. — Todoroki inclinou a cabeça e sorriu. — Você acha que os dois tem mais alguma semelhança? Digo, ele te olha com uma adoração incrível, diferente de Bakugo.
Os ombros de Midoriya encurvaram, a percepção de Todoroki era grande quando ele queria.
— Você mesmo deixou claro que ele não gosta muito de mim, não é? — Disse, com um suspiro, lamentando a dura verdade.
— Não como o guerreiro parece gostar. — Todoroki estendeu a mão e tocou o ombro de Midoriya. — Eu não quero que você se machuque mais uma vez. — Ele disse, levantando-se e deixando Izuku sem entender.
— Espera, como assim novamente? — Perguntou, antes que Shoto deixasse o quarto.
— Desculpe, eu estou me intrometendo em um assunto que não me diz respeito.
— Agora que começou a falar, termine.
Shoto concordou, fechando a porta do quarto de Midoriya. Já fazia alguns meses que os dois haviam saído para um encontro casual de amigos. Foram no cinema e depois comeram em uma praça de alimentação em um grande pátio aberto próximo de várias lojas. Midoriya achava que o encontro era casual, mas se viu diante de Todoroki declarando-se para ele.
Foi uma surpresa tão grande, que ele não imaginava que Shoto flertava com ele e acabou aceitando sair naquele dia. A confusão foi resolvida com uma conversa sincera e então os dois decidiram continuar apenas como amigos, e evitar que aquela situação atrapalhasse a relação dos dois. Mas havia atrapalhado, Shoto se afastou dele quando Midoriya mudou de agência em seu último ano como estagiário.
Mesmo garantindo que não foi por questões pessoais, ainda assim, Todoroki manteve-se mais afastado. Mas naquele dia, as coisas pareciam ter voltado ao que era antes. Conversando sem olhares constrangedores, agindo de forma natural.
— Você é apaixonado por Bakugo, que por sua vez tem um tipo de clone que está interessado em você desde que chegou aqui. Eu não quero que você se machuque quando ele for embora.
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