O espião

2 1 - Recém chegado


Notas iniciais
Hey gente! Pelo que me consta já tenho dois leitores, mas ninguém comentou =/ Comentem e me façam feliz haha. Beijos e boa leitura.

Herr Fritznan entrou caminhando rapidamente em sua nova casa em Paris. Acabara de receber um comunicado de que o filho de um importante magnata Húngaro hospedar-se-ia em sua casa. O jovem, segundo dizia a carta, era filho do magnata com sua ex-mulher, uma francesa que morreu ao dar a luz ao filho. A Hungria estava entre os aliados do Eixo, e Hanns não poderia negar àquele pedido, mesmo que não confiasse em ninguém de ascendência francesa.

Ainda correndo, Hanns dirigiu-se a sala de visitas, onde encontrou sua filha e sua esposa. Sua esposa, Edeline, estava bebericando uma xícara de chá enquanto bordava alguma coisa. Já sua filha, Apolinne, estava lendo um dos seus muitos livros. Hanns não gostava muito daquele hábito em sua amada filha, mas nada que ele falasse a fazia abandonar os livros.

–Oh! Olá querido, voltou mais cedo hoje! – Saudou-o sua esposa, arrumando um fio do belo cabelo loiro e encaracolado para trás da orelha. Os olhos eram uma mistura de cores, passando do azul ao verde e ao castanho, dependendo da luz. No momento estavam verdes. Hanns se considerava abençoado por tê-la como esposa, ela era fantástica, fiel, preocupada com ele, inteligente e linda. Haviam se conhecido quando ela tinha quinze anos e ele vinte e quatro, agora ela estava com trinta e oito e ainda continha a mesma beleza e bondade de quando ele a conhecera.

–Sim, tive de retornar mais cedo hoje, Liebe*, recebi uma carta informando-me que o filho de um magnata húngaro terá de ficar hospedado em nossa casa. Parece que ele está fazendo algumas pesquisas, não entendi ao certo, a carta foi bastante vaga.

–Teremos de hospedar um estranho em nossa casa? – Perguntou Apolinne, parecendo irritada. Seu gênio era forte, o que, muitas vezes, levava-a a altas discussões com seu pai.

–Sim, sinto que sim, querida.

–Recuse isso, é ridículo! – Falou a jovem, fechando o livro, zangada.

–Sinto muito, mas não posso. São tempos de guerra minha filha. Os húngaros são nossos aliados, e a empresa do pai desse jovem tem financiado muito de nossos armamentos. Não posso simplesmente deixá-lo na rua.

A jovem fez sinal de quem iria falar algo a mais, mas sua mãe, já sabendo que aquela discussão não terminaria tão cedo se continuasse, interrompeu-os.

–É claro que não podia, querido. Mas quando o jovem chegará?

–Chegará na hora do jantar, por isso quero que vocês duas subam e arrumem-se, ok?

As duas mulheres assentiram e retiraram-se da sala.

–---#----

Pierre chegou em Paris de trem, logo procurou pelo carro do homem que lhe hospedaria e encontrou. Obviamente que o homem não fora pessoalmente, mas mandara seu motorista, que foi realmente atencioso.

Hanns Fritznan era um importante herr naquela guerra, o que significava que ele tinha um grande poder no exército. Pierre recebera a tarefa de investigar Hanns e sua família. A única informação que ele recebera era que teria de se passar por um húngaro, cujo pai financiava as armas alemãs na guerra e que sua mãe era uma francesa que morrera ao dar a luz.

Sobre a família de Hanns tudo o que ele sabia era que o homem tinha uma esposa e uma filha, nada mais. Não sabia suas idades nem aparências, até porque, ao que indicava, os Aliados também não faziam idéia desses fatos, logo ele deveria informá-los, também, sobre a aparência, nome, idade, etc , das ‘’mulheres de Hanns’’.

Passaram-se uns vinte minutos até o carro ser estacionado na frente de uma bela casa de dois andares, a arquitetura do lugar era incrível. Pierre permitiu-se admirar o lugar pela janela do carro. Não podia negar: Os alemães sabiam escolher bem suas casas.

Interrompeu seus pensamentos acerca da casa quando o motorista abriu a porta para ele.

–Levarei suas malas para dentro, senhor. –Falou o homem, respeitosamente.

–Tudo bem, muito obrigada! – Agradeceu o jovem, encaminhando-se até o portão da casa onde um senhor, já de uma certa idade, esperava-o. Pelas vestes, deveria ser o mordomo.

O homem abriu o portão e falou:

–Seja bem vindo senhor Chantalle! Meu patrão e a família o aguardam na sala de jantar.

–Obrigado, senhor! – Respondeu o jovem. O mordomo apenas assentiu e conduzi-o até dentro da casa.

O hall de entrada era incrível, fazendo Pierre prender a respiração. Ele estava acostumado a visitar famílias ricas com casas incríveis, mas aquela ultrapassava tudo o que ele já tinha visto. As paredes eram bancas, e havia alguns pedestais de mármore bege, bem como algumas belas pinturas espalhadas pelas paredes. Havia, também, algumas flores. Todas bem cuidadas em pequenos vasos dourados.

–Siga-me, senhor! – Falou o mordomo, tirando Pierre de seus pensamentos. O jovem segui-o por um corredor, tão lindamente decorado quanto o hall de entrada.

Pararam na frente de uma porta. O mordomo abriu-a e falou:

–Senhor Pierre Chantalle!

Dito isso, o homem afastou-se da porta e sinalizou com a mão para que Pierre adentrasse no local. Caminhando com passos lentos, mas firmes, o jovem cruzou a porta, que foi fechada atrás de si.

A primeira coisa que o rapaz reparou foi na imensidão da sala de jantar. O lugar era belamente decorado com a cor branca. A mesa de jantar, bem como as cadeiras eram brancas, com a madeira trabalhada. As cadeiras eram estofadas. As paredes eram brancas, e havia duas janelas enormes na parede que dava para a rua. Um lustre gigantesco e belo em pedras douradas pendia do teto. Uma ceia, com aparência deliciosa, esperava por ele.

Então Pierre decidiu observar as pessoas. Primeiro olhou para seu anfitrião, era um belo homem, olhos azuis, alto, elegante e cabelo negro. Seus olhos eram insondáveis, como o da maioria dos oficiais nazistas. Na outra ponta da mesa, estava sentada uma bela mulher loira, parecia ser jovem, mas, ao sorrir, haviam algumas rugas leves no canto dos olhos dela. Pierre deduziu que fosse a esposa de seu anfitrião. Então seus olhos fixaram-se na pessoa sentada no lado esquerdo do anfitrião e ele segurou-se para não prender a respiração.

Com certeza aquela era a jovem mais bela que ele já vira. Seu cabelo era loiro e seus olhos eram de um belo tom azul. Ela não sorria, mas transmitia uma paz, mesmo parecendo irritada com a presença dele, o que o fez questionar-se por quê. A jovem usava um belo vestido verde escuro, era comportado, típico de uma moça com uma educação exemplar. Ela tinha a altura ideal, em torno de 1m65cm, seu corpo era belamente desenhado e sua pele, alva.

A análise levou menos de 10 segundos, e ele quebrou o contato visual com a bela moça a sua frente quando seu anfitrião falou:

–Seja bem vindo, Pierre!

–Obrigada, senhor. – Respondeu o jovem, apertando a mão do homem.

–Não seja tão formal meu jovem, pode chamar-me de Hanns.

O jovem assentiu e esboçou um sorriso. ‘’Está na hora de começar a mostrar que podem confiar em mim.’’

–Aquela é minha esposa, Edeline, e esta é minha filha, Apolinne.

O jovem manteve o sorriso no rosto e falou:

–É um prazer conhece-las.

–Igualmente. – Falou Edeline, enquanto sua filha apenas assentiu.

–Bem, sente-se, chega de papo, vamos jantar!

Notas finais
*Liebe= Amor http://i00.i.aliimg.com/photo/v21/240258530/antique_dining_room_sets_antique_white_dining.jpg sala de jantar. Comentem ;)