O espião

3 2- Reflexões


Notas iniciais
Hey, estou de volta gente. Estou feliz ao ver que o número de leitores aumentaram, mas comentem ein. =) Boa leitura.

Pierre respirou profundamente ao sentir sua cabeça cair de encontro ao travesseiro. Aquela família, definitivamente, não era o que ele esperava.

Ele sabia que por trás de toda aquela aparência de’’boa família’’ havia o lado negro do nazismo, mas, mesmo assim, ele não conseguia parar de pensar que, no fundo, eles eram apenas fantoches nas mãos dos grandes organizadores de todo aquele conflito, assim como todos, ou pelo menos metade, dos outros participantes da guerra.

Durante todo o jantar Hans e ele tiveram diálogos calmos, basicamente conversaram sobre a viagem de Pierre e sobre como estavam seu pai ( ai foi o momento em que ele mostrou todo seu talento de ator). Não tocaram, em nenhum instante, em nenhum tópico que envolvesse a guerra. As mulheres mantiveram-se caladas durante todo o tempo, apenas sorrindo e respondendo a alguma pergunta dirigida a elas.

O jantar estava extremamente saboroso e a sobremesa ainda mais.

Porém nada tirava do pensamento do jovem Chantalle o olhar de desagrado que a jovem filha do seu hospedeiro lhe lançara. Ele gostaria de saber o motivo. Afinal, ao que tudo indicava, ele era apenas um inocente grã-fino hospedado na casa de seus iguais. Será que ela desconfiava de algo? Não! Como poderia?

Afastando aqueles pensamentos perturbadores de sua mente, Pierre tentou dormir, afinal pretendia acordar cedo na manhã seguinte. Precisava da confiança daquela família, precisava de informações e faria tudo para consegui-las.

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Apolinne socou seu travesseiro inúmeras vezes antes de aquietar-se e deitar-se para repousar. Aquele intruso em sua casa era completamente irritante. Ela sempre odiara receber visitas, até mesmo de seus avôs, ainda mais de desconhecidos. E o pior, e ela tinha de admitir para si mesma, é que ele era encantador. Sua forma de falar, sua forma de vestir, seus gestos...tudo transformavam ele no perfeito ‘’príncipe encantado’’. Mas aquilo não existia. E era isso que ela vinha repetindo para si mesma desde que ele adentrara em sua sala de jantar.

Respirando fundo a jovem sentou-se em sua cama, lembrando-se de que se esquecera de um dos seus mais sagrados rituais: o de pentear o cabelo antes de dormir.

Sentando-se na cadeira de frente para sua penteadeira, pegou sua escova favorita e começou a pentear-se. Aquele ato sempre acalmava-a e, naquele dia, não foi diferente. Quando terminou mal se lembrava do francês hospedado no andar de cima. Deitando em sua cama novamente, logo adormeceu.

A jovem caminhava alegre pelas belas ruas de Paris. Podia ver, logo adiante, a bela Torre Eiffel erguendo-se magestosamente. O céu estava claro, mas, de repente, grandes nuvens cinzentas começaram a dominá-lo. O coração da jovem começou a bater descompassado. Aquilo lhe assustava mais que tudo. Aquilo lhe dava mais medo do que todos os tiros que ela já vira serem disparados contra inocentes judeus nas ruas da Alemanha. Ela não entendia o porquê daquele medo repentino.

Olhando para trás ela viu a cavalaria britânica se aproximando dela. Os cavalos possuíam olhos vermelhos, bem como os soldados que os conduziam. Em meio ao medo ela começou a correr em direção a torre, seus saltos altos dificultavam aquele processo, mas ela continuou correndo como se sua vida dependesse daquilo. Quando estava a poucos passos de uma guarita de guarda alemã um avião sobrevoou Paris derrubando inúmeras bombas em sua volta.

Apolinne abriu seus olhos assustada. Seu corpo estava coberto de suor e seu coração disparado. Ela já tivera inúmeros sonhos envolvendo a guerra, mas em nenhum deles ela fora uma vítima. Afinal, como poderia? Ela tinha todas as características da raça ariana.

Levantando-se de sua cama a jovem foi até a penteadeira onde havia uma jarra com água ao lado de um copo. Bebeu um pouco de água e o líquido ajudou-a a se acalmar. Aquele sonho havia sido tão terrível...tão real. E ainda mais...ele envolvia a cavalaria britânica logo após a chegada de um homem com ascendência francesa em sua casa. Aquilo só podia ser um agouro.

Afastando momentaneamente aqueles pensamentos, Apolinne resolveu tomar um banho. Estava precisando daquilo. Sentia-se como se houvesse corrido uma maratona e ela sabia bem como era a sensação de correr maratonas, por muitos anos participara dessas competições em sua antiga escola.

Após tomar seu banho, a jovem colocou um dos seus vestidos favoritos. Era preto, soltinho, com flores em um belo tom salmão. Calçou um par de sapatos nude e pegou sua pequena bolsa que combinava com o sapato. Penteou os cabelos, deixando-os soltos. Passou um pouco de batom salmão e saiu de seu quarto. Teria aulas de piano dali a quarenta e cinco minutos. Sua professora, uma velha senhora que morava a duas casas de distância, era muito gentil, mas não tolerava atrasos.

Assim que chegou a sala de jantar ( que ela não entendia porque possuía aquele nome, visto que eles faziam todas as refeições lá), seus pais já estavam tomando café da manhã na companhia de Pierre. Aquilo deixou-a profundamente irritada. Como se não bastasse aquele estranho hospedar-se em sua casa, fazê-la ter pesadelos a noite ele ainda roubava seus pais de si. Seus pais sempre esperavam-na para o café, mas naquele dia resolveram inovar, pelo visto.

–Oh, bom dia, querida! – Saudou-a seu pai assim que ela entrou na sala.

–Bom dia! – Respondeu ela, o mais secamente possível, virando-se para sair da sala.

–Não vai tomar café, meu bem? – Perguntou sua mãe.

–Não estou com fome e não posso me atrasar para minha aula! – Respondeu ela, saindo do local, batendo a porta com um pouco de força. Sabia que aquilo irritaria seu pai, mas era justamente aquela a intenção.

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Pierre percebeu que Hans contraiu-se ao seu lado ao ouvir a porta bater. Imaginou que o homem, assim como seu verdadeiro pai, odiava portas sendo batidas.

–Apolinne ainda freqüenta a escola? – Perguntou Pierre, imaginando que aquele era um ótimo momento para conseguir informações.

–Oh não! – Respondeu Hans, sorrindo para seu convidado. – Ela terminou os estudos há uns dois anos. Agora faz apenas aulas de piano, três vezes por semana, pela manhã, com uma vizinha nossa.

–Deve tocar muito bem. – Falou o jovem.

–Uma das melhores a quem já ouvi. – Respondeu Hans e sua esposa assentiu.

–Bem, meu jovem, agora terei de ir trabalhar. Mas fique a vontade. Nossa casa é sua casa. E se quiser sair pela cidade, fique a vontade também.

–Obrigado senhor! Talvez eu vá conhecer alguns lugares, sim.

Hans apenas assentiu e despediu-se da mulher, saindo da sala.

–Como meu marido falou, fique a vontade! Terei de me retirar agora, marquei uma reunião com nossos empregados para essa manhã.

–Tudo bem, senhora.

A mulher sorriu simpaticamente e saiu da sala, deixando Pierre a sós com seus pensamentos.

Pelo jeito, seria mais complicado do que ele imaginara arrancar informações deles, pois, por mais que gostassem de conversar, eram muito ocupados. Teria de se valer das refeições para conseguir cumprir sua missão.

Notas finais
E ai, o que estão achando? Logo minhas férias terminarão, mas tentarei postar 1 por semana.Beijos. *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.