O espinho do anzol
17 Excruciar.
Notas iniciais
Seu pai sorria, algo que não se recordava de ter visto antes, pois em suas memórias sempre estava tão triste... aquilo deveria ser um bom sinal.
Hilda e Nathália tinham desconfiado quando ele acabou por aceitar falar com elas sobre a fuga que realizaram. Contudo, ele as escutou e sorriu. Não era que pretendessem voltar, mas queriam resolver aquele assunto definitivamente. Então, voltaram para aquela casa, que sempre havia sido um espaço para ideias que rejeitavam a própria existência das duas.
Aquele sorriso, aquele escutar... deveria ser o suficiente para permitir que o coração de Nathália e de sua irmã ficassem mais leves.
Entretanto, aquele não havia sido o fim.
—... já tinha pedido ao meu primo para que preparasse tudo quando lhes visse entrar aqui outra vez. — Ele disse, em um tom mais pensativo que qualquer outra coisa. — Mas imagino que essa não deve ser uma conclusão má... pelo menos, conseguimos chegar em um acordo. Nós seremos uma família pela primeira vez... faremos algo juntos... e não terei mais que lidar com esse fardo...
O fogo chegou até aquele cômodo, Nathália escutaria depois que o incêndio teria se originado na cozinha. Que importava? Agora sentiria um verdadeiro excruciar de solidão.
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