O espinho do anzol
18 Sarpar.
Notas iniciais
Ver os navios uma hora ou outra a sarpar não transmitiam a Nathália qualquer tranquilidade, uma vez que no interior de si mesma se encontravam o calor e a fumaça, que presumidamente se extinguiram naquela casa triste. Laércio parecia não entender porque Hilda não estava com ela e Nathália tão pouco poderia respondê-lo.
Porque ele estava tão morto quanto Hilda estava naquele momento, mas ele estava ali e ela não. Como podia?
Sua irmã sempre esteve próxima, principalmente após aquela habilidade para moldar pássaros, e fazê-los deslizar pelos céus a partir da pele descascando, apareceu, depois de sua mãe ter desaparecido em uma manhã cinzenta.
Sempre considerou aqueles pássaros tão lindos, mas haviam sido justamente eles que a machucaram. Eles a deixaram, sua irmã mais velha, tornando-se sangue diante dos olhos delas, sem voltarem para o corpo de sua dona, posterior a tê-las salvo do incêndio... para o nada. Completo nada, um coração vazio.
Foi uma cena que marcou sua mente tanto quanto uma queimadura: aquela falta de proteção no corpo que a pele lhe conferia fez com que Hilda continuasse a sangrar, os cabelos cada vez mais rosados. Mas Hilda não gritou, nem uma vez, provavelmente para não assustá-la.
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