Notas iniciais
Oieeeeee, olha quem deu as caras! Podem me bater :c Sou enrolada, eu sei. Uma péssima escritora, eu sei. Não tenho consideração com vocês, mentira! Tenho tentado escrever há séculos e o capítulo não saía, desculpem ;-; AGORA VÃO LER QUE NÃO VOU ATRAPALHAR MAIS :3

Senti algo macio tocar os meus lábios de forma gentil e familiar. Meus olhos se abriram de forma sonolenta, e me deparei com outro par a me encarar.

O Lucas-elfo afastou sua boca da minha e abriu um sorriso brincalhão, levando o indicador aos lábios em um gesto de silêncio. Não precisava de ter feito aquilo. Eu já estava sem ar e sem voz ao sentir meu coração aquecido depois de ter sido acordada com um beijo seu em meu próprio mundo.

Ele estava exatamente como o vira no Vilarejo, e por aquele momento me esqueci completamente que não só invadira o meu lar como assassinara Seres da Natureza. Só conseguia me focalizar na sensação de tê-lo ali, sabendo que ele também me reconhecia.

Lucas estendeu a mão, fazendo um gesto com a cabeça para fora do quarto.

— Vem comigo — murmurou, e eu estremeci a ouvir sua tão familar voz.

Não havia notado como estava com saudades, e esse sentimento arrebatador levou minha mão até a dele, que me puxou de uma só vez, contando com meus reflexos para erguer-me e já começar a correr.

— Aqui eu me chamo Luc — ele disse, enquanto passávamos em alta velocidade pelo Esconderijo e depois nos corredores dos Anões. — Está com fome, Princesa? — indagou, lançando um olhar por cima do ombro, e eu pude ver um sorriso petulante em seus lábios.

Estreitei os olhos e aumentei a concentração de energia nos meus pés, lançando-me para as costas dele. Luc arfou, cambaleando para frente e deslizando sem controle pelo chão de pedras. Eu permaneci rindo mesmo depois que caímos e saímos rolando por alguns metros.

— Você está louca? — Luc soltou-me do aperto protetor de seus braços ao qual havia me envolvido. — Podia ter se machucado.

Sua mão cobriu minha boca quando ameacei rir ainda mais alto. Claramente eu era menos rebelde no mundo humano, mas ele também parecia mais livre ali.

— Mas não me machuquei, e nem você — rebati, me remexendo ao sentir uma pedra pontuda contra minhas costelas. — Teve habilidade o suficiente para concentrar energia pra nos proteger quando caímos. Você é bom — elogiei, sorrindo.

Os olhos se desviaram dos meus, provavelmente envergonhados, o encabulamento uma característica que eu identifiquei como sendo de família, e aquilo me fez rir mais uma vez. Apertei os braços ao redor dele de forma carinhosa, aproveitando para inalar seu cheiro de cipreste. Luc tinha um odor melancólico.

— Não atrapalhe meus planos assim, Princesa. — Ele segurou meu queixo e estalou um beijo em minha boca. — Vamos!

Ergueu-se, e retomamos um caminho com destino desconhecido para mim. Os corredores estavam vazios e silenciosos, apenas os cristais de luz iluminavam o caminho de forma fantasmagórica, e nós aumentávaos a imagem macabra ao passar em alta velocidade sem emitir qualquer som.

Luc levou o dedo aos lábios novamente quando chegamos ao salão que eu vira mais cedo, onde estavam bebendo e se divertindo. Havia alguns anões caídos de tão bêbados, um número deles roncava e babava onde quer que estivessem apagados.

O elfo avançou, me puxando atrás de si. Passamos para detrás do balcão que dividia a cozinha do resto do local. Lá dentro, um anão maior que a estatura normal, ele devia ter um metro e meio, era também demasiado magricelo para os padrões da raça, e dormia sobre um barril de chope.

Num piscar de olhos que nem mesmo eu pude acompanhar, Luc percorreu a cozinha e juntou uma quantidade de carne e vegetais, depositando parte nos meus braços. Eu ergui as sobrancelhas para ele, mas assim que viramos de costas, uma voz bradou:

— Ladrões! Ratos de cozinha!

Luc teve de segurar a risada enquanto me seguia a correr. Aparentemente, eu estava tão acostumada a fugas, que meu corpo havia reagido mais rápido que o dele.

Com uma facilidade absurda, Luc ultrapassou minha velocidade e me guiou por uma rota que eu não conhecia, enquanto podíamos ouvir passos pesados de anões surgidos do nada às nossas costas. Eles realmente não gostavam que mexessem em suas comidas e bebidas fora de hora.

Eu sentia um misto de alegria e adrenalina, meus olhos às vezes se perdendo no contorno dos ombros e pescoço de Luc, que corria à frente. Fazer uma travessura como aquela não era algo que eu esperava dele, e isso me fez questionar se havia sido o elfo, e não o humano, a levar Luana para o motel no outro dia. A dúvida me fez querer pará-lo ali mesmo e questionar, mas os anões estavam se mostrando mais rápidos do que suas pernas curtas poderiam seguir, pela lógica.

Começamos a nos aproximar de uma área completamente imersa em trevas. Mesmo com minha visão aguçada, não conseguia distinguir o que poderia haver lá. Ainda assim, Luc corria de forma confiante naquela direção.

— Pule! — indicou, sumindo na escuridão quando nos aproximamos o suficiente.

Eu o segui, e tive a sensação assustadora de que cairia para sempre, segurando a comida contra meu peito, a única coisa que tinha a que me agarrar. Meus cabelos erguiam-se com o vento passando em alta velocidade e meus ouvidos zuniam.

Quando meus pés tocaram o chão, tive de me desdobrar para concentrar a energia e não me machucar, além de começar a deslizar em um chão polido. Podia ver Luc parado ao pé da rampa, sorrindo para mim, e imaginei que ele deveria achar hilária a cara de pavor que eu ainda devia estar fazendo. Tive vontade de chutá-lo.

Assim que o alcancei, começamos a rumar calmamente, e eu me perguntei se os anões não nos seguiriam por ali. Falta de coragem? Eu perguntaria isso depois.

Depois de algum tempo, enxerguei o reflexo de fogo bruxuleando nas paredes. Franzi o cenho, e então saímos no raso de uma caverna. A fogueira cuidadosamente montada ainda estava cheia de lenha, e ao lado dela

Meu coração saltou quando Gard ergueu a cabeça, parecendo sorrir com os olhos. Corri automaticamente até o lobo, enfiando-me nos branquíssimos pelos macios.

— Então ele realmente estava com você — Luc comentou, começando a improvisar uma grelha sobre a fogueira.

Encarei Luc. Ele devia ter colocado o fogo ali para Gard, e agora estava trazendo comida. Entendi que havia um motivo para invadir a cozinha, não se tratando apenas de uma brincadeira, ele simplesmente não teria explicação para pedir aquela quantidade de comida aos anões. Definitivamente era o garoto que eu conhecera no mundo humano.

— Obrigada — murmurei, sorrindo. — Por cuidar de Gard.

Luc balançou a cabeça.

— Somos bons amigos, não é, garotão? — O elfo lançou um sorriso para o lobo, que pendeu a língua para fora de forma abobalhada. — Só estranhei que Oozin não estivesse por perto.

— Você conhece Oozin? — indaguei, erguendo as sobrancelhas em surpresa.

As pontas das orelhas de Luc se mexeram para baixo e para cima.

— Estou tentando ajudar da mesma forma que você. — Os olhos concentraram-se enquanto ele colocava a carne e legumes para assar. Eu jurava que Gard comeria aquilo cru, mas o lobo deveria ter suas preferências, e eu imaginava quanto Luc as conhecia.

Comecei a acariciar o pelo de Gard atrás de sua orelha, distraída, e meus olhos encararam o fogo.

— Oozin ficou para trás em um confronto com Magos. Não sei o que houve com ele — murmurei, sentindo a pontada de culpa.

— Com Magos? — Luc ergueu a cabeça, afastando-se a movimentar a mão freneticamente quando a queimou na grelha. — Isso faz tempo?

— Um dia? Eu não...

A percepção me abateu de uma só vez. Minha última lembrança era a de estar com Mog vendo as estrelas, e então Luc me acordou. Por quanto tempo eu havia dormido? O que havia acontecido comigo?

Mais importante, o que havia sido aquela lembrança com a minha mãe? Engoli em seco. A cada momento, em vez de caminhar em direção à solução, eu acabava mais confusa.

Luc levantou um pedaço de carne com a ajuda de um ferro e lançou para Gard, que o abocanhou no ar.

— Oozin não cairia para os Magos, não se preocupe — ele comentou, olhando para o deserto escuro lá fora. — Ele não deve demorar a aparecer na montanha. Mas essa não é a questão.

O elfo sentou-se com as pernas cruzadas, cutucando o fogo, a mente parecia distante. Os olhos viraram-se na minha direção com uma intensidade que me fez prender a respiração.

— A questão é: você ainda vai estar aqui quando ele chegar?

Encarei-o por alguns instantes, absorvendo o que Luc queria dizer com aquilo. Bem, eu já deveria estar andando com minhas próprias pernas. Minha ideia inicial não havia sido conhecer o mundo em que vivia? Só assim poderia descobrir o que estava havendo.

Não seria rápido, não seria simples, mas eu imaginava algo efetivo. Mal pisara o pé para fora de casa, e já havia visto uma cidade subterrânea, Magos e Seres da Natureza rejeitados. As coisas estavam tão descontroladas, que era preciso apenas força de vontade para entender que uma iniciativa tinha que ser tomada.

Onde estava meu orgulho como Princesa dos Seres da Natureza? Eu o havia abandonado tão facilmente?

Um sorriso se abriu em meu rosto, e deitei a cabeça no dorso de Gard, encarando o rosto coberto pelas sombras de Luc.

— Não. Apenas estou lhe dando chance de me alcançar. Assim que eu começar a correr, Oozin não chegará até mim tão facilmente.

Luc soltou uma risada e ergueu o queixo.

— Está certo. É assim que se fala!

— E você virá comigo? — perguntei de súbito, mal notando que havia cogitado essa ideia até que as palavras saíssem de minha boca.

— Eu? — Luc balançou a cabeça e lançou-a para trás. — Tenho muito o que fazer. Inclusive estava aqui apenas de passagem quando encontrei Gard. Achei que Oozin estaria lá dentro, mas em vez dele... — Ele sorriu para o teto.

Senti meu coração dar um salto, e não resisti a ir até o garoto e deitar a cabeça em seu ombro. A mão de Luc deslizou para a minha.

Não dissemos mais nada, apenas ficamos em silêncio a encarar a fogueira até que ela se apagasse por completo.


Luc me deixou à porta do Esconderijo, me dando um último beijo. Abriu a porta para mim, e, antes que ele se distanciasse, uma voz se fez ouvir.

— Vocês não têm juízo?

Nós olhamos para Mog, parado no meio do cômodo de entrada com os braços cruzados. Os cabelos estavam revirados de um jeito engraçado, como se ele tivesse acabado de acordar.

— Olá pra você também, Mog. — Luc acenou, e Mog ergueu uma sobrancelha.

— Os anões quase ergueram uma frente de batalha — informou. — Jodge...

— Jodge? — indaguei.

— O cozinheiro — respondeu Luc.

— ...afirmou que os Magos quem haviam assaltado a cozinha. Sabe o que isso poderia ter causado?

— Era uma ação necessária — o mais novo falou seriamente.

— Necessária? Então você não podia ter simplesmente pedido ao Jodge pela manhã?

— Eu tenho que ir — Luc cortou o irmão. — Até a próxima, Princesa.

Ele me puxou pela cintura, tirando o meu ar ao beijar-me profundamente e se afastar com a mesma velocidade que havia se aproximado. Lançou um sorriso antes de correr para longe pelo corredor.

Fiquei encarando suas costas, ciente da sensação desconfortável de que Mog me encarava.

— Desculpe — murmurei, olhando para ele e segurando a ponta da orelha esquerda. — Realmente tínhamos que fazer isso.

— Eu imagino — Mog rebateu secamente, e virou-se de costas, sumindo no interior do Esconderijo.


Farm e Kol, os líderes dos anões eram duas figuras pequenas, obviamente, e sentavam-se em tronos proporcionais aos seus tamanhos. O casal tinha tranças que íam até seus pés, a mulher em seus cabelos e o homem em sua barba.

Os dois me encaravam de cima, já que o local da audiência era uma grande área aberta com o terreno irregular. Parecia um local de julgamento: eu estava no ponto mais baixo, como um buraco feito para uma pessoa; alguns anões que formavam o Conselho colocaram-se em diferentes pontos das rochas medianas de alturas indistintas que ficavam ao redor da área dos tronos, e à frente, no ponto mais alto, ficavam os líderes. O resto dos anões curiosos, e os Seres da Natureza colocavam-se sobre as pedras que sobravam.

Eu estava abaixada em um joelho e de cabeça baixa, como era ensinado para dirigir-se aos meus pais no Vilarejo.

— Ponha-te de pé, garota. Não está no Vilarejo — declarou Kol, sua voz se amplificando pelo lugar.

Ergui-me e o encarei, notando um sorriso divertido na face do líder anão. Depois voltei os olhos para aqueles elfos que mal havia conhecido e já gostava de todo coração. Karl mostrou o polegar e sorriu.

Suspirei, uma hora eles descobririam, de qualquer forma.

Minhas mãos buscaram a coroa prateada na bolsa que eu carregava, e a coloquei sobre os cabelos antes de encarar os líderes anões. De repente, eu me sentia como a Princesa que havia sido criada para ser. Minha voz começou a ecoar estranha aos meus próprios ouvidos, alta, imponente e orgulhosa.

— Eu sou Analu, a Princesa dos Seres da Natureza. Venho do Vilarejo junto de meu avô, Oozin, fugindo de ordens de meus pais para que eu fosse aprisionada antes de entrar em contato com a Árvore da Vida. Encontrei, aqui na Montanha Oeste, o Esconderijo desses Seres da Natureza, e a existência deles só confirma algo de que já suspeitava. — Meneei para Mog e os outros, sem olhá-los diretamente. — Oozin já me alertara que uma força estava agindo sobre o nosso mundo, e eu acredito com meu coração e alma nestas palavras. Se venho aqui, é para pedir humildemente pela vossa ajuda. Histórias, informações, escritos, tudo seria de suma importância para...

Minhas palavras se perderam quando a Farm ergueu a mão, ela permanecia inexpressiva desde que eu entrara na câmara. Encarei a senhora e aguardei, jamais baixando a cabeça novamente.

— O que exatamente nos impede de mandá-la de volta agora mesmo para o Vilarejo?

Notas finais
FARM SUA ANÃ MÁ! hsushsaush essa líder é amorzinho s2 Por enquanto é só. O que acharam do finalmente aparecimento do Luc? :3 Críticas, sugestões, elogios, dúvidas e teorias, envie via review, MP ou Facebook u.u ahsusbsjsh Beijinhos s2