Notas iniciais
Só queria começar dizendo: O QUE FOI ESSA RECOMENDAÇÃO DIVOSA? hahahah estou dedicando esse capítulo à você, Perséfone s2 Enfim, voltando, a Analu gostaria de agradecer a todos que acompanham, comentam, favoritam, visualizam e sei lá mais o que, porque saber que tem gente lendo a história e se aventurando com ela a deixa super feliz xD Só mais dois avisos! Eu escrevi um conto chamado A Dama de Gelo. Nele, vocês terão uma pequena lenda sobre a qual será falada logo, logo. Ouso dizer que se prestarem atenção, poderão já descobrir algumas coisas sobre a história :p deixarei linkado nas notas finais! Mas a leitura não é necessária para o entendimento dessa long-fic ;) E o segundo é: A HISTÓRIA ESTÁ DE CAPA NOVA! hahahahha espero que tenham gostado, porque eu fiquei babando nessa imagem que achei :3 e de sinopse nova também, porque A Dama de Gelo e A Princesa dos Elfos se referenciam pelas sinopses ^^

— Vamos cavar mais.

Foi o que Oozin disse depois de ficar paralisado por alguns segundos fitando a telha avermelhada. Olhei para minhas mãos, que já estavam ásperas e doloridas. Não era como se Gard estivesse ajudando, já que ele não cabia conosco no buraco.

Soltando um suspiro, enfiei as mãos na areia novamente e continuei ajudando meu avô. Conseguimos abrir uma boa área para as laterais, de forma que caberia mais uma pessoa ali. Gard uivou para o céu e pateou o chão como um cavalo, o que não pareceu tão estranho assim, já que ele provavelmente tinha o tamanho de um adulto.

Oozin e eu só percebemos o que estava acontecendo quando Gard estava quase em cima de nós. Ele saltou para o buraco de uma só vez e, ao tocar o lugar onde nossos pés se apoiavam, o telhado se rompeu, e senti meu corpo cair em queda livre.

Então era isso, eu morreria soterrada por toneladas de areia junto de um lobo jovem e um elfo velho, sem salvar raça nenhuma. Minhas ambições deviam ter sido grandes demais, afinal. Pelo menos, eu estaria viva se tivesse ficado e sido presa aos Cipós, ou me casado com Alleph — não, sobre esse último, eu preferia morrer mesmo.

— O que você está resmungando? — indagou Oozin.

Abri os olhos e fitei o buraco no teto pelo qual eu havia acabado de cair. Podia sentir as vibrações no chão enquanto meus dois companheiros se movimentavam.

— A areia... — Eu me sentei e olhei à volta. Estávamos num pequeno quarto com apenas uma cama e uma cômoda. — A areia... — repeti.

— Sim, isso só pode ser magia. Mas eu não me lembro de ter visto em nenhum de meus registros algo sobre alguma instalação tão perto dos limites do Vilarejo. Mais um fato apagado da memória? — E abaixou o tom de voz para um sussurro, enquanto continuava divagando.

Gard farejava a porta de madeira e arrastava as garras no chão enquanto Oozin examinava as gavetas da cômoda.

Abri a porta e segui Gard pelo corredor cheio de portas idênticas à primeira que levavam a quartos idênticos ao primeiro. Deveria ser uma estalagem para viajantes ou algo assim...?

Me vi paralisada quando encontrei um elevador. Um elevador no meu mundo? Aquilo não fazia sentido. Entrei e apertei um botão no painel digital, que se acendeu. Meu queixo caiu.

Gard me observava do lado de fora com as orelhas levantadas, parecia alarmado. Vi Oozin aparecer no corredor e olhar na minha direção quando esbarrei em um dos botões.

As portas se fecharam e o elevador desceu de uma só vez, como se não possuísse uma corda de aço que o segurasse. Meu coração disparado me fazia olhar para todos os lados a fim de achar uma saída, mas não consegui ser mais rápida que o meu transporte, que bateu contra o chão, me fazendo perder o equilíbrio e cair.

As portas se abriram para um saguão.

Um baque me informou que algo caíra sobre o elevador, e então a cabeça de Oozin apareceu depois de abrir um buraco no teto com sua adaga. Gard apareceu arfando à minha frente, o que me informava que devia haver escadas no prédio.

Pensando agora no telhado e nos quartos, não me parecia que se encaixavam à aparência daquele saguão ou do elevador. O saguão tinha poltronas de couro pretas e brancas, vasos de plantas de vários tipos espalhados com certo charme, um enorme balcão de granito — que deveria ser a recepção —, e a única parede que não era composta de vidro estava preenchida por um enorme painel de mogno. Nada daquilo deveria estar no meu mundo, o que me fez questionar se havíamos acidentalmente dado um jeito de entrar no mundo humano com nossos corpos originais.

Me levantei e caminhei em direção às portas de vidro, que estavam tão empoeiradas que eu não conseguia enxergar nada do lado de fora, como se o vidro fosse fosco. Era milagroso que o lado de dentro estivesse tão impecável.

Lobo e elfo seguiram ao meu lado, mais silenciosos que o normal, nossas respirações eram os únicos sons ali, o que me causava arrepios. Uma civilização tão silenciosa era assustadora. Principalmente estando acostumada aos humanos, que eram extremamente barulhentos.

As portas se abriram quando nos aproximamos. Ali também tinham sensores de presença, então. E ao sairmos, demos de cara com uma espécie de praça central.

Um enorme homem de pedra olhava um ponto bem acima do prédio. Ele tinha feições humanas, sobrancelhas franzidas, lábios comprimidos. A mão direita repousava no punho de uma espada embainhada e presa ao seu quadril. E a mão esquerda... Eu arfei ao mesmo tempo que Oozin soltou um longo assobio e Gard latiu. A mão esquerda da estátua se apoiava à cabeça de um lobo esculpido perfeitamente. O animal parecia ter uma expressão inteligente, e seu corpo estava abaixado, provavelmente para que o braço do homem ao seu lado não precisasse ficar levantado.

— Um humano? — perguntei.

— Provavelmente um Mago — opinou Oozin. — Não sabemos o que eles escondem abaixo de seus capuzes.

Minha mão automaticamente se estendeu para chamar Arco, e meu corpo se retraiu alarmado.

— Acha que estamos em algum esconderijo deles? — sussurrei.

Oozin coçou o queixo.

— Não sei, mas me sinto bem em relação à esse lugar.

— Você confia demais na sua intuição — retruquei ainda sussurrando, e perscrutando o lugar com os olhos.

Foi só então que me dei conta do quanto aquele lugar era bizarro. Os prédios pareciam como peças de brinquedo gigantes mal encaixadas. Tetos de casas estavam sobre edifícios, casas estavam sobre parques, a lateral de um prédio estava dividindo terreno com a lateral de uma igreja. Era como se um furacão tivesse passado por ali e tentado fazer uma enorme exposição de arte moderna — ainda que, de alguma forma, parecesse moderno demais até para a arte moderna.

Acima disso tudo, era possível ver a areia do deserto, como se uma cúpula de vidro impedisse que tudo aquilo desabasse. Me senti ligeiramente nauseada ao perceber que a qualquer momento eu poderia piscar os olhos e me encontrar esmagada naquele lugar estranho.

Oozin apoiou a mão em meu ombro, parecendo entender o que eu estava sentindo sem que tivesse dito.

— Vamos dar uma olhada por aí e depois dar um jeito de voltar para a superfície.

Confirmei com a cabeça e o segui, deixando uma flecha preparada em Arco e me movimentando em silêncio.

Mesmo depois de passar por várias ruas, a paisagem permanecia no mesmo estilo. Árvores e plantas e flores estavam coloridas e brilhantes, como se recebessem a luz do sol e água todos os dias. Mas não havia animais ou mesmo insetos. Não havia vento ou brisa, mas também não fazia calor. Era como se a cidade estivesse parada no tempo, e deixada para trás por seus habitantes depois de momentos de caos.

Algum tempo depois chegamos até uma ruína. Parecia ter sido queimada repetidas vezes, com marcas de queimadas em tons mais apagados em alguns lugares e mais forte em outros, como se o incendiário quisesse ter certeza de que nada voltaria das cinzas. Naquela situação, não dava para identificar que tipo de construção havia sido, apenas imaginar sua grande importância.

Oozin já vasculhava a área queimada, e Gard e eu o seguimos, praticamente na ponta dos pés, para não apagar alguma pista que pudéssemos encontrar. Mas Gard, com todo seu tamanho, se atrapalhava e lançava cinzas para o alto com seu rabo.

Então o lobo soltou um longo rosnado raivoso. Ele arrastava as patas no chão nervosamente, e seus olhos pareciam selvagens.

Oozin foi até ele, agachando-se e limpando o chão. Me aproximei, vendo agora um quadrado de metal com algumas partes descascadas e enferrujando. O elfo tentou puxar o objeto, mas ele não saiu do lugar. Examinou por alguns instantes.

— Parece uma porta eletrônica.

Arqueei as sobrancelhas, mas não perguntei como ele sabia daquilo. Em sua casa havia me dito que fazia visitas constantes ao mundo humano — isso explicara os cookies —, mas não imaginava que era tão ligado à tecnologia.

Me abaixei e apoiei Arco no chão, enfiando os dedos em uma das fissuras.

— Pelo estado dela, talvez consigamos puxar juntos.

Meu avô confirmou com a cabeça e se colocou na mesma posição. Concentrei energia nas mãos e, quando estava prestes a puxar, uma explosão nos jogou para longe.

Forcei meu corpo para o chão, e me energizei para cair de pé e diminuir o impacto. Podia ouvir um zunido constante, como se algum objeto estivesse sendo movimentando em meio à fumaça. Cobri o nariz e apertei os olhos, tentando enxergar algo.

Quando uma mão me puxou, quase saltei para longe, mas Oozin estava com um dedo nos lábios, pedindo silêncio. Respirei fundo e chamei Arco, mas, para minha surpresa e desespero, ele não veio.

Foi quando um grito invadiu meus ouvidos e a fumaça se dissipou. De pé, perto da porta que estávamos tentando abrir, estavam duas figuras encapuzadas — uma de branco e outra de preto —, segurando cajados brancos com orbes nas pontas. Gard estava com as presas enfincadas no ombro da pessoa de branco, o sangue escorrendo por sua bocarra e se espalhando pelo manto da vítima.

Sem que eu tivesse tempo para realmente pensar na cena, o estranho de preto estendeu o cajado na minha direção e uma bola de fogo se formou e se expandiu, lançando-se para frente.

Oozin e eu saltamos para lados opostos e caí rolando, vendo em meio ao movimento quando o lobo lançou um corpo inerte para longe. A visão me deixou enjoada e apoiei as mãos nos joelhos. Gard tinha os selvagens olhos opacos direcionados para o mago de preto agora. Parecia seguir algum instinto cruel, e me perguntei se os magos haviam maltratado os lobos de alguma forma para tê-los ao seu lado.

Sempre fomos ensinados que os lobos tinham uma natureza cruel, e que por isso eram tão fiéis aos magos. Mas vendo aquela cena, e depois de ter conhecido Gard, não era algo que conseguia aceitar facilmente.

"Fuja! Agora! Controle Gard e saiam daqui!"A voz de Oozin gritou ofegante em minha cabeça.

Eu não entendia o que ele queria dizer com isso. Um mago já estava fora de combate e agora seria bem mais simples lutar com apenas um. Mesmo assim, o desespero de meu avô ainda estava em minha mente e eu tive uma vaga compreensão de que o mago de preto não era como o outro.

O mago de fogo estava de costas para mim agora, e lançava rajadas de fogo para o outro lado, onde eu podia ver um vulto veloz se desviando e atirando flechas que eram consumidas pelas chamas. Uma única flecha acertou a perna direita do mago, que mesmo caindo não parou de atacar. Parando para pensar, ele mal havia girado os calcanhares enquanto lutava com meu avô.

Um som me chamou a atenção e vi Gard sendo lançado para longe por uma rajada de vento. Corri por instinto em direção ao mago do vento caído e apoiei o joelho sobre seu braço, afastando-o do cajado. A respiração dele estava estranha e havia tanto sangue que eu me perguntava como ainda estava vivo. Mais por curiosidade que por qualquer outra coisa, empurrei o capuz para trás e me deparei com o rosto de uma garota.

Os grandes olhos me fitavam com uma mistura de medo e surpresa. Ela parecia tão jovem. E realmente era como uma criança humana. Senti um gosto amargo na boca e me levantei, chutando o cajado para longe e procurando Gard com os olhos.

— Você não vai me matar, Criatura da Floresta? — a voz estava fraca, mas eu podia perceber a sua confusão.

— Você não vai poder fazer mais nada, não tenho porque te matar. Acredito que o lobo não tenha acertado seus pontos vitais, então não precisa se esforçar tanto.

Direcionei minha mente para Gard e me assustei com a facilidade com a qual entrei em sua cabeça. Mas a visão diante de mim avermelhou-se por uma raiva pura e selvagem. Destroçar. Matar. Sangue. Sangue. Meu cérebro convertia os sentimentos dele em palavras e meus joelhos cederam. Não havia como lutar contra a mente do lobo da forma como estava. Era como um animal irracional que encontrara sua presa.

"Analu! Agora!" As palavras de Oozin me tiraram parcialmente do transe.

Uma grande explosão e vi ele pulando para longe com o braço esquerdo queimado enquanto o mago negro o seguia.

Virei os olhos para Gard. "Vamos. Esqueça o mago". Ele deu dois passos na direção do mago, mas percebi que Oozin também fazia pressão na mente do lobo, acalmando-o. "Sua promessa foi a de me proteger, Gard. Eu disse..."

— ...vamos! — gritei a última palavra a plenos pulmões enquanto enviava a ordem mentalmente.

Gard virou os olhos na minha direção, dessa vez estavam com o habitual brilho inteligente. Correu até mim e se agachou, de forma que me agarrei aos pelos e icei o corpo para cima, montando-o como a um cavalo.

Quando ele correu para longe, olhei para trás e vi a garota ainda me fitando, e seus olhos pareciam ainda maiores.

Caí sobre o corpo de Gard, sentindo a forma como ele se movimentava sob mim. Eu não sabia se ele seguia algum rumo, mas eu também não sabia para onde poderíamos ir. Andar escondida não faria nenhuma diferença já que em qualquer beco que eu me escondesse poderia existir um mago à espreita. E eu também queria que Oozin me encontrasse facilmente. Eu havia visto seu braço direito fumegando, então ele precisaria de cuidados.

De repente, me dei conta de que Arco havia ficado para trás. Ele ficaria muito irritado. Chamei-o, mas não houve nem sinal de resposta. Não podia voltar atrás agora, até porque Gard corria a toda velocidade enquanto farejava o ar. Esperava que ele não estivesse seguindo para outro inimigo.

Entramos em um beco particularmente apertado e seguimos, chegando num ponto em que tive de descer de Gard, pois seu corpo mal cabia no espaço. Uma subida repentina me fez ter esperança, e meio andei, meio escalei pelo caminho estreito e pedregoso.

Quando me dei conta, não enxergava nada à minha frente ou às minhas costas. Tudo que eu tinha consciência era do chão sob mim e a respiração de Gard em meus pés. Para um Ser da Natureza aquilo era como um inferno. Prensada no escuro em meio à pedras ressecadas e areia, com uma enorme bola de pelos ocupando a única saída conhecida.

De repente, senti à minha frente apenas pedras. Gard havia nos levado para um beco sem saída.

Notas finais
Uma cidade é encontrada sob as areias do deserto. Os magos finalmente dão as caras na história, causando a insanidade de Gard. E um deles é... uma garota humana? Ou apenas possui a sua aparência? Em meio às dúvidas, nossa heroína se vê completamente presa. O que ela fará se os Magos estiverem em seu encalço? Vejam no próximo capítulo ~~ Kkkkkkkkk parando com a viagem, prometo postar logo, tenho tido grandes ideias s2 Beijos e até logo! ;* A Dama de Gelo: http://fanfiction.com.br/historia/621055/A_Dama_de_Gelo/