Notas iniciais
Oieeeeeeeeeee, amores! Adianta se eu falar para não me matarem? e.e Bom, tive trava na criatividade, muito trabalho e mil dias ficando doentinha, então me perdoem XD Vou levantar uma questão ao final, então não deixem de ler as Notas lá de baixo. Obrigada u.u E ESSA RECOMENDAÇÃO DO LINDO DO ALDAGAUR? S2 MUITO OBRIGADA! >< Queria dedicar um capítulo melhor para você, mas espero que goste desse >< Até lá embaixo!

Eu tentava digerir tudo de uma vez. Passei os olhos pelos cinco mais uma vez, sem saber o que fazer. Limpei as mãos nas calças de couro, me sentindo estranha.

Esses cinco elfos me repudiariam se soubessem que era a princesa?

— Traga algo para ela comer, Karl — declarou Mog, com a voz firme.

Mog moveu sua cadeira por um corredor de pedras, me fazendo questionar como conseguia se movimentar no chão desregular, e sumiu de vista, sendo seguido por Karl. Nick continuava cochilando num canto.

Os gêmeos me fitavam com curiosidade, e lhes sorri, me aproximando. Lizzie sentou em um banco ao meu lado timidamente, balançando as pernas no ar. Tive vontade de lhe acariciar os cabelos.

— Pode nos falar sobre o Vilarejo? — indagou John.

— É verdade que, se alguém encostar na Árvore da Vida, morre? — continuou Jhonny.

Eu sorri, era engraçado ver elfos que não sabiam nada sobre a própria espécie. Também me sentei, estalando os dedos das mãos.

— A Árvore da Vida, na verdade, é um território. — Sorri quando eles se entreolharam. — Pelo lado de fora, tem a aparência de uma árvore gigantesca, cercada por placas de madeira — expliquei. — Mas, ao atravessar a cerca, você entra em um vasto território de beleza inigualável, no centro do qual está uma humilde árvore, pois o maior poder dela está em suas raízes. Apenas o Rei e a Rainha podem ir ao território, na verdade, e eles só podem fazê-lo durante os festivais, sendo um para cada estação do ano, com exceção do verão, mas eu estudei muito sobre isso para... — Parei de falar, quando percebi que ia revelar minha identidade. Tossi, fingindo limpar a garganta. — Para poder virar mestre da academia, algum dia.

Olhei para os gêmeos, que pareciam se inclinar em minha direção. Abri um sorriso animado, explicando para eles sobre cada um dos três festivais.

O Festival de Primavera introduzia as crianças à Academia, e marcava o início de um novo ano. Todos recebiam coroas de flores coloridas, e o primeiro dia era dedicado para enfeitar o Vilarejo e colher frutas. Na noite do primeiro dia, o Festival começava de fato, e então seguiam-se três meses de comida e dança. Era o Festival mais alegre e relaxado que tínhamos.

O Festival de Outono transformava os formandos da Academia em verdadeiros membros do Vilarejo, quando eles produziam seus próprios arcos e os recebiam com o poder da Árvore da Vida. Diferente dos outros, durava apenas vinte e quatro horas, e marcava o fim da estação.

Ao terminar de falar sobre ele, franzi o cenho e me perdi por um momento. Por mais que soubesse disso, não me lembrava de ter visto o Vilarejo em tempos de alegria como aqueles. Balancei a cabeça, prosseguindo.

O Festival de Inverno era de reflexão. Vestíamos apenas cinza durante a estação, e nossos dias eram dedicados a ler pergaminhos ou cuidar das árvores. Da mesma forma que nos funerais, escondíamos os rostos sob capuzes, e não podíamos nos comunicar uns com os outros.

— Por que não tem um festival durante o verão? — Lizzie perguntou, os olhos brilhantes me fitando.

Encolhi os ombros, não era algo que eu soubesse. Um lapso surgiu em minha mente e se foi, me deixando ligeiramente atordoada por um momento. Uma memória roubada?

— Eu não sei — murmurei.

— Aposto que está escondendo informações, Annie — murmurou Karl com divertimento, tendo voltado, e agora estendendo um prato com pão e fatias de carne.

Quase pude sentir a saliva escorrendo pelo meu queixo ao ver comida, até ignorando aquilo que a frase de Karl, ainda que brincalhona, denotava.

— Vocês comem carne aqui? — indaguei, puxando o prato sem muita educação.

— Desculpe sobre isso… — Ele parecia envergonhado.

Abocanhei aquilo, soltando um suspiro audível. Engoli antes de responder.

— Não, eu amo carne, mas todos surtariam se eu caçasse algum animal e o comesse no Vilarejo. Teria de fazer isso escondido, e o esforço não valeria tanto a pena. Não me levem à mal, frutas e verduras são deliciosas, mas não sou vaca para ficar comendo mato a vida inteira.

Lizzie colocou as mãos na boca, como se estivesse abismada. Karl soltou uma risada e os gêmeos se entreolharam com um sorrisinho. Encarei-os, sem compreender, havia falado algo estranho?

— Ora, isso faz de mim uma vaca? — indagou Mog, que também havia voltado silenciosamente ao local, de alguma forma que eu não compreendia, em sua cadeira de rodas.

A risada de Karl aumentou.

— E então… — murmurei, disposta a mudar de assunto. — Como é esse tal de Luc?

— Impertinente, teimoso, hiperativo — respondeu Mog de imediato, como se estivesse entediado.

— Não seja tão duro, Mog. Ele é um bonitão habilidoso — intrometeu-se Karl.

— Sua opção sexual é discutível, Karl — comentou Mog, apoiando as mãos atrás da cabeça.

— Luc é gentil... — disse Lizzie, de repente, com a voz baixa. — Ele é muito inteligente, aventureiro, altruísta, sempre pensa na gente em primeiro lugar. Está sempre viajando pra poder encontrar uma cura para nós.

— É um imbecil — falou Mog.

— Não ligue para ele — Karl disse. — Está apenas preocupado com Luc. Todos nós ficamos, mas o Mog é o que mais se importa.

— Isso porque ele é imprudente, e vocês alimentam as fantasias dele. Alguém tem que ter juízo. — Mog suspirou.

— Você parece um velho, Mog — rebati, fitando-o e sorrindo, querendo quebrar aquela aura de seriedade do garoto.

Quatro elfos riram, Mog ficou apenas me fitando, os olhos estreitados, como se cogitasse se devia ou não dizer alguma coisa. Não disse.

Nick, ainda deitado no canto, abriu um dos olhos e nos espiou.

— Vocês falam demais — resmungou, saltando para o chão. — Tenho mais o que fazer. Tentem não assustar a garota.

— Foi um prazer, Nick — eu disse, sorrindo para ele.

— Sim, orelhuda, sim, sem puxar o meu saco, não vou te deixar pegar nada da Reserva Especial do Nick — resmungou, enquanto saía.

Ergui as sobrancelhas em questionamento, mas ninguém se deu ao trabalho de responder, talvez porque fosse óbvio que ele estava falando de algum estoque de barris de cerveja. Dei de ombros.

Assim que o homem se foi, virei-me para Lizzie, que me cutucou o braço. Inclinei a cabeça para ela.

— Posso pentear o seu cabelo? — indagou, parecendo constrangida.

Minhas sobrancelhas se ergueram em surpresa. Olhando para ela, com as bochechas coradas, e as írises viradas para os próprios pés, não sabia como negar. E nem tinha porque fazer isso.


— É como eu imagino os cabelos da Dama de Gelo — murmurou a elfa, enquanto eu permanecia de olhos fechados, recebendo o mimo.

— Dama de Gelo? — questionei.

— É uma lenda que contam às crianças. Todos os povos a conhecem. — Foi Mog quem respondeu. — Seus pais não lhe contaram?

Balancei a cabeça.

— Nunca a ouvi no Vilarejo. — Meus olhos vaguearam até o loiro.

Mog se inclinou para frente, e a voz calma flutuou pelo ar, como se recitasse palavras de poder.

— "Os cabelos da Dama serão completamente prateados, lindos como o brilho das estrelas. E seus olhos? Fascinantes olhos de prata líquida, brilhantes com o fulgor de sua teimosia. Ela dominará os lobos, seres fiéis, compatíveis com a sua alma. Dominará o arco, com o qual compartilhará sua vida e seu coração. Dominará a espada, que expressará sua força perante seus súditos. E, por fim, o gelo a dominará, e isso levará à completa destruição de todos os mundos".

Um silêncio se instalou, e acabei fazendo as associações imediatamente. Os cabelos prateados, a ligação com Gard, o arco... Joguei esse pensamento de lado. Eram apenas coincidências. Eu poderia aprender a usar uma espada, ainda que não conhecesse ninguém que soubesse manejar uma, mas meus olhos arroxeados e a distância da magia elemental eram provas concretas.

Lembrei-me da estátua na cidade sob o deserto, na qual o homem esculpido carregava uma espada, mas meus pensamentos foram interrompidos.

— Na verdade, ele recitou a profecia. — A voz de Karl quebrou o transe dos outros. — A verdadeira história conta a vida da Dama de Gelo, mas dizem que ela um dia vai retornar. — Deu de ombros. — Acho que é só uma história que contam pras crianças pra não querermos abusar do poder.

— Luc acredita nela — Mog disse simplesmente. — Ele acredita que a Dama de Gelo existiu, e que irá voltar.

Observei os dois, pareciam ter invertido os papéis. Eu facilmente diria que Karl acreditaria em uma história que Luc dissesse ser real, mesmo estando ali há pouco tempo. E Mog... ele não aceitaria uma história à toa.

— Você parece cansada. — Mog cruzou os braços e recostou-se na cadeira. — Durma, depois nós a ajudamos no que precisar.

— Como assim? — perguntei, fazendo-o erguer as sobrancelhas.

— Você veio para cá com algum intuito, certo? Mesmo que seja para viver aqui, vamos levá-la até os líderes anões.

— Ah, certo — confirmei, me perguntando se os líderes saberiam quem eu era.

Segui-o pelo corredor que ele e Karl haviam utilizado anteriormente, e fiquei estatelada ao constatar como o loiro andava pelo lugar. No teto, alto para mim, haviam barras de metal, nas quais o elfo se pendurava, avançando com a força dos braços para suportar o corpo. Karl se adiantou, me mostrando que a cadeira era dobrável, e eu, percebendo que essa era a ideia, a levei comigo.

Não comentei sobre isso, e parecia natural à ele.

Chegamos à uma pequena cozinha, e os armários, também de ferro negro, eram embutidos nas pedras. Parecia uma caverna enfeitada. Ao contrário dos corredores externos, a iluminação era feita por cristais que imaginei serem mágicos, emitindo um brilho azulado pelo lugar.

Continuamos por um segundo corredor, que tinha várias portas como a que eu havia utilizado para entrar ali. Mog me deixou em frente à uma delas, os olhos me encarando do alto.

Entrei de uma vez, imaginando que era o que ele esperava. Ouvi o barulho quando se jogou em sua cadeira, me encarando da porta.

Era um quarto simples, com o chão polido, e apenas uma pequena cama. Nada mais.

Retirei a capa, as ombreiras, joelheiras, caneleiras e o cinto. Encarei Mog por cima do ombro.

— É um pervertido ou o quê?

— Estou esperando para ter certeza de que não vai sacar nenhuma arma — comentou, estendendo os braços acima da cabeça para se mexer novamente.

Me adiantei para pegar a cadeira, mas ele balançou a cabeça, seguindo para longe dali. Talvez houvesse outra pelo Esconderijo.

Me joguei na cama e, obviamente, não consegui dormir de imediato.

Oozin não aparecera, Arco ainda não viera até mim, Gard estava em uma caverna. E o que significavam esses Seres da Natureza que eram expulsos? Hitler havia encarnado em nosso mundo para criar uma espécie perfeita? Não... Ele os teria matado, e não enviado aos anões.

Eu já estava divagando. Virei na cama macia, agarrando-me ao travesseiro. A viagem já havia começado sem um rumo certo, e estivera contando com o conhecimento de meu avô. Sem ele por perto... o que é que eu estava fazendo?

Sempre achei que bastaria sair, descobrir o problema e resolver tudo. Mas, apesar de achar que estava preparada, estive equivocada. Também havia sido criada na redoma natural que era o Vilarejo. Não tinha ideia do que fazer ali fora.

Acabei adormecendo, cedendo ao cansaço físico e mental. Quando acordasse, teria que resolver o que fazer. Conversar com os líderes dos anões talvez fosse, na verdade, algo bom. Eles poderiam me fornecer informações.


Acordei com a sensação incômoda de estar sendo vigiada. Abri os olhos e encarei Mog. Resmunguei e virei-me de costas, ele soltou uma risada baixa.

— Como uma criança — comentou. — Quero conversar, sei um bom lugar para isso.

Fitei, pelo canto do olho, o elfo, antes de levantar e segui-lo. Suas mãos se movimentando nas grades começaram a emitir um barulho alto quando nos aproximamos de uma enorme abertura.

Chegamos até uma grande área circular, e Mog caiu sobre sua cadeira. Havia engrenagens e vidrarias com líquidos para todos os lados. Seguimos para o centro do lugar, onde havia uma área cercada.

Os gêmeos acenaram e sorriram de um canto, levantando suas máscaras de solda, enquanto mexiam em alavancas.

Inclinei a cabeça, e me agarrei a um pedaço da grade baixa quando o chão se moveu. Olhei para baixo, vendo que estávamos em uma plataforma que se erguia. Ouvi a risada de Mog, e lhe encarei com raiva. O elfo se limitou a erguer as sobrancelhas.

Quando me convenci de que aquilo era como andar de elevador, levantei os olhos e vi o teto se abrir para um céu estrelado.

Paramos do lado de fora, cercados por picos gelados, a lua brilhando no céu. Perdi o fôlego por um momento, passando os braços ao redor do corpo com o vento frio que nos atingiu.

Mog fitou o céu, se recostando contra sua cadeira. Eu me aproximei da grade e me encostei à ela de costas, ciente de que poderia cair em um abismo se perdesse o equilíbrio.

— Você não contou à eles? — indaguei, de repente, como se o sono tivesse me feito perceber algumas coisas.

— O que? — Mog voltou o rosto para mim.

— Que você e Luc são irmãos. — Era um belo de um chute, mas no máximo o faria rir, e ele já estava fazendo isso sem que eu fizesse perguntas. Não conseguia segurar minha curiosidade.

A boca de Mog ficou aberta no meio de uma frase não dita. Me perdi nos olhos dele mais uma vez, naqueles segundos de silêncio que se passaram.

— Como você descobriu? E pare de ficar me olhando assim, é constrangedor.

— Me desculpe — murmurei, e abri um sorriso amarelo. — É que seus olhos me fazem lembrar da minha casa... enfim, não estou te confrontando, foi só um chute pelo jeito como você age sobre ele. Por que não contou a eles?

Mog balançou a cabeça.

— Por que não contou que é a princesa dos elfos?

— O quê? — engasguei.

— Isso mesmo, Annie ou, devo dizer, Analu. Eu sei quem é você. — Ele olhou para frente, para o céu no horizonte, onde estavam as estrelas mais brilhantes. — Eu me lembro de você. Quando nasceu, eles ainda não haviam me mandado para cá, então te colocaram em uma redoma para a Cerimônia de Iniciação, à qual eu estava escondido assistindo. Meu melhor atributo sempre foi a memória, e eu me lembro de você lá, já com a coroa de prata na cabeça olhando em minha direção.

Pisquei uma vez, e a memória distante de um garotinho com muitos cabelos loiros, me olhando com pequenos olhos coloridos me invadiu. Meus ouvidos começaram a apitar irritantemente, e uma dor aguda se instalou em minha nuca.

— Aquele é o Mog, querida, e ele será seu servo.

Era a voz de minha mãe, e ela misturava-se à outra, uma voz masculina que gritava:

— Peguem o garoto! O que esse deformado ainda está fazendo aqui?

Eu tinha a vaga noção de ouvir meu nome sendo chamado, e de sentir meu corpo batendo contra o chão, quando minha visão escureceu e minha consciência sucumbiu às trevas.

Notas finais
Teorias? Dúvidas? Críticas? Elogios? XD Então, eu estava pensando em passar essa história para terceira pessoa, que é a minha zona de conforto. Achei que PdE ficaria interessante em primeira, mas eu tenho a impressão de que acabo sempre pecando quando escrita assim. Porém, eu alteraria os capítulos anteriores é claro, mas não vou fazer isto sem o consentimento de vocês. Me digam o que acham de a história ser feita em terceira pessoa, e então o próximo capítulo já pode vir ou não com a mudança dependendo da aceitação de vocês ^^ Para quem não viu, eu postei a Lenda da Dama de Gelo aqui no Nyah, e dá para criar umas teorias legais dela. Alguns detalhes dão bons spoilers, se reparados com carinho :P https://fanfiction.com.br/historia/621055/A_Dama_de_Gelo/ Ah, sim, eu tinha uma história praticamente terminada no meu computador, da qual tenho muito ciúme, mas resolvi postar hahahha também é de fantasia, e fala sobre viagem no tempo! Se tiverem interesse, aí está o link: https://fanfiction.com.br/historia/624893/O_Dominador_de_Sonhos/ Beijos, e até o próximo! ;*