O escárnio do desejo.
13 Capítulo 13: Neve, fetiche, e a mesa que range
Depois de toda aquela festa,balbucia e sexo, Gina voltou para casa e estava agora em sua banheira tomando banho com seus inúmeros pensamentos.
*TOC TOC*
Abre a porta, e eis que surge dela Juliana, morta de curiosidade, afinal ela foi a única que notou a saida dos dois amantes na casa, e sabia que tinha coisa ai.
–Licença Gina.
–Oh Juliana, eu tô tomando banho.
–Ai Gina, qual é o problema, somos amigas. Ou é só o Dr. Ferdinando que pode te ver nua?
Juliana adorava provocar a amiga e rir das várias caretas que só ela sabia fazer.
–Oh Juliana!! Ocê perdeu a cabeça é?! Vai qui arguém iscuita sua doida!!
–Aaah ninguém vai escutar não, Gina. Mas agora me conte, pra onde você e o Ferdinando foram ontem depois que nos deixaram conversando na sala?
–Nóis foi da umas vorta! Ieu num guentava mais aquela falação...
–Aposto que deram mesmo, várias e várias voltas....
–Oh Juliana, ocê dexa de bestage!
–Ah Ginaaaa, eu sou sua melhor amiga, eu sempre sei quando você e o Ferdinando fazem sexo, ou melhor, amor!
Gina agora estava vermelha como um pimentão! Juliana era sua melhor amiga, mas a menção da palavra "sexo" ainda a deixava envergonhada, mesmo que ela já tivesse feito muitas e muitas vezes.
–Ara Juliana! Ocê para di falá disso!
–Ora, mas porque minha amiga? Você sabe que pode se abrir comigo. Não vou te julgar. Na verdade, acho vou até dar boas risadas...
–Mais Juliana, qui curiosidade é essa pra sabê oqui ieu i o Ferdinando faz nessas hora??
–Não é isso Gina, eu só quero saber, apenas.
–Ocê qué é umas dica pra fazê co Zelão as merma bubissa qui ieu i o Ferdinando faiz!!
–Gina!!
–Araaaaaaaaaaaaaaa Juliaaaana, Ju- li- aaaaaaaaana. Quem te viu, quem te vê, hein dona moça! Haha!
–Gina! Pare já com isso! Ora eu vou sair daqui também sua boba!!
–Não, não! Fica aqui Juliana, eu te conto, tá bão? Qui qui ocê qué sabê?
Juliana que já estava com a mão na maçaneta voltou para o lado da banheira, com cara de bezerra desmamada.
–Ora Gina, oque eu quero saber é só o básico, como foi, onde vocês fizeram?
–Ara Juliana, ieu num sei expricá sabe, é uma sensação tão boa tê o Ferdinando dentro docê! Qué dizê, dentro de mim! I nu final Juliana!! Nu final é como se ocê exprodi-se por dentro de tanta felicidade!!
Juliana arregalava os olhos a cada palavra de Gina.
–I o lugar tanto faiz pra gente — continuou Gina
–Tá mas onde foi?
–Intão, hoje foi lá no quintal dele, ele me escorou numa arvre.
–Não, eu não creio numa coisa dessas, vocês nem se esconderam?
–Escondê pra quê Juliana? Ninguém tava vendo. I além do mais, esses dia mermo nóis fizemo amô lá no trigal. Num sei nem cumé qui o pai num percebeu...
–No trigal?
Juliana nessa hora soltou uma gostosa gargalhada que foi acompanhada pelas risadas e gritinhos de Gina, e as duas ficaram ali rindo e rindo de coisas que se Dona Tê soubesse, cairia para trás.
Então agora Gina e Ferdinando estavam noivos, e os preparativos para o casamento não demoraram a começar. Na verdade eles nem se viam mais, devido a estarem sempre ocupados, indo para as Antas, escolhendo o lugar da festa, vendo enfeites, provando vestidos e ternos, podiam estar juntos, mas estavam sempre separados por um exército de "ajudantes".
Isso realmente deixava Gina louca, antigamente, sempre que se viam, ela e Ferdinando só trocavam meia dúzia de palavras e já iam se atracando. Ultimamente, ela e Nando se viam toda hora, mas se pegar que é bom nada. Dona Tê tinha razão, quando encosta em cima, acende em baixo, mas o pior é que Gina não precisava encostar em nada, pra saber que estava pegando fogo.
Ferdinando penara tanto pra casar com Gina, que agora se arrependia amargamente. Não pelo fato do casório, não. Mas pelo fato de que ele e Gina se viam todo dia, e mal podiam se tocar. Um beijo, tudo que podiam dar era UM BEIJO. Isso não era o suficiente. Não para Ferdinando. "Aaah, mas nós vamos nos casar!" pensava ele, "Vamô podê fazê muitas loucura, na cama, na sala, no corredor, na trigal, na arvre..... aaaahh aquelas meias...." E toda vez que pensava nisso, Ferdinando só piorava a situação.
Eles não se aguentavam mais, e foi isso que Gina disse para Ferdinando quando finalmente ficaram "a sós" enquanto o resto do pessoal provavam os doces da festa.
–Ferdinando, chega! Ieu num guento mais homi!
–Ara Gina, eu sei, eu sei! Mas qui qui eu posso fazê? Nóis num tem mais sussego cum esse bando di gente atrás de nóis!
–Eles qui vão pro diabo que os carregue Ferdinando!!
E chegando bem perto dele, e pegando-o pelo colarinho disfarçadamente, Gina disse as exatas palavras.
–Mi escutá qui frangotinho. Ieu preciso docê agora i num quero sabê!
–Mais Gina, nóis num pode simplismente sai daqui. Tem gente aqui im casa provando essas cumida, tem gente na sua casa terminando de vê a decoração..
–I nu trigal?
–Ara, o seu pai já coieu tudo, ocê num alembra, não? Num tem mais oque cubri nóis.
–Ara, ieu sei... ieu sei... I agora Nandinho?
–Agora? Bem, agora, nóis passa vontade!
–Ou não...
–Como assim, Gina?
–Ieu sei qui pode de se uma farta de respeito, mas o quarto da perfessora na escola, tá vazio...
–Gina, ocê não pode de tá falando sério?
Nenhuma resposta veio de Gina.
–Ara, ocê tá falando sério menina?
–Eu sei Nando, ieu sei qui é errado, mas é qui eu tô cum uma vontade, qui num tá me cabendo i quando nois chegá lá, ieu num sei oqui eu sô capaiz di fazê.
Essas últimas palavras acenderam Ferdinando e a única coisa que saiu de sua boca foi uma pergunta:
–Ocê tá cum aquelas meias suas?
–Bão, eu tô cum uma vermelha do mermo jeitinho. Mais porque a pregunta?
Ferdinando arregalou os olhos e pegando na mão de Gina, saiu discretamente da sua casa, enquanto todos provavam as comidas. Enquanto andavam por aquela estrada de chão coberta pela geada, os dois afobados iam, com muita certeza do que iam fazer, mas mesmo assim, com certeza nenhuma.
Entraram na escola da professora Juliana e quando Nando jogou Gina na cama, ela murmurou um:
–Ferdinando, ieu num vô consegui!
–Mais Gina..
–Nando.
–Tá, ocê tá certa. Mais a ideia foi sua i eu já tava quente, fique ocê sabendo disso.
–Ara Nandinho, descurpa. Mai, é qui é a Juliana, né?!
–Ara, eu sei... bão.... mais i agora?
–Agora, nóis vai te qui arranjá otro lugar.
–Ocê ainda qué?
–Má é craro Ferdinando, minha vontade inda num passo!
–Ara ocêêêêê....
Ferdinando agarrou Gina e a deitou na cama. Como era bom dar novamente aqueles beijos ardentes em sua ruiva. O clima estava tão gelado, mas não entre os dois, a única coisa que faltava era fumaça saindo de seus corpos quentes enquanto o ar frio entrava em seus pulmões e os seus beijos os paravam com borrifões de sensações quentes, ardentes e picantes.
–Nando, nóis disse que não ia fazê aqui.
–Ara, tá certo. Descurpe me destrai por um momento.
–Tá bão. Mais agora levanta pra modo de nóis acha otro lugar.
Mesmo assim os dois levantaram, ainda vermelhos, meio suados, saíram no vento frio. Mas não por muito tempo, só precisavam de um lugar, só isso. E iriam achar logo ali, no porão do pai de Nando, onde o Coronel Epaminondas guardava as ferramentas de trabalho dos seus empregados.
–Aqui serve Gina?
–Serve sim Nando, pelo mais pelo menos, num entra vento.
Bom e ali foram, tiraram todos as ferramentas da pequena mesa de trabalho, e quando a última enxada foi retirada ali eles se atracaram. Gina pulou no colo de Ferdinando e o baque foi delicioso.
Nando por sua vez a deitou na mesa com cuidado para não machuca-la, mas o cuidado só foi até ai, pois dali em diante peças de roupas voaram para todas as direções. Nando estava completo de batom vermelho, e o novo vestido azul de Gina estava no chão a muito tempo. Seu corpet que era preto e sua cinta liga com suas meias vermelhas já estava a mostra. E Ferdinando já estava começando a achar que tinha um forte fetiche por aquelas meias. Afinal deixavam a ruiva mais sexy do que ela já era. E todas aquelas semanas de seca só pioraram a situação, ou melhoraram.
Gina envolvia Ferdinando com suas pernas e beijava loucamente seu pescoço enquanto enfiava as unhas em suas costas. Já ele a beijava loucamente a boca, enquanto com uma mão apalpava seu seio esquerdo e com a outra batia em suas coxas e nádegas.
Os dois amantes nunca tiveram um sexo tão selvagem. A mesa rangia sob o peso e o movimento dos dois, e o engenheiro nem entrara na moça ainda, mas já era hora, os dois ansiavam por esse momento. Ferdinando se preparou, entrou. Explosão.
Começara a se mexer. E mexia, mexia deliciosamente. Aprofundava todo o seu ser dentro das partes da ruiva, explorava cada pedacinho da região que podia. Penetrava, mais e mais fundo, o ritmo aumentando mais e mais. Sensações e mais sensações se apossavam dos dois. Estavam quentes, fervendo, o suor escorrendo, fumaça saindo de suas bocas. O halito quente na nuca de Ferdinando, o cheiro de rosa na pele daquela uma. O gosto doce da boca de ambos. Tudo conspirava para que os dois tivessem enfim, uma deliciosa união de corpos, uma união que a muito desejavam.
–Aaaaaaaara Ferdinando! Mais rápido!
–Tá certo, se ocê qué assim.
Ele aumentava o ritmo segundo oque a ruiva mandava. Ela tinha a mania de pressionar as pernas contra ele, para força-lo a entrar mais fundo e ajudar no ritmo, ele recebia bem a ajuda. Mas já era sem tempo, Gina virara Ferdinando, sem desgrudar suas partes da dele, e mais uma vez o cavalgou.
Sua mão repousada sobre o peito definido do amado, sua outra mão apoiada na mesa. Ela mexia o mais rápido que podia, quanto mais intenso melhor, queria logo chegar ao ápice, ao mesmo tempo que não queria nunca parar. Ferdinando estava tão exitado que não sabia oque fazer, estava se segurando para não soltar tudo que tinha. Hora segurava a mesa, hora batia em Gina de uma maneira deliciosa que a fazia gritar de prazer, hora segurava seus cabelos quando ela vinha lhe beijar a boca, e puxava tentadoramente esses fios encaracolados em suas mãos. Ele deveria se segurar, Gina estava perto de alcança-lo, ela era dura de se satisfazer mas ele sempre conseguia, sabia que botões apertar, só tinha que lhe causar alguns arrepios. E a forçando para baixo, alcançou seus seios e lambeu seus mamilos deliciosamente, como estava acostumado a fazer e como sabia que a agradava.
Gina gemia e gemia, Ferdinando a segurava pela nuca, enquanto sua lingua quente corria pelo corpo dela em um movimento ritmado que a fazia explodir de luxuria! Ela só queria mais e mais, mas estava chegando ao seu momento. Mais uma lambida, mas um movimento, um beijo na nuca, um puxar de cabelos, e os dois se entregaram a explosão.
Iam parando a medida que o ritmo abaixava, gemendo ainda, ofegantes. Gina se deixou soltar em cima de Ferdinando, ficaram ali durante cinco minutos e custou muito para os dois terem de se levantar, mas deviam, precisavam.
Vestiram-se, arrumaram as coisas entre puxões e beijos e saíram do porão. O vento batia muito forte e Nando protegeu Gina em seu casaco, estavam quentes e suados ainda, se ficassem ali, iam ficar doentes, sim, valeu, valeu muito a pena, mas ambos apressaram o passo de volta a casa dos Napoleão.
–Ara, ocêis tão ai!!
Berrou Catarina quando viu que os dois tinham voltado.
–Vamo, vamo Gina, qui o casamento é daqui uma semana i ocê nem iscoieu as fror ainda.
–É fia, i hoje mermo nóies tem qui í lá nas Anta pra tirá a úrtima prova do seu vestido. Ocê vai adora Nando, ela fica bonita por demais naquele vestido.
–É, isso é verdade Ferdinando. E quando você ver a Gina entrando com aquele vestido naquela igreja, fique você sabendo que foi ela que escolheu. Falou Dona Juliana, que seria madrinha na ocasião.
–Ara, i tem coisa qui não fique bonita na sua filha, Dona Tê? Pois é Juliana, tenho certeza de que a Gina fez uma boa escolha.
–E fiz mermo!
–Bem pois agora intão chega de papo. O Ferdinando vai lá cos home i dexa nóis muié aqui, qui daqui a poco nóis vamo lá pras Anta prová esse bendito vestido! Vamo, vamo!
Gina levou Ferdinando até a porta, pois agora os homens estavam reunidos na casa de Seu Pedro Falcão.
–Iiih mee frangote, parece que vem uma semana daquelas por ai.
–Será qui nóis aguenta inté o casamento, minha cara?
–Vai te qui guentá!
E ambos com cara de bezerro desmamado deram um último beijo, até que Gina fechou a porta.
Estavam saciados, por enquanto.
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