O escárnio do desejo.

14 Capítulo 14: O grande dia


Notas iniciais
Casamento

E após longos dias,vários preparativos e muito ansiedade,finalmente tinha chegado o grande dia.
O casamento.
A união de dois seres apaixonados e inteiramente ligados.
A Vila de Santa Fé inteira estava enfeitada,parecia o casamento de um Príncipe e de uma Princesa, ou até mesmo de um Rei e de uma Rainha, tamanha era a beleza dos enfeites.
Tinha flores espalhadas por toda vila, cores, brilho, tudo de mais maravilhoso. A igreja estava maravilhosa também, nem parecia a pequena igreja do Padre Santo. Estava com rosas brancas e vermelhas por todo canto, um enorme tapete vermelho que ia da porta até o altar,entre outros lindos enfeites.Isso tudo a pedido dos pais dos noivos que fizeram questão, alias tudo aquilo merecia ser comemorado, mais para os noivos, Gina e Ferdinando não precisava de nada daquilo, apesar de eles também acharem que o casamento deles deveria ser comemorado, mais para ambos já estavam casados de corpo,alma e coração, e poderiam até selar essa união no trigal, que seria perfeito para eles. O amor daqueles dois ultrapassava todas as barreiras e costumes.
Ferdinando já estava pronto, e completamente nervoso, iria daqui a alguma horas se tornar um homem casado, e casado com a mulher que ele amava, isso o deixava de pernas bambas..Iria realmente casar com Gina, aquela jaguatirica que lhe deu tanto,mais tanto trabalho, e que felizmente valeu a pena! E como valeu!
–Mano? – chamou Pituca
–Oi minha querida? – respondeu Ferdinando fugindo de seus pensamentos
–Ocê acha qui ieu tô bonita?
–Mai é craro ! Tá parecendo uma princesinha! – disse ele a rodando no colo
–Ara Nando! Ieu vô sê só a daminha das aliança. Princesa mermo quem vai tá é a Gina.
Ferdinando sorriu ao pensar nisso, Gina realmente iria ficar parecendo uma Princesa vestida de noiva, e só de pensar nisso uma lágrima rolou de seu rosto.
Nesse momento Catarina chegou com Epaminondas , e do jeito discreto falou:
– Mai porque ocê tá chorando Ferdinando?
– Ara mãe, achu qui é purque ieu disse que a Gina ia fica iguar uma princesa! – falou Pituquinha
–Mai ocê tá mais é besta mermo meu fio! – falou Epa o abraçando – tá caidinho por aquela uma mermo!
–E tô mermo meu pai, e achu qui si eu num casasse cum ela ieu murria!- falou Ferdinando
–AAAAH mais ocê num mi morre não, casu qui nóis tem um casório muito do bão hoje, qui em questão o noivo é ocê! Intão trate de dexá pra chora dispois qui nóis já tem qui i! – disse Catarina
– Ara Catarina ocê tem razão! Mai, onde qui tá o resto do pessoar?
–Já foru tudo Nando! Mância, Rosinha, Rodapé, Isidoro, Zelão..todo mundo já devi di tá pur lá!
–Ara intão vamu qui é capaiz do noivo atrasá in veiz da noiva! – falou rindo Pituca
–Fio, posso lhe fala uma coisa? – falou Epa antes de saírem
–Mai é craro meu pai!
– Sua mãe ia ficá muitu orgulhosa vendo ocê casando! Ocê nem imagina! E ieu tô é muito filiz de vê ocê assim , um homi feito, em breve um homi casadu! Até poco tempo ocê tava aqui brincando por essas roça e agora...
Epa começou a chorar, emocionando a todos
–Ara, meu pai carma – disse Ferdinando também chorando
– Oh meu fio! Ieu sei qui nu começo eu penei pra impedi o namoro docêis,mais agora ieu até qui gostu daquela uma qui vai sê minha nora, a Gina, ocê merece uma moça boa qui neim ela. I eu desejo toda felicidade du mundo procêis, do fundu do meu coração!
Foi emocionante, todos estavam chorando emocionados, e foi assim que seguiram para a igreja.

Na casa dos Falcão Gina estava tremendo dos pés a cabeça,estava a ponto de explodir!
–Ara Juliana, fala pra mãe vim depressa com meus sapato ! – disse Gina
–Calma Gina, ela já está vindo, você sossegue!
– Vô me atrasá, e o Ferdinando vai acha qui ieu dexei ele prantado no artá!
– Vai nada! É normal noivas se atrasarem fique você sabendo...
Nesse momento entrou Dona Tê carregando os sapatos que Gina usaria no casamento,eram vermelhos, da mesma cor das rosas de seu buquê. Gina quis que somente Juliana e Dona Tê a arrumassem para o casamento, e ali mesmo, em sua casa. Elas só fez as mãos e as unhas fora, a maquiagem e cabelo ficou por conta de Juliana, que não deixou a desejar, a deixando deslumbrante!
Gina colocou os sapatos e respirou fundo, estava pronta. Linda.
–Minha fia ocê tá parecendo uma princesa!Achu qui vô chorá – disse Dona Tê com os olhos marejados
–Gina,você está perfeita minha amiga! Perfeita! O Ferdinando vai ficar de queixo caído quando te ver entrando pela igreja!
Dizia Juliana enquanto a pegava pelo braço cantarolando a marcha nupcial
–Ara ocêis duas para! Si não ieu vô chorá! – falou Gina
–Fia vamu descer qui já tá na hora!
–Mãe, ocêis podi desce qui ieu já vô..Precisu fica um pocu suzinha..
–Purque fia?
Juliana entendeu. Gina queria se preparar.
–Vamos Dona Tê – falou Juliana puxando-a
–Ieu vô, mais num si ademora casu qui seu pai tá lá embaixo quase infartando de nervosismo!
–Tá bão mãe, tá bão..
Quando se viu sozinha Gina foi para a frente do espelho,queria olhar-se assim, de noiva.
Ela estava com um lindo vestido branco, com detalhes em prata, ele era tomara que caia e tinha detalhes que iam do busto até a cintura que lembravam uma armadura, a armadura que durante muito tempo ela tinha, uma armadura que ela insistiu em ter durante muito tempo, e isso lhe caia bem, essa “meia armadura” do seu vestido, dava um ar sexy, e apesar de tudo, fazia parte dela, toda essa armadura, essa coisa de não querer que ninguém penetrasse seu coração,isso de ser chamada de “mulher –homi” “jaguatirica” “valente” “brava” “bicho-do-mato” “corajosa” “forte” “GUERREIRA”. Isso tudo fazia parte dela e sabia disso, e ficava feliz por Ferdinando finalmente ter tirado sua armadura e penetrado o seu coração e sua alma, e outras coisitas mais... Ela tinha escolhido seu próprio vestido,e queria mostrar através dele que Ferdinando a transformou, para melhor, ele retirou a armadura que enpedrejava o seu coração e o amoleceu, cuidou dele como jamais ninguém fizera.. E além disso seu vestido tinha detalhes em prata nas bordas e tinha uma longa cauda, e um longo véu, e como brilhava! Brilhava muito, era maravilhoso!
Ela também estava com o cabelo preso por cima e uma parte dele solto caído para a frente, de lado, e com várias pedrinhas no meio, que pareciam diamantes, brilhavam , junto com seu vestido.
Gina estava com um colar prata maravilhoso. Unhas pintadas de branco. Maquiagem prata com branco, que deixavam seus olhos encantadores e sensuais, e um batom vermelho para dar destaque naquele branco todo.
Ela se olhava admirada no espelho,sim,estava linda. E sabia que Ferdinando também acharia isso, porque mesmo antes de descobrirem a sua beleza Ferdinando a amou, a amou quando estava com as suas roupas “masculinas” e quando trabalhava na roça. Ela assim Ferdinando morreria do coração.
Pegou seu buquê de rosas vermelhas,parou na frente do espelho e fechou os olhos, imaginando que daqui a algumas horas seria uma mulher casada, casada com o homem que amava, o homem que a enfrentou por cima de toda aquela armadura e aquela braveza, o homem que mudou a sua vida por completo, o homem que ela não viveria mais sem. Seria sua esposa,sua mulher,para sempre,dele.

Gina desceu as escadas sendo admirada pelos pais e Juliana,que não conseguiam esconder a felicidade de vê-la daquela forma.
–Fia..mai ocê tá linda por dimais – falou Seu Pedro Falcão
– Ai Pai, nossa fia vai casá!- disse Dona Tê abraçando o marido
–Para ocêis dois, si não ieu vô chora e vô estraga a maquiage! – falou Gina tentando disfarçar a emoção
Mais não adiantou, seu coração estava muito feliz e ela queria chorar de felicidade, e tentava segurar realmente para não estragar a maquiagem.
–Fia – começou Seu Pedro – ieu vô entrá cocê na igreja cum muitu orgulho,casu qui ocê tá parecendo uma princesa de tão linda! I eu vô entrega ocê pro Dotô Nando, ele vai sê seu maridu.. Ara mãe, nossa fia vai tê maridu!
–Oh pai! Nossa fia vai sê muié casada! – falou chorando Dona Tê juntamente com Seu Pedro quem também chorava – Ocê fia, é a maior preciosidade minha e do seu pai, e apesar de nóis sabe qui vai perde ocê nóis tamu muitu filiz porque ocê vai casa com o Dotô Nando qui ti faiz bem né mermo?
–É mermo mãe – disse Gina
– E ocê fia – falava Seu Pedro em meio as lágrimas – ocê fique sabendo, qui se aqueli dotôrzinhu num ti fizé filiz, eli vai si vê cumigu! Purque ieu queru ocê muitu filiz viu?
–Ara Pai – falou Gina – Se o Nando for metade do maridu qui ocê é pra mãe, ieu já vô sê a muié mais filiz dessi mundo! I ieu sei qui vô sê, casu qui eu e u Nando se ama!
–Oh fia.. ocê até essis tempu curria por essas roça iguar um mulequinhu, artera qui só, mi ajudando nas roça, e agora tá aqui, toda de branco pra casá!
–Pois é, isso é um sonho pra nóis né pai? – falou Dona Tê
Gina estava emocionada com tudo aquilo, seus pais a abraçaram chorando, felizes, sabiam que a felicidade da filha estava nos braços do Doutor Ferdinando.
– Agora ocêis para cum isso!Qui ieu num vô abandoná ninguém! Vô continua ajudando ocê na roça pai qui é isso qui ieu gostu, e ocêis num vão si vê livre de mim tão cedo! Mai agora vamu si não vão acha qui ieu disisti...
–Ah não! Agora é minha vez! – protestou Juliana
–Veiz do que? – falou Gina
–Todo mundo te fez declarações, e agora é a minha vez de fazer!
Juliana se aproximou da amiga e disse:
–Gina,quando eu conheci você confesso que te achei meio maluca e esquisita. Mais ao mesmo tempo gostei de você e sabia que você era uma moça diferente e muito especial. Com o tempo ficamos muito amigas, com brigas, sorrisos, lágrimas e tudo mais. Me sinto muito feliz em ver você se casando com o Ferdinando e saber que eu dei um empurrão em vocês não é mesmo?
–Deu mermo – respondeu Gina
–Por isso minha amiga eu te desejo toda felicidade do mundo! Você merece e será muito feliz! Eu gosto muito de você,você é como uma irmã pra mim!
–Juliana...sua boba! Ocê tamém é comu uma irmã pra eu, gosto muito docê sua cabeça de argodão doce!
As duas se abraçaram felizes. A casa recendia emoção! E foi assim que seguiram para a igreja..

Ferdinando estava no altar. Nervoso.
Tinha entrado com Catarina já que sua mãe havia morrido,então fez questão que a Madrasta o acompanhasse até o altar,o que ela fez com muito gosto.
Derrepente começa a tocar a marcha nupcial, todos se levantam.
Entra na igreja uma luz,uma estrela que transborda exuberância.
Todos a olham admirados, todos estão boquiabertos tamanha beleza transborda dela.
Gina.
Ela entrava majestosamente na igreja, passava pelo tapete vermelho com o imenso véu rendado e brilhante o tocando. Estava magnifica!
Seu Pedro Falcão está de braços dados com a filha,orgulhoso e emocionado.
Ferdinando não vê mais ninguém , somente Gina. “ MINHA NOSSA SENHORA” Pensava ele.. Achava impossível ela ficar mais linda, mais viu que ela estava ... incrível, linda! Quase não acreditou que iria se casar com aquela beldade.
Gina sorria, só via Ferdinando, seu noivo, estava lindo, de terno , e com uma rosa vermelha no bolso.
Era seu.
Era sua.
Seria seu marido.
Seria sua mulher.
Se Ferdinando tivesse que falar não conseguiria, tamanha era sua admiração.
Seu Pedro deu um beijo na testa da filha, e entregou-a a Ferdinando dizendo:
–Cuide muitu bem dela fia, qui ela é minha jóia!
–Cuidarei sim Seu Pedro, mais qui a minha própria vida! – respondeu Ferdinando
Ferdinando pegou no braço de Gina, ficando de braços dados, ele lhe deu um beijo na testa e sussurrou em seu ouvido:
–Ocê tá linda menininha... Deslumbrante!
–Ocê tamém tá lindo frangotinho!
Ambos sorriram, e começaram a ouvir as palavras do Padre Santo.
No altar estavam Epaminondas e Catarina, Dona Tê e Pedro Falcão, e seus padrinhos e madrinhas. Entre eles Zelão e Juliana, Viramundo e Milita e Renato e sua nova namorada.
Após muito falar, chegou enfim a hora das alianças, começou a tocar uma música e Pituca entrou,linda,como uma princesinha,entrou de braços dados com Lepe. Estavam lindos!
Pituca entregou a aliança de Gina para Ferdinando, recebendo um beijo do rimão e da cunhada, e Lepe entregou a Gina a aliança de Ferdinand, também recebendo um beijo.
Padre Santo começou:
– Gina Falcão, você aceita Ferdinando Napoleão como seu esposo?
– Sim! Craru qui sim !
–Ferdinando Napoleão, você aceita Gina Falcão como sua esposa?
–Sim! Com toda certeza!
Um olhava para o outro encantado.
–Podem começar as juras e colocar as alianças – falou Padre Santo
Ferdinando colocou a aliança em Gina e disse:
–Gina Falcão, receba essa aliança, como sinar do meu amor. Desde o dia qui eu conheci ocê eu já sabia qui ocê seria osso duro de roê, i ieu quis mermo assim. Ieu sabia que tinha argu especiar no cê, e isso mi incantô! Todu essi seu jeito, sua beleza, foi o qui fizeru ieu mi apaixona pelo ocê e querê qui ocê fossi minha muié,minha esposa pra toda vida. Ieu já num consigu mai vive sem ocê, casu qui um mundo sem ocê pra mim não ixisti, pois ocê é o meu mundo menina! Eu lhe amo, e lhe prometo sê fier, e lhe amá, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até a morte nos separi!
Gina chorava, assim com Ferdinando. Ele colocou a aliança nela, e agora quem falaria e colocaria a aliança nele.
Gina colocou a aliança nele e começou:
–Ferdinando Napoleão, receba essa aliança como sinar di meu amô. Desdi quandu conheci ocê ieu sabia que argo nocê chamava minha atenção, e ieu quiria fugi dissu, quiria fugi do amô qui eu sintia pelo ocê, e ocê bem sabe disso..Até qui ieu já num pudi mais iscondê que lhe amva..Ocê Nando mudô a minha vida, mudô o meu coração,meus pensamento, minha arma, meu eu. O meu amô pelo ocê corre nas minha veia e é o ar qui ieu rispiro. Eu lhe amo, e lhe prometo sê fier, e lhe amá, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até a morte nos separi! E tarvez nem a morte, casu qui eu vô lhe amá até mermo dispois da morte!
Ferdinando já não se aguentava de felicidade. MEU DEUS!
Padre Santo falou em alto e bom som :
–Em nome de Deus, eu vos declaro Marido e Mulher. Senhor Ferdinando pode beijar a noiva.
Ferdinando beijou Gina romanticamente. Sua mulher. Todos estavam aplaudindo,felizes.
Ferdinando a deitou para trás e a beijou novamente, enquanto ela sorria.
–Minha mulher! – disse para ela
–Meu marido ! – respondeu Gina
Ele não se aguentou e a pegou pelo colo e saiu correndo da igreja, e quando saíram várias pessoas jogaram arroz neles, e muitas flores, festejando o casamento!
Borboletas voavam,as cores cintilavam na Vila de Santa Fé. Tudo estava em festa.
Gina do colo de Ferdinando mesmo tacou o buquê, e quem pegou? Juliana, claro!
Ferdinando piscou para Zelão como se dissesse: “ O próximo a casar é você!”
Ferdinando e Gina estavam radiantes, os agora casados não se cabiam de tanta alegria!
Enquanto as pessoas festejavam Ferdinando beijou Gina e disse:
– Eu lhe amo minha menininha, minha mulher! Senhora Gina Napoleão!
– E eu lhe amo meu frangotinho, meu marido!
Beijou-lhe novamente.
Todos estavam festejando, mais para os recém casados o mundo havia parado e era somente deles.
Ferdiando era seu, para sempre e somente seu, pensava Gina.
Gina era sua , para sempre e somente sua, pensava Ferdinando.
Um era do outro e nada mais.
Um para o outro, para sempre e sempre,até mesmo depois da morte.

Notas finais
Devo confessar que chorei muito escrevendo esse capítulo e mais ainda quando o li depois de terminado..Chorei por saber que essa novela tão linda irá acabar, mais chorei também pelo amor deles que é tão perfeito..Como eu amo! Estou apaixonada por GINANDO ♥ Ah esse vestido é o vestido de casamento da nossa Gina, a cara dela né? Lindo *-*