O escárnio do desejo.

11 Capítulo 11: E da terra brota o amor


Estavam suados. Os talos de trigo grudados ao corpo. Ferdinando acabara de sair de dentro de Gina. Estavam ofegantes, exaustos, e saciados, por enquanto.

–Vamo Ferdinando, coloque sua ropa.

–É... é.... dexa eu só....tá.

Assim eles foram colocando as roupas, normalmente, como se nada tivesse acontecido, mas aconteceu.

–Ara essa, onde diabo ocê coloco meu sutiã, Ferdinando?

–Ara, ieu que vô sabe, Gina? Num tive tempo pra isso não.

–Má ocê trate de achá!!

–Pera, carma qui eu já achei! Tome.

–Ocê mi ajude a fechá já que tá ai intão.

–Tá certo.

Ferdinando se ajoelhara no trigal pra modo de ficar ao nível das costas de Gina que estava sentada. Colocou o cabelo de Gina para frente, normalmente, mas enquanto puxava as duas pontas necessárias para fechar o sutiã, Ferdinando teve uma ideia, carinhosa e calorosa.

Enquanto fechava a peça, ele delicadamente foi se inclinando, beijando o pescoço da amada, enquanto está se deliciava com as sensações que a língua quente do rapaz a proporcionava. Todos os sentimentos voltavam. A vontade de tê-lo dentro de si. Por que? Por que essa vontade era insaciável dessa maneira? Logo agora que haviam acabado de se entregar um ao outro, e Gina estava ali, o desejando novamente, tanto quanto ele a desejava.

–Ferdinando? Ocê já terminou?

–Depende...

–Ô Nando... ieu vô te que te pidi pra pará cum isso.

–Ara, por que Gina? Ocê num tá gostando?- E dizendo isso, o agrônomo colocara as mãos em seus seios, e apertava agora, deliciosamente.

–Num é isso, meu querido. Nóis tem qui í. Si ademoramo demais por aqui.

Com essa deixa Ferdinando parou, relutante, e Gina colocou sua camisa, relutante.

–Também pudera -Disse o rapaz- Ocê demora por demais pra se satisfazê, minha cara.

–Ara, ocê também demora pra chegá no ponto. Mas sabe qui anssim é inté mió. Si ieu pudesse, ieu ficava horas i horas cum ocê dentro di mim. I si duvida, ieu posso. Ieu adoro isso tudo qui nóis faiz, Nando.

–Uque? Sexo?

–Não Ferdinando. Tirá leite da vaca, é oqui nóis tava fazeno aqui agorinha. Ara....

–Aaaaaaaaaah Gina, num precisa si infezá, meu amor . Ocê parece qui vivi istressada.

–Ara, si num gosta, come menos.

–Gina!

–... tá certo... mi adescurpe, Dotor Ferdinando Napoleão.

–Ocê pare, si não nóis vamo rolá nesse chão!

–Ara, ieu achei qui nóis já tivesse feito isso hoje.

Gina olhava maliciosa para Ferdinando, só esperando este ceder.

–Má ocê qué fazê isso tudo di novo sua porquera?

–Huum, quem sabe mai tarde. Agora, vamo andá..... por enquanto....

E assim se fez. Gina tirou os restos de grãos de trigo que haviam ficado em seu cabelo, Ferdinando sacudiu a terra de suas roupas e os dois se foram andando pelos trigais, conversando sobre inúmeras coisas.

–Ara Gina, cada veiz que nóis faiz essas locura, eu sinto que amo mais ocê.

–Ara Ferdiando, para de bestage.

–Gina, Gina... Ocê é impossível!! Depois de todo esse tempo, ocê ainda duvida do amor que eu lhe tenho?

–Não! Má é claro qui não Ferdinando! Nussa Sinhora, nunca!

–Eu acho bão mermo.

–I.... i ocê Ferdinando? Ocê duvida do meu amô?

–Olha Gina, pra lhe sê sincero, eu já duvidei, ocê sabe..

–Aaah, eu lhe dô razão Ferdinando. Puis inté ieu já duvidei.

–Eu sei, eu sei.... má hoje num duvida mais, não é mermo?

–Não! Craro qui não.

–Pois eu também não.

E olhando nos olhos um do outro, se doaram em um beijo apaixonado, demonstrando todo esse amor.

–Gina, si eu te pedisse em casamento, oque ocê faria?

–Ara, Ferdinando, que pergunta mais besta.

–Pur que besta?

–Purque ocê já devia de sabe qui eu aceitaria ara!

–Aceitaria mermo?

–Ara, má é craro, purque eu haveria di não aceitá? Nóis já fizemu tudu que divia fazê dispois do casamento sem casá, que qui custaria casá i continua fazendo?

–Ocê tá certa nisso Gina.

Ferdinando ria-se, por dentro e por fora.

–Do que qui ocê tá rindo homi?

–Nada, meu amor, nada não. Ieu só... eu só tava aqui, pensando com os meus botões...

–No que? Me fala!

–Ara Gina, ieu só tava pensando im nóis sabe?! Si a gente si casá, nóis vai tê filhos, certo?

–Certo.

–Pois intão pense Gina... aaarrraaa... um bando de ruivinho corendo pela casa, cum os pésinho batendo no chão... brincando na terra....

–Rããn.... uma minina linda, de zóio azur qui nem os seu...

–Ruiva cum os cabelos cacheados, já pensô?

–Ara, mais seria uma belezura Nando!! Um minininho lindo, cum seus cabelo liso...

–I artero qui só! Qui nem a mãe!!

Os dois riam de todas essas ideias precoces porem, maravilhosas e desejadas por ambos.

–Sereria muito bom.... ai ai.... -Suspirava Gina.

Ferdinando percebera a alegria da ruiva quando falaram do assunto. Ele já sabia que Gina era a mulher perfeita pra ele, e ele sabia que era com ela que queria construir uma família, porém não sabia se sua amada desejava o mesmo, mas agora possuía total certeza. Sabendo disso, Ferdinando soltou a mão da ruiva, parou no meio do trigal e se agachou. Gina não entendera nada, mas ficara quieta, só esperando para ver o que o engenheiro ia aprontar desta vez. Ele pegou um ramo de trigo e tirou todos os grãos e os pequenos raminhos que os apoiavam, ficando assim só o talo seco, como uma palha. Esse talo ele torceu várias vezes, e com ele formou um pequeno circulo, dando um nó. Ele parou, examinou o pequeno circulo, em toda a sua simplicidade, deu um sorriso, chegou mais para perto de Gina e se ajoelhou, pegando em seguida em sua mão, dizendo:

–Gina, im todos esses anos, eu já tive várias mulheres, mas nenhuma me deu tanta dor de cabeça como ocê mi deu. Eu passava horas Gina, noites im claro lá na minha casa dispois qui dexei de mora cocê i sua familia, só pensando im ocê meu amor. No beijo qui lhe robei.

–Ferdinando, oque ocê ta fazeno?

–Ispera qui eu vô chegá im argum lugar.

–Tá certo. -A voz de Gina já estava fraca.

–Dispois daquela veiz que ocê se entregô pra mim Gina, naquela tarde, no meu quarto, eu sabia... sabia que ocê sentia o memo por mim, i isso mi fez continua correndo atrás docê, i nunca tê parado.

–Ieu fico feliz que ocê não paro -Gina riu, com as lágrimas caindo de seus olhos. Ferdinando estava inteiramente pior, chorando, com a voz embargada.

–Eu também. I intão, depois de nóis se interrompidos argumas veiz, nóis finalmente conseguimos si intregá um pro otro, i foi ali qui nóis soube, nóis dois, que nada mais seria o mermo. Foi ali qui eu soube Gina, qui queria fazer amor com ocê todas as noites e acordá do seu lado todos os dias. I é cum essa ideia na cachola qui eu lhe pergunto Gina: Ocê qué casa comigo... i.... i mi dá a alegria di si torná minha esposa?

Gina ria e chorava ao mesmo tempo, sabia que Ferdinando era maluco, mas nunca pensara em nada assim.

–Ara.... ara Ferdinando... ocê....

–I intão Gina? Não mi dexe mais nervoso do qui eu já tô?

–Ocê tá nervoso? Ara Ferdinando, que tem qui responde sô eu!!

–Pois intão responda antes que eu morra.

–Ara Ferdinando, ara... má é claro qui eu aceito seu porquera!!

Ferdinando abrira um grande sorriso de alivio e sem esperar e nem se lembrar do anel de trigo, ele a abraçou e a girou no ar, enquanto davam um enorme e molhado beijo, devido a quantidade de lágrimas que jorravam dos olhos de ambos os amados. Ferdinando colocara Gina de novo no chão e continuava a beijá-la, mas a ruiva parou de beija-lo e indagou:

–Ferdinando, ai, nussa sinhora, ocê num tá esquecendo de nada não?!

–Oque? Aaah, ah sim, o anel.

Confirmando isso, Ferdinando pegou a mão de Gina e delicadamente, tremendo, colocou o pequeno ramo em seu dedo.

–Ocê não si preocupe Gina, qui assim qui nóis oficializa o noivado, ieu vô comprá um lindo anel procê, cheio de diamante e ped...

–Ferdinando. Esse aqui é perfeito. Ieu num preciso de um anel chique e pomposo, num faço questão disso nem um poco.

–Mais eu faço! Pelo menos um anel decente ocê tem que tê.

–Fazemo anssim intão: Nóis vortamo pra casa, contamo pro pai sobre tudo oqui acunteceu aqui...

–Tudo?

–Quase tudo, i amanhã nóis vai lá nas Anta e ocê compra esse anér pra mim, mais nada muito caro qui ieu num sô di ficá usando esses pindurico, não.

–Tá certo. Se ocê qué assim, intão há di sê assim.

Com isso, trocaram mais um beijo longo, quente e apaixonado. Ao final do beijo, com as testas ainda unidas, Ferdinando sussurrou para a amada:

–Gina, eu lhe amo.

–Eu lhe amo, também.

E assim, Ferdinando voltava satisfeito pelo caminho onde viera, na companhia de sua futura esposa

Notas finais
Chorei,sim,chorei muito com esse capítulo..é .. lindo ! Só isso..me emocionei.