O escárnio do desejo.
4 Capítulo 4: A dor acompanhada do amor
Era dia na Vila de Santa Fé, Nando acordara disposto "Mas para que afinal?" perguntava-se ele. Ainda não sabia mas iria descobrir afinal estava um lindo dia!
Gina porém, não estava em seus melhores dias. Começara o dia já reclamando e agora que já estava pronta para a lida, decidira que não ia.–Aaah pai, mas hoji ieu num vô cô sinhor prá lida. Eu num tô me sentindo da miores não....–Ara filha, que qui ocê tem? Perguntou Dona Tê com seu instinto materno.–Ara mãe, tô com uma dor de cabeça. Dona Tê foi até Gina, que estava sentada na cadeira sem forças e concluiu com a mão na teta da filha.–Ara, mais minina, ocê tá ardendo in frebre! Como qui si assucedeu isso?–Deve ser uma virose Dona Tê! Afirmou Juliana.–Ocêis não andaro comendo nada di diferente lá nas Anta não né?–Não mãe. Nóis só tomo sorvete.–Tá certo. Oh pai, essa uma não vai cocê prá lida hoje não. Vai ficá aqui in casa, prá modo de eu cuida dela.–Tá certo, cuida bem dessa minina mãe. Inté. E após essa palavras seu pedro sai.–Bom, eu também vou me retirar, preciso dar aulas. Melhoras minha querida. E assim, professora Juliana se vai.–Bão, intão ocê menina tirá essa ropa, coloca o pijama e vai si deitá, qui eui já vô lá vê como ocê tá.–Tá certo. Disse Gina praticamente desmaiando de tanta dor. Na casa dos Napoleão, Nando estava feliz. A razão? Não se sabe. Afinal, Gina tinha saído fugida de sua casa no dia anterior, mas também Nando não medira a consequência de seus atos. Leva-la pro quarto na opinião de Gina tinha sido uma besteira sem tamanho, onde é que já se viu uma moça direita no quarto de um moço solteiro, era pra assustar qualquer um.–Bem família, ieu vô me indo. Caso qui eu quero aproveitá esse belo dia. Passem bem. E saiu pela porta.–Esse muleque num para mais im casa, Catarina.–Deve di se por causa daquela uma, Gina.–Ieu gosto da Gina. Falou Pituca, mas o Coronel deu o assunto por encerrado. Na Vila, Ferdinando deu uma parada no posto de saúde de seu amigo Renato.–Bom dia meu caro Doutor! Disse ele cheio de energia.–Bom dia meu caro Agrônomo. Oque faz aqui nesta Vila uma hora dessas?–Resolvi saí um pouco... pra ispairecê! Afinal essa semana foi cansativa, tive que ir nas Antas.... aah ocê sabê....–Sei muito bem, meu caro amigo.... Disse o Doutor com um sorriso de canto.–Huuuum, que qui ocê tá querendo dizer com isso Renato?–Eu? Nada. " Disse o ruivo se levantando" Mas.... as más linguás dizem que... viram você levar a tal mulher macho, a Gina, para sua casa.–Mulher macho não Renato, a Gina é uma mulher e só. Disse Nando desconfortável com a menção das palavras "mulher macho".–Bom, ai não é comigo... "Retornou o Doutor." Mas dizem também que o Roda, logo depois de você ter levado a Gina para sua casa, a viu saindo correndo de lá, como se estivesse fugindo de alguém. Renato esperava uma resposta, mas nada veio de Ferdinando, então ele continuou.–Me diga amigo, oque foi que você aprontou que deixou a moça apavorada?–Ara, apavorada também não Renato. A-- a Gina só ficô surpresa com o meu gesto, só isso...–E que gesto foi esse meu caro?–Bão... digamos que eu levei ela para o meu quarto e lá ieu.... aaah, eu fiz pra ela uma simples proposta.–Que foi?? Indagou Renato cheio de curiosidade.–Eu pedi a ela um simples beijo Renato. Um beijo qui dessa veiz ela quisesse me dar, não forçado como o outro. Falou Nando com determinação, porém duvidoso.–Dessa vez? Meu caro, há! Você está me dizendo que já beijou aquela maluca uma vez? E a força?–Uma vez não meu caro.... umas quatro seguida no mermo dia.... Falou op engenheiro com sua cara de bezerro desmamado, oque pôs o Doutor a rir-se.–Hahahahaha, meu caro, é preciso mesmo muita coragem pra encarar aquela potranca!–Ara, não fale assim Renato. A Gina pode ser durona... mas ela tem uma boquinha doce que desperta o mior im mim..... i o pior também!–Ora essa! Ferdinando meu caro amigo.... você está apaixonado por aquela uma? Eu não posso acreditar!–Não sei amigo, mas ieu acho..... qu'eu tô! Ferdinando nem ligara para as gargalhadas do amigo. Se Renato soubesse como Gina beijava bem. "Bom é até melhor que ele não saiba!" pensou o nosso Engenheiro. Já Gina em sua casa estava sem forças até para falar. todas as cortinas do seu quarto estavam fechadas o que a dava uma vontade imensa de dormir, mas não consegui devido a dor em sua cabeça, que latejava sem parar.–Aii mãe... a sinhora mi vê um remédio. Nem qui a sinhora tenha que í busca nas Anta.–Carma fia, a mãe vai vê se tem. Ocê fica ai qui eu já vorto.–Tá certo. Dona Tê desceu as escadas e já chegara na cozinha para procurar o remédio para Gina. Mal ela sabia que a caminho de sua casa, estava Ferdinando, que aproveitara exatamente esse momento entre o café e o almoço, para fazer uma pequena visita a casa dos Falcão e esperar Gina voltar da roça, esse era seu hobby predileto. Espera-la e espera-la, tudo para ver a cara de surpresa de Gina quando o visse, ele adorava isso. Sentia que era exatamente nesse momento, por estar surpresa com a sua presença, que Gina demonstrava seus sentimentos para com ele.
–Oh de casa! Falou Nando já entrando e partindo para a cozinha.–Bom dia Dona Tê. Como vai a senhora?–Oooh, bom dia Dotor Nando, que prazer vê o sinhor aqui. Eu vô bem.–A Professora Juliana está dando suas aulas imagino. E o Seu Pedro na roça.–É sim, é sim....–Bom, então vou espera-lo ali na sala si a sinhora não se encomodá.–Imagina, imagina, num incomoda não bobo. Ieu só vou aqui levá esse remédinho pra Gina qui tá la im cima i já venho fazê companhia procê. Ao ouvir o nome de Gina o coração de nando disparou, como sempre. "Como assim lá im cima?" pensou ele, e foi exatamente oque disse.–Como assim lá im cima, Dona Tê.– Aaah Dotor Nando, hoje a bichinha não acordo muito bem sabe. Tá cum uma febre dos diabos. Si não dé jeito inté a noite, ieu vô levá ela na Mãe Benta ou no Dr. Renato.–Nossa Dona Tê, mas assim, do nada? Perguntou ele já preocupado com o estado da ruiva "leva-la no médico?"–Pois é, pois é. A Dona Juliana disse que pode di sê uma virose, mas ainda anssim mi preocupa, a minha Gina nunca foi de ficá doente.–Huum, Dona Tê, si não for pedir muito, eu posso acompanhá a sinhora e vê como tá a Gina?–Pode, pode sim. Disse ela um tanto quanto desconfiada. E assim subiram as escadas até o quarto de Gina. Chegando lá Dona Tê entrou por primeiro, em seguida ele entrou. Gina estava deitada de lado, cantarolando, Nando deu um meigo sorriso quando a viu.–Óia que veio aqui te vê fia. Gina olhou e deu um pulo na cama quando viu quem era.–Olá Gina querida.–Ferdinando? Oque qui ocê tá fazendo aqui? Como qui ocê descobriu qui eu tava doente?–Eu não sabia Gina, até chegar aqui. "O engenheiro foi se aproximando e sentou na cama de Juliana." Mais agora qui tô aqui, num vô mais embora, até ocê si senti mior..... Claro, si não for incomodo Dona Tê.–'Tem incomodo argum não. Oia fia toma aqui esse vaporubi qui é pra modo de ocê passá na garganta, vê si mora essa tosse. Assim ela dá uma latinha para sua filha que já tomara o remédio.–A mãe vai lá na horta pegá umas hortelã prá prepara um chá bem dos bão procê. Faiz companhia pra ela ai Nando.–Pode dexá, Dona Tê. Disse sorridente o agrônomo. Dona Tê saíra, Gina estava abrindo o pote de remédio para passar na garganta, mas é interrompida por Nando.–Vamo mi dá esse pote aqui. "Disse ele fazendo sinal com a mãozinha".–Ara, pra modo de que?–Pra eu passa im ocê, ora essa!! "Pra modo de que?" Disse ele imitando a ruiva.–Num precisa, eu passo suzinha.–Para de bestage e me dá esse pote aqui, ara! Nando arrancou o pote da mão de Gina e sentou ao seu lado esperando.–Que que foi?–Tô esperando.–Esperando oque?–Ocê tirá a blusa! Qué qui eu passe o remédio como? E além do mais é só na garganta. Gina não gostara da ideia, mas realmente, seu pijama tinha a gola muito alta.–Ferdinando, mi dá esse pote aqui, dexá qui eu mema passo, sô!–Nada disso, ocê num vai passa direito, vaio si atrapaiá todinha, ainda mais nessa escuridão. Vai, desabotoa a blusa qui eu passo. Gina não fazia menção de tirar a blusa e olhava desconfiada para Nando.–Vamo Gina, pode tirá, eu não vô lhe morde. Pelo menos não agora. Soltou em seu tom malicioso.–Ara Ferdinando, ocê que experimente qui eu lhe meto a piaba!! Gina estava brava e receosa mas desabotoou a blusa, quer dizer, dois botões apenas. Ferdinando percebeu o medo dela, mas naquela hora ele não estava com a intenção de lhe fazer nada, apenas ajudar, foi isso que disse. Olhando em seus olhos, pegou em sua gola.–Gina, eu não vô lhe faze nada. "Desabotoou dois botões" Ocê confie em mim. "Mais dois botões." O busto de Gina começara a aparecer e o que era pra ser apenas uma ajuda estava começando a deixa ele extasiado. Ele abriu o pote, pegou um punhado, esfregou na mão e começou a passar no pescoço da ruiva, com movimentos leves e delicados. Gina estremeceu ao primeiro toque. Um pouco por causa de Ferdinando e outro pouco porque o remédio estava muito gelado. Ela não se mexia, estava encostada na cabeceira da cama, segurando os beirais de tanta tenção que passava por ela naquele momento. Ferdinando pegara mais um punhado esfregara na mão e agora descia pela garganta de Gina espalhando bem, estava começando a se atrever mas fazia isso vagarosamente, para que a ruiva não percebesse. Mas seu plano falhou a partir do momento que Nando tirou a mão do busto da ruiva para pegar mais remédio do pote. Gina não estava olhando pra ele, não se atrevia. Ela estava ansiando por cada delicado toque de Nando, gelado. Ela estava cada vez mais quente e sabia que não era por conta da febre. Mas então ela percebeu, que na terceira vez que ele tirara as mãos dela para pegar mais remédio no pote chegara mais perto, voltara com as mãos em seu peito perigosamente perto de lugares impróprios, mas assim que ela percebeu as mãos logo dali saíram e voltaram para a sua garganta, ela relaxou. Mas relaxou por pouco tempo, pois as mãos voltaram para seu peito, perigosamente perto, e saíram novamente, ela sentiu uma respiração preto de si. Abriu os olhos. Lá estava Ferdinando, perto de seu rosto de olhos fechados, como se esperasse algo. Ele abriu os olhos e disse.–Aaah, eu adoro o cheiro desse remédio.... mas decididamente, não se compara ao seu, minha cara. Ferdinando foi se aproximando, "Perto demais, perto demais!" pensava Gina. Algo estava subindo de seu estomago para a sua boca, uma sensação desconfortável, Ferdinando fechará os olhos, e se aproximava.... Coitada de Gina. Pulou da cama feito um foguete, desceu as escadas mais rápido ainda, entrou no banheiro, abriu a privada e lá despejou todo seu café da manhã. Ferdinando desceu as escadas e viu Dona Tê escorada na porta do banheiro.–Pelo jeito a Gina passou mal, né Dona Tê?!–Pois é meu fio, mais ocê espera ela lá qui eu vô acudi ela aqui, dai levo ela lá pra cima.–Clraro, clraro. Até porque a Gina passou aquele remédio na garganta, intão não pode ficar fora da cama.... vou lá esperar. Nando voltou pro quarto, fechou o pote de remédio, ajeitou os cobertores de Gina, que tinham ido parar no chão, com todo o carinho, ajeitou seu travesseiro e esperou. Dona Tê voltava trazendo uma Gina extremamente fraca nos braços, com a ajuda desnecessária de Ferdinando levou Gina até a cama.–Oh Nando, meu marido acabô de chegá in casa, ele só tá si lavando pra modo di a gente armoçá, si ocê quisé pode í lá prosia cum ele.–Aaah, certo certo. Mas diga a ele pra não ter pressa, pode se lavar tranquilamente.–Aaah, o sinhor vai armoçá aqui hoje Nando?–Vô sim Dona Tê, hoje vou me demorar na casa vossa.–Tá certo intão, ieu vô lá terminá o armoço i fazê uma canja pra Dona Moça ai, i eu já chamo ocêis. Fiquem ai tudo bunito.–Pode deixá Dona Tê! Disse Nando rindo do jeitinho da mulher e se dirigindo a cama de Juliana, sentando ali mesmo e dizendo.–Então Gina, já qui ocê está de cama, sobrê oque nóis vai conversá? Gina com maus bofes, respondeu a pergunta de Nando com outra pegunta.–Que qui ocê quis dizê quando falô que ia si demorá aqui hoje. Nando tirou o casaco, se encostou na cabeceira da cama de Juliana e disse olhando para Gina.–É qui hoje minha cara, eu não saio do seu lado.
Notas finais
Ele a protegeria sempre,todos os dias,na dor e na alegria..
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