O escárnio do desejo.

10 Capítulo 10: Incendiando o trigal


Já haviam se passado semanas desde que Gina e Ferdinando tinham se entregado um para o outro,semanas que para ambos pareciam séculos. Ferdinando já havia pedido a mão de Gina em namoro para Seu Pedro Falcão,ele havia aceitado de muito bom grado juntamente com Dona Tê que não escondia a felicidade ao ver a filha namorando. O Coronel Epa tinha se contrariado no começo,mais ouviu os conselhos de Catarina e até mesmo de Pituca que o filho deveria ficar com quem ele gostasse e que ele não podia o impedir, e dessa forma também acabou aceitando o namoro dos dois, e passou até a gostar de Gina,passou a admirá-la como futura nora. Todos na cidade já estavam sabendo do namoro,e comentaram muito,a frase mais ouvida era : “ Alguém conseguiu dar um jeito naquela mulher-homi!” “Aquele Doutor Ferdinando conseguiu amansar a fera!” Isso se estendeu por um tempo,mais logo depois a notícia virou algo normal, Gina e Ferdinando podiam até mesmo andarem de mãos dadas na rua que ninguém mais ficava olhando como se fosse uma coisa de outro mundo,era normal, eram um casal normal para qualquer um , mais para eles,eram um casal iluminado,cheio de amor.. Muitas vezes quando estavam caminhando, um começava a olhar para o outro e davam uma risada envergonhada,como se dissessem “ eu te amo” , isso estava no sorriso, no olhar, até mesmo no jeito que davam as mãos, não podiam negar que se amavam profundamente.

Tudo estava indo muito bem com os dois,menos o desejo insaciável que emava de seus corpos...Era uma tarde fresca na pequena cidade,Gina estava sentada na sala,estava sozinha enquanto a mãe preparava o almoço e o pai se lavava, Juliana ainda não havia chegado da escola,já era tempo de ter chegado,mais provavelmente estaria dando voltas com Zelão, o que já tinha virado uma rotina.. Gina estava mergulhada em pensamentos pecaminosos, muito pecaminosos..Ela imaginava Ferdinando a beijando, fazendo amor com ela, lembrava de tudo que tinha acontecido naquele dia, todos os dias ela lembrava,e todos os dias ela sofria desejando mais,muito mais... Ela estava com os olhos fechados imaginando cenas que tinham realmente acontecido entre os dois,mais também estava criando outras que queria que acontecessem,Ferdinado beijando sua nuca,mordendo sua orelha, lhe beijando, descendo os beijos para seus seios, sua barriga,imaginou ele literalmente dentro dela,se movendo...

–Ara!- deu um grito,estava toda suada,pegando fogo!

Correu até o banheiro e começou a lavar o rosto na pia,quando percebeu a mãe estava atrás dela.

–Ô minha fia o qui aconteceu? – Perguntava Dona Tê preocupada

–Nada não mãe, nada não – respondia enquanto arfava, como se estivesse mesmo pegando fogo

–Comu não fia? Ieu ouvi ocê gritando e currendu pu banhero !

Dona Tê colocou a mão na testa e no pescoço de Gina

–Nossa fia comu ocê tá quenti!

–Disso ocê tem razão mãe, tô quenti mermo, bem quenti, quenti dimais!

–Ô minha Nossa Sinhora, intão ocê deve di tá cum febre!

Gina olhou para a mãe e disse :

–Mãe, ocê acriditi, isso num é febri não,pode vortá lá pras suas coisinha qui ieu tô bem! Tô só cum calor!

–Ara fia..Mai nem tá tão quenti assim!

–Mãe, iscuta ieu, ieu só tô cum calor,só isso,careci preocupa não!

–Vô pegá um remédio pro cê fia!

–Mãe, os seus remédio num vão me curar não! O meu remédio é otrô!

–Comu assim minha fia?

–Nada mãe, meu remédio..é..ara mãe, dexa eu!

Dona Tê conhecia a filha, então não disse mais nada, saiu resmungando,deixando a filha sozinha,Gina olhou seu próprio reflexo no espelho e disse:

–Aqueli dotôrzinho vai tê qui acaba cum issu ....Num aguentu mais! Ara diacho!

Mal sabia ela que Ferdinando estava tão calorosa quanto ela, se não até mais,mais ele não queria que a namorada achasse que ele era um safado que só quisesse ela para isso, ele a queria não somente para isso, ele a queria por inteira, ele a amava e necessitava dela para viver.Assim como Gina necessita dele,ela o amava. E na hora do almoço correu tudo bem,Dona Tê ao contrário do que Gina pensou,não contou do acontecido para ninguém,o que a aliviou de ter que falar sobre aquilo novamente.

Depois do almoço Gina tomou um banho para se refrescar,e colocou uma de suas roupas novas para trabalhar, pois achava que iria voltar para a roça aquele dia, colocou uma calça preta colada que marcava perfeitamente suas pernas,botas pretas,e uma blusa linda toda vermelha,que tinha uma parte preta na cintura que lembrava um corpete,o que marcava maravilhosamente sua cintura e suas curvas, e deixavam seus seis bem avantajados,ela deixou o cabelo solto mais com cachos definidos..Sim aquela tarde ela estava se sentindo linda e com vontade de se arrumar até mesmo para capinar.Quando terminou desceu as escadas e gritou:

–Pai, bora trabaiá!

O pai a olhou intrigado juntamente com sua mãe

– Ara fia, ocê esqueceu qui eu e vossa mãe vamu lá nas Anta fazê umas comprinha diferente! – disse entre risos

Tinha se esquecido completamente disso! Os seus pais tinham lhe dito mesmo que iam até as Antas fazer umas “comprinhas diferentes” o que se resumia a comprar coisas que não tinham ali na Vila de Santa Fé,como sementes diferentes, doces delicados, artesanatos..essas coisas! Como podia ter esquecido? Estava avoada mesmo!

–Gina seus pais estão falando disso a dias! – disse Juliana

–Ara, iei mi isquici! I mi arrumei toda pra trabaiá!- disse descontente Gina

–Trabaia? Ocê tá tão arrumadinha que até pensei qui quisesse i cum nóis! – disse Dona Tê

–Ocê vai Juliana? – perguntou Gina a amiga

–Vou não Gina, tenho que terminar de corrigir umas atividades dos meus alunos e mais tarde tenho um compromisso com o Zelão – respondeu a moça de cabelos rosa

–Ara, intão num vô não, casu qui ocêis dois num para quieto lá, e ieu num tô cum vontade de fazê compra!

–Intão tá fia,ocê qui sabi! Nóis já vai, inté!

Gina olhou os pais saírem pela porta e pensou “ O que eu vou fazer a tarde toda?” Não queria ir trabalhar sem o pai.. Conversou um pouco com Juliana, que logo a deixou sozinha porque tinha que corrigir atividades.

Gina andava de um lado para o outro, e pensava “Bem que o Ferdinando podia vim aqui pra gente prosear” E como encanto,sentiu mãos agarrarem sua cintura beijando-a por trás,ela se virou quase não acreditando,e não escondeu a satisfação de vê-lo,e para demonstrar isso beijo-lhe apaixonamente, faminta, o deixando sem fôlego!

–Nossa, isso tudo é por mi vê? – disse sorridente Ferdinando

–Craru qui é! Ocê nem vai acredita!

–Nu que ?

–Ieu tava agorinha mermo pensando no cê, qui ocê pudia aparece pra mi fazê cumpania!

–Purque?Ocê tá sozinha?

–É..mai ou meno..o pai e mãe foram nas Anta fazê umas compra,e a Juliana tá lá im cima corrigindo umas ativididadi dus alunu dela e dispois vai sai cum Zelão, qui aquelis dois num si disgruda mai!

–É..igual eu e ocê né mermo?

Ferdinando disse isso e a puxou novamente para outro beijo,ainda mais envolvente.

–Ieu tava cum saudadi do cê – disse Gina

–Ieu também tava sua porquera! Disse Ferdinando – Ei pera ai!

–Qui foi?

–Dá uma vorta, qui ocê tá um dislumbre!- disse a girando

–Ara larga de bobagi Ferdinando, eu mi arrumei pa trabaia!

–Minha nossa, si ocê trabaia dessi jeito, eu vô tê qui vim aqui trabaiá cocê todu santu dia..Benz Deus!

Gina deu um tapinha nele de brincadeira,e o beijou de leve

–Vamu sá uma vorta no trigal? – disse Ferdinando

–Vamu! Qui lá fora tá muito lindo!

Eles saíram de mãos dadas, conversando alegremente sobre os últimos acontecimentos, e sorriam um para um outro como dois bobos apaixonados que eram..Pararam no meio do trigal, o céu estava lindo,parecia brilhar, borboletas voavam por todo lado,e uma leve brisa balançava os pés de trigo. Ferdinando sentou no chão,e Gina deitou em seu peito,ficaram assim um longo tempo,conversando e se beijando a cada palavra praticamente,até que Gina começou a rir.

–Qui foi? – disse Ferdinando

–Ara Ferdinando..

–Mai fala criatura!

–É qui cunteceu um negócio hoje cedu lá em casa qui eu tô rindo inté agora!

–A é? Intão mi conti qui eu queru ri também!

–Ara tô cum vergonha!

–Gina Gina, ocê ainda tem vergonha de mim dispois de tudu qui nois feiz?

Gina pensou e chegou a conclusão que ele estava certo.

–Tá bão, vô conta! É qui hoje cedo ieu tava na sala..sozinha, pensando na vida..

–Humm...

–Cumecei a lembra das coisa qui nóis feiz aqueli dia lá, comecei a lembra do cê me beijando,fazendu tudu aquilu cumigu e dirrepente mi subiu um calorão! Qui eu dei um grito e curri pru banhero pra molhar o rosto casu qui ieu tava suando já! Aí a mãe veio toda procupada, dizendo qui eu tava quenti, cum febre

Ferdinando não acreditava no que ouvia, e ria tanto que até chegava a chorar,e Gina estava da mesma maneira

–Aí ela quiria mi dá remédio, mais ieu disse qui num ia adianta di nada!

–Ara Gina,num ia mermo!

Quando cansaram de rir, Ferdinando disse:

–Gina?

–Diga

–Ieu passo por isso todos os dias..

–I ocê acha qui essa foi a primera vez?

Tudo ficou sério derrepente, quente e sedutor,Ferdinando a puxou para si,beijou-a e sussurrou em seu ouvido:

–Gina..ieu tô cum saudadis do cê...

Gina se arrepiou inteira

–Ieu também Ferdinando,muita...

Os corpos estavam quentes e foi como um baque o beijo selvagem dos dois,Ferdinando apertava a cintura de Gina com tanta força que parecia que iria quebrar,e ela estava gostando disso..Ele apertava seus seio,enquanto ela gemia,ele beijava sua boca,seu pescoço e ia descendo para seus seios,e ela não perdia tempo o beijando na nuca,no pescoço e mordendo sua orelha..As roupas eram um empecilho muito grande naquele momento..

–Gina, ieu num tô aguentando..

–Ferdinando

Gina o fez olhar para ela, e começou a desamarrar o projeto de corpete que ela usava, e enquanto desamarrava seus seios iam se mexendo,torturando Ferdinando,ele foi para cima dela,mais ela disse:

–Não não..

Ela queria o provocar,e estava conseguindo com sucesso. Desamarrou e jogou de lado,e começou a desabotoar a blusa,libertando ainda mais seus seios...Tudo isso estava acontecendo ali..no meio do trigal

–Gina..eu quero tê ocê aqui..ocê acha qui arguém podi chega?

–Ninguém vai chega tão cedu aqui, e além du mais tamo bem escondidu nu meio du trigu

Sua camisa foi retirada e ela ficou só de sutiã, chegou perto de Ferdinando e tirou sua blusa, estavam nus da cintura pra cima,porque Ferdinando arrancou velozmente o sutiã da ruiva,os dois se beijavam incontrolavelmente,Gina sentia até mesmo pela calça o tamanho da excitação de Ferdinando.

Ferdinando apertava a bunda e as coxas da moça que gemia de prazer,e ele arrancou a calça dela e em seguida sua própria calça..estavam quase prontos para se entregarem..

Gina sentou em cima dele e colocou as pernas em volta do rapaz,que a apertou..Ele a beijava fervorosamente na boca,e chupava seus seios fazendo-a delirar,e fazendo ele próprio delirar,porque cada vez que ele a chupava ela se movia em cima dele em ritmou deliciosos,fazendo suas partes se unirem por cima dos trajes íntimos,proporcionando uma sensação deliciosa..Ela percebendo a sua ereção começou a se movimentar ,deixando- o louco.

–Chega! – disse Ferdinando

Jogou-a no chão e tirou sua calcinha com a boca,puxou com os dentes a calcinha da moça e em seguida convidou Gina a fazer o mesmo, que achou graça e muito sensual,ela tirou sua cueca com a boca e não resistiu e deu uma conferida no seu membro deixando louco,e novamente ela se sentou sobre ele e disse:

–Gosta de cavalgar Ferdinando?

–Ara,gosto...

–Mai ocê já foi cavalgado?

Não precisou de mais nada, Ferdinando já havia compreendido..

Então se arrumou e entrou dentro dela explodindo de desejo,ela começou a cavalgar nele selvagemente,nunca havia feito aquilo,mais parecia que sabia o que estava fazendo, ela se movimentava em cima dele, as vezes ela retirava totalmente ele de dentro dela para entrar com força novamente..as vezes tirava e o deixava a olhando,e fazia entrar devagar..Ambos estavam loucos, atribulados..Ela estava louca sobre ele, e fincava suas unhas nas costas do amado,e como um terremoto,eles chegaram ao orgasmo, gritando,gemendo e dizendo “ Eu amo você!”

Gina o olhou,e ele a beijou apaixonado e novamente a derrubou no chão,se jogou por cima dela dizendo que a amava e a queria para sempre,o que ela também disse..Ambos estavam ali nus,se beijando,se amando,rindo e fazendo graça como duas crianças sapecas.Naquele momento só existia os dois,um inteiramente para o outro.

Notas finais
Enquanto eu escrevia esse capítulo diversas sensações se apoderavam de mim,mais principalmente o desejo de fazê-los um só,como se o mundo deles fosse um ao outro, como se dó existissem eles no mundo, ali no meio daquele trigal,se amando,para sempre..