Durante todos os dias em que Jennifer estava presa a cama de cintos e sobre os cuidados de Amelie, ela dormia mais do que ficava acordada. Em seus sonhos ela voltava a ter visões de garotas brincando no campo, correndo pelos corredores do corredor iluminado pela luz do dia, indo brincar em um lago ligado à um rio pequeno e coisas do tipo.

O céu de Jennifer eram seus sonhos, e o mundo real era o seu pesadelo. Para muitos é isso, mas nos sonhos de Jennifer as crianças que brincavam achavam que o verdadeiro céu era a terra ou um pequeno pedacinho do céu.

Tudo corria tranquilamente em seus sonhos até uma coisa anormal acontecer em um de seus preciosos sonhos. Uma estrada de Borboletas formou-se diante os próprios pés de Jennifer, ela olhou para baixo e viu que onde pisava com seus pés descalços as borboletas viravam folhas de outono, mas depois voltavam a ser borboletas e entravam em voo pelos céus. Jennifer seguiu a trilha das borboletas, as árvores começavam a se balançar para que Jennifer contempla-se o voo das borboletas das cores das folhas de outono, outras brilhavam como a luz da lua refletida no mar e mais outras brilhavam como estrelas. Até que uma delas foi até a direção de Jennifer e se transformou em uma fada com asinhas nos pés cor de violeta.

A fadinha não falava, ela apenas apontava para a trilha e saiu voando depois, guiando Jennifer. Ela seguiu a fada, até a fada chegar em um pequeno campo verde cercado por árvores no outono, ela agitou a mãozinha e em seguida várias outras foram na direção de Jennifer. Era tudo muito maravilhoso e belo ver as fadas voando ao redor de Jennifer, até uma delas apontar para uma porta que surgira do nada no campo, Jennifer achou que a boneca estava lhe dizendo: “Entre lá”.

Ao abrir a porta uma luz branca emergiu como a luz forte do sol.

Abrindo os olhos, Jennifer se viu de novo no mesmo quarto onde acordara no inicio da estória, ela estava sem a camisa de força e muito menos presa a cama. Ela levantou da cama e viu que na mesinha de estudos havia um bilhete.

“Cara Jennifer.

Você esta sendo penalizada por irritar uma de nossas irmãs, vá até o salão real para receber seu julgamento, caso contrario deverá receber um castigo severo da Rainha.

Ass: sociedade das Bonecas.”

Jennifer tateou seus bolsos para ver se ainda haveriam fósforos, viu que ainda tinha uns três fósforos, pegou um e ascendeu para iluminar seu caminho no corredor escuro que se seguia a sua frente, desceu as escadas e começou a andar pelos corredores observando sua própria trilha de estragos, ocasionada no inicio da estória. Ao dobrar a esquina da escada viu que Amelie estava lhe parada no corredor aguardando Jennifer.

– Jennifer, resolva logo o enigma, pois o dia do ritual para o Senhor do Pântano está chegando – disse Amelie virando o rosto para os lados temendo estar sendo vigiada – Você deve se apressar. Vamos logo para a reunião, você só tem 10 segundos agora.

Amelie agarrou as mãos de Jennifer e saiu correndo pelo corredor com Jennifer até elas chegarem no salão real e Amelie se transformar em boneca.

– Boa noite Jennifer – disse a Rainha.

Jennifer entrou no meio da roda das Bonecas e ajoelhou-se perante a Rainha. Olhou ao seu redor e viu que estava faltando uma boneca na roda.

– Por sua causa a Princesa da sala 3, não pode comparecer à nossa reunião de hoje. Como castigo você perderá sua identidade e passará a ser Nada – disse a Rainha.

As outras bonecas utilizaram seus poderes para levitar Jennifer e a prender no chão, a Rainha utilizou os seus poderes para retirar os sapatos que Jennifer usava e em seguida suas meias.

– A partir de hoje, não és nada! – disse a Rainha – E passarás a vida toda na imensa escuridão de nossos corredores até que a criatura lhe tire a vida, estás expulsa de nossa Sociedade! – disse a Rainha levitando Jennifer e abrindo a porta do salão, arremessou Jennifer contudo para o corredor enquanto fechava a porta com tudo.

Jennifer começou a chorar no chão, levantou-se e bateu na porta do salão repetidas vezes implorando para entrar de volta e sair daquela escuridão. De repente escutou os gritos e berros da criatura se aproximar, começou a correr na ponta dos pés e se escondeu na esquina de um dos corredores.

– “Como eu vou sair dessa agora?” – pensou Jennifer e já vendo a criatura se contorcendo de um lado para o outro sem parar a procura por Jennifer – “Se o meu problema foi em razão da princesa da sala três não ter aparecido, então devo procura-la!” – pensou Jennifer.

Fugiu daquele corredor e entrou em um quarto, procurou na mesinha de estudos mais fósforos ou velas, mas não encontrou nada, ao ouvir os sonhos da criatura se aproximarem, escondeu-se no armário do quarto. Dava para ver pela brecha da porta a criatura entrando no quarto e procurando por Jennifer, desistiu e foi para o corredor a procura de Jennifer, Jennifer fechou a brecha e sentou-se ascendendo um fósforo.

– “De dia, é escuro como a noite, mas de noite brilha como o dia. Sobre sua luz a arma que o dia esconde se revela, mas quem brinca demais com a luz acaba cego eis o guerreiro cego.” – pensou Jennifer no enigma – Já sei! – pensou Jennifer — O guerreiro cego é a própria princesa da sala 3 e sendo ela a guerreira, deve haver alguma arma que só ela possa enxergar.

Jennifer saiu do guarda roupa, não escutava mais os berros da criatura, caminhou na ponta dos pés descalços e foi até o quarto 3. Lembrando-se pouco do caminho e mais da surra que levara de cinto, ela errou o caminho algumas vezes, mas conseguiu chegar até o quarto 3. Para seu espanto, pisava em muitos vagalumes mortos no chão.

A escada para o sótão estava lá, ao subi-las viu que a Princesa apenas chorava e chorava no cadeira onde ela sentava. Jennifer achou que fosse pelos vagalumes mortos o motivo, mas era outro.

A menina olhou para Jennifer e disse:

– NÃO OLHE PARA MIM! – gritou ela cobrindo o rosto com as mãos – Me transformei em um monstro agora, VEJA! – disse ela erguendo o cinto que estava jogado ao chão cheio de manchas de sangue, possivelmente de Jennifer.

– Não precisa chorar assim – disse Jennifer se aproximando dela.

– Preciso sim! Por conta do que fiz, vô pro inferno! – disse ela começando a chorar mais – As estrelas não vão me perdoar!

Jennifer agarrou a menina em um abraço, ela ase ajoelhou e abraçou a garota que estava agora encolhida em seu cantinho.

– Mas eu a perdoo – disse Jennifer.

A garota começou a olhar para a Jennifer assustada.

– Você vai me perdoar? – perguntou a garota.

– Claro que vou – disse Jennifer – Não teria razão em guardar mágoas de você – disse Jennifer sorrindo para garota.

Ela começou a tatear o rosto de Jennifer, sentindo as marcas e os curativos no rosto de Jennifer, perguntou de novo:

– Você vai me perdoar mesmo? Mesmo depois do que fiz a você...

– Claro que vou.

A menina levantou-se do chão e estalou os dedos, o grande clarão do quarto impediu que Jennifer enxergasse alguma coisa, e em outro estalo a luz se apagou e a menina estava na frente de Jennifer.

– Tome... – disse a garota entregando nas mãos de Jennifer uma caneta.

Jennifer olhou para a caneta luxuosa e perguntou para a garota:

– Esta é a arma que a luz do dia esconde?

– Essa é a coisa que enxergo na luz dos vagalumes – disse a garota.

Jennifer abraçou ela e perguntou:

– Qual é o seu nome Princesa?

– Sabrina... – disse a garota secamente como se estivesse observando um anjo.

– Muito prazer Sabrina, meu nome é Jennifer – disse Jennifer abraçando ela, mas dessa vez foi um abraço longo e carinhoso.

Jennifer fechou os olhos e a menina falou:

– Obrigado Jennifer...

Dito isso Jennifer sentiu uma sensação diferente do abraço, sentiu que abraçava alguma coisa fria e rugosa, abriu os olhos e viu que o quarto estava escuro e cheio de teias de aranhas, no chão haviam cabos elétricos vindos do quarto, olhou para trás e viu que haviam holofotes desligados e mirados para Jennifer. Sentiu também que estava mais inclinada do que o antes abraçando a menina em pé, para sua surpresa a menina estava sentada na cadeira, mas só o que restara dela, pois agora Sabrina era apenas um cadáver velho de cabelos desfiados e com a mandíbula quase caindo no chão e estava amarrado por cintos à cadeira. O que comprovava que era Sabrina eram suas meias verdes.

Jennifer apenas olhou, não bastava muito para ver o que tinha acontecido com a Sabrina, deu para imaginar. Cuspiu sangue e começou a sentir tonturas, desmaiou batendo a cabeça no chão.