O enigma das bonecas

10 As Mandragoras


Notas iniciais
As melhores idéias vem da imprevisivel imaginação de cada um.

Observando-a, os espíritos malignos conversam entre eles.

– A Sabrina quer que seja devolvida a identidade dela – disse uma voz.

– Estou começando a duvidar se este ser é o que seus atos dizem – disse outra.

– Calma pessoal... calma pessoal, será devolvida a identidade deste ser, mas ele continuará sendo Verme! – disse uma voz maligna e tranquila.

Quando Jennifer acordou estava com suas meias de volta, mas ela não estava mais no sótão, agora ela estava no salão real e no meio do circulo das bonecas.

– Caro Verme, acreditamos que agora você já tenha a resposta para o enigma, conte-nos – disse a Rainha.

– A resposta para o Enigma dos vagalumes é Sabrina.

Todas as vozes das bonecas começaram a discutir sem pausas até a Rainha ordenar silêncio.

– Caro Verme – começou a Rainha – você esta correta... – disse ela com repugnância.

– Isso quer dizer que eu já posso subir de classe, Majestade? – perguntou Jennifer duvidosa.

– Para você subir de classe, você deve ter no mínimo o numero de 6 votos de cada membro desta sociedade quando realizarmos o ritual de inverno – disse a Rainha – até lá, resolva enigmas!

Jennifer começou a desanimar, pois já imaginava que haveria mais sofrimento pela frente e mais perigos a aguardava naqueles corredores escuros. Mas um pingo de esperança apareceu em seus olhos quando olhara para a boneca de boina vermelha.

Ao se apagarem as luzes, as bonecas sumiram ao reacende-las e não deixara nenhum bilhete, apenas uma chave.

Jennifer analisou a chave e viu que ela era feita de bronze e tinha na ponta um desenho esculpido de uma flor e no centro da flor havia um celeiro esculpido com mínimos detalhes.

Ela se pôs para perto da Janela a procura de alguma coisa lá fora, ao observar o céu e as nuvens viu que era uma noite de lua cheia e que ela iluminava tudo ao redor do lugar onde Jennifer estava. Mas, a tranquilidade de Jennifer não pode durar mais que alguns minutos até as luzes atrás dela se apagarem totalmente, deixando Jennifer com a luz da lua.

Jennifer se distraiu por um minuto com as luzes se apagando. Uma mão bateu com tudo na janela para dar um susto em Jennifer, a mão desaparecera, mas letras começaram a ser desenhadas no vidro da Janela até formar uma mensagem:

“O que se esconde no palheiro?”

Jennifer pensou seriamente nessa mensagem, associou-a ao ditado popular referindo-se a uma busca impossível: — “É que nem procurar agulha em um palheiro” – pensou, mas duvidava da pergunta ser tão simples e com um simples ditado popular poderia respondê-la. Porém, Jennifer tinha de pensar rápido, pois escutara batidas fortes e violentas em uma das portas do salão. Acreditava-a que fosse a criatura que a persegue pelos corredores.

Jennifer levantou-se do chão onde estava caída, e foi até a porta com a tranca a senha, reparou que na porta havia um pequeno mapa desenhado por uma criança com giz de cera. Era um mapa da casa, no outro lado da folha de papel havia uma mensagem: — “A imaginação guiará você pelos corredores, com amor sua amiga.” – era obviamente uma mensagem de Amelie, mas por que ela escrevera aquilo, o desenho era bem detalhado para um desenho de criança e seguia perfeitamente linhas retas, era como se tivesse sido desenhado por um arquiteto.

Ela colocou a senha e abriu a porta. O mapa revelava que para chegar à porta dos fundos, Jennifer deveria dobrar para a esquerda e seguir direto para o terceiro corredor à direita. Ela tirou de seu bolço um palito de fosforo e o acendeu, seguiu corretamente as orientações do mapa até chegar em uma cozinha velha e simples, nela haviam panelas enferrujadas com flores e ervas dentro e em outras haviam batatas, cenouras e beterrabas. As prateleiras estavam cheias de pratos de porcelana e canecas da mesma coisa. Jennifer tentou abrir a porta e nada, lembrou-se de sua chave e a usou, a porta destrancou e Jennifer a abriu. Ao sair para o lado de fora fechara a porta, mas vira que do outro lado da porta havia um outro bilhete: — “Tranque a porta para que a criatura não acabe com nossa diversão.” – era o que estava escrito no bilhete, Jennifer foi fiel ao conselho e o fez.

Não tinha reparado que a sua frente havia um pequeno portãozinho de grades de ferro preso à um muro de pedras. À sua esquerda não havia nada além do muro, à sua esquerda havia um corredor não muito largo nem muito espaçoso, viável à passagem de poucas pessoas, umas três ou quatro dependendo do tamanho, uma ao lado da outra. Tentou abrir o portão mas ele estava trancado à chave. Olhou para o corredor que se formava à sua direita, vendo que era sua única alternativa seguiu por ele. (Para os curiosos, o muro era alto demais para Jennifer alcançar num salto e pular para o outro lado).

Seguindo o corredor, Jennifer viu que virando a esquerda havia um espaço médio, mas ao chegar perto viu que avia um bilhete grudado na parede: “Cuidado com as Mandragoras , a chave para o corredor esconde-se em uma delas, ache e fuja correndo, não toque e não coma nenhum fruto.” – dizia o bilhete.

Jennifer aproximava-se da plantação e podia ver as plantas tremendo, sendo que não havia um único vento. Ao se aproximar mais, uma voz quebrou o silêncio mortal que cercava Jennifer.

– “Jennifer! O que você vai fazer?” – perguntou a voz vinda por trás de Jennifer.

– Quem está ai?! – perguntou Jennifer começando a ficar com medo.

Ao virar-se viu que era Amelie.

– Amelie! – disse Jennifer alegre por vela de novo – O que você acha que eu devo fazer agora? Não sei como lidar com isso.

– Jennifer, o que as plantas precisam? – disse Amelie.

Jennifer pensou um pouco.

– Água, Sol... Não entendo as plantas, muito menos Mandragoras.

Amelie retirou do bolço duas maçãs pequenas.

– Prove esta – disse Amelie entregando uma à Jennifer.

Jennifer sentiu um gosto normal de maçã.

– Tem gosto de maçã – disse ela indiferente.

– Agora esta – disse Amelie entregando outra.

Ao provar a outra maçã, Jennifer sentiu um gosto muito mais saboroso e gostoso do que o da outra, sentiu até mesmo vontade morde-la mais uma vez, porque ela havia despertado no estomago de Jennifer a fome.

– É muito mais gostosa do que a outra maça! – disse Jennifer admirada.

Amelie começou a sorrir.

– Esse é o gosto que se tem após cuidar bem das Mandragoras, ao contrario do que muitos dizem, as plantas têm sentimentos. Caso você cuide bem delas, você terá mais em troca. O problema é que estas não são normais, estas foram maltratadas pelos monstros que estiveram aqui, eles às envenenaram e encheram suas raízes de ódio.

– Que monstros são estes?

– Demônios que vieram em carroças de ferro, eles simplesmente acabaram com toda a vida que havia nesse campo. A noite dura mais, mas antes o dia e a noite eram equilibrados, as arvores davam maçãs deliciosas e os campos cresciam verdes, agora é só tristeza e morte – disse Amelie.

Jennifer estava ficando triste demais com toda aquela história, mas sua razão dizia o contrario, ela ainda era capaz de acreditar que tudo aquilo era uma fantasia ou um sonho torturador que estava prendendo Jennifer.

Pensou em alguma solução com base na sua razão à favor de acreditar em toda aquela historia, então deduziu:

– Se eu mostrar à elas que ainda há amor suficiente nesse mundo será que elas me entregarão a chave? – perguntou Jennifer lembrando-se dos legumes que vira na cozinha.

– Pode ser que dê certo Jennifer, mas você acha possível diminuir tanto medo e ódio?

– Claro que sim – disse Jennifer orgulhando-se de sua razão – Venha Amelie, vamos pegar os legumes que estão na cozinha...

Amelie apenas ficou parada no mesmo lugar e disse:

– Jennifer, se eu entrar lá, você vai ter de se virar sozinha – disse Amelie sem emoção – as minhas irmãs nem sabem que estou aqui.

– Então fique ai enquanto eu vou pegar os legumes — disse Jennifer, ela ainda não era tolerante o bastante para tolerar a impotência de Amelie.

Ao abrir a porta com a chave, Jennifer viu que na pia da cozinha estava a criatura bebendo água da torneira como um animal, mal reparara que Jennifer estava ali. Abaixou-se e encostou a porta com muita calma, retirou seus sapatos e os colocou na porta para que esta não fechasse, com passos muito leves e encostados nas estantes, escondendo-se nas sombras para que a criatura não à visse. Chegou bem perto da criatura, para seu azar o fogão com os legumes estava do lado da pia, onde estava a criatura insatisfeita e com sede vorás.

Pensou rapidamente em uma solução para pegar os legumes sem ser pega pela criatura, pensou em seus sapatos que estavam na porta, voltou até a porta e pegou um de seus sapatos, escondeu-se debaixo do pano da mesa e o arremeçou-o para o corredor adentro, da casa. A criatura escutou as batidas do sapato no chão do corredor e saiu correndo como um animal selvagem na direção do corredor. Jennifer saiu de seu esconderijo e pegou os legumes, com calma saiu de lá e trancou a porta.

Sentou no degrau de cimento que havia na entrada da porta, em um som de alivio e desabafo ela olhou para os legumes.

– “Corri o risco de morrer por causa de legumes...” – pensou – “Mas é por uma boa causa” – ao dizer isso para si mesma sentiu o orgulho e felicidade crescer dentro de si.

Ao se levantar, o vidro da janela ao lado da entrada se espatifou com um sapato voando em direção ao muro e caindo no chão. Gritos e berros davam para ser escutados, vindos da cozinha, obviamente eram da besta.

Se recuperando do susto, pegou o sapato e o calçou.