O enigma das bonecas
5 A Borboleta
Jennifer abriu uma porta que dava para um quarto diferente. O quarto era iluminado por uma vela, havia uma cama naquele quarto, uma mesinha de estudos pequena e um guarda roupa de mogno, a única diferença deste quarto para o que Jennifer estava no inicio da historia é que ele tinha um retrato com uma foto preta e branco de 11 crianças. Jennifer conseguiu reconhecer duas crianças daquela foto, eram as crianças de seu sonho, mas as outras Jennifer não conseguia reconhecer nenhuma.
A porta do quarto estava fechada, mas havia uma porta extra no quarto, Jennifer foi até a porta e a abriu. Quando ela viu, era uma passagem para uma escadaria que subia para um andar escuro.
Ela subiu as escadas e chegou a um quarto cheio de quadros espalhados por ele, os quadros estavam cheios de desenhos de pássaros, mais pareciam desenhos infantis do que de adulto, alguns estavam cobertos por panos e outros simplesmente em branco. Havia uma menina sentada de costas para Jennifer, ela estava desenhando em sua mesa de desenhos, mas ela parecia estar chorando por algo desconhecido.
Jennifer foi ao seu lado e observou o desenho da menina.
– Quem é você? – virou a menina perguntando para Jennifer, a menina de fato estava chorando. Ela tinha olhos azuis bem claros e usava uma boina Vermelha, as meias que ela utilizava eram violetas, sinal de que ela era uma Noviça.
– Meu nome é Jennifer... E o seu? – perguntou Jennifer.
– Ah! – fez a menina com um espanto desanimado – você é o verme que todas falam.
– Sou? Mas por quê elas me chamam de “Verme”?
– Porquê você é diferente.
– Só por isso?
A menina ficou calada por um tempo e voltou a desenhar.
– Também é porque você usa pijama listrado e meias listradas – disse a menina.
– Qual é o problema da minha roupa?
– Ela é diferente. Sabe, antes de você chegar todas as meninas usavam um vestido de cada cor, mas você chegou e misturou duas cores diferentes.
Jennifer voltou a olhar o desenho, a menina estava desenhando outras meninas, 11 para ser mais exato e todas elas estavam na mesma posição daquele quadro com a foto preta e branca das meninas.
– O senhor do pântano sempre gostou de nos ver usando meias, ele me deu essa meia violeta para dizer que eu era “a mais nova dele” – a menina se calou por um tempo até concluir o desenho e lá estava as mesmas meninas do quadro – essa sou eu – disse ela apontando para a ultima menina da esquerda da foto, era a mais nova e também a mais triste da foto.
– Por quê você está triste nesse desenho?
– Porque eu tinha inveja das minhas outras irmãs.
– E por quê você tinha inveja delas?
– Por que elas sempre se chamavam de borboletas enquanto eu era um casulo.
Jennifer logo pensou no Enigma: “Borboletas voam ao seu redor, mas no canto escuro do quarto permanece o casulo de uma borboleta”. Não evitou uma exclamação.
– Você é o Casulo!
– Sou. Por quê?
– Você é a chave para a solução do enigma, não vê?
– Não, quem iria valorizar um casulo que nem eu? Se eu nem ao menos sei desenhar uma borboleta?
Jennifer observou os desenhos dos pássaros nos quadros, observou os outros que estavam na cama e nada viu de borboleta.
– Você quer que eu lhe ensine? – perguntou Jennifer.
– Por quê um Verme me ensinaria? Vocês são burros e se acham melhores do que os outros, não enxergam seus próprios defeitos.
– Quem lhe disse isso?
– As minhas irmãs.
– Posso provar que elas estão erradas sobre mim.
– Então mostre – disse a menina.
Jennifer pegou o lápis da menina e começou a desenhar uma borboleta, não era um desenho perfeito, mas era simples e o bastante para aquela situação.
– Como você consegue fazer isso? – perguntou a menina espantada.
Jennifer pensou por um momento e disse:
– Acho que já sabia...
A menina pegou o lápis da mão de Jennifer e tentou desenhar a mesma borboleta simples, mas não conseguia em hipótese alguma. Ela começou a chorar.
– Ei... – disse Jennifer passando a mão nos longos cabelos negros da menina e depois a abraçou – eu posso lhe ensinar, veja... – disse Jennifer fazendo um traço em um papel – apenas imite os meus traços, entendeu?
A menina fez que sim com a cabeça.
Passou-se alguns minutos até que a menina conseguiu fazer uma borboleta igual a de Jennifer, com a ajuda da própria.
– Não é difícil, vê? – disse Jennifer animada.
A menina não respondia, estava incrivelmente assustada com o que conseguira fazer. Até que ela falou:
– Amelie... Meu nome é Amelie...
– Prazer Amelie, meu nome é Jennifer e sou sua nova amiga.
– Somos amigas? – perguntou a menina começando a chorar.
– Claro que somos – disse Jennifer animada.
– Somos? – repetiu a garota mas num tom meio sério.
– Somos – repetiu Jennifer não entendendo.
– Somos? – tornou a repetir a garota mas num tom sério e levantando o rosto para encarar Jennifer.
–S-Somos... – disse Jennifer começando a ficar com medo.
– Se somos amigas... Por quê você me abandonou? – perguntou a menina começando a chorar sangue e uma ventania começou a entrar no quarto quebrando a janela do outro.
– Eu não... – gaguejava de medo caindo no chão.
– Eles fizeram coisas terríveis comigo Jennifer, e você não fez nada! – gritava a menina com um bando de corvos saindo das pinturas e ganhando vida.
– Amelie... eu não sei do que você está falando... – disse Jennifer com muito medo.
Os corvos começavam a voar em círculos no quarto pequeno enquanto Amelie soltava toda a sua fúria.
– ELES ME TORTURARAM E RESGARAM TODOS OS MEUS DESENHOS! – gritou Amelie tendo uma hemorragia de sangue pelos olhos e pela boca – EU CHAMEI POR SOCORRO E VOCÊ NÃO VEIO! ONDE VOCÊ ESTAVA QUANDO ELES FIZERAM AQUILO COMIGO!?
– Eu não sei! – disse Jennifer começando a chorar de tanto medo.
– FORA DAQUI OU EU MATO VOCÊ SEU VERME! – gritou a menina com a pele embranquecendo e o sangue começar a se espalhar pelas suas mãos e pela sua saia – FORA! FORA!
Jennifer começou a correr em direção à escadaria, mas os corvos voavam em sua direção querendo matar Jennifer, seus bicos afiados passavam de raspão pelo seu rosto e chegava até mesmo a cortar como facas os seus braços. Ela caiu no chão, mas ao cair no chão pegou um pincel e começou a usa-lo para se defender. Os corvos que tocassem no pincel eram absorvidos pelo pincel ou simplesmente caiam mortos no chão. Jennifer se levantou aos tropeços e saiu correndo daquele quarto, com muitos arranhões chegou até o outro quarto e fechou a porta com tudo.
Passado o tormento Jennifer sentou-se de costa para a porta e soltou um desabafo de alivio, mas quando viu que o quarto estava diferente seu alívio virou um pesadelo. A porta do quarto estava toda quebrada, como se tivessem arrombado ela com o uso da força bruta acompanhada com golpes violentos; no chão havia muitas gotas de sangue, mas na cama, havia uma enorme mancha de sangue cobrindo todo o lençol da cama. O quarto estava cheio de teias de aranha e extremamente bagunçado.
Jennifer viu que do centro do quarto, uma trilha de sangue seguia até a porta onde Jennifer estava sentada de costas, ela levantou e decidiu abrir a porta. Para sua surpresa desagradável o que viu lhe traumatizaria pela vida inteira, um corpo pendurado por uma corda no pescoço, era um corpo já bem apodrecido e parecia ser de uma criança. Jennifer logo viu as meias que o cadáver utilizava, era Violetas, logo, Amelie morta...
A única reação de Jennifer foi um desmaio espontâneo.
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