Jennifer estava caída no chão do quarto de Amelie, os espíritos malignos que antes torturam Jennifer agora estavam a sua volta, eles discutiam sobre o que iriam fazer com ela.

– Deixamos ela aqui ou levamos ela de volta para o salão real? – disse uma voz para a outra.

– Deixemos ela aqui, ela deve estar tendo ótimos sonhos agora... Que tal darmos umas rizadas agora? – sugeriu uma voz.

As rizadas dos espíritos malignos da casa começaram a ecoar por todos os corredores da casa, no início eram rizadas maldosas mas no eco dos corredores formavam risadas extremamente malignas e assustadoras, quase risadas de demônios.

Enquanto isso no sonho de Jennifer.

Jennifer abrira os seus grandes olhos castanhos escuros e viu um mundo perfeito, olhou ao seu redor e viu uma paisagem linda de um campo verde com pássaros e borboletas voando pelo campo, seus ferimentos haviam desaparecido de seu corpo e a sua roupa estava completamente limpa.

De repente, Jennifer começou a ouvir risadas malignas vinda do além, tão altas e malignas que chegavam até mesmo a torturar a audição de Jennifer, as risadas trouxeram uma nuvem negra que liberava sangue em todo o campo, o rio que antes tinha peixes saltitando felizes da água agora se transformara em um rio de sangue. Mãos saíram da terra e começaram a agarrar as pernas de Jennifer.

Jennifer chutou-as e começou a correr pelo campo, mas quando chegou no fim da serra dos campos escorregou em uma possa de sangue que a fez rolar no campo sujo pelo sangue até cair no lago. Jennifer estava totalmente horrorizada ao sair da água e ver aquele mundo horrível. Quando Jennifer olhou para sua mão que retirara do lago havia um olho se mexendo na palma de sua mão e começando a encara-la, de repente muitos olhos começaram a sair da água e fixar o olhar em Jennifer.

Ela levantou correndo daquele lago raso de olhos, mas as algas daquele lago agarraram suas pernas como se fossem mãos esqueléticas e pegajosas, começaram a puxar Jennifer para o lago demoníaco que Jennifer lutava para sair. No fundo do lago os peixes que antes eram felizes agora eram piranhas com dentes longos e afiados, mãos esqueléticas começavam a arrancar os membros de Jennifer enquanto as piranhas comiam sua carne, as mãos começaram a arrancar a pele de seu rosto e tirar seus dentes com toda a força, enquanto piranhas entravam pela sua boca e começavam a comer sua carne por dentro de Jennifer.

Os espíritos malignos começaram a rir sem controle ao ver que Jennifer se contorcia de tanto medo no chão.

Quando Jennifer acordara no chão do quarto tateando seu corpo para ver se estava tudo no lugar ela ficou aliviada, mas não pode suportar a visão que estava a sua frente do corpo de Amelie pendurado por uma corda.

– Amelie... A-Amelie... – começou a chorar – o que fizeram com você? – perguntou Jennifer a si mesma chorando.

Quando uma voz rompeu com o silencio no quarto e fez Jennifer se esconder debaixo da mesinha da cama.

– “Venha! Venha....” – disse a voz.

Em seguida Jennifer saiu de onde estava e pegou o pincel que estava no chão, anteriormente estava na sua mão enquanto ela dormia. Ela voltou a encarar o corpo de Amelie e enxugou suas lagrimas.

– Perdoe-me Amelie – disse ela tristemente.

Jennifer pegou a vela apagada do lado da cama e retirou do bolço de seu vestido um palito de fósforo, ascendeu a vela e pronto, o quarto estava iluminado, mas para a surpresa de Jennifer a luz iluminara uma parte escura do corpo de Amelie em que havia um bilhete recentemente colocado ali devido a sua aparência.

Jennifer foi até o corpo de Amelie e antes de tirar o bilhete do corpo de Amelie, pediu-lhe mais uma vez perdão. Ao retirar o bilhete abriu-o, nele estava escrito:

“Cara Jennifer”.

“Creio que a essa altura do campeonato já deva ter encontrado a resposta para o Enigma, você está sendo solicitada no salão real para entregar-nos a resposta em exatos 5 minutos, caso contrário, o seu pesadelo se tornará realidade.”

“Com amor, A sociedade das Bonecas.”

Jennifer olhou para a porta quebrada e pegou sua vela em um piscar de olhos, saiu do quarto de Amelie correndo para a direita, seguindo apenas o acaso. No final do corredor mais dois corredores se estendiam para a esquerda e para a direita.

Ficou se perguntando para onde ir. Indecisa, partiu para o corredor esquerdo, mas algo apareceu em seu caminho que fez o medo de Jennifer aumentar freneticamente.

Uma criatura do tamanho de um homem, mas parecendo um zumbi pálido e com os olhos negros e arreganhados, olhou para Jennifer e começou a correr em sua direção como se quisesse mata-la ou devora-la, a criatura corria desengonçadamente, agitando seus braços e gritando. Jennifer virou-se para trás e começou a correr desesperadamente, retornou ao ponto de partida e foi correndo pelo corredor direito com a criatura em seu encalço. Dobrou a direita para outro corredor até se deparar com uma escada que descia, ao descê-las olhou para trás e viu a criatura se espatifar no Hall da escada, Jennifer desceu mais um lance de escadas e voltou a olhar para trás, mas ao olhar viu que a criatura se contorcia enquanto levantava e virava-se para Jennifer.

Começou a correr atrás de Jennifer e Jennifer começou a correr corredor adentro, dobrava em vários corredores até enxergar uma porta aberta, ao seguir e fechar a porta que estava com a chave, tranca-a, mas a criatura tentava arromba-la com socos desenfreados e descoordenados. Ao virar-se, as luzes do grande salão onde iniciara sua missão iluminavam o corredor onde Jennifer estava. Caminhou pelo corredor iluminado e chegou ao salão.

Ao entrar no salão viu a roda das bonecas formada no centro do salão, as bonecas a esperavam sentadas em suas cadeiras e poltronas.

– Feche a porta atrás de você Verme, não queremos que aquela criatura atrapalhe nossa reunião – disse a Rainha.

Jennifer fechou a porta. A tranca da porta travou-se sozinha.

– Venha cá Jennifer – disse a voz suave da Rainha.

Jennifer aproximou-se da roda lentamente enquanto observava a boneca da Rainha.

– Eu disse venha cá! – gritou a Rainha. Jennifer foi puxada com força e levada aos pés da boneca – Ajoelhe-se – dito isso Jennifer ajoelhou-se.

– Então Jennifer, qual é a resposta do Enigma? – perguntou a Rainha enquanto as outras bonecas observavam Jennifer.

– Amelie... a resposta do enigma é Amelie, ela é o casulo de uma borboleta que está para nascer... – dito isso Jennifer se espantou com o que disse.

As outras bonecas começaram a discutir umas com as outras em vozes que vinham da sala.

A Rainha ficou calada por uns segundos, mas falou enfim.

– Pelo visto você tem certa inteligência que os demais Vermes não tem... – dito isso todas as outras bonecas se calaram – Mas, é preciso mais do que isso para você ter um pingo de dignidade entre os piores dos Vermes, você é uma mera Bactéria para a nossa Sociedade.

Ao ouvir todas essas palavras, Jennifer começou a se encolher e a horar como uma menina.

– Vejam só – disse a Rainha zombando de Jennifer – parece que o Verme tem sentimentos...

– O que aconteceu à Amelie!? – disse Jennifer erguendo sua voz para a Rainha – O que aconteceu à minha Amiga!? – disse Jennifer chorando.

As bonecas começaram a estrangular a garganta de Jennifer com seus poderes, e começaram a dar socos da barriga de Jennifer, a dar tapas no rosto e até mesmo chutar. Agora Jennifer estava chorando muito enquanto sangue saia de sua boca e um de seus olhos ficar inchado. A Rainha ergueu a mão com o dedo inchado de Jennifer.

– Como ousa falar comigo assim? – disse a Rainha com um ódio maligno – Você sabe o que acontece quando Vermes levantam a voz aos seus senhores? – disse a Rainha erguendo a mão com o dedo inchado diante a face de Jennifer, agarrou bem o dedo de Jennifer. Ela sentiu a pressão em seu dedo inchado e a dor fumegante subindo seus nervos.

– Sabe o que acontece? – repetiu a Rainha.

Todas as outras bonecas começaram a falar em coro: “Castigo, castigo, castigo...”. Jennifer tentou pedir clemência, mas era tarde demais.

A Rainha entortou o dedo de Jennifer.

Pela casa toda se podia ouvir o grito longo de Jennifer ecoando pelos corredores sombrios até o quarto de Amelie. Jennifer simplesmente desmaiou devido à dor insuportável.