O diário de uma garota qualquer
2 A voz
Quando eu acordei, se não me engano, me espreguicei esticando os braços para frente. Quando uma coisa roxa saiu da minha mão e começou a quebrar tudo que tinha no meu quarto.
Dei um grito tão grande que rachou a janela. Corri e me escondi em baixo da cama, até aquela coisa destruir completamente o meu bem precioso de dormir.
Meus pais entraram correndo no quarto.
–O que é isso Marina? — Grito meu pai.
Ele esticou a mão para mim, para eu poder me levantar, e quando eu levantei a mão, saiu uma luz vermelha da minha mão, e atingiu no peito do meu pai. Ele cambaleou para trás e ficou pálido, levando choques constantes. Minha mãe correu até ele e verificou sua respiração e seus batimentos cardíacos.
Minha mãe pôs-se a chorar.
–Marina.
–Sim...
–Você matou seu pai! — Berrou ela em meus ouvidos.
Não acreditei. Cai para trás, e minha mãe me fitou.
–Ia deixar você de castigo... Mas matou seu pai? Está EXPULSA DESSA CASA! ADEUS! NÃO OLHE PRA MINHA CARA!
Sendo assim, minha mãe me chutou para fora de casa.
Pronto.
Naquele exato momento, eu era uma órfã de pai moradora de rua.
Chorei demais. Não acreditei no que eu tinha feito.
Então comecei a andar tropeçando nos meus pés. Parecia que eu tinha saído de um bar.
Quando umas vozes entoaram como uma música na minha cabeça. Até hoje, não esqueci daquelas palavras. Diziam:
Entre no primeiro beco sem saída que você encontrar, se quiser ficar viva.
Obedeci a voz. Saí correndo até achar um beco sem saída, e quando eu entrei nele, vi uma espécie de portal.
Lembro que eu fiquei maravilhada e com medo ao mesmo tempo. Me aproximei do portal, até que eu fui sugada por ele.
Comecei a cair e a gritar. Eu rodava como uma barata tonta que acabou de sair de uma montanha russa.
Aquela coisa não parecia ter fim. Parecia que eu estava caindo a horas. Até me arrependi de ter seguido aquela voz.
Quando finalmente caí num colchão super-duro. Quase não conseguia me levantar.
Quando eu me levantei, caí de novo, e isso se repetiu inúmeras vezes até a tontura passar.
Olhei ao meu redor, e eu estava num quarto super tecnológico com porções, papéis, computadores, painéis de controle, câmeras, projetos grudados em um quadro de avisos, uma cabeça de dragão de metal dependurada acima de uma porta com as letras "ICP", um mural cheio de fotos e várias outras coisas, pois se eu contar tudo,a acaba as folhas do diário e eu não termino de falar, ou melhor, escrever.
Andei para trás, e trombei com algo musculoso.
Virei-me e vi um homem barbudo, com um tapa olho, moreno, cabeludo, com roupas estranhas que pareciam de plástico.
–Olá parceiro... — Gaguejei com medo. — Tudo bem? Eu... Caí aqui sem querer, eu segui uma voz, mas não se preocupe, estou de saída agora mesmo...
Pus-me a andar, até que o homem agarrou meu braço.
–Eu sou o Sr. P., sou dono da Instituição de Crianças Poderosas. Treino-as e liberto-as para salvar o mundo. Eu que te guiei até aqui Srta. Marina.
Eu tive um mini ataque cardíaco. Como ele sabia meu nome?
–É... Como você sabe meu nome?-Perguntei.
–Eu sei de tudo. Agora cale a sua boquinha que eu quero te deixar bem claro que você tem poderes e você vai prevenir o ataque extraterrestre.
–Extraterrestres não existem. — Resmunguei.
–Existem. Eu já os vi. — Respondeu.
–Tá, e eu sou o Papai Noel. — Rebati na cara dele.
Ele agarrou meu pescoço.
–Escute aqui mocinha, você tem que me respeitar tá? Você quer viver?
Não pensei duas vezes.
–Quero.
–Então, você vai aprender a controlar seus poderes.
O Sr. P. me levou até uma arena, onde havia várias crianças "atacando" bonecos com seus poderes.
–Bem vinda ao campo de treinamento. Aqui você vai aprender a... Ah, eu já te disse isso antes.
–Mas para que preciso aprender isso? Já não basta ser obrigada a aprender matemática? — Perguntei.
–Você vai salvar o mundo com isso. — Respondeu. — Garanto.
Dei de ombros.
–Agora vá conversar com aquele homem de azul. — Ele disse apontando para um homem de azul. — Seu nome é Ângelo, ele tem 16 anos, mas cuidado, ele não tem nada de anjo. Ele vai te treinar.
–Tá bem. — Respondi.
–Não responda "tá bem", responda "sim senhor" — Resmungou ele.
Franzi as sobrancelhas.
–Tá be... Sim senhor!
Corri até o tal de Ângelo.
–Olá... O Sr. P. pediu para eu vir até o senhor...
–Que saco, outro pirralho para eu treinar — Murmurou Ângelo — Tá, vamos começar com o controle emocional.
–O que você quer dizer?
–Cala a boca e ande. Não tenho tempo para explicar.
Ele puxou meu braço e me levou até uma sala diferente, digamos, especial.
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