O diário de uma garota qualquer
3 A pobre tartaruga chamada Millana
Notas iniciais
Ângelo me mostrou uma sala tão louca que dava até tontura de olhar. Eram várias ilusões de ópticas nas paredes, uma mais divergente e louca que a outra.
–Aqui é a sala que eu te falei. — Disse ele. — Você vai aprender a controlar suas emoções.
–Pra...
–Se quiser controlar seus poderes, primeiramente, terá que controlar suas emoções, pois elas podem atrapalhar. Segundamente, primeiramente. — Respondeu num resmungo.
–Certo.
–Agora, você foi escolhida para derrotar os extraterrestres, e você tem que aprender tudo em uma semana. — Ele se virou e andou para uma cadeira misteriosa. — Vamos logo com isso.
Ele apertou num botão e começou a passar um filme do Rei Leão em uma televisão que surgiu do nada, que apareceu ao lado daquela cadeira misteriosa.
–Ué, por que um filme do Rei Leão? Não podia ser alguma outra coisa? Esse filme é legal. — Perguntei.
–Calma, não está igual, eu mudei cenas. — Respondeu maliciosamente Ângelo. Ele gargalhou um pouco e deu um play no vídeo.
Apareceu Simba passeando pela floresta com seu pai, correndo entre flores num campo cheio de borboletas com vários filhotinhos ao redor. Simba brincava com as borboletas e seu pai só observava. Sua mãe observava a cena com o pai, enquanto havia pássaros cantando ao fundo. Era muito linda a cena.
–Ai, que lindo, que fo...
Antes que eu terminasse de falar, apareceu vários caçadores na cena e começaram a queimar o bosque, mataram os filhotes, espantaram as borboletas e os pássaro, sequestraram Simba e mataram o pai e a mãe dele. Depois apareceu bem grande: FIM. OBRIGADO POR TER ASSISTIDO.
Lembro que eu fiquei pálida e caí no chão. Desabei a chorar. Chorei pacas, e ele riu pacas.
–Isso é controle de emoções querida, agora, você vai ter que assistir esse vídeo mais umas 20 vezes até não chorar mais.
Então o vídeo rodou de novo. Das 20 vezes que eu assisti, chorei 40 vezes. Ele se espantou.
–Nossa, você é muito sensível! — Exclamou Ângelo — Terei que rodar esse vídeo mais vezes para você, se quiser saber controlar seus poderes e blá blá blá.
Quando deu meia-noite, consegui parar de chorar daquele vídeo. Não ficou tão triste assim. Não entendo como eu chorei tanto por causa daquilo — só que não, ainda choro de vez em quando quando eu lembro daquilo — , era só um caçador... Tá, parei.
Então foi assim com vários vídeos relacionados a desenhos. Uns foi de terror, outros de comédia, outros de drama, outros de romance... Enfim, vários temas relacionados a filmes. Foram colocados tudo isso em desenhos famosos, como Bob Esponja, Toy Story, Frozen, Padrinhos mágicos entre vários outros.
Lembro muito bem que quando eu dormi, tive alguns piripaques meio loucos no meio da noite, fazendo outro iniciante que dormia no meu quarto acordar e me dar bastante água gelada. Ele conversou comigo, seu nome era Gustavo Boa Pinta da Silva. Nome meio estranho, mas era o nome dele. Me disse que os pais deles eram estranhos. Até me apaixonei por ele, e ele por mim. Mas não ficamos juntos. Bem, deixa eu acabar com isso logo: ele morreu engasgado com uma pedra de gelo que enfiei na boca dele, quando a gente estava desafiando de quem ficava com a pedra de gelo na boca em menos tempo.
Sim, eu matei Gustavo com uma pedra de gelo.
Eu estava me sentindo uma assassina nesses últimos dias. Matei meu pai e meu recente melhor amigo.
Também matei Millana, a tartaruga mascote do internato, matei ela tentando atacar um boneco com meus poderes, mas isso não vai ao caso. Tá, isso realmente vai ao caso, quase morri por causa dessa morte.
No dia seguinte, Ângelo treinou mais um pouco comigo nas emoções, e depois levou uma estátua com o rosto de alguém.
–Certo, vou te ensinar a usar seus poderes do jeito correto. — Falou. — Primeiramente, vou te ensinar o poder mais fácil: Roxalidaca. Basta posicionar as mão para a frente e balançar para os lados o pulso, na direção do que você quer destruir.
Fiz o que ele mandou, e atingiu na cara da estátua. Dei uma comemoração, e ele começou a rir, mas logo depois ficou sério novamente.
–Muito bem. — Continuou apressado. — Treine mais umas 30 vezes, vou comprar um Milk Shake, volto já.
Comecei a refazer o que ele mandou. Passei meia hora destruindo aquela estátua feia. Cansava-me, mas não ia desistir naquela hora.
Lembro-me que foi assim que matei Millana. Eu errei a mira e bateu na pobre tartaruga inocente.
Quando ele voltou que viu a tartaruga morta, ele quase teve um infarto. Ele começou a fazer respirações boca-a-boca nela, mas nada adiantou. Ele quase me matou. Mas não me matou porque... não sei. Escapei por muito pouco.
Ele me ensinou vários poderes, tais como Amarelalidica, Vermelholidica, Choquelidica, Verdelidica, Liláslidica, cada uma aumentando seu nível de dificuldade. O mais difícil era um tal de Dragãolidica, que como pode ver, saia um dragão dos meus poderes. Eram, no total, mais de 230 poderes.
Ele era sério, mas descobri que ele era legal também, de vez em quando ele ria e fazia algumas piadinhas.
No dia seguinte, ele me ensinou a me colocar no modo defesa. Escudos mágicos, desvios e outras coisas. Era muito complicado.
No outro dia, ele me ensinou a lutar quando a energia dos poderes tivesse acabado. Ele me explicou que se usasse demais os poderes, você perdia muita energia e teria que esperar um tempo para recompor a energia.
Me ensinou vários golpes. Me ensinou todas as lutas, como judô, caratê e vários tipos de lutas. Levei semanas para aprender.
Pode parecer fácil tudo isso, mas não é. Essas coisas levavam no mínimo 5 horas para aprender.
A cada dia que passava, descobria mais como se usava, controlava, evoluia meus poderes.
Também vi provas que extraterrestres existiam. Comecei a acreditar. Confiei que eu seria a esperança para salvar o mundo daquela invasão.
É meu caro leitor. Eu comecei a gostar daquele internato. E comecei a gostar do meu treinador, mas só como amigo, mas seria meu amigo? Deixarei o suspense para vocês.
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