O diabo atenta
3 O dia passou tanto lento, quanto devagar
O dia passou tanto devagar, quanto vagaroso, e logo era de tardezinha, e Zelão foi ver a mãe.
Contou pra ela o que tinha acontecido na noite anterior.
“Eo num sei, mãe... eu confesso que... confesso que fiquei até um pôco desconcertado...”
“Mas fio, é assim mermo...” – Mãe Benta aconselhou – “... parece inté que ocê num sabe como é...”
“Ara, saber, eu sei!” – Zelão se defendeu – “Mas é que eo... sei lá, mãe! Eo num queria atentar ela assim...”
“Num se precupa, fio... é coisa que contece quando tiver que contecer. Agora, ocê teje sabeno que se ocê mermo num atenta, o diabo vem, e já viu...” – ela riu.
“Atenta o quê?” – foi a voz de Serelepe que assustou os dois.
“O quê o quê, seu moleque?!” – Zelão disfarçou, e riu – “Eo já tava ino simbora. Amenhã eo passo aqui pra dexá o leite proceis”
E foi-se, com a benção de Mãe Benta, e um abração de irmão de Serelepe.
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