O diabo atenta
4 O diabo ainda tem muito o que aprender
Notas iniciais
Zelão havia saído da casa da mãe, sequer estava escuro, mas andou e andou e andou, e andou... e tão devagar, tão devagar, mas tão devagar... que quando chegou em casa, na nova casa, Juliana já havia jantado, e já estava no quarto, se aprontando pra dormir.
Ele tinha passos leves, então ela quase nem percebeu quando ele entrou.
Viu seu reflexo pelo espelho, e se levantou. Andou até ele, e virou—lhe as costas.
Zelão já entendia. Ele pôs o dedo no lacinho nas costas da camisola, pra ela poder amarrar direitinho.
“Você podia avisar quando vai chegar tarde, né, Zelão... eu já estava ficando preocupada” – Juliana falou, sem se virar. Sua voz não era uma voz brava,mas firme.
Zelão sorriu.
“Eo tava prozeano mais a mãe...” – roçou os dedos na pele de Juliana, onde a camisola não cobria, pertinho do pescoço.
Ela fechou os olhos. O toque dele sempre tinha mexido com ela.
“E falaram sobre o quê...?”
Zelão não respondeu.
Beijou-lhe a nuca. Um beijo simples, rápido...
A fagulha que faltava.
Nem o diabo teve tempo pra atentar! Zelão foi bem mais rápido, e mais eficaz.
Juliana virou-se, pra que seus lábios encontrassem os de Zelão.
Se olharam por breves segundos, e quando ela fechou os olhos, esperando um beijo, ele beijou-lhe as bochechas, o bigode fazendo cócegas, e ela riu; Beijou-lhe o pescoço, e ela sentiu o coração acelerar; Beijou-lhe os ombros, tirando a alça da camisola do caminho, e ela sentiu a respiração pesar; Beijou-lhe os seios, onde a camisola não cobria, e Juliana entendeu o sentido da palavra “desejo”.
“Tentação” rima é com “Zelão” afinal de contas. O diabo é que ainda tem muito o que aprender.
Zelão tornou a beijar-lhe o pescoço, e ela deixou escapar um gemido baixo, o que ele gostou de ouvir.
Ele sentou-se na cama, e a trouxe pra perto, com delicadeza, tornando a beijar-lhe os seios.
“Eu pensei que você não soubesse...” – ela sorriu, respirando pesado. Os olhos fechados, os braços frouxos, ao redor do pescoço de Zelão, que fazia uma trilha de breves beijos por toda a pele que a camisola lhe permitia tocar.
“Pensou que eo num sabia...” – ele riu, abraçando-a pela cintura, e descansou a cabeça pertinho do coração da professora. Dava pra ouvir o tum-tum – “O que eo num sei, eo aprendo... ocê ensina...” – falou mancinho.
Juliana riu. Acariciou os cabelos do amado, e confirmou.
“Ensino sim... meu amor. Ensino tudo o que você quiser!”
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