O dia em que eles se encontraram.
3 Nem tudo é o que parece...
Notas iniciais
Boa leitura a você que está lendo, a história realmente está fluindo dessa vez que estou escrevendo *-*!
Ficara decidido que Sofia ficaria na minha casa, infelizmente, a garota não consegui andar direito então o papel de enfermeira ficaria comigo. Já passavam alguns dias que eu seguia nessa rotina, como a mais velha, eu me sentia mais responsável que Gabriel.
A primeira coisa que eu fizera fora dar um banho naquela relutante menina, no banheiro entrara uma garota de cabelo negro e cara beirando o preto com roupas rasgadas por todas as partes, de lá saiu uma linda menina, de cabelos longos castanhos claros, de olhos pretos. Até eu sem meus óculos de grau já nos dois dígitos de miopia conseguia reparar na diferença.No começo a menina foi meio birrenta comigo, mas conforme ela foi se acostumando com a rotina ela começou a se tornar mais amigável a ponto de contar sua falta da escola:–Não é que odiasse ela, é só que todo mundo lá era mais que nem você assim, e eles me evitavam porque eu era pobre demais.Gabriel era uma presença muito mais presente que antes, afinal nenhuma de nós saia de casa e a tarefa de comprar as coisas era feita por ele, depois daquele dia Sofia nunca mais falara com ele, eu sabia que era dúvida que ele deixara para ela e que a atormentava tanto quanto eu.E o tempo foi passando nesse ritmo, quando eu percebi, já fazia duas semanas que o ritmo seguia, Gabriel estava de férias, mas isso não duraria para sempre, já era hora da EXECUTIO fazer o seu trabalho, eles haviam deixado a queixa de Gabriel para aguarde, mas já fazia duas semanas!Então no sábado que fazia duas semanas do roubo do Vniguers eu recebi uma mensagem dizendo que a EXECUTIO faria a ação naquele dia, Sofia já firme e forte, estava ao meu lado e ficou muito agitada, andava de um lado para o outro e ia sentar na cama, tentava dormir, ia ler um livro e depois levantava da cama para repetir seu ciclo.Gabriel que chegara há pouco tempo estava com suas roupas de trabalho, a calça preta e a camisa branca fardada, também estava agitado, mas ele se controlava para deixar-nos tranquilas, apesar dele já ter passado por aquela situação nos 4 anos que ele trabalhara comigo, ele nunca tinha se envolvido aquele ponto.Eu estava relativamente tranquila, a mais tranquila do local, eu já tinha me acostumado com aquelas situações e era quase sempre certeza que todos eram presos quando EXECUTIO agia.Ficamos nesse ritmo a tarde inteira, e mesmo assim nenhum de nós nem tentava quebrar aquele silêncio que nos envolvia, era quase sagrado.À noite quando geralmente eles relatavam nos jornais as operações, nós ficamos a observar a imagem que era projetada na parede vinda do meu celular.–...E agora vamos a operação da EXECUTIO, que prendeu um grande número de traficantes no 17°Círculo. A imagem alternou para uma repórter que estava no local que fora realizada a ação.–Aqui no 17°Círculo, setor Norte funcionava um quartel de narcotraficantes, durante a operação que demorou 30 minutos, 21 pessoas foram presas e 26 pessoas foram encaminhadas para a estação de tratamento mais próxima, infelizmente o chefe traficante não foi preso.Depois eles mostraram algumas cenas do invasão, e da troca de tiros entre os traficantes, mas isso já não importava mais, eu olhei para Gabriel que assim como eu sorria e suspirou para tirar a tensão.–Que bom não é Sofia, agora você poderá se reencontrar com seu irmão.–É... acho que sim.Ela fazia uma cara ainda mais preocupada do que antes da matéria, mas agora não era uma preocupação inquieta, era mais um pavor, ela mordia o dedo para tentar se acalmar.–Sofia? Você não deveria estar mais feliz?–Eu estaria se eles tivessem pegado o Dino, mas no final ele nem sabem onde ele está, e nem sei se vão procura-lo.Explodi com ela, a preocupação com o chefe do narcotráfico deveria ser menor do que com o seu próprio irmão.–Seu irmão não é mais importante que essa vingança contra ele, pelo amor de Deus, é seu irmão!Gabriel me levou para um canto, a garota estava à beira do choro, mas eu não conseguia me desfazer daquela raiva por isso fiquei atrás só ouvindo a conversa entre os dois. Gabriel tentava retomar a conversa em um tom mais calmo.–Sofia, por que pegar esse tal de Dino é tão importante?–Não é que é importante, era e ainda é o mais importante, você não acha muito conveniente todos terem sido presos menos ele?–Vendo por esse lado, isso é preocupante, mas mesmo assim, pelo menos nós conseguimos salvar seu irmão.–De que adianta isso se eu não posso voltar para meu dormitório? Ele ainda está a solta, e se ele já soubesse da ação? E se houve uma brecha de informação?Gabriel fez uma cara de preocupação da mesma forma que ela, mas no final ele se tranquilizou com um suspiro e disse:–Não se preocupe no final o lado do bem sempre vence, por que não vamos ver seu irmão por enquanto?Posso dizer que a garota ficou atônita do falta de preocupação do adolescente e só acenou em tom positivo.Decidimos ir visita-lo no dia seguinte de manhã.... Apesar da minha indignação ainda estar presente eu entendia o ponto da menina, não que o sistema fosse corrupto daquele jeito, mas apara alguém que há duas semanas sempre os via como opressores, aquela falta de confiança era natural.
Gabriel esperava nós duas na rua, enquanto nos trocávamos, aproveitei para me desculpar com Sofia.–Sofia, desculpa por ter gritado com você, foi mal.–Não se preocupe Nina, se eu estivesse no seu lugar e não soubesse de nada eu teria a mesma reação, mas obrigada por se preocupar comigo.Eu vesti uma das únicas roupas que eu usava para sair, um vestido todo azul com flores, Sofia vestia uma das blusas que eu mandara Gabriel comprar para ela, uns shorts largos marrons e uma camisa rosa.Lá embaixo Gabriel já estava a dar pisos nervosos no chão com nossa demora.Tomamos o ônibus de troca de Círculos e em ainda tivemos de caminhar bastante para chegar à clínica de tratamento que o irmão de Sofia fora internado, durante nossa caminhada a maioria jovem daquela região olhava principalmente para nós, eu atribuía isso ao fato do Gabriel estar fardado, o que fazia sentido visto a declaração de Sofia.A clínica era um edifício em forma de paralelepípedo com pelo menos 6 andares com inscritos em verde dizendo “Clínica Íris”.Entramos e fomos em direção ao balcão de informações, uma moça de jaleco e lendo um livro estava atendendo naquele momento, deixamos Gabriel ir falar com a atendente.–Estamos aqui para ver um dos pacientes, o nome dele é... Qual o nome do seu irmão mesmo?–Thomas, Thomas Frey.A moça consultou algo no computador e fez uma cara estranha.–Aqui não consta nada sobre nenhum Thomas Frey, vocês tem certeza que ele está aqui.–Era pra ele estar aqui, não é aqui que estão os capturados da operação da EXECUTIO de ontem?–Sim, mas não conta nenhum Thomas Frey.Sofia apertava minha mão, quase a esmagando. Eu decidi entrar na conversa, aquilo ali não nos levaria nada.–E os pacientes da operação onde estão? Talvez nós tenhamos confundido os nomes.A moça olhou novamente para o computador e indicou a ala esquerda do terceiro andar. Sofia continuava a apertar minha mão fazia uma cara muito preocupada, eu e Gabriel nos olhamos e pensávamos que somente tinha algum erro nos registros...No terceiro andar tomamos a esquerda do elevador e vimos todas as salas praticamente lotadas, Sofia não via nada nas pequenas janelas de vidro nas portas porque era muito baixa e nós perguntamos a ela como o irmão dela era.–Da última vez que eu vi ele, ele estava com cabelo vermelho, ele tem olhos iguais aos meus e tem uma marca branca no rosto em forma de um pentagrama.Eu e Gabriel dividimos as salas e fomos procurando, havia pelo menos umas 20 salas e em cada sala havia pelo menos 4 leitos ocupados. Na minha parte não estava, então olhei para o Gabriel lá no fundo do corredor e ele fez um sinal negativo.Sofia ficou esperando um sinal meu, e fiz um não com a cabeça e ela não acreditou.–Você tem certeza, Nina?–Absoluta. Ninguém era nem um pouco parecido com o que você descreveu. Será que ele não estava em outro lugar quando a operação aconteceu e por isso ele não está aqui?–Impossível, ele, Dino, nunca deixaria sair de lá até a dívida ser paga, provavelmente todos estão na mesma situação dele.Mesmo falando isso calmamente, a menina ia quase aos prantos, ela mal conseguia se aguentar de pé e tombou para a parede. Era uma cena mesmo cruel, nós também fomos cruéis, demos esperança só para ela perder no dia seguinte.Gabriel chegou perto de nós e entendeu a situação ao vê-la, ambos esperamos ela se levantar, o que demorou uns 5 minutos, os médicos que passavam pareciam já acostumados àquela cena e nem se importavam em vê-la.Assim que nós saímos, Gabriel aconselhou que nós procurássemos no dormitório que ele dormia, que era o mesmo de Sofia. Isso tomou o resto do nosso dia e quando chegamos lá às últimas esperanças da menina desfaleceram, entretanto, ela já não tinha mais lágrimas para tirar dos olhos, e se encostou à sua antiga cama cheia de pó e dormiu. O cansaço que ela fizera ali com uma perna recém-recuperada cobrou seu preço.Enquanto caminhávamos de volta, Sofia ia às costas de Gabriel dormindo, aproveitei a oportunidade para falar sobre aquilo com Gabriel.–A história da menina, parece cada vez mais verossímil, realmente Dino ter escapado foi muito conveniente, você não acha? –Também achei, mas como será que isso aconteceu, certamente não foi alguém da operação, esse pessoal da EXECUTIO é incrivelmente incorruptível acredite em mim, só a seleção deles já é difícil deixando de lado o treinamento infernal.–Mas se não foram eles, as únicas pessoas que sabiam disso eram o pessoal do alto escalão, o que torna a situação muito pior...Gabriel ficou em silêncio, não era algo fácil de ser engolido, pensar que os seus superiores estavam envolvidos com aquilo era algo que ambos nunca nem havíamos levado a sério, parecia teoria da conspiração.–Mesmo assim, ainda é muito cedo para concluir isso, agora nos devemos priorizar pegar esse tal de Dino, pegar ele é saber do Thomas, falava ele com convicção.–Se fosse fácil assim, você sabe que eles já teriam pegado ele, você não pode ir por ai simplesmente perguntando isso e achar que eles irão falar algo.–Minha instrutora, há muito tempo atrás, dizia que a “violência é sempre uma das soluções, se você não conseguir nada com ela, é porque você a está usando do jeito errado”.–Você está realmente sério sobre isso, por quê?Gabriel se fechou para a pergunta e me chamei de idiota, era óbvio que devia ser algo relacionado a ele já ter passado por aquilo, o que não devia levantar boas lembranças. Seguimos o resto da viagem sem trocar uma palavra sequer.Lá no escritório foi que ele parou com o regime de silêncio depois de colocar Sofia na cama.–Não é que esteja escondendo algo de você Nina, é só que eu não consigo falar sobre isso...–Não, que isso, eu é que devia ter me tocado e percebido que você não quer falar sobre isso, eu só estava preocupada com você indo naquele “lugar” e sair pelas ruas arrumando inimigos, mesmo você deve saber que isso não ia dar certo.–Talvez, mas nós temos de fazer alguma coisa...–Não há nada a se fazer, primeiro nós temos de pensar nela, falei indicando a menina que estava na minha cama.–Você acha mesmo que ela vai simplesmente esquecer-se disso tudo e viver feliz para sempre, eu duvido, ela vai sair a ruas procurando o irmão procurando o irmão!–Shhhhh, você vai acorda-la, falei, mas já era tarde demais, ela já despertava, como uma flor, preguiçosamente.Ela se levantou e foi para a janela e abri-a parcialmente, o vento soprou nos seus longos cabelos castanho. Nesse meio tempo nós nos calamos e esperávamos que ela não tivesse ouvido nada. Eu percebi que Sofia também era uma daquelas crianças pobres, não era uma daquelas donzelas que nem era o resto das meninas mais ricas, e compreendi que Gabriel estava certo, ela não ficaria passível e certamente agiria uma hora ou outra.–Então qual seu plano? Sussurrei para ele.–Primeiro nós temos que conversar com os presos da operação, talvez ele saibam onde está o Dino, ele sussurrou de volta.Eu estava prestes a falar que aquilo não aconteceria pela lealdade que os criminosos tinham entre si quando uma motocicleta que fazia um barulho ensurdecedor enquanto andava na rua foi diminuído e parou em frente do escritório e uma voz falou bem alto.–Isso que dá você se meter com Dino viu Sofia!E com essa frase uma coisa quebrou a parte não aberta do vidro frontal do escritório, uma coisa redonda, Sofia estava ao lado dela, enquanto eu e Gabriel estávamos do outro lado da sala, ele reparou no aquilo era mais cedo do que eu e me empurrou para trás e gritou.–SE AGAICHE.Ele já saia em disparada na direção à coisa, um, dois, três, quatro passos foram o suficiente para ele chegar lá e mais dois passos serviram para ele levar o braço a atirar uma coisa pela janela e se virar de costas e agarrar Sofia de frente.Não foi suficiente, a coisa, uma granada, explodia no ar “BOOOM” fora do escritório empurrando os dois para frente, e me deixar mesmo a 10 metros de distância zonza.O resto que eu vi antes de desacordar foi uma queimadura enorme nas costas de Gabriel num apartamento em chamas.
Notas finais
Bom, obrigado por ler até o final, eu estou tentando em cada parte colocar uma das personagens no centro, no prólogo era Sofia e nesse começo é Nina, então se você gostou comente, se não comente também!
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