O destino de Jane

4 Uma menina feito boneca


Lá dentro, em segurança, ou, pelo menos, maior segurança que na frente de sua mãe, pediu para Gabriel sair, ou melhor, ela o obrigou a sair pela janela a palmadas, não daria muito dano de queda para ele pois tinha uma árvore que facilmente poderia ser escalada ali, principalmente por suas mãos ágeis. Era uma macieira, firme e forte. O tronco era grosso e duro, escuro, com poucos galhos, mais claros que ele. As folhas eram vivas, quase verde fosforescente. Era uma festa de vermelho e verde batalhando, pois havia uma maçã pra cada dez folhas. Escola militar? Já era demais. Sua mãe pirava as vezes, mas nada comparado á isso.

Em escolher um mundo de bárbaros de florestas azuis matadores de Anist ou uma escola militar em Nova Jersey, ela preferia a primeira opção. Pegou o fino fio de ouro, moveu pra baixo o botão e a aura azul percorreu seu corpo, novamente, e voltou ao seu checkpoint. Arriscando pelo céu, deveria ser meio-dia, e, sem nada pra fazer, foi até a cidade que antes ela e Anist viram ao longe. O solo era limpo, só com algumas subidas e decidas de vez em quando, então deu pra chegar lá em uma hora. Normalmente, ela teria levado uns cinco minutos para morrer sem fôlego, mas era pela tal benção de gato que Anist mencionara.

Anist, como sentia saudades desse nome. Lacrimejou, enquanto andava a passos curtos e lentos a cidadela. Ela mal tinha reparado nas casas a seu redor, estava no meio da cidade. As casas eram belas, pequenas, e pareciam ser de bonecas. As paredes em si variavam em tons de rosa e lilás, as pequenas janelas eram redondas e o teto era em uma espiral meio torta, meio retangular, que parecia de chantilly. As portas de todas eram ovais com um coração em forma de coração. Um material transparente e bonito, meio avermelhado.

Por mais curiosidade por ver como era por dentro das casas do que uma real dúvida, ela bateu na porta de uma das casinhas. Eram pequenas demais para alguém morar nelas, então não esperou respostas, mas uma criança a abriu.

Com certeza, não era os homens de que Anist falara. Era uma menina, que aparentava ter seis anos. Parecia uma bonequinha, um pouco maior. Tinha cabelos loiros cacheados, uma pele branca, em um tom semelhante á de Jane e vestia um vestido rosa, que parecia ser de balé.

— Olá – disse cordialmente a menina, que tinha uma voz adulta para sua idade. – fico feliz em ter mais uma menina aqui, um ser superior. Entre! Seja bem vinda!

Jane, estranhada, entrou. A verdadeira casa era no subsolo. Era tão iluminada que parecia ser dia. Enquanto desciam o elevador – o que era realmente estranho, ela olhava o espelho que ele tinha. Não pode ver direito, pois teve de se abaixar, porque o elevador era muito pequeno. Quando saiu, pode se levantar, pois o telhado parecia ter sido perfeitamente ás medidas de Jane.

Tinham quadros de brinquedos por todas as partes, de vez em quando algum de animal. Em uma das várias portas do corredor, ela abriu. Era uma cozinha. Jane se sentou na cadeira, era reclinável e confortável . A meninha começou a interrogando, e Jane não ousou a não responder.

— Você não é um pouco velha para estar aqui? Na nossa nova cidade?

— Moça, eu estou de viagem.

— Conte-me mais – disse ela, e, enquanto isso, ela puxou uma cadeira e se sentou.

Jane estava tensa. A menina parecia frágil, mas não sabia o que podia fazer. Nunca pensou ter medo de uma menininha vestida de bailarina na vida, mas lá estava ela. Inventou uma verdade, mas contada de outra maneira, que era mesclado de realidade, e disse:

— Acabei de cruzar a floresta azul com um morcego me perseguindo, acampei nas margens dela e ele se foi. Estava procurando ele, foi uma boa distração naquele tédio.

— Você tem tanta coisa pra fazer a ponto de ficar caçando morcegos por aí?

— Não – deu uma risadinha abafada, mas a sua pequena bailarina caiu em risadas. Então ela olhou o relógio rosa gigante na parede.

— Querida, são onze horas da noite. Porque você não vem dormir conosco? Se está de viagem, está sem abrigo. Amanhã falaremos mais, está bem? – disse ela, puxando o braço de Jane e a arrastando para o quarto. A cama era minúscula, e toda enfeitada, Então ela tinha de dormir encolhida.

— Boa noite, aliás, garota, qual é seu nome? – disse Jane, de olhos fechados.

— Kalyssa. Boa noite, senhorita. – E ela fechou a porta em duas piruetas.

Acordei três da manhã, ou era quase isso, pois o quarto que eu estava não tinha janela para eu me identificar, aliás, eu estava no subterrâneo, e nem relógio na parede. Eu curiosamente fui acordada por gritos e murmúrios vindos do andar de baixo. Aliás? Tinha um? Fui descobrir. Imediatamente pisei no tapete felpudo e o afundei, no que parecia um alçapão. Era de lá que vinham as vozes. Tentando fazer o menor barulho possível – o que era fácil, visto os gritos – desceu, ou melhor, pulou, para o andar de baixo.

O que ela viu era impressionante. Pareciam ser ao menos dez mil homens enjaulados, mil em cada espaçosa cela. Ela percorreu todos, a maioria, que não estava jogando baralho ou presos em fios, olharam para ela. Jane agora entendia a fala de Anist com “cuidado com os homens”. As menininhas, da noite para o dia, haviam prendido todos e tomado a cidade. Ela precisava libertá-los, mas não sabia como. No fim das celas, havia uma pequena, com espaço para uma pessoa apenas, aberta. Jane foi investigá-la, e, quando entrou, ouviu-se um claque.

Jane virou-se para trás, a cela estava fechada. Do nada, a frente dela e fora da cela, desceu o solo, lentamente, rodando, até ele subir novamente, lá estava a menina de antes, Kalyssa, olhando para ela.

— Era você mesma que eu esperava, tolinha. Agora ninguém pode te tirar daqui – riu ela, em uma risada fofa, mas que era sombriamente diabólica.

Notas finais
Tava com preguiça de escrever esse ;^; Gostaram jovens?