O destino de Jane
5 Um abrigo como a noite
Jane não podia ativar o seu pingente agora e mostrar pra ela seu teleporte, embora lhe desse extrema vontade. Ela poderia roubá-lo ou coisa assim. Menininhas aprisionando homens? Ela já achava loucura a floresta azul, mas isso, era demais. Ela preferia seriamente a escola militar. Jane tentou, moveu pra baixo e pra cima o botão, mas nada adiantou. Uma voz na sombra apareceu, idêntica a de Anist, mas parecia uma reflexão de eco com sussuros. Talvez fosse sua imaginação. Anist desaparecera antes.
O pequeno e repugnável ser, Kalyssa, se foi, subterrâneo acima. Agora, estava tudo vazio, a não ser os homens, e a maioria estava amordaçado. Os demais, nem ousavam falar. A voz repetia:— Posso te ajudar a sair daqui —. Quando disse isso, pareceu se formar um pequeno eco: Aqui, aqui, aqui, aqui...— Ajude-me — respondeu ela — tenho apenas que salvar o meu melhor amigo.— Terá um preço —. Rosnou a sombra, se isso era possível, a sombra estava se movimentando diferente de Jane. — Qual? — Disse ela, se virando para a própia sombra.— Você verá o melhor amigo que já teve sofrendo 40 minutos em suas mãos. O mesmo amigo que você mencionou.— Essa é fácil. Liberte-me.Um pitbull negro surgiu do nada, da escuridão, e mordeu a trava da cela. Ela imediatamente se abriu, embora cheia de baba de cachorro. Jane empurrou, com nojo, enquanto o cão fez o mesmo com as outras jaulas logo depois. Jane saiu correndo para não ser atropelada pelos dez mil homens correndo ás suas costas. Estavam tão determinados e eram tão fortes que cavaram uma saída da parede da cela. Estava cheio de bichos e terra na frente de Jane, que por sorte não se sujou.Agora ela subitamente lembrou da parte do “verá o melhor amigo que já teve sofrendo 40 minutos em suas mãos”. Podia ser Gabriel, mas ele estava em outra dimensão. Procurou-o, gritou seu nome mas nada achou. Então foi cavando, de mão em conchinha e de pouco a pouco, a terra que os homens apressados deixaram ao cavar o buraco. Chutou o restante.Embaixo de tudo, estava uma asa preta, uma figura que ela conhecia muito bem. Puxou a asa, que era a única parte a mostra e segurou-o contra os peitos. Ela havia o perdido uma vez, e não ia arriscar o perder novamente. Cavou com a mão livre e os pés, e lutou para se erguer do túnel. Não era muito longo, pois foi feito para bonecas humanas, lembrou-se ela. Chorava muito, principalmente quando chegou á luz.Os homens lá fora comemoravam, ou dançando de um jeito estranho, ou ateando fogo ás casas de boneca, afinal, as meninas tinham prendido ele em jaulas humanas provavelmente por meses, mereciam aquilo. Ela viu Kalysse correndo de desespero enquanto tudo estava em chama. Jane queria detê-la, ela precisava ser detida, mas não foi. Precisava cuidar de Anist. Jane não tinha muito conhecimento sobre primeiros socorros, mas sabia que o lugar perfeito para cuidar de alguém quase morrendo não era em uma cidade pegando fogo, principalmente se for uma pessoa, ou melhor, um ser, que você se importa mais que você mesmo. Aliás, ela estava até se sufocando sem oxigênio. Com passos rápidos, saiu da cidade.Por mero engano, não foi para a direção da floresta azul, mas não foi tão engano assim, em seu fundo, queria explorar cada vez mais aquele planeta. Aquilo parecia mais uma outra cidade, que pouco se destansiava de uma barraca solitária, azul, meio transparente, estampada com sóis e luas. Reconhecendo-a como abrigo seguro, foi para lá, a passos largos, mas sem correr, pois não era longe, era á 100 metros de distância. Se a sombra estava certa, faltava apenas 10 minutos para Anist se recuperar. Mesmo estando consciente disso, ela correu até a cabana.Dentro dela, estava uma linda mulher. Ela usava um véu que cobria seu rosto, estampado como a cabana. Os cabelos estavam amarrados em uma trança, com vários elásticos enquanto ela descia, criando divisões lindas e perfeitas. Tinha uma pele morena, não muito escura, e usava uma daquelas roupas que pareciam do filme Alladin, de azul marinho. Estava descalça.A cabana por dentro aparentava ser bem mais confortável do que por fora. Tinha o tamanho de seu quarto, um pouquinho menor, o que a deixou com certa inveja. Nunca tivera uma barraca tão elegante nem tão espaçosa quanto aquela. Jane não era uma pessoa invejosa, mas até mesmo o papa sentiria inveja. O chão era coberto por almofadas macia, dezenas delas. Havia uma mesinha em um canto, com o que parecia poções.Pendurado ao teto da luxuosa barraca estava um candelabro e uma cama. A barraca seduzia quem entrasse ali a dormir, mas dormir no alto, sinceramente, era muito mais legal. Se ela caísse, ia caindo em uma barraca tão fofinha que nem iria acordar. Uma mesa maior no canto segurava muitos tipos de ervas e flores, frutos e até mesmo água. Um guarda-roupa, quase inperceptível apesar do tamanho, estava ao lado de Jane.Com confiança no local, ela depositou Anist nas almofadas. Parecia bem melhor do que no dia do acampamento e do que enterrado na terra, mas ainda estava mal. A mulher, que nem olhou para ele se apresentou:
— Mimi, a curandeira viajante —. Disse ela com um sorriso, e deu uma pirueta no ar.— Eu precisava mesmo de uma curandeira agora — sorriu Jane.— Quem está mal aqui? Ou você quer ler seu futuro? Também sou cigana.Ela entregou Anist em suas mãos. Estava em um roxo claro pálido agora, se recuperando rapidamente. Mimi olhou para ele com certo desgosto, mas colocou-o em seu colo e falou, olhando diretamente para os olhos de Jane:— Irei curá-lo. Docinho, você pode me trazer uma maçã, folhas da floresta azul e um galho de Nerhabet por favor? Estão encima da mesa. É só pegar. — Disse, com voz doce. — Senhora — Jane abaixou a cabeça, olhando para a almofada marrom abaixo dela, com o reflexo de uma lua — eu não sei o que é Nerhabet.
Notas finais
HEEEEY JOVENS /O/
(Tenho certa obçessão de chamar as pessoas de "tio" ou "jovem" ç-ç)
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