O destino de Jane
1 Uma aventura começa!
Uma menina sai da gigantesca St. Peter, com suas enormes colunas de cimento que se prateavam ao sol, parecia um monumento antigo egípcio. Ela tem cabelos pretos, lisos e soltos até a cintura, cheios de vida; olhos dourados, está com uma camiseta “lacoste” cinza, branca nas mangas, e está com um laço azul no pescoço. Também veste uma saia preta com finas listras cinza e meias pretas, com tênis adidas branco. A menina, com a pele extremamente branca, se chama Jane e tem onze anos, perto de completar seus doze.
— Finalmente essa aula chata acabou. – disse Jane, para si mesma, comemorando.
— Não se esqueça da tarefa de casa! – disse Gabriel, atrás de Jane, correndo.
Gabriel era loiro, tinha a pele pouco mais clara que Jane, por a mesma ser muito branca, olhos verde-água e vestia uma camiseta branca com gola vermelha, com bermudas jeans e tênis vermelhos. Tinha treze anos que completara semana passada, em outubro.
— Diz pra tarefa de casa se catar cara. – disse Jane, irritada.
— O trabalho de geografia é amanhã – dizia o garoto, continuando no “ã” com uma segunda voz. Apesar da idade, às vezes Gabriel conseguia ser extremamente infantil.
Sem perceber, a conversa de ambos tinham feito ambos irem parar na esquina aonde seu caminho se diferenciava – Jane seguia em frente, enquanto Gabriel ia para a direita; o caminho da esquerda dava em um beco fechado, com vista para um campo de gado. Jane foi a passos largos para a sua casa, pois não queria ficar andando na rua sem nada para fazer por nem um segundo. Era impaciente. Chegou a sua casa, a casa era branca, com dois andares e uma varando de vidro incrível em seu quarto, que ficava no segundo andar. Tinha um telhado de tijolos vermelhos, uma decoração com madeira e a garagem do lado. Mesmo sendo humilde, era uma casa bonita. Chegando a casa, a menina rapidamente passou pelo corredor e subiu a curta escada em espiral.
Jane chegou ao seu quarto e jogou a mochila encima da cama, de qualquer jeito. Quando se virou, viu que Gabriel a seguia.
— Quarto bonito o seu – disse ele, normalmente, olhando para o telhado.
— Você me seguiu até aqui só pra olhar o meu quarto sem ser convidado? – disse Jane.
— Ser ou não ser? Eis a questão.
Enquanto Jane dava um tapa na cara imaginário em Gabriel, o vento começou a soprar mais forte em sua janela, muito forte. A cortina xadrez voava, e o cabelo dela mesma estava soprando ao vento. Gabriel não conseguiu se segurar e foi sendo arrastado ao pouco, até o vento ganhar velocidade o suficiente para ele bater a nuca na parede e perder a consciência. Da janela, um pequeno morcego veio. Ele não parecia sólido, parecia ser feito de fumaça, de escuridão, como uma nuvem preta. Em um instante, a ventania parou.
— Então essa formiga fez essa ventania toda? – disse Jane, olhando para o morcego.
— Primeiro – disse o morcego, que fez a menina pular pra trás com um estrondo, pois nem boca o ser tinha – Eu não sou uma formiga mocinha, eu tenho um nome, Anist. Em segundo, você precisa vir comigo; e em terceiro, agora.
— Eu não vou a lugar nenhum com um morcego de nuvem psicótico que sopra ciclones. – respondeu ela.
— Então a linha entre os dois será corroída para sempre, e você almoçará com morcegos psicóticos de nuvem para sempre.
— Eu disse que não vou.
— Deixa em pensar em uma razão para você ir. – O ambiente ficou calado por cerca de vinte segundos, quando Anist voltou a falar. – Sim, o seu pai.
O coração de Jane fez malabarismo, como o ser, que ela imaginava ser sua imaginação ou estar sonhando acordada, sabia sobre seu pai e dizia sobre os “dois”? Que dois eram aqueles? A mente de Jane ficou confusa, pensando em quem seriam os tais dois que ele mencionara. Seria ela e seu pai? Seria o vento e Anist, o morcego imaginário psicótico? Ou aquilo seria realmente sua imaginação?
— Meu pai está desaparecido desde meu nascimento, e eu sempre desejei – disse ela, cerrando o punho e deixando escapar lágrimas, quando Anist interrompeu-a:
— Tá, tá, tá, eu sei de toda essa historinha, mas agora você precisa ir sério, perdemos tempo demais aqui.
— Ir para onde seu destino disse que irá, e iremos agora, você querendo ou não. Pegue e guarde isso. – Uma nuvem rosa envolveu o morcego, e um pingente de ursinho apareceu em seu pescoço. Era um pingente com uma linha de ouro, trançada, com um ursinho de ferro no final. Era cor de mel com o mesmo laço azul que ela usava. Atrás do ursinho, havia um botão vermelho, pequeno, mas ela conseguia apertar com facilidade.
— O que raios é isso? – disse ela, revirando o ursinho. Que fofo, ela pensou. Ela viu o pequeno botão, e, curiosa como era, apertou. Seu corpo ficou leve e foi envolvido por um círculo azul de luz. Ela viu seu corpo desintegrar-se, ficando cada vez mais claro, até desaparecer por completo.
Demorou cerca de meia-hora para ela retomar a consciência. Acordou aos poucos, e, quando viu, estava em uma floresta azul, com um rio ao seu redor. Completamente azulada. Ao seu redor, viam-se longos pinheiros azulados, como as muralhas da floresta. Dentro da água cristalina estavam peixes azul-céu, e parecia que uma menina, submersa no rio, acenava para ela. O mais estranho é que ela também tinha a pele e os cabelos azulados, a menina era uma ninfa das águas, ou como costumamos chamar aqui, uma sereia de água doce.
— Onde estou? – Jane estava confusa, pois aquilo parecia um de seus sonhos antigos, até mesmo a ninfa das águas estava nele. – Já estive nesse lugar, em meus sonhos.
— Essa é a floresta azul – disse Anist – você teve sorte de estarmos teleportados aqui.
— Como assim teleportados? Isso é a minha imaginação, eu tenho certeza disso.
— Menina, isso não é imaginário. Isso é real. É a segunda dimensão do seu universo, aonde tudo é mágico e bem mais fascinante que aquilo que você chamava de planeta.
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