O destino de Jane

2 Um dragão das trevas


Notas iniciais
Então aqui está o/

Após andar muito tempo na incrível floresta azul, onde foram perseguidos com olhares de ninfas da água o tempo todo, mergulhadas em lagos escuros com olhares misteriosos, Anist foi deixando escapar pouco á pouco os detalhes daquele planeta estranho. Jane estava exausta e suas sapatilhas pretas atolavam na lama dos pântanos azulados da floresta. Primeiro Anist falou sobre os checkpoints. Você tinha dois deles: Um no mundo real e o outro no bidimensionado. Você vai voltar aonde parou em cada um dos mundos, ou seja, ela iria voltar exatamente no ponto aonde parou em seu quarto. Como o inglês era a língua dominante do planeta, falavam Re-Spawn, mas quem falava a língua do norte, o reino inferior, que Jane aprendera automaticamente ao entrar naquele planeta, a pronúncia de Checkpoint saia perfeita e bem melhor que Ripam.

— Isso tudo é muito estranho – disse ela, enquanto saltava mais uma poça com um salto largo.

— Estranho é um mundo aonde não tem isso – riu ele, disfarçadamente, mas a menina, que tinha boa audição, percebeu e lhe jogou um olhar condenador.

Então, saíram da floresta. Era um campo aberto, com o que parecia um acampamento abandonado. Havia um círculo de pedras envolto em cinzas, com alguns troncos grossos ao redor, e uma série de gravetos menores. Os troncos grossos eram lisos, e serviam como bancos. Os gravetos azuis poderiam ser combustíveis para a fogueira. Havia marshmallow espalhados por todo o chão. A noite caía, era tempo de lua cheia. O estranho era que, nesse planeta, o céu ficava com um arco-íris a noite, um arco-íris escuro.

— Você pode acender essa fogueira? Sabe, não tenho mãos – disse Anist, batendo as asas e depois de muito tempo deitando-se em um dos troncos.

— Não tenho nada para acendê-la – disse a menina.

— Qual ser produz fogo? – Disse Anist, pensativo.

— Um dragão?

— Isso me dará muito trabalho.

— Como assim muito trabalho?

— Praticamente todos aqui têm uma habilidade especial. A minha é a transfiguração em sombras, posso me tornar qualquer ser das sombras, e fazer ciclones. Brincadeira, fazer ciclones é na forma de morcegos. Eu tenho o segundo poder de modificar memórias das pessoas. A sua, eu não sei, mas a julgar por suas orelhas...

— O que tem minhas orelhas? – falou a menina, com uma voz de grito, mas não queria chamar a atenção, pois aquele lugar a assustava. Suas orelhas eram invisíveis pelo cabelo preto.

— Essas coisas na sua cabeça. Parece a de um gato.

— Quando ele disse isso, Jane pensou: Ele está maluco, as minhas orelhas não são tão feias assim. Pensava em dar um tapa em Anist, mas a) ele era feito de nuvem b) ele tinha um super-poder, que mencionara.

— Tá legal, mas qual é o meu poder então? – ela disse com tom de sarcasmo, mexendo no cabelo, mas não duvidava que isso existisse; aliás, se tinham acabado de atravessar uma floresta azul, não podia duvidar de nada daquele mundo. Mas um super-poder? Não cara, isso passava dos limites, até mesmo dos seus limites.

— Audição, velocidade, elasticidade e equilíbrios juntos melhorados. Esse na verdade é um conjunto de habilidades, chamadas Benção de Gato.

— Nome tosco

— Eu não nomeio essas coisas. Mas a noite já caiu e estamos discutindo no escuro, se não percebeu, apenas estou o afastando um pouco para você. Vamos logo com isso.

Jane tentava desvendar o que era “vamos logo com isso”, mas quando viu, o morceguinho Anist começava a se transformar. Ao mesmo tempo, o rosto-corpo virava um rosto, semelhante ao de um lagarto, mas com um olhar muito mais agressivo. A cauda engrossou para se adaptar á cabeça e esticou-se, virando um corpo comprido, e com mãos e pés. As asas minúsculas cresceram. Ele jogou uma rajada de fogo para o alto. Fogo negro. Abaixo, Jane olhava assustada. O novo “amigo” (que estava mais para raptor) que julgara semi-inofensivo acabara de se transformar em um dragão de quinze metros que soltava fogo negro. Após o susto passar, Jane disse:

— Você poderia ter me levado á voo na floresta – disse reclamando.

— Consumiria aura desnecessariamente – disse, batendo asas do alto. Discutir com um dragão de quinze metros não lhe parecia uma boa ideia.

— Pode parar de falar coisas que eu não sei o tempo todo sem me explicar?

O dragão bufou, o que realmente deu medo á Jane. Porém ele começou a falar de volta, sem atacar.

— Quanto mais esforçada é a coisa que eu me transformo, quanto maior a força e o tamanho do animal, mais eu ficarei extremamente fraco quando voltar a uma forma inferior. Precisarei de mais tempo para me recuperar.

— Se era só pra acender essa fogueira, que, aliás, você não acendeu ainda, porque se transformou em um ser de quinze metros?

— Para montar guarda a noite também. Caso contrário, provavelmente acordaríamos em uma prisão. Há humanos aqui perto, que não gostam de clandestinos. – Ao terminar de falar, ele acendeu sua fogueira.

O fogo não irradiava luz, espalhava escuridão, caso houvesse luz. Anist colocou gravetos da floresta azul na fogueira, e ela se tornou um fogo normal. Vermelho, quente.

— Porque seu fogo era frio, por assim dizer?

— Eu disse que posso me transformar em qualquer ser das trevas. Quem é da escuridão não vai soltar fogos de arco-íris com donnuts quentinhos. Mas a floresta que cruzamos tem um feitiço forte, e caso eu queime uma de suas madeiras, ela se duplica de tamanho e queima como uma normal. Os antigos campistas daqui deviam ter pegado esses galhinhos, por sorte, pois era a coisa mais perto que tinham. Agora vá dormir. Eu guardarei na noite.

— Mas está tudo escuro, como você vai ver os inimigos assim? – disse ela, deitada, já com sono.

— Mais uma pergunta idiota até encerrar a noite? Eu sou um dragão de trevas, eu já tenho automaticamente a habilidade de ver no escuro.

Dito isso, a menina dormiu, não pela resposta, mas porque suas pálpebras já pesavam. Quando acordou, acordou soando, pois a fogueira ainda estava queimando, embora com uma frequência mais fraca. O sol estava nascendo. Anist estava em sua forma morcego no chão, com um tom roxinho, muito mais claro que o normal.

Notas finais
Sei que não tem ninguém lendo, mas se alguém for, digo que me esforcei.