O destino de Jane
2 Um dragão das trevas
Notas iniciais
Então aqui está o/
— Isso tudo é muito estranho – disse ela, enquanto saltava mais uma poça com um salto largo.— Estranho é um mundo aonde não tem isso – riu ele, disfarçadamente, mas a menina, que tinha boa audição, percebeu e lhe jogou um olhar condenador.Então, saíram da floresta. Era um campo aberto, com o que parecia um acampamento abandonado. Havia um círculo de pedras envolto em cinzas, com alguns troncos grossos ao redor, e uma série de gravetos menores. Os troncos grossos eram lisos, e serviam como bancos. Os gravetos azuis poderiam ser combustíveis para a fogueira. Havia marshmallow espalhados por todo o chão. A noite caía, era tempo de lua cheia. O estranho era que, nesse planeta, o céu ficava com um arco-íris a noite, um arco-íris escuro.— Você pode acender essa fogueira? Sabe, não tenho mãos – disse Anist, batendo as asas e depois de muito tempo deitando-se em um dos troncos.— Não tenho nada para acendê-la – disse a menina.— Qual ser produz fogo? – Disse Anist, pensativo.— Um dragão?— Isso me dará muito trabalho.— Como assim muito trabalho?— Praticamente todos aqui têm uma habilidade especial. A minha é a transfiguração em sombras, posso me tornar qualquer ser das sombras, e fazer ciclones. Brincadeira, fazer ciclones é na forma de morcegos. Eu tenho o segundo poder de modificar memórias das pessoas. A sua, eu não sei, mas a julgar por suas orelhas...— O que tem minhas orelhas? – falou a menina, com uma voz de grito, mas não queria chamar a atenção, pois aquele lugar a assustava. Suas orelhas eram invisíveis pelo cabelo preto.— Essas coisas na sua cabeça. Parece a de um gato.— Quando ele disse isso, Jane pensou: Ele está maluco, as minhas orelhas não são tão feias assim. Pensava em dar um tapa em Anist, mas a) ele era feito de nuvem b) ele tinha um super-poder, que mencionara.— Tá legal, mas qual é o meu poder então? – ela disse com tom de sarcasmo, mexendo no cabelo, mas não duvidava que isso existisse; aliás, se tinham acabado de atravessar uma floresta azul, não podia duvidar de nada daquele mundo. Mas um super-poder? Não cara, isso passava dos limites, até mesmo dos seus limites.— Audição, velocidade, elasticidade e equilíbrios juntos melhorados. Esse na verdade é um conjunto de habilidades, chamadas Benção de Gato.— Nome tosco— Eu não nomeio essas coisas. Mas a noite já caiu e estamos discutindo no escuro, se não percebeu, apenas estou o afastando um pouco para você. Vamos logo com isso.Jane tentava desvendar o que era “vamos logo com isso”, mas quando viu, o morceguinho Anist começava a se transformar. Ao mesmo tempo, o rosto-corpo virava um rosto, semelhante ao de um lagarto, mas com um olhar muito mais agressivo. A cauda engrossou para se adaptar á cabeça e esticou-se, virando um corpo comprido, e com mãos e pés. As asas minúsculas cresceram. Ele jogou uma rajada de fogo para o alto. Fogo negro. Abaixo, Jane olhava assustada. O novo “amigo” (que estava mais para raptor) que julgara semi-inofensivo acabara de se transformar em um dragão de quinze metros que soltava fogo negro. Após o susto passar, Jane disse:— Você poderia ter me levado á voo na floresta – disse reclamando.— Consumiria aura desnecessariamente – disse, batendo asas do alto. Discutir com um dragão de quinze metros não lhe parecia uma boa ideia.— Pode parar de falar coisas que eu não sei o tempo todo sem me explicar?O dragão bufou, o que realmente deu medo á Jane. Porém ele começou a falar de volta, sem atacar.— Quanto mais esforçada é a coisa que eu me transformo, quanto maior a força e o tamanho do animal, mais eu ficarei extremamente fraco quando voltar a uma forma inferior. Precisarei de mais tempo para me recuperar.— Se era só pra acender essa fogueira, que, aliás, você não acendeu ainda, porque se transformou em um ser de quinze metros?— Para montar guarda a noite também. Caso contrário, provavelmente acordaríamos em uma prisão. Há humanos aqui perto, que não gostam de clandestinos. – Ao terminar de falar, ele acendeu sua fogueira.O fogo não irradiava luz, espalhava escuridão, caso houvesse luz. Anist colocou gravetos da floresta azul na fogueira, e ela se tornou um fogo normal. Vermelho, quente.— Porque seu fogo era frio, por assim dizer?
— Eu disse que posso me transformar em qualquer ser das trevas. Quem é da escuridão não vai soltar fogos de arco-íris com donnuts quentinhos. Mas a floresta que cruzamos tem um feitiço forte, e caso eu queime uma de suas madeiras, ela se duplica de tamanho e queima como uma normal. Os antigos campistas daqui deviam ter pegado esses galhinhos, por sorte, pois era a coisa mais perto que tinham. Agora vá dormir. Eu guardarei na noite.— Mas está tudo escuro, como você vai ver os inimigos assim? – disse ela, deitada, já com sono.— Mais uma pergunta idiota até encerrar a noite? Eu sou um dragão de trevas, eu já tenho automaticamente a habilidade de ver no escuro.Dito isso, a menina dormiu, não pela resposta, mas porque suas pálpebras já pesavam. Quando acordou, acordou soando, pois a fogueira ainda estava queimando, embora com uma frequência mais fraca. O sol estava nascendo. Anist estava em sua forma morcego no chão, com um tom roxinho, muito mais claro que o normal.
Notas finais
Sei que não tem ninguém lendo, mas se alguém for, digo que me esforcei.
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