O coração que os olhos não veem
15 Uma chance
Notas iniciais
Imediatamente, os novos integrantes foram recepcionados por olhares surpresos e curiosos. Um, em específico, demonstrava tamanha ira que seria impossível passar despercebido. O olhar áureo que reluzia a luminosidade solar contraiu-se discretamente, carregando consigo uma expressão de agrado ao ver tantos rostos assustados direcionados para si.
– Szayel! Não me lembro de estar nos planos você aparecer por aqui, principalmente trazendo consigo ela!
A garota encontrava-se parada do lado esquerdo do cientista. Portava uma expressão ainda perturbada, apesar de claramente notável o esforço da mesma para disfarçar seu temor. Orihime sabia que aceitou por vontade própria adentrar em território inimigo, e uma vez ali dentro, seria mera cobaia dos planos de seu novo “senhor”. Ainda assim, continua a ser uma humana, e como tal, possui medos e fraquezas.
– Inoue! Você está bem?!
Aquela voz familiar foi capaz de despertá-la do redemoinho interno que sua consciência imergia. Ouvindo-a, imediatamente dirigiu sua atenção para o detentor daquelas palavras e, pela primeira vez desde que chegou àquele lugar, pôde rever seu amigo e admirador Kurosaki Ichigo. Os olhos da garota iluminaram-se ao deparar-se com o ruivo a sua frente. Sentia um imenso alívio por vê-lo ainda vivo. Sua esperança em encontrar seus outros companheiros também com vida a contagiou inteiramente. Por um momento esqueceu-se de toda a pressão que carregava, e pôde agarrar-se a visão daquele indivíduo que lhe conduzia a boas lembranças do passado, distintas de sua realidade atual.
– Kurosaki-k-
Antes que pudesse finalizar-se, o som fora interrompido pela mão que, repentinamente, surgiu sobre sua boca, provinda do sujeito ao lado.
– Um momento princesa, se acha que eu lhe trouxe aqui para matar as saudades estás muito enganada. Nnoitora, admito estar surpreso por duas das pessoas que mais queria ver serem seus atuais adversários.
Duas?
Os olhos prateados feminis rodearam o terreno parcialmente destruído abaixo de si. Receosa, praguejou-se por não ter notado este segundo integrante. Teria sido sua felicidade ao ver o shinigami que a cegou do seu redor? Ao percorrer sua visão naquele terreno sentiu o toque frio de uma lágrima escorrer em seu rosto. Percebeu, por fim, que seu corpo havia reagido mais rápido do que sua mente, a qual, finalmente, constatou ele.
Ulquiorra não tirava os seus olhos da garota. Desde o momento que ela havia aparecido, persistia em observá-la desde os seus longos fios ruivos, ao chão árido que seus pés tocavam. Ele queria comprovar o que seus olhos enxergavam. Ainda não haviam feito nada a ela. Permanecia inteira, consciente e, primordialmente, viva. Porém, ainda assim, não fez questão de dizer nada com a repentina aparição de Szayel. A verdade é que sua aparição só comprovou o que o quarto Espada já suspeitava: Aporro e Nnoitora trabalhavam juntos.
– Szayel seu miserável, não estou entendendo! O que você quer dizer com isso? – Balbuciava impacientemente o moreno longuíquo o qual teve toda a sua atenção atual roubada pelo rosado.
– Não seja estúpido, Nnoitora. O que eu quero dizer é que você enfrentando esses dois, só contribuirá para a minha pesquisa com a garota. Afinal, como ela reagiria vendo seus dois amados sendo mortos bem na sua frente?
Aquelas palavras incitaram indignação ao shinigami que observava inquieto a tudo isso, depositando mais força em suas mãos ao apoiar sua zampakutou. Um sulco de irritação surgiu entre as sobrancelhas do ruivo, o qual demonstrava que não cederia às intenções daquele sujeito. Nnoitora, ao contrário, reacendeu sua já comumente expressão de euforia mórbida. Certificando que o oitavo realmente não atrapalharia seu duelo, voltava a dirigir sua atenção àqueles dois a sua frente.
– Ulquiorra, eu não estou entendendo muito esta situação, mas parece que dessa vez estamos do mesmo lado. – Relatou o ceifeiro de almas substituto.
– Creio que este é o caso. – Replicou o Espada.
"Por quê?"
O rosado alinha seus óculos no rosto, olhando de escanteio a garota ao seu lado. Ver a expressão de medo e preocupação naquele rosto angelical fez brotar no cientista uma feição excitante e prazerosa.
Todo esse tempo, o que Inoue mais queria era que seus amigos estivessem a salvo. Consentiu em obedecer às ordens de Aizen para livrar seus companheiros de lutas desnecessárias, e não os ver arriscando suas vidas. Mesmo assim, depois de todo o seu esforço, ela falhou. E agora, graças a sua posição de refém, colocou novamente quem ama em risco. Não era esse seu objetivo. O que mais ela podia fazer? Abominou-se por ser tão fraca. Pensou consigo se caso fosse mais forte, talvez esta situação fosse diferente. Talvez não se fizesse necessário trazê-los ao Hueco Mundo, e muito menos apaixonar-se por ele...
Pensar nessa possibilidade a fez sentir um aperto forte no peito. Apesar de sua deplorável situação, ela ainda carregava dentro de si algo de bom em estar ali. Nunca poderia chegar a arrepender-se de ter conhecido Ulquiorra, e isso ela carregaria para sempre em seu coração. Ao despertar-se de seus devaneios, ela depara-se com aquela luta a ser travada em sua frente. Já dera início. Porém havia mais Arrancars em seu campo de visão. Foi então que ela entendeu que enquanto abominava-se internamente, Szayel havia ordenado que seus fraccions atuassem também na batalha.
Apesar de desejar que eles parassem, tinha plena consciência de que não possuía força para impedi-los. Mas, bruscamente, no instante seguinte, todos param seus movimentos, em uma perfeita sincronia.
Orihime ficou sem entender, mas, não muito tempo depois, 3 potentes reiatsus aproximaram-se daquele lugar.
Suas atenções são conquistadas.
– O que está acontecendo aqui?
Sem qualquer aviso, aparecem os três Espadas de maior posição entre os presentes, sendo considerados os mais temidos do Las Noches, abaixo apenas de Aizen e seus dois inseparáveis subordinados. Ambos não demonstravam qualquer aprovação àquele campo de batalha o qual fora criado pelos presentes, muito menos de todo o estrago que causaram.
O primeiro, acompanhado de uma menor ao seu lado, apenas coçava vagarosamente a cabeça, enquanto a outra mão apoiada no bolso complementava seu porte despreocupado e sonolento.
– Isso não é nada bom... – Pronunciava, já prevendo a repercussão que isso acarretaria.
– Tsc! – Apesar de já exausto e ferido, Nnoitora ainda lançava para os três um olhar de ameaça e prenúncio, indicando que sua reação não seria pacífica caso eles cheguem a interferir em sua batalha. Ainda assim, possuía consciência de que seria impossível para ele, naquelas condições, lidar com os três Espadas ao mesmo tempo.
– Aizen sama não vai gostar de saber disso. – A voz da mulher, apesar de calma, transparecia uma seriedade nunca antes vista – Nnoitora, que eu saiba, você não foi designado para enfrentar o nosso principal invasor, muito menos levantar sua espada contra um dos nossos.
“Halibel?” Recordava a ruiva. Sim, era ela mesmo, porém não a conseguiu reconhecer de imediato devido sua reiatsu totalmente diferente de quando a viu pela última vez. A confusão invadiu a cabeça de Inoue. Se esses três apareceram agora, o que mais poderia estar por vim? Antes de chegar a raciocinar toda aquela situação, ela escuta um forte guinchar de espadas e a mão de Szayel separando-se de sua pele repentinamente. Sua reação ainda era lenta, não conseguindo entender o porquê de ele tê-la soltado, ou se alguém o afastou dela a força.
A verdade é que Inoue agora estava a sentir o vento chocando-se sobre a sua pele, quase como velozes arranhões invisíveis que a dificultava de executar qualquer movimento. Ao finalmente abrir seus olhos, a primeira imagem que eles captam são do único olhar que sempre a fascinou, porém, de forma diferente. Não demorou muito para, por fim, ela entender que encontrava-se nos braços do único responsável por aflorar seus pensamentos, distante de qualquer indício de superfície terrestre. Estava em pleno ar, longe de qualquer outro Arrancar e sendo carregada pelas mãos frias do Espada, o qual agora possuía vistosas asas negras.
– Ulquiorra-kun?
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