Notas iniciais
Desculpem a demora! Esse considero o melhor capítulo que criei até hoje, será que vocês acharão o mesmo? Boa leitura e espero ansiosa a opinião de vocês! ♥

A forte rajada de vento suprimia qualquer som que saísse de sua boca. A garota em seus braços claramente não estava entendendo aquela situação, qualquer palavra que ele dissesse contribuiria para orientá-la naquele momento, porém ele ainda optou em permanecer calado todo o trajeto.

A lentidão de Orihime em reconhecer aquela nova feição que a conduzia não foi maior do que o choque tardio da garota ao dar-se conta de que estava totalmente longe da superfície. Assim que percebe estar em pleno ar, ela imediatamente envolve os seus braços no pescoço de Ulquiorra e o pressiona para junto de si, de modo a lhe trazer maior segurança naquele momento. O rapaz surpreende-se com o repentino ato alheio, não esperando esse tipo de ação da garota, fazendo-o, por um breve segundo, mirar os seus olhos na ruiva. A mesma sequer percebeu o que tinha feito, permanecendo com os seus braços envoltos no pescoço do rapaz e os olhos fechados todo o percurso. Certamente o medo de altura da garota a cegou do que fazia.

Aos poucos o vento vai diminuindo sua pressão e os primeiros sinais visíveis começam a surgir. As asas negras cessam seus batimentos e a garota finalmente sente o chão rígido sob os seus pés. Encontrava-se em sua antiga cela. Equilibrando o seu corpo após a breve trajetória no ar, Orihime vira-se para encarar o responsável por trazê-la a este local.

A aparência do Espada voltava, aos poucos, a ser a de antes. Não mais se via aquelas vultuosas asas negras, e os olhos esverdeados retornavam com o seu brilho fascinante.

– Mulher...

– Você está ferido. – Sem esperar o outro dar quaisquer explicações, Inoue direciona suas mãos para o Arrancar e uma intensa luz resplandecente surge entre os dois. Ela não parecia estar preocupada em saber o motivo de estar ali, nem como Ulquiorra transformou-se naquele novo ser. Não fez sequer uma pergunta, seu primeiro ato foi curá-lo.

Ulquiorra não conseguia desviar os seus olhos dela.

– Mulher, eu não preciso disso. Meu corpo se regenera mais rápido que o de qualquer humano ou hollow.

– Por que... – Apesar de ouvir o que o outro lhe disse, Orihime ainda não cessa de curá-lo. Os olhos prateados brilham mais intenso por banharem-se naquele líquido transparente que começou a inundá-los – Por que você não deixa de colocar a sua vida em risco ao menos uma vez?

Pela primeira vez as orbes esverdeadas expandem-se em choque. Tentava compreender aquelas palavras, acreditava que seus olhos conseguiam encontrar a explicação para todos os seus dilemas, porém, por mais que a olhasse, a incerteza só aumentava, e ele não conseguia assimilar o que, afinal, ela estava querendo dizer.

– Eu não possuo uma vida. Eu sou uma mera existência, sem definição, sem propósito. Não tem sentido o que você está falando.

Não se trate como se não fosse nada!

Ulquiorra ouviu incrédulo a isso. Quem ela acha que é para dizer-lhe o que deve ou não fazer? Ele não é um humano. Uma humana não entende o seu real significado, e nunca entenderá, mas por que ela insiste em mostra-lo que sua existência é mais do que que ele pensa ser?

– Mulher, por que tudo o que falas me faz querer puni-la, mas eu não consigo levantar um dedo contra ti?

A garota, por um breve momento, desvia sua atenção das feridas e o encara nos olhos. Aquelas palavras pareciam terem mexido com ela. Foram carregadas de um significado encoberto pelo ceticismo que ele carregava em sua voz, mas que ela conseguiu captar.

– Eu não sei. – Finalizando o seu rikka, ela ainda não desvia das orbes esmeraldas as quais retribuíam infindavelmente seu olhar. Sem fugir um segundo daquele semblante, Inoue reduz a distância entre eles com um passo para mais próximo do rapaz. Este último, ao notar a pouca distância que se fazia entre os dois, afasta-se da garota, dando-lhe as costas.

– A esta hora, Nnoitora já deve ter sido penalizado junto com Szayel. Sem dúvidas eles não estavam em condições para enfrentar aqueles três.

– Por que você me trouxe aqui? Pensei que nunca mais voltaria a me ver.

– Nesse caso foi você que surgiu no meio de minha luta.

Orihime ligeiramente cora-se com o que ouviu, e em seguida ri sem graça sozinha, em uma feição claramente embaraçada pelo que acabou de dizer.

– Bem, isso é verdade... Eu não esperava que o Szayel decidisse assistir a luta de vocês e ainda me levar junto... na verdade se fosse para eu decidir, eu não faria questão em te ver novamente, afinal, você me deixou sozinha com aquele cientista maluco... – As palavras pareciam não cessar de sair de sua boca, as quais pronunciava com bastante convicção, ainda que gaguejando em alguns pontos de sua fala. Visivelmente não se encontrava mais naquele estado deplorável o qual Ulquiorra a viu minutos atrás. Seus olhos voltaram a irradiar o brilho costumeiro, e sua voz voltou a tornar-se suave como sempre foi. Era nítido que ela ainda continuava a mesma, e o que quer que Szayel tenha feito em seu corpo, não provocou nenhum efeito nocivo.

– Você parece ter voltado ao normal.

Ouvindo isso a garota interrompe o que falava. Ela o encara com sua feição ainda rubra, porém, dessa vez, sem qualquer indício de constrangimento. A fala dele soou diferente da normal. Ela conseguiu sentir uma discreta oscilação em sua pronuncia, a qual aparentou soar mais leve ou... aliviada? Ele estaria feliz em vê-la bem? Pensar nisso só fez a ruiva corar mais, intensificando o rosado de seu rosto.

– Ulquiorra-kun...

– Não empregue termos humanos em meu nome, já lhe avisei sobre isso. Você agora voltará a estar sob minha responsabilidade. Uma vez que Kurosaki Ichigo foi achado por aqueles três, será questão de tempo até Aizen pôr suas mãos nele. A sua utilização para ele chegou ao fim, mulher.

“Kurosaki-kun”

– Ele não será derrotado tão fácil! – A tonalidade de sua voz soou mais firme. Estava claro que ela depositava uma imensa confiança e esperança em seus companheiros. Isso sempre atraiu a atenção do moreno. A garota sequer temeu por um segundo o que pudesse acontecer a ela, agora que não possuía mais nenhuma utilidade. Como alguém pode importar-se mais com as consequências de outros do que as suas próprias?

– Creio que ainda não destes conta que eu posso tirar a sua vida a qualquer momento.

– Sim, eu sei disso. Mas... – Caminhando na direção do Espada, parava a sua frente, revelando um sorriso curto, porém verdadeiro, sem nenhum resquício de maldade ou intento — ...Eu não tenho medo.

Um turbilhão de sensações invade o corpo do Quarto Espada.

Fez menção de levantar sua mão, mas a forçou a não se mover. Fechou o punho com força, como se estivesse bloqueando seu anseio de tocá-la. Que desejo é esse que corre em suas veias? Já sentiu isso antes?

Sim. Este arder de sua pele já fora sentido com o sangue ácido de seus inimigos escorrendo em seu corpo. Porém agora era diferente. Sua vontade não era de ataca-la. Por mais ostensiva que tenham sido aquelas palavras, seu corpo não o permite tomar qualquer atitude contra ela. Ainda assim, carecia de algo, o qual não havia descoberto.

– Vocês, humanos, são realmente imprevisíveis. Sente-se, não irei matá-la ainda. Aizen sama me concedeu novamente a sua responsabilidade caso o Nnoitora viesse a levantar sua espada contra mim. Fazer isso é o mesmo que atentar contra Aizen, logo não há mais necessidade de você ficar aos cuidados de Szayel, já que ambos trabalhavam juntos nisso. E não adianta tentar fugir, não irei permitir. – Senta-se no sofá que já era conhecido pela ruiva por passar suas longas horas noturnas admirando o astro celeste. Pensando bem, ela nunca tinha visto Ulquiorra sentar ali desde que chegou ao Hueco Mundo.

Sem questionar, Orihime faz o que foi pedido, sentando no mesmo sofá, porém na outra extremidade.

Silêncio.

O mesmo perduraria, se não fosse aquela voz feminina quebrando a monotonia do local.

– Ulquiorra-kun, você já beijou alguém?

O moreno fita a garota ao seu lado por um segundo.

– Beijar não passa de uma conjectura das relações humanas, demonstração de afeição ou sentimentos por alguém. Não há porque eu sentir tais necessidades.

Orihime ouvia aquilo, sem direcionar o olhar para o Espada. Sua fala vinha após alguns minutos de silêncio.

– E se, por um momento, você tornar-se mais humano? – Dizia, enquanto mexia em sua roupa sobre as coxas.

– O que está querendo dizer, mulher? – Ulquiorra cada vez mais aumentava seu fascínio e indignação simultâneos com as palavras alheias.

Bem, você foi o único daqui que apagou a minha tristeza, afastou-me da solidão e me faz sentir segura ao seu lado. É engraçado, pois quando estou com você eu não temo nada, e isso me faz feliz. Arrancars para mim sempre foram seres desumanos e sanguinários, mas não consigo ver essas características em você. Por mais que você minta na minha frente, teus olhos sempre me dirão a verdade. Eu não consigo igualá-lo aos demais desse castelo. Você é diferente dos outros, logo me faz pensar que tens um lado mais humano do que os demais Espadas. – Finalmente a ruiva toma coragem para encarar os olhos verdes intimidantes que a fitavam o tempo todo. Ela apenas sorri, demonstrando discretamente certo constrangimento, mas parecendo não se importar.

Indignação, surpresa, ódio. Estava incrédulo pelo que ouviu. Devia matá-la? De todos os absurdos que ela já proferiu, este sem dúvidas passou dos limites. Como assim ele igualava-se com um mero humano? Não podia aceitar que este discurso fosse verdadeiro. Talvez Szayel tenha feito alguma espécie de lavagem cerebral naquela mulher. Talvez faça parte dos planos daquele maldito rosado que ela o atingisse com tamanha proporção como agora. Seus olhos haviam mentido para si ao constatar que ela havia voltado ao normal? Não, impossível. Então o que ela acabou de dizer é realmente o que esta humana pensa? O desprezo crescia em seu corpo, porém algo muito maior crescia concomitantemente. A vontade de tê-la, nesse exato momento, em seus braços.

Notas finais
Precisei encontrar alguma brecha para finalizar o capítulo se não ele ficaria muito extenso haha Mas confesso que não gostaria de finalizá-lo. Não sei quando estarei postando o próximo mas tentarei fazê-lo o quanto antes possível! Espero vocês até lá! Beijinhos ~