O coração que os olhos não veem
5 Conversa
Notas iniciais
– Ora, se não é o responsável pela humana. – Apoiado sobre a parede, dirigia sua fala ao Arrancar que cruzava o corredor. Trazia consigo seu característico cenho franzido. Seria uma expressão rotineira de seu rosto, se não fosse aquela curiosidade atípica que brotava em seu olhar. Grimmjow estava querendo conseguir algo.
– ...Grimmjow. – Bastou-se a dizer isso. Foi imperceptível uma mudança de rumo em seu olhar para a direção do sexto Espada. Continuou o seu trajeto sem importar-se com devidas satisfações.
– Aquela garota... incrivelmente está despertando minha curiosidade. – Instigou o Arrancar de cabelos azuis. Sabia dentro dele que, de algum modo, se falasse da humana na frente do outro, atrairia sua atenção.
E a hipótese suspeita concretiza-se. O Hollow que caminhava vem a parar. Ulquiorra permanecia com a visão focada em sua frente, mas sua fala dirigia-se ao sujeito atrás dele.
– O que você quer dizer com isso, Grimmjow?
O azulado esboça um sorriso no canto dos lábios. Logo em seguida, desapoia-se da parede e inicia sua aproximação em direção ao moreno.
– Não pude ignorar o que passou por minha cabeça a algumas horas. – O sexto Espada agora encontrava-se parado na frente do Quarto. Este último passou a encará-lo nos olhos, enquanto ouvia, atento, o outro prosseguir com sua fala – Seria possível que Inoue Orihime tivesse algum tipo de poder além do que já conhecemos? Um poder capaz de atingir severamente...
Sua fala foi ficando lenta, porém mais rígida. Era visível que os olhares de ambos analisavam cada ação, por menor que fosse, que pudesse ser tomada naquele instante.
– ...Até mesmo um Espada?
A surpresa com a pergunta feita foi automática. Era impossível que ele soubesse de qualquer coisa. Seria nítida a sua presença em face do ocorrido. Mas, que ocorrido? Nada aconteceu para ser motivo de segredo, muito menos de qualquer indício que pudesse levar a dúvida um Espada. Era isso que Ulquiorra queria acreditar mas que, frente o que estava sentindo, essa certeza vinha perdendo forças. De todo modo, era incabível que Grimmjow sequer chegasse a suspeitar de alguma coisa. Então, que pergunta mais ameaçadora e consciente foi esta que o indivíduo a sua frente o fez?
– Você me enoja.
– Com essa personalidade você consegue tirar qualquer um do sério. – Fechou os olhos enquanto falava, ao mesmo tempo que uma veia saltava-se de sua testa. Mas, contendo-se para que sua paciência não evaporasse, Grimmjow deu um prolongado suspiro, prosseguindo com seu discurso – Vamos lá, Ulquiorra, vai dizer que ao ficar tomando conta daquela humana você não sente nem um pouco vontade de fazer algo diferente?
Seu semblante parecia mudar. Não mais aquela inexpressividade cercava o rosto do Espada, mas dava-se para notar a repugnância em seus olhos pelo que estava sendo obrigado a ouvir.
– O que acontece ou não àquela mulher é só de minha responsabilidade. Não sei o porquê de seu interesse, Grimmjow.
– Hmpf. – Expirava com força o ar pelas narinas com a resposta recebida. Pensava consigo que não seria fácil ter aquele tipo de conversa com o outro. Na verdade, qualquer conversa era praticamente impossível com o quarto Espada, uma vez que Grimmjow nunca simpatizou muito com ele. Sua confiança e ousadia própria negava-se a aceitar que seu poder fosse inferior ao de Ulquiorra. Sempre achou-se páreo contra o mesmo, e ainda acha, independentemente de sua posição como Espada – Eu sou um Espada como você, Ulquiorra. Eu sei o que é possível ou não passarmos. Não seja tolo ao ponto de tentar esconder isso de si.
Nada respondeu o moreno. Desviou-se do maior a sua frente e continuou o seu rumo, desaparecendo no longo corredor do Las Noches.
– Continuas atrevido como sempre, Grimmjow. – Aquela voz que levava consigo um sorriso cínico podia ser reconhecida de longe. Ao virar-se para trás, Grimmjow encontra-se com ele.
– Noitora. Não me surpreende estás ouvindo conversa alheia.
– Ora, não precisa vim com grosserias, eu apenas estava de passagem por aqui. Não me culpe se resolveu ter uma conversa tão sigilosa num lugar como esse.
– Tsc. – Sua paciência parecia ter chegado ao fim. Deu as costas para o de cabelos compridos, iniciando seus passos para o lado oposto sem se dar ao trabalho de responder qualquer coisa.
– Gostaria de ter oportunidade de enfrentar Ulquiorra Schiffer sem que, para isso, precisasse desobedecer as ordens de Aizen? – Dirige sua fala ao de olhos azuis, que já encontrava-se a certa distância. Isso foi capaz de atrair sua atenção por um momento.
– Eu sei o que você está querendo, Noitora. Sua sede por sangue ainda é mais intensa que a minha. Mas recusarei o pedido. No momento, só tem uma pessoa a qual estou querendo lutar. – Continuou com seu percurso pelo corredor enquanto Noitora, incrivelmente, permanecia a expor no rosto um sorriso de prazer.
Já era sabido por todos que Grimmjow referia-se a Kurosaki Ichigo como sua presa favorita e privativa. A presa a qual não desistiria até finalizar o seu objetivo de vencê-lo. “Mas afinal, Noitora seria tão imprudente ao ponto de iniciar uma batalha a qual não é páreo? Não, ninguém seria tão burro” pensava consigo o Espada com a numeração 6 cravada em suas costas. Aquela curta conversa com o Arrancar já foi mais que suficiente para entender que este estava aprontando algo. Por mais que fosse tentador encarar uma luta contra o servo fiel de Aizen, Grimmjow sabia que já se metera em problemas demais por hora. Mas afinal, o que levaria o quinto Espada a tramar algo dessa natureza?
– Ganância. – A única explicação a qual o Hollow chegou, por fim. Noitora deve estar se movendo pela certeza de que seria páreo em uma luta contra Ulquiorra. Mas estaria ele realmente enganado? A ansiedade em comprovar sua suspeita espalhou-se por completo no corpo do sujeito de cabelos azulados. Não há dúvidas: Noitora ambicia conquistar a posição de Cuarto Espada.
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