Notas iniciais
Espero que gostem do novo capítulo! Filosofei um pouco pensando nele, mas acho que o resultado não foi tão ruim hahaha ~ Se gostarem não deixem de comentar, o comentário de vocês será muito importante

Infinitas turbulências criadas pelo tempo lutavam para sair da jaula a qual estavam sendo aprisionadas. Jaula esta que parecia estar perdendo a sua força, tornando-se menos rígida, prestes a expulsar tudo o que a preenche para fora de si a qualquer momento. Assim, quem sabe, livrando-se dessa prisão, essas incontáveis turbulências possam exaltar sua real forma, iluminando toda a escuridão que a jaula insistiu em alimentá-las. Porém, a jaula ainda permanecia fechada, mas sua insistência em mantê-la trancada estava perdendo as forças. Seria questão de tempo.

Ulquiorra estende a sua frente a mão que havia agredido a garota. Ele a observa enquanto uma onda de pesar invade seu corpo. Estaria ele sentindo algum tipo de arrependimento pelo que fez? Não, não vindo do quarto Espada. Suas ações nunca foram motivo de qualquer tipo de arrependimento. Mas, o que era isso que ele estava sentindo, afinal? Talvez um desejo de ter feito diferente, talvez de voltar no tempo. Aquilo que o cercava, impedindo-o de ignorar, já estava o corroendo por completo. Afinal, pelo quê ele está passando?

Um Arrancar e, principalmente, um Espada sempre fora um ser evoluído. Evoluído ao ponto de desprezar tudo que não traga consigo alguma vantagem para si. Mas, apesar de serem seres que confiam em sua superioridade aos humanos, ainda assim, compartilham características com estes. Um Arrancar, quanto maior poder obtiver, maior será sua aproximação à forma humana. Ora, como um ser tão evoluído, em sua forma máxima de poder, alcançaria a aparência de um ser tão inferior como são os humanos? Mal sabia ele que não limitava-se apenas a isso suas semelhanças.

Eles sentem ódio. Sentem felicidade. Sentem ambição. Sentem orgulho. Sentem desejos. Desejos esses que podem chegar a ser tanto o de vingança, como o de fidelidade. Ou qualquer outro. Tudo isso também são características humanas que, ironicamente, são compartilhadas com os Hollows em sua evolução final. Se compartilham tão diversos desejos entre si, por que restringiria uns e outros não? A verdade é que um Hollow também é capaz de sentir carinho, afeto, amor. Mas, frente a sua personalidade e – por que não dizer também – negação em aceita-los, eles não demonstram essas outras espécies de desejos, talvez por considerarem inúteis.

E era isso que todo esse tempo o Arrancar 4 fazia. Desprezava qualquer tipo de desejo que não o levasse a nenhum ganho. Talvez por isso sua inexpressividade constante, misturada com uma feição de sofrimento esboçada nela. Essas linhas abaixo de seus olhos não lembrariam lágrimas? Seria esse sofrimento em seu rosto causado pela insistente privação em aceitar outros tipos de sentimentos em sua vida? Sentimentos esses que sempre privou-se de exterioriza-los.

– “Não seja tolo ao ponto de tentar esconder isso de si.

Lembrou-se da fala de Grimmjow que escutara. Seu rosto pronunciando isso, a certeza tomada forma em seu olhar, simplesmente não saía da cabeça de Ulquiorra. Grimmjow já teria sentido algo do gênero para afirmar tal coisa com tamanha convicção? Será que nem ele conseguiu ignorar esses tipos de sentimentos em si?

Será que Ulquiorra não seria o primeiro Espada a passar por isso?

Por maior que fosse a discordância que existia entre ele e Grimmjow, uma espécie de agradecimento ao indivíduo de olhos azuis surgiu em sua mente. Mas resolveu guarda-lo para si. Nunca chegaria a agradecer algo àquele sujeito oralmente, muito menos por um motivo desses. Com tudo o que passava em sua cabeça agora, o moreno conseguiu abrir, discretamente, um pequeno espaço para essas sensações que ele tanto rigidamente comprimia. Ao ver aquela garota chorando tão desesperadamente em seu peito, uma única certeza percorreu seu corpo. A certeza de nunca mais querer vê-la nesse estado. Sua fragilidade havia o atraído. Uma garota tão fraca, mas ao mesmo tempo tão determinada e sem medo da morte; realmente essas não seriam características de qualquer um. De fato, o que sentia pela humana era diferente de tudo o que já sentiu, e algo dentro dele o exigia a não segurar isso, pois sabia que não seria capaz. Não por muito tempo.

– Vejo que estás muito pensativo, Ulquiorra. Aconteceu algo? – na vasta planície que preenchia uma das maiores torres do Las Noches, aproximava-se do indivíduo de cabelos negros, com os braços cruzados por baixo do peito ela, que era conhecida por ser a detentora da posição 3 dos Espadas: Halibel.

– Nada que possa vim a contribuir contra os invasores. – todos naqueles últimos dias encontravam-se mais atentos que o de costume, preparados para, a qualquer momento, precisarem enfrentar o adversário. Apenas seria severamente punível qualquer informação importante para o andamento da batalha que fosse guardada. O sentimento do Las Noches era de guerra.

– Aizen me ordenou avisá-lo para ir dirigindo-se a sua posição. Parece que o invasor que mais está chamando a atenção será seu próximo adversário. – Halibel nutria algum tipo de simpatia pelo quarto Espada. Diferente dos demais, ele parecia, de algum modo, ser o mais parecido com a personalidade da mulher. Ela podia ver claramente que algo estava diferente nele. Algo que ela não sabia, mas mudara no moreno. Diferença esta que talvez passasse despercebida por qualquer outro Espada, mas não para ela. Seria devido suas personalidades tão semelhantes?

Logo após o aviso, Ulquiorra foi se levantando, dando início os seus passos a caminho da posição que Aizen o havia estabelecido. O de olhos verdes passa entre a loira, sem nada dizer. Esta última ficou o observando pelo canto dos olhos ele cruzar-se por ela, sumindo do local que estavam.

...

– Olá. – Logo após a fala ser pronunciada foi que tornou-se perceptível a presença do sujeito. Surpreendente para alguém que traz consigo uma zanpakutou tão grande – Então a sua hora de lutar finalmente chegou. Me pergunto se Grimmjow aceitaria o resultado que se seguirá, uma vez que Kurosaki Ichigo é seu eterno rival. – As palavras que saíam de sua boca pareciam estarem o divertindo. Noitora permanecia a carregar consigo o seu característico sorriso.

– Minha função é seguir as ordens de Aizen-sama. A rivalidade dos outros em nada me interessa.

– Não posso negar que estou animado para saber o resultado. Lutar contra o homem o qual aquela humana deposita suas esperanças é um tanto cruel, não acha Ulquiorra? – O olhar de Noitora estreitava-se, enquanto seu sorriso parecia aumentar a cada palavra proferida – Ela não o perdoaria se fizesse algo com aquele shinigami.

O quarto Espada vira-se para ficar de frente com o longínquo indivíduo de cabelos compridos. Apesar de suas diferenças de alturas, nunca sentiu-se intimidado pelo Espada 5. Passou a encará-lo de forma fixa e pesada.

– Estás me subestimando, Noitora? – Este último deixou seu sorriso de lado, ao mesmo tempo que um sulco de irritação apareceu entre as sobrancelhas do quinto Espada – Preocupe-se com os seus deveres, que eu encarregarei de cumprir os meus. Não me faça perder tempo ouvindo asneiras. – E assim, deu continuidade ao seu destino.

Noitora não é o tipo de pessoa que aceita ser passado para trás tão fácil. Nada respondeu enquanto o de olhos esverdeados continuava com seus passos. Sabia ele que sua vingança para aquele o qual nunca reconheceu ser mais forte que si, estava próxima. Ulquiorra sentiria na pele ser rebaixado por quem tanto subestima.

...

Acabada sua refeição, a jovem de cabelos ruivos olha para o Arrancar que viera recolher a sua bandeja. Percebeu que nunca havia dirigido a ele nenhuma palavra desde que chegou naquele lugar. Ele, que sempre fielmente cumpriu seu dever de trazê-la a refeição todos os dias. A garota sabia que ele não exaltava nenhuma ameaça. Na verdade, acostumou-se com sua presença, passando a considera-lo como um colega, que a permitia ter, ao menos temporariamente, alguns minutos longe da solidão que a cercava. Ela, pela primeira vez, agradeceu ao Arrancar que recolhia seus pratos. O mesmo apenas respondeu com uma leve reverência com a cabeça.

– Por que viestes sozinho hoje? – Ela sabia que sempre quando aproximava-se do horário de sua refeição, Ulquiorra acompanhava o servo destinado a levar seu alimento. Ele sempre esteve presente ordenando-a que se alimentasse, do contrário caberia ao mesmo fazer cumprir essa ordem nela. Mas, até hoje, nunca se fez necessário. Uma vez que a garota sabia que não duraria muito tempo sem comer, e imaginava que seus amigos vieram resgatá-la pretendendo encontra-la ainda viva. Por maior que fosse sua vontade de não ingerir nada, sabia que uma hora ou outra a abstenção de nutrientes lhe traria algum resultado, e não seria positivo para ela, nem para o seu corpo. Seus amigos não iriam gostar de vê-la desnutrida, uma vez que achariam que ela foi submetida a algum tipo de tortura ou maus tratos, o que sabe que não é o caso que se encontra. Se eles a encontrassem com sua saúde fortemente fragilizada, sabe-se o que seriam capazes de fazer para todos do Las Noches pagarem por isso.

Orihime nunca gostou de qualquer tipo de luta. Mesmo quando descobriu a existência de seus poderes. Ela sabia que precisaria lutar uma hora ou outra, mas nunca foi detentora de vocação para isso. O fato de machucar outra pessoa ainda era muito difícil de ser encarado por ela. Porém, mais difícil ainda fazia encarar seus amigos em batalhas. Por isso, tentava nas menores das ações evitar que eles sentissem qualquer tipo de ódio capaz de dominá-los ao ponto de arriscarem-se mortalmente em uma luta como punição.

– O senhor Ulquiorra encontra-se no momento em uma batalha contra o líder dos invas-...

E, como um feixe de luz que aparece por um curto período de tempo e desaparece sem deixar rastros, encontrava-se agora a cabeça daquele que não conseguira concluir sua fala. Quando a jovem menos se deu conta, ouvia as últimas palavras do agora cadáver que caia a sua frente. A gravidade derrubava seu corpo brutalmente para um lado, enquanto o crânio era jogado para o outro, e uma vasta correnteza de sangue banhava o piso sob os seus pés. Tudo o que havia ingerido parecia querer ser expulso do corpo da garota. Tudo foi tão repentino que ainda não havia dado tempo para ela processar nada pois, no instante seguinte, sentiu seu corpo ser jogado contra a parede bruscamente, enquanto aquela extensa lâmina que a prendia pela garganta foi a única imagem que passou a preencher seu campo de visão.

– Olá. O que acha de nos conhecermos melhor, humana?

Notas finais
O que acharam? Espero que tenham gostado! Continua no próximo capítulo.