Notas iniciais
Precisei acelerar um pouco o capítulo para poder postar a tempo, mas no fim ele se tornou o capítulo mais extenso que já fiz hehehe Espero realmente que vocês aproveitem! Boa leitura!

O piso do recinto marcava-se por discretas gotas que sucessivamente pingavam sobre ele. Apesar de extenso, aquele espaço só intensificava o exílio de quem o circunda. A solidão parecia aumentar a cada dia que se passava. Para uma garota que sempre fora livre, conviver trancafiada entre quatro paredes não seria algo fácil de se acostumar. Nada possuía naquele aposento capaz de entretê-la enquanto era mantida prisioneira. Sujeitava-se, em seu amplo tempo livre, recordar momentos vividos com seus amigos, o que a deixava momentaneamente feliz mas, consequentemente, a fazia lembrar do perigo o qual eles estão correndo, extinguindo toda a sua breve felicidade. Ela acabara de sair do banho, já trajada com vestes novas e limpas, contrárias àquelas que a poucas horas a revestiam. Sentia-se mais leve, pois parecia que a água que escorreu em seu corpo levou consigo toda a dor e angústia que vivenciou naquele espaço. Porém, atormentava-se continuamente com o conflito de emoções que a preenchiam.

Por um lado, agradecia do fundo de seu coração por voltar a sentir a reiatsu de Kurosaki Ichigo. Era fraca, porém indicava que ele estava vivo, sendo tudo o que ela precisava saber. Por outro, torturava-se incessantemente em não compreender a mesma preocupação com o Espada. A felicidade sentida ao ver o Arrancar a sua frente foi inexplicável. Era como se a presença de Ulquiorra naquele momento tivesse esmagado todo o peso que insistia em recair sobre suas costas. Ela afligia-se por estar sentindo isso pelo inimigo. Era algo imperdoável esse tipo de sentimento por quem quase matou seu companheiro. Nenhum de seus amigos a perdoariam se soubesse pelo que ela está passando, e ela sabia disso. Contudo, não podia negar esse fato.

Inconformava-se em nada poder fazer para mudar essa realidade. Mas será que ela realmente queria mudá-la? Sentia dentro dela essa preocupação como algo impossível de ser extinta. Por mais que tentasse, não conseguiria tratá-lo de forma indiferente. O descontentamento resumia-se na sua circunstância como prisioneira, ele como inimigo, e seus amigos como seus rivais. Isto não estava certo. Não pode ser certo estar passando por esta situação. Pensando sobre isso, a garota esconde seu rosto com as duas mãos, balançando a cabeça negativamente, atordoada com tudo o que passava em sua mente. Seus cabelos ainda úmidos pingavam no piso sob os seus pés. A água, agora, era a única marca no aposento que outrora foi sua cela de tortura.

Algum problema?

Aquela voz foi capaz de pegá-la desprevenida. Voltando ligeiramente a sua posição normal, vira-se para ver quem seria. E, pela primeira vez, depara-se com alguém nunca antes vista naquele espaço.

– Q-Quem é você? – Gagueja devido a surpresa sentida. Será que enviaram alguém diferente para cumprir alguma ordem a qual Ulquiorra não seria competente? Será que finalmente Aizen precisa usufruir de seus poderes? Mas por que não Ulquiorra, e sim outra pessoa? Será que eles descobriram algo e proibiram os dois de se verem novamente? Será que ela nunca mais veria Ulquiorra? Mas isso seria bom, não seria? Podia ajudá-la a esquecê-lo, e é isso que ela quer. Ou não? Pensamentos como esses brotavam em sua cabeça, o que a fez ficar ainda mais confusa do que a instantes atrás.

– Acho que nunca fomos apresentadas antes. Me chamo Tier Halibel. – E aquela mesma voz que a havia deixado nervosa, foi capaz de acalmá-la. A voz não era o único atributo que chamou atenção na nova visitante. Era impossível seu corpo passar despercebido. Além de possuir curvas admiráveis a qualquer um, sua roupa ainda fazia questão de deixa-las a mostra, o que contribuía em realça-las – Não se preocupe, não estou aqui a mando de Aizen-sama. – Enquanto falava, sentiu-se na liberdade de caminhar até o amplo sofá ali existente e sentar-se nele em seguida – Quero apenas conversar com você.

– Me chamo Orihime. – Dizia, ainda um pouco receosa. A reiatsu exalada da mulher a sua frente não deixava dúvidas que ela também era um Espada. Seus encontros anteriores com Espadas não tinham sido dos melhores, logo nenhum motivo inofensivo surgiu em sua cabeça capaz de justificar aquela visita repentina.

– Então Orihime, irei direto ao ponto. O que você sente por Ulquiorra Schiffer? – A tonalidade de sua fala não demonstrava qualquer tipo de desconforto, raiva, ciúmes ou curiosidade. Halibel a indagou de forma natural, como se fosse normal fazer esse tipo de pergunta a quem acabara de conhecer.

Porém, Orihime ainda estava processando a pergunta que lhe fora feita. Como aquela Arrancar poderia conhecer qualquer relação sentimental sua com o quarto Espada? A verdade é que a ruiva não sabia responder o que lhe fora questionado, pois nem ela mesma encontrou uma resposta para essa pergunta. Talvez seja este questionamento o causador de toda instabilidade emocional da garota até o presente. Mas ela sabia que não podia revelar isso. Precisava continuar guardando esses sentimentos dentro de si, pois era simplesmente incabível a realidade que a cercava.

– N-Não sei do que você está falando. Eu não sinto nada por Ulquiorra-kun. – Odiou-se por ter gaguejado mais uma vez. Ela tentava manter-se firme em sua resposta, segurando seu olhar com o da loira.

– Não há necessidade de mentir para mim. Caso precise lembrar, eu também sou uma mulher, e entendo as confusões que podem ocorrer em nossas cabeças. – Definitivamente, não era preciso se fazer lembrar. Halibel caracterizava-se, desde sua origem de Vasto Lorde, por um tratamento diferenciado às mulheres, assim como ela. Em um mundo cercado por homens, era preciso fortalecer a presença feminina nesse meio, e encorajá-las. Esse seu ideal a fez proteger as três Arrancars que foram capazes de evoluírem junto dela, e agora sempre a acompanham. Apesar de ter-se tornado uma Espada a serviço de Aizen, essa filosofia ainda se fazia presente dentro dela. Talvez, por isso, a mesma quisesse ajudar aquela prisioneira, a qual sabia que sofria além de seu confinamento.

A ruiva sentiu que mentir seria incabível. Uma atitude impensada tendo em vista sua posição como prisioneira, capaz de só piorar sua situação. Nas condições que se encontra, não seria sensato confrontar nenhum Espada, os quais sabia que possuíam poderes que iam além de sua imaginação. Apesar de considerá-la uma inimiga, sabia que no momento que vestiu aquelas vestes havia tornado-se uma deles. Orihime apenas abaixa seu olhar, com receio do que será preciso falar, mas entende que a melhor saída, naquela hora, será dizer toda a verdade. E é isso que ela faz.

Eu não sei. Eu realmente não sei o que sinto por ele. Algo muito forte dentro de mim atormenta-me com isso. Eu sei que possuo algum sentimento por ele, mas ainda não consegui decifrá-lo. Pensar nisso me aflige, pois não sei se isto está certo. Preocupo-me em sentir isso por quem é meu inimigo, e por quem está ferindo meus companheiros. Eu não quero que eles pensem que os estou traindo. Eles estão lá fora, tentando me resgatar, enquanto eu estou aqui, chorando com isso, sem poder fazer nada para ajuda-los. Eu sou uma péssima amiga... – Não conseguiu concluir sua fala, pois as lágrimas pareciam sugar toda a força restante da garota. Ela apertava forte sua barriga com os braços, enquanto curvava-se levemente para frente, molhando o chão com a água que escorria de seus olhos.

Não era preciso dizer mais nada para ser totalmente compreendida a resposta da garota. Halibel apenas a fitou por um momento. Aproximou-se da ruiva e a trouxe para junto de si, deixando-a chorar sobre suas pernas, enquanto apoiava sua mão na cabeça alheia. Orihime não protestou o ato recebido por encontrar-se visivelmente abalada, incapaz de qualquer resistência. Na verdade, aquilo só ajudou a confortá-la, coisa que carecia fortemente no momento.

– Há muitas coisas no mundo as quais não compreendemos. Porém as que mais nos martirizam são as que provém de nosso mundo interno. Lidar com sentimentos realmente não é fácil, e muitas vezes não entendemos o porquê de sentirmos isso. Mas você ter conseguido guardar essa dor dentro de si esse tempo todo, só mostra o quão forte tu és.

Seu choro, aos poucos, estagnava-se, enquanto permanecia a ouvir as palavras da terceira Espada.

– Para você estar tão confusa assim, então seus sentimentos por Ulquiorra não devem ser fracos. Eu entendo que na sua situação, não seria aceitável sentir isso por quem é seu inimigo. Mas tentar negar esse sentimento só o faz ter mais força. Não tente negá-lo, mas aceite-o. Quando você passar a aceita-lo, você conseguirá conhece-lo. Se seus amigos realmente querem o seu bem, eles irão entende-la. – Dos Espadas, Halibel parecia ser a única capaz de enxergar desse modo. Talvez devido a particularidade que ela possuía entre eles em proteger Arrancars sem nenhuma espécie de ganho pessoal, mas pela vontade que sentia em unir-se a elas. Desde o seu surgimento, a terceira Espada vivia essa necessidade. Isso a diferenciava dos demais que diariamente convivem com ela.

Orihime já havia cessado suas lágrimas, e encontrava-se apenas observando aquela mulher a sua frente com um olhar significantemente surpreso. Aquelas palavras possuíram uma força nunca antes vista, a qual foi capaz de clarear toda a negritude que preenchia sua mente. Talvez palavras não fossem o suficiente para agradecê-la pelo que acabara de ouvir. Mas não seria necessário, já que a Arrancar entendeu perfeitamente a expressão no rosto da garota, em uma resposta muito mais nítida.

Halibel levantava-se do sofá e dirigia-se para a porta, mas veio a interromper seus passos para um último pronunciamento.

– Vamos deixar essa nossa conversa em sigilo. E um último aviso para talvez confortá-la:Ulquiorra também sente algo diferente por você. Não preciso pergunta-lo para já notar isso.

Aquilo, inevitavelmente, fez seu coração acelerar. Passava a brilhar, em seu interior, uma luz de esperança nunca antes vista. E, por tudo o que acabara de passar, Inoue agradeceu verdadeiramente àquela mulher. Continuava sem entender o motivo que levou a Arrancar ter esta conversa com ela, mas tudo que podia fazer, no momento, era agradecer. As palavras alheias foram capazes de destruir a barreira que impedia-a de enxergar isso, barreira esta que nunca possuiu forças para quebrá-la. A resposta da garota, porém, veio tardia, pois tudo o que ouviu em seguida foi o barulho da porta fechando-se diante dela.

...

– Ora, você por aqui. Estou surpreso, achei que não gostasse de mim.

– Eu nunca tive qualquer opinião sobre você, Gin.

– Ah, vamos, você não deve ser assim o tempo todo. Isso pode magoar as pessoas, sabia?

– Eu não vim aqui discutir sobre isso.

– Já vi que também não veio só para me fazer companhia. Então, o que você quer tratar comigo?

– Quero saber para que zona Noitora foi designado.

– Hm, e por qual motivo você quer saber disso?

– Não sabia que precisaria responder um questionário para obter uma simples informação.

...

E o enorme deserto que caracteriza o Hueco Mundo agora era marcado por extensos raios de luz preta e azul. No meio de toda aquela perceptível expansão de ataques, encontravam-se o indivíduo de cabelos alaranjados juntamente com o Espada portador da sexta posição. Talvez a destruição só não se mostrara maior pois o terreno arenoso a encobria. Os dois estavam visivelmente feridos, porém ignoravam seu estado físico, pois o objetivo de enfrentarem-se gritava mais alto dentro deles. Grimmjow expressava praticamente o tempo todo uma feição eufórica e entusiasmada. Parecia divertir-se com aquela luta contra aquele o qual considera sua única e prioritária presa, Kurosaki Ichigo.

– Grimmjow, quero que me responda uma coisa. – Pausava sua luta com uma certa distância de seu oponente. Encontrava-se nitidamente cansado, mas não fora esse motivo que dera causa a seu ato. Sua fala possuiu uma tonalidade séria. É como se sentisse que precisava tirar o quanto antes essa dúvida com o outro para, assim, prosseguir a batalha.

Notando a seriedade que seu rival o dirigiu a fala, Grimmjow igualmente estabiliza-se em uma posição afastada do outro, pronto para ouvi-lo. Sabia que independentemente do que dissesse, ele continuaria sua luta contra o ruivo, o mesmo aceitando ou não.

– Diz.

– Quero saber como Orihime está. Vocês fizeram algo com ela? – A seriedade perdurava em sua fala. Parecia que ele não aceitaria qualquer negativa que não levasse a uma resposta satisfatória a sua pergunta.

Grimmjow o encara por um tempo. Já excluíra o sorriso que se fazia presente em seu rosto. Pensa um pouco sobre o que ouvira, mas decide, por fim, responder à pergunta proferida, uma vez que não tinha nada a perder com tal manifestação. Talvez sua resposta só contribuísse para uma luta mais divertida contra o Shinigami, consequentemente.

– Nós não fizemos nada contra aquela humana, por ordens de Aizen. Porém, sempre existem aqueles que não se contentam com determinadas ordens.

– O que você quer dizer?

– Bem, vejamos... posso dizer, resumidamente, que um dos nossos se divertiu um pouco com ela. – Grimmjow analisava cada feição resultante no outro pela sua fala. Sabia que aquilo despertaria o ódio no Shinigami, e que o mesmo não pouparia forças para puni-los – Acho que Noitora, dessa vez, roubou o meu posto agindo por conta própria.

– Entendo. Sendo assim, acho que precisarei terminar essa nossa luta o quanto antes. – E tudo o que Grimmjow esperava deu-se causa. Aquele ambiente que os cercavam ficou incomparavelmente mais pesado. O sorriso cresceu no rosto do Espada. Nunca antes Grimmjow havia sentido uma reiatsu tão forte exalada daquele indivíduo, o que o animou exageradamente. Agora, finalmente, a luta teria um vitorioso.

Notas finais
Então meus amores, o que acharam? É muito importante saber a opinião de vocês! Espero realmente que tenham gostado! Beijinhos e até o próximo capítulo!