O coração de Isabela.
5 Capítulo 5 - Será que nunca vou cantar?
Notas iniciais

No dia seguinte acordei com uma música na cabeça e comecei a cantar ela no quarto. Minha voz não estava ruim hoje. Fiquei feliz com isso.
♫ Estarei contigo sempre
Minha única razão
Mesmo que o tempo nos separe
É teu meu coração ♫
A Rebeca entrou me interrompendo.
— Ah querida é bom te ouvir cantar, ainda mais essa música.
Estranhei e perguntei:
— O que tem essa música?
— Você esqueceu da nossa música? Eu cantei ela ontem à noite para você enquanto você dormia. — Ela pareceu muito decepcionada por eu não lembrar daquela música. Aff. Acho que eu devia estar com ela na cabeça porque ela cantou.
— Ai Mãe, é só uma música. — Falei saindo do quarto, como eu já estava pronta peguei algo para comer e fui direto para a escola.
Quando voltei para casa resolvi tentar ver as músicas da banda da Manuela, hoje eu estava cantando bem de manhã, talvez minha voz tenha melhorado. Encontrei um CD da bandinha dela em uma das gavetas e coloquei para ouvir. As músicas dela eram bem breguinhas, mas a voz dela era muito boa, nunca ia conseguir cantar como ela, tentei um pouco mas percebi que continuava cantando mal. Que droga.
Continuei tentando cantar durante a semana só que isso só me desanimou mais, já estava ficando frustrada. Porque eu não consigo cantar?!
Na sexta a Rebeca entrou no quarto enquanto eu estava cantando.
— Manu, você está cantando! Que bom!
— Que bom nada! Eu não consigo mais cantar. — Resolvi fingir que foi por causa do sequestro que eu não conseguia cantar.
— Você consegue sim querida, só precisar voltar a confiar em si mesma. — Lá vem ela falando baboseiras.
— Eu nunca mais vou conseguir cantar. — Disse irritada.
— Claro que consegue, você cantava muito bem antes, você vai conseguir. — Ela se aproximou de mim para me dar um abraço e eu me afastei dela.
— Não vou, nunca mais quero cantar e saí de perto de mim! — Dessa vez falei bem alto e ela me olhou assustada.
— Não sei o que aconteceu desde que você voltou, mas você está muito diferente, quero te ajudar, mas você precisa deixar, quero que você fique bem e volte a ser minha Manuela. — Isso doeu mais que um tapa na cara, é claro que ela queria a Manuela com a personalidade boazinha dela, ninguém queria uma pessoa como eu por perto. Ela começou a se aproximar de mim e eu me afastei. Não ia mais conseguir ficar ali depois dessa e sai correndo de casa sem falar nada brava, ouvi ela me chamando, mas não respondi nem parei de andar.
Já estava cansada disso, ela sempre tem que ficar me fazendo perguntas e agora ainda fala comigo desse jeito, sei que ela pensa que eu sou a Manuela, mas se ela não pode aceitar meu jeito agora ela nunca me aceitaria se soubesse que eu sou a filha que ela abandonou.
Cheguei na praça da cidade e não sabia o que fazer, não ia voltar para casa agora, mas não tinha onde ficar. Tive a ideia de ir para a casa da Dóris, ela me chamou para dormir lá outro dia então provavelmente a Manuela dormia lá de vez em quando.
Bati na porta e a mãe da Dóris abriu para mim.
— Manu? O que você está fazendo aqui?
— Eu tive um problema lá em casa, será que eu posso dormir aqui?
— Não sei se a Rebeca ia gostar Manu.
— Por favor? Só hoje! — Eu pedi.
— Tudo bem, mas eu vou ligar para sua mãe para avisar que você está aqui.
Eu afirmei e entrei na casa, o Mateus e a Dóris me receberam felizes.
— Manu! O que você está fazendo aqui? — O Mateus perguntou.
— Vou dormir aqui hoje.
— Eba! — Dóris disse animada. — Vamos brincar até tarde!
— Nada de brincar, vocês têm que dormir, amanhã vocês irão acordar cedo para arrumar as coisas para a viagem. — Disse o pai deles.
Segui eles até o quarto e era simples igual ao da Manuela, a mãe deles colocou um colchão no chão para mim. A mãe deles preparou algo pra gente comer e depois fomos deitar. Ela saiu do quarto dando boa noite para nós.
— Manu, o que aconteceu? — Perguntou o Mateus sentado na cama dele. E eu sentei no meu colchão.
— Não foi nada Mateus, eu só estava com saudade de dormir aqui com vocês. — Eu disse fingindo um sorriso. A Dóris sentou do meu lado.
— Eu não acredito que seja isso, no outro dia você não quis vir dormir aqui de jeito nenhum. Aconteceu alguma coisa com a sua mãe? — É difícil mentir para esse pessoal daqui.
— Ah, só tivemos uma briguinha, não foi nada. Prefiro não falar sobre isso.
Fui surpreendida por um abraço da Dóris.
— Você e sua mãe são melhores amigas, logo vão resolver isso, não fica triste. — Ela disse ainda me abraçando, achei legal da parte dela, mas empurrei ela um pouco para o lado e disse:
— Obrigada, agora eu prefiro ir dormir. — Os dois concordaram, o Mateus se deitou e a Dóris foi para a cama dela e eu deitei também.
Antes de dormir fiquei pensando na briga que tive, ainda estava muito chateada com que a Rebeca me disse, mas já estava me sentindo um pouco melhor, eu acho que é certo quando as pessoas dizem que ter amigos te ajudam a não ficar tão triste nos momentos ruins.
—----------> No próximo capítulo <---------
Chegando na casa fiquei feliz, o lugar era lindo, do meu nível.
Quando passei perto da ponta da piscina fui empurrada pelo Mateus, o Téo e a Dóris. E eles riram quando eu caí dentro da piscina. Fiquei com muita raiva, não queria nadar.
— Porque vocês fizeram isso? Eu não queria nadar! – Disse irritada.
Fiquei feliz com o que ele disse, ele sempre conseguia fazer eu me sentir melhor.
— Eu queria te mostrar a música que eu fiz para você quando você sumiu...
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